Nos fundos.

Entrevista para esclarecer os que investem nos "fundos de investimento"

P: A quem deve o gerente de uma Companhia de Investimentos prestar maior atenção e cuidar com especiais cuidados?
R: Ao investidor que ainda não investiu.


P: Os milionários são clientes melhores do que os investidores com pouco dinheiro?
R: De modo algum. Os pobres são menos arrogantes e exigentes e seu dinheiro pode ser administrado com maior liberdade. Além do que, é preferível dez mil ações de um real, espalhadas nas mãos de dez mil sujeitos do que dez mil ações controladas na mão de um tipo só, pode manejar com elas.

P: Mas de que modo os investidores pobres, sem acesso às mumunhas-diretas de informação, tomam conhecimento das emissões de ações das companhias?
R: Através das publicações pagas com o dinheiro de contribuintes anteriores

P: Mas isso não é um risco?
R: Não do nosso dinheiro. Não pomos dinheiro nesse tipo de negócio. Administramos.

P: Não há maneira de levantar capital sem arriscar o dinheiro anteriormente depositado?
R: Sim, fazendo com que os Jornais participem da sociedade, os bancos participem da sociedade - e o Estado. Desse modo, mesmo que se perca dinheiro em três partes da companhia, uma das partes sairá lucrando e seja tudo para a grandeza e glória do capitalismo.

P: Quando se lança uma Sociedade de Investimentos, que outros passos são considerados necessários para o seu sucesso?
R: Convidar a imprensa para coquetéis íntimos, os diretores dos jornais para jantares íntimos, e conversar os colunistas populares para que não falem irrisoriamente do assunto. Em todo caso pensar na imprensa, na imprensa, e na imprensa. A imprensa, amigo!

P: Mas como se admitir que um jornalistazinho qualquer, digamos um "colunista social", possa influenciar os créditos de uma empresa de petróleo BrasilBolívia?
R: Não pode, mas cria a impressão de que pode. O colunista pensa que pode. Então o leitor passa a admitir que pode. Assim também um grupo de leitores. Por influencia dessa opinião, digamos, pública, o dono do jornal passa a achar também que a "Opinião Publica" esta sendo influenciada. Aí os jornais de lá transcrevem o colunista de cá e o colunista de cá transcreve os jornais de lá. Isso forma uma espécie de corrente de investimento. No fim resulta mesmo em investimento. Tudo um pressuposto. Mas, não vivemos afinal no mundo de pressuposições transformadas em realidades?

P: O nome de uma Companhia de Investimento é importante para o sucesso da
empresa?

R: Sim, igual a um sabonete ou a um refrigerante. Antigamente os nomes das companhias de investimento deviam ter características estrangeiras para adquirirem a confiança pública. Essas características deviam ser, de preferência, inglesas, talvez holandesas ou alemãs, ou ainda, mais recentemente, americanas. Hoje as Companhias de Investimento devem ter seus nomes bem nacionais, embora feitos de palavras desconhecidas, preferivelmente siglas formadas das letras de duas ou três firmas importantes controladas por elas. Afinal o nome deve se um anzol e a isca a inclusão, no "board", de algumas pessoas importantes ligadas às altas finanças internacionais. A maioria desses nomes deve ser brasileira mas, apesar do crescente nacionalismo, um ou outro nome estrangeiro impronunciável dá solidez e confiança à empresa aos olhos do público.

P: Que tipo de diretor ou presidente é o ideal para uma Companhia de Investimento?
R: Um cuja reputação de homem rico seja indiscutível. Na mente popular há uma crença (injustificável) de que os ricos são menos vorazes em questões de dinheiros do que os homens pobres subitamente guindados a posições de importância financeira.

P: Qual a atividade principal desse diretor ou presidente?
R: Assinar sem olhar e olhar sem ver. Aparecer em lugares públicos representando a Companhia de Investimento, saindo porém de festas, jantares, coquetéis e conferências de imprensa o mais rapidamente possível, deixando apenas a impressão dos contatos iniciais de simpatia, sem chegar a conversas mais longas que possam comprometê-lo pela intimidade ou desumanizá- lo pela falta de intimidade.

P: Recebe muito esse diretor ou presidente?
R: O bastante para fazer sua independência num espaço de tempo e ser substituído rapidamente, para que o novo diretor ou presidente possa "mudar radicalmente a política da companhia" ou "continuar na tradição e nos sábios antecedentes" que encontrou. Isso, naturalmente, nunca de acordo com os investidores mas com os interesses da companhia. A mudança constante de diretores e presidentes força, naturalmente, os órgãos de publicidade (sempre a imprensa!) não comprometidos e a opinião pública hostil, a sucessivos créditos de confiança, pois não se pode atacar uma companhia quando ela está querendo mudar e acertar.

P: Muito obrigado.
R: Muito obrigado o senhor

Nenhum comentário:

Postar um comentário