SK06....pra lembrar


Apostando na diversificação de seu público e na fase atual da música eletrônica, cada vez mais aberta a novos estilos e influências de outros gêneros, como o rock, a edição de 2006 do Skol Beats levou, segundo a agência Reuters, 59.500 espectadores ao Anhembi, um novo recorde de público que o tornou o maior festival de música eletrônica da América Latina. Em 2005, o Skol Beats teve público de 57.500 pessoas.

Um dos grandes responsáveis por esta nova marca foi o show do grupo inglês Prodigy, que mesclou em sua apresentação breakbeat com sonoridade e atitude punk, e tornou-se o mais concorrido do festival, com direito a histeria na hora do hit "Smack My Bitch Up", já no bis da apresentação. A expectativa pelo show da banda foi tanta que houve tumulto no acesso ao palco Live - com a saída do público que assistia ao LCD Soundsystem e a multidão que se aglomerava ansiosa para ver o Prodigy, um grande número de pessoas ficou praticamente prensada no gargalo formado entre as arquibancadas do sambódromo, o que causou alguns desmaios e atendimentos no posto médico local.

O LCD Soundsystem, que tocou antes do Prodigy, foi outro "invasor roqueiro" do Skol Beats. A banda apresentou um grande show que misturava eletrônica e rock, sob o comando do produtor e cantor americano James Murphy e de uma banda formada pelo baixista Tyler Pope, pelo guitarrista Phil Mossman, pela tecladista Nancy Whang e pelo baterista Pat Mahoney. Outros que acertaram na mistura de estilos foram os ingleses do Plump DJs e The Bays. Enquanto o Plump DJs tocou set de breakbeat com influências de house e direito a encerramento com o clássico da disco "I Feel Love", de Donna Summer, o The Bays subiu ao palco com bateria, baixo, teclados e diversos laptops, apresentando, durante cerca de uma hora, fusion, house, tecno, breakbeat, big beat e drum'n'bass.

A mistura de estilos do Skol Beats ficou mais evidente no trio Pepsi X Electric, que teve funk carioca e popozudas com o DJ Marlboro e Deize Tigrona, e os encontros musicais do compositor Ed Motta com os houseiros do Jamanta Crew e da banda Cansei de Ser Sexy com o DJ Camilo Rocha, entre outros.Na tenda The End, o lendário DJ e produtor alemão Sven Vath, precursor do tecno, lotava a pista em um dos sets mais longos da noite, com três horas de duração. Prolífico como sempre, Sven Vath mostrou faixas do já consagrado estilo electro e produções que resgatam a sonoridade trance do início dos anos 90. Na reunião de amigos ciceroneada por Marky, o público ouviu drum'n bass de grande qualidade com as atrações internacionais Hype e Andy C e encontros célebres como o de Patife e Marky, na apresentação final da tenda.

Outra grande novidade do Skol Beats 2006 foi o espaço ao ar livre do núcleo de festas Tribe, dedicado exclusivamente ao psytrance. Estilo que tem uma enorme legião de fãs brasileiros e que hoje em dia promove as maiores raves do Brasil, o psy finalmente ganhou palco própri e teve como destaques as apresentações de Wrecked Machines e Astrix. Veja a coberturaPara encerrar o Skol Beats em grande estilo, o esperado back to back entre dois dos principais DJs brasileiros no palco Live: Mau Mau e Anderson Noise. Ambos se apresentaram após um ótimo Live PA de Renato Cohen, outro top DJ e podutor nacional, que tocou remixes de sucessos como "Pontapé" e "Space Is", levando o público ao delírio já sob a luz do dia.

Primeiro a entrar, logo de início Mau Mau sofreu com um problema que infelizmente está se tornando comum nos finais de edições do Skol Beats: o sistema de som sofreu um apagão de cerca de dez minutos. Depois de algumas vaias do público e algumas caretas do DJ para a equipe técnica, o problema foi resolvido, e Mau Mau fez um dos melhores sets do festival, levantando o Anhembi. Depois deu lugar a Anderson Noise, que continuou a fazer o público do Anhembi pular com seu tecno de influência minimalista. O ápice da apresentação aconteceu no final, quando Noise e Mau Mau tocaram juntos se alternando nos toca-discos, para delírio de milhares de pessoas que, até aproximadamente às 10h de domingo, pularam com dois dos pioneiros da música eletrônica no Brasil.

(com Antonio Farinaci, Bruna Monteiro de Barros e agência Reuters)

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