Sorrir



Quanta saudades, a mente me chega de repente
Saudades de um tempo que era lindo envolvente
Lembrança do circo, de lona sempre bem rasgada

Que era uma gostosura, uma alegria da molecada
Tinha circo...de teatro, de animais, e de mil variedades
Que era a maior festa, quando eles chegavam as cidades
Na frente tinha os vendedores, os famosos doces e pipoca
Tinha muita alegria, muita luz, amendoim torrado e paçoca


"...O Sol oblíquo da manhã cria longas sombras pela rua. Encosta a ponta do guarda-chuva no chão conforme anda e assobia musiquinhas. Imagine um Chaplim mais para desengonçado e esquisito do que charmoso e você terá uma imagem bem acurada. Sua mente voa alto e saltita longe. O palhaço vê as coisas do mundo enquanto anda e julga compreendê-las mais perfeitamente do que qualquer outro. Ele, e só ele, enxerga a beleza secreta que se esconde em tudo! Do caos de pensamentos uma idéia ganha força. Um iconoclasta bizantino apaga imagens religiosas com cal, pois sua ordem considera um sacrilégio a representação de Jesus ou santos em imagens. Uma interpretação radical do princípio da não-adoração de ídolos. Certo dia vê uma imagem da virgem e quando está prestes a destruí-la a considera tão perfeita que se convence não ser uma interpretação artística da face de Maria, mas o seu rosto verdadeiro e se apaixona. Ele começa por deixar a peça para ser apagada depois das outras até que apenas ela resta. Talvez o iconoclasta enlouqueça a esta altura, ou talvez apague a imagem chorando pois seu medo das leis dos homens é mais forte que seu amor por Deus, mas não sem uma boa dose de culpa. Conto curto, não mais do que sete páginas. O palhaço sorri enquanto brinca em sua mente como uma criança dentro da caixa de areia..."


Nosso coração parecia ir até a boca, com o salto mortal
Que dava os trapezista, de forma arrojada, sensacional
Tinha os mágicos, bailarinas,equilibrista, no cabo de aço
E tinha o mais querido, o esperado, amado, e alegre palhaço

O mestre de cerimônia na abertura famosa , " respeitável publico..."
Era um espetáculo lindo puro, alegre, emocionante, e até pudico

Pena que hoje esta tudo mudado, o circo já não é o mesmo de outrora
Até a criançada, não liga mais, nossa alegria parece ter ido embora


..."A chuva aperta e ele acelera o passo até a livraria. Entra correndo e dá de cara com os inúmeros livros das prateleiras que parecem gritar com os braços estendidos: “Eu! Pega eu! Pega eu aqui!”. A multidão de livros o ensurdece e o palhaço se entusiasma. Quer comprar eles todos! Ler todos eles de uma só vez! Pega um dos livros sorridente e vê o selo da editora. É, ele reconhece. Enviou uma coletânea de contos para ela para ver se a publicava. Não responderam. Reconhece outra. Disseram que não fazia parte do perfil da editora. Mais uma. Não trabalhavam com autores iniciantes. Outra que não estava aceitando originais novos pois já estavam sobrecarregados para analisar o que tinham. Ele vê uma para a qual nem os enviou porque desligaram o telefone no instante em que ouviram a palavra “conto”. Vê outra ainda em que ao menos se deram ao trabalho de falar que contos não vendem antes de desligar. O palhaço não culpa ninguém. Sabe que é verdade. Sabe que ele não vende. Mas não pode evitar de ficar triste ao pensar nas suas dezenas de cópias espalhadas por editoras de todos os tamanhos e especialidades. Seus papéis engavetados juntado pó. Aquelas suas delicadas flores que lhe deram tanto trabalho e tanta alegria em momentos furtados do chuveiro, do almoço e debaixo do sovaco fedido de alguém e que eram agora pisoteadas por gigantes mais populares. No reflexo da vitrine ele se vê pela primeira vez vestido de palhaço e seu coração encolhe. Se sente humilhado e pequeno. Se sente envergonhado de quem é. E é ali que o palhaço finalmente percebe. Ele não vai conseguir. Ninguém vai ouvir. Ninguém vai entender. Ninguém vai ler. E não há nada a ser feito. Com dor o palhaço aceita que talvez ele não tenha força para se fazer entender. Ninguém consegue ouvir um sussurro de poesia em meio às britadeiras. Talvez se tivesse nascido em outro país, ou em outra época, mas aqui… aqui não. Não há a ser feito."...

Mais assim é o mundo, hoje este imenso circo, cheio de tristeza e dor

Parece que neste nosso viver, não tem mais alegria a vida tem outro sabor

So sei que neste mundo incrível, o circo esta acabado, sem espaço para viver

E mais dia menos dia, todo este encanto, e até o palhaço querido...tambem vai morrer.



Mas, porque pensar assim se todo acontecimento é importante, tanto quanto o proximo a vir? Abre um arquivo branco e lá despeja o que sente, e dá ao conto que escreve o irreverente título de “Palhaço”.


Imagem by Débora (pessoa que muda o mundo com um olhar diferente...)


Um comentário:

  1. E olhando para o céu com as mãos postas em sinal de respeito em posição de oração:

    -Pai , me ensina a ser palhaço!
    -Pai , me ensina a ser palhaço!
    -Pai , me ensina a ser palhaço!

    E nisso ouve uma voz dentro de sua cabeça ecoando:

    -Isso não se ensina seu bosta!!!!

    Claro que roubei de algém , pq eu só sei pintar,mas acho que veio a calhar!

    Adorei o crédito;)

    Ah! E o conto também!rs

    Brincadeira, amei o conto!

    Beijo grande.

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