DEOPS

Estou lendo no momento Imprensa Confiscada Pelo Deops: 1924-1954. Segundo lugar do Prêmio Jabuti 2004 na categoria Ciências Humanas. A livre circulação de idéias fiugura entre as mais importantes questões do nascimento, desenvolvimento e engrandecimento de qualquer nação. Por isso, o controle e a censura impostos às correntes de pensamento também são temas igualmente relevantes. Este livro toca nesta delicada questão. Reunindo jornais de militância política confiscados entre 1924 e 1954 pelo extinto DEOPS/SP - Departamento Estadual de Ordem Política e Social, demonstra que os diferentes governos do período vigiaram e coibiram intensamente a livre circulação de idéias no país. O resultado desse trabalho é rico. Revela a articulação de diversos segmentos da sociedade - como partidos políticos, associações de classe e grupos étnicos - em defesa de questões de seu interesse. Simultaneamente, mostra como as autoridades brasileiras agiam para firmar-se no poder e construir sua própria versão da história.

Além dos dados sobre as publicações censuradas, os autores trazem importantes informações sobre figuras da política brasileira. Por exemplo, fica-se sabendo que em 1948 o governo apreendeu o jornal ‘A voz sionista’, publicado no Rio de Janeiro. É intrigante, pois o tirano do Catete já não estava mais no poder desde 1945. Mas o livro esclarece: ‘Esta preocupação das autoridades brasileiras com o movimento sionista tem sua razão de ser. Após a Partilha da Palestina, o presidente Dutra – cujas tendências germanófilas, anti-semitas e anticomunistas marcaram sua passagem pelo governo Vargas – não via com bons olhos os rumos tomados pelo recém-criado Estado de Israel, candidato a "satélite comunista". ... Este contexto pressionou o Brasil a retardar para 7 de fevereiro de 1949 seu reconhecimento oficial ao Estado de Israel e para 1952 o estabelecimento das ligações diplomáticas".

Mas não foram apenas os judeus a serem perseguidos pelo Estado brasileiro. Quem quer que pudesse representar a menor ameaça, real ou imaginária, era censurado ou, no mínimo, "monitorado". Até ‘A voz dos Alfaiates’ foi considerado perigoso e apreendido em 1936.
Embora extinto desde 1983, a mentalidade censora oficial do DEOPS não pode ser considerada coisa do passado. Hoje ela se dá de forma muito mais sutil e perversa. Mas basta, por ora, recomendar fortemente a leitura de ‘A imprensa confiscada pelo DEOPS’, que trata das relações entre poder e imprensa num tempo em que as autoridades não se preocupavam em escamotear a censura. Nem ao menos dela se envergonhavam.

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Um comentário:

  1. Opa... gostei do texto... e deve ser interessante o livro... e essa sobre Israel é nova p/ mim... vlw!!!

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