O ponto de um conto.


Um dos pontos em que muita gente concorda diz respeito ao tamanho do conto: não deve ser muito longo – pois transformar-se-ia numa novela; nem tão curto – porque corre-se o risco de transformá-lo em anedota. Poe falava de tamanho em termos de tempo de leitura. Para ele o conto ideal ocuparia o leitor entre 30 minutos e duas horas. Que se pudesse, enfim, ler de uma assentada só.

Segundo outras defenições, o conto não deve ocupar mais de 7.500 palavras. Actualmente entende-se que pode variar entre um mínimo de 1.000 e um máximo de 20.000 palavras.O romance Vidas secas, Graciliano Ramos (1892-1953), A festa, Ivan Ângelo e alguns romances de Bernardo Guimarães (1825-1884) e Autran Dourado, podem ser lidos como uma série de contos. Também Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, Machado de Assis, O Processo, Kafka, são constituídos por pequenos contos. São os chamados romances desmontáveis.

Assis Brasil vai mais longe ao afirmar que Grande Sertão: veredas, Guimarães Rosa (1908-1967), é um conto alongado, pois o escritor tê-lo-ia como narrativa curta. O Grande Sertão, como sabemos, tem mais de 500 páginas. Todas essas colocações demonstram como é difícil definir o conto; mesmo assim, quem o conhece, não o confunde com outro gênero.

Neste século podemos incluir entre os grandes: O. Henry, Anatole France, Virgínia Woolf, Katherine Mansfield, Kafka, James Joyce, William Faulkner, Ernest Hemingway, Máximo Gorki, Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Aníbal Machado, Alcântara Machado, Guimarães Rosa, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Osman Lins, Clarice Lispector, Jorge Luís Borges, Lima Barreto.

Outros nomes importantes do conto no Brasil: Julieta Godoy Ladeira, Otto Lara Resende, Manoel Lobato, Sérgio Sant’Anna, Moreira Campos, Ricardo Ramos, Edilberto Coutinho, Breno Accioly, Murilo Rubião, Moacyr Scliar, Péricles Prade, Guido Wilmar Sassi, Samuel Rawet, Domingos Pellegrini Jr, José J. Veiga, Luiz Vilela, Nelson Rodrigues, Sergio Faraco, Victor Giudice, Lygia Fagundes Telles, entre outros. Em Portugal destaca-se, entre outros, Eça de Queirós.

Para um escritor que faz da sua escrita, arte, a trama/o enredo não têm muita importância; o que mais importa é como (forma) contar e não o que (conteúdo) contar. Borges dizia que contamos sempre a mesma fábula. Julio Cortázar (1914-1984) diz que não há temas bons nem temas ruins; há somente um tratamento bom ou ruim para determinado tema. (“Alguns aspectos do conto”, in Valise de cronópio). Claro que há que ter cuidado com o excesso de formalismos para não virar personagem daquela piada: um escritor passou a vida toda trabalhando as formas para criar um estilo perfeito para impressionar o mundo; quando conseguiu alcançá-lo, descobriu que não tinha nada para dizer com ele.

Agora me conte sobre um conto?

foto por Isabel Silva / 1000 imagens

2 comentários:

  1. Não sou boa nessa coisa de escrever e contar contos... mal e mal uma piadinha curta :)

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  2. quem conta um conto aumenta um ponto :D

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