Nota zero a segurança publica.

De repente, a Lei Seca deu certo e as famílias brasileiras contabilizam, felizes, a redução no número de acidentes, de feridos e mortos. Com a Lei Seca, temos a sensação que saímos de uma guerra e estamos nos adaptando a um período de paz.

O mesmo precisamos fazer, com urgência, com a Segurança Pública. Não agüentamos mais nos concentrar nos fatos isolados, que são muitos, relatando as mortes de civis, de policiais militares, de criminosos que já se entregaram.

Chega! Precisamos dar um basta às execuções de civis praticadas por policiais despreparados. Sem reciclagem mas armados. Polícias que se mantêm em guetos agindo à margem da lei, como constatamos nos casos de roubos de cargas e de quadrilhas de venda de carteiras de habilitação falsas.

Por exemplo, reportagem publicada pelo jornal O Globo mostra que após concluir a preparação no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap), que leva oito meses, um soldado da PM do Estado do Rio pode ficar de oito a dez anos sem passar por cursos de reciclagem.

O resultado foi a morte do menino João Roberto, que teve o carro de sua mãe fuzilado. Apenas o cabo William de Paula tinha curso de técnicas de abordagem. O soldado Elias, há três anos na corporação, não tinha. Os dois estão presos acusados da morte do menino.

Mas, de novo, insisto, não basta punir os policiais que erram e matam em missão se nada fizermos com as políticas de Segurança Pública, que mais do que reciclar de maneira sistemática, têm que trazer os policiais para o convívio cidadão. Senão, os fuzilamentos de civis voltarão a ocorrer.

Ainda existem muitos guetos no aparelho policial que vivem como se o País não estivesse em plena democracia, com os direitos do cidadão assegurados. Ao mesmo tempo, a sensação de bandalheira generalizada, com a morosidade da Justiça e soltura continuada dos criminosos de colarinho branco, gera nos cidadãos uma sensação de impunidade. E muitos criminosos se lançam ao crime achando que nada lhes acontecerá.

No mesmo estilo da Lei Seca, vamos adotar a Tolerância Zero para as ações de violência, especialmente as que são fruto do despreparo dos policiais, civis e militares, que têm a obrigação constitucional de proteger as vidas dos cidadãos. E ampliar o rigor das investigações, reduzir os tempos de apuração dos crimes e punir exemplarmente todo criminoso que achar que sairá impune em quaisquer tipos de crimes.

Lutamos, durante décadas, contra a prepotência policial, que a sociedade corretamente associava à ditadura militar. Agora, é hora de levar o Estado de Direito para as rotinas das polícias civil e militar, que bem treinadas saberão impor o rigor do Estado brasileiro aos criminosos que ousem desafiar nossas leis. Estamos perdendo vidas demais, gerando tragédias absolutamente evitáveis.

Brasil exige uma revolução na política de segurança pública

Quando a gente resolve dar um basta, nos mostramos um povo altamente disciplinado e cidadão. Quem viveu a inflação galopante achava que nunca controlaríamos os preços. "E agora, 14 anos depois do Plano Real, qualquer oscilação na inflação, para mais, já nos mobiliza para pressionar governos, para comparar preços, para punir empresas que estejam, eventualmente, abusando", afirma o deputado federal Roberto Santiago.

O mesmo acaba de ser feito com a violência no trânsito, com milhares de pessoas mortas e feridas. Com a Lei Seca em vigor, já nos reeducamos para respeitar a lei. A conseqüência tem sido a redução drástica do número de mortos e feridos.

"É por isso que acredito que vamos controlar com urgência os problemas de segurança pública", afirma o deputado Roberto Santiago. "É porque o povo brasileiro quer e não aceita mais que o assunto seja adiado", diz.

Muito mais do que as pirotecnias de se prender e soltar criminosos de colarinho branco, temos que buscar investimentos em treinamento de nossas polícias. Para que elas sejam, efetivamente, eficientes na apuração dos crimes e na apuração de provas sólidas para que a Justiça condene, de verdade, os que forem considerados culpados.

É a democracia que tem que chegar dentro dos quartéis e das delegacias de polícia e fazer parte da referência de todo e qualquer cidadão, antes que ele se julgue no direito de atuar contra o Estado brasileiro, apostando na impunidade. Queremos uma polícia que saiba respeitar nossos direitos, mas que seja absolutamente rigorosa com todo e qualquer tipo de crime.

Não suportamos mais as manchetes de atos violentos praticados contra nossas polícias ou realizados por nossos policiais no exercício do dever. Por isso, tenho certeza de que o Estado brasileiro vai seguir a vontade dos brasileiros e brasileiras e iniciar um procedimento para, a exemplo da Lei Seca e do Plano Real, conseguir, a curto prazo, conquistar uma Segurança Pública que cumpra com sua obrigação constitucional, que é a proteção do cidadão.

Ou agimos agora ou corremos o risco de ampliar a epidemia da violência urbana para as cidades menores e até mesmo para a zona rural, que já sofrem o reflexo da violência nos grandes centros.

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