Morrer em Praga

Amor e morte no inferno de Praga: a versão real, cruel e arrepiante de Humbert Humbert e Lolita

João Baptista Gelpi, 50 anos, era um brasileiro rico e sem rumo na vida quando resolveu viver uma grande aventura de desperdício e sexo fácil na Europa. Ali conheceu Lenka Vrsková, tcheca, 17 anos, tão frágil emocionalmente quanto ele. A fusão de dois vazios existenciais resultou numa tragédia chocante: Lenka pede para morrerem juntos, como Romeu e Julieta. Gelpi aceita, mas só ela morre. Preso e condenado, ele foi pagar seu erro numa prisão de Praga, de onde saiu para escrever sobre sua história patética, digna de um filme de terror.

Morrer em Praga – uma trágica história de amor, lançado agora pela Geração Editorial, é um livro chocante e desesperador, em tão alto grau que sua leitura às vezes provoca desconforto – mas é impossível interromper a leitura. Gelpi – que já havia publicado um livro sobre sua vida na prisão – Pankrác EC II – Crônicas do Cárcere de Praga- foi auxiliado, neste novo livro, pela escritora Jeanette Rozsas, autora de Feito em Silêncio, Autobiografia de um crápula e Qual é mesmo o caminho de Swann.

Amor e Morte

João Baptista Gelpi, filho de milionário, tinha uma vida cheia de fracassos em São Paulo até que roubou quadros caros na mansão que era do pai, já morto, e foi vendê-los na Europa para ali viver como playboy sempre insatisfeito.

Na Europa, João Baptista publica um anúncio num jornal de Londres: “Venha unir-se ao caos da minha vida louca”. Várias moças respondem, mas só Lenka, jovem e bela, é escolhida e é com ela, no frescor de seus 17 anos, que o cinquentão João Baptista passa a viver, numa experiência de prazer e angústia tão avassaladora que de repente não havia mais João nem Lenka, mas “um só ser unido pelo desespero de existir”.

O prazer sexual, a “vida louca”, enfim, não lhes preenche as vidas vazias, aparentemente sem sentido. Na busca existencial de sua Lolita, João Baptista não previa o fim trágico. E se previsse, não sabe se teria vontade de mudá-lo, ainda que tivesse que conhecer o paraíso e o inferno. A jovem Lenka queria um filho, mas seu parceiro tinha ficado estéril. Deprimida, Lenka quer morrer e propõe um duplo suicídio. João Baptista aceita o pacto mortal, mas só ela morre. Ele é preso, julgado e condenado a 13 anos numa prisão de Praga, de onde é solto seis anos depois, por causa da saúde precária e do bom comportamento.

Escrita a quatro mãos, na forma de romance, com a ajuda da escritora Jeanette Rozsas, Morrer em Praga é uma história de amor e pacto mortal, um suspense de tirar o fôlego, uma inquieta e desconcertante viagem à mente de um homem e sua dolorosa experiência. Tragédia e dor, sexo e delírio, sordidez e culpa. Tudo isso se mistura, enquanto o leitor vai virando as páginas, sem conseguir parar de ler.

Até onde essa história pode levar o leitor que desde o início conhece o desfecho, mas não os motivos que a ele conduziram? “Se eu matei Lenka, só Deus sabe.” João Baptista Gelpi, que no ano 2000 publicou o livro Pankrác EC II – Crônicas do Cárcere de Praga, com a história de sua passagem pela prisão, decidiu agora contar a história inteira. Para purgar a dor, o autor-personagem teve a coragem de revisitar sua trágica história de amor. Ainda hoje, sonha com Lenka. Nas mãos de um bom diretor, Morrer em Praga dará um filme e tanto.

7 comentários:

  1. Bom, Júlio, deve ser um livro bom. Eu, porém, prefiro passar longe de coisas muito deprimentes. E, a meu ver, nada há de mais deprimente do que esses pactos de morte.

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  2. Porra, que baita resenha. Dá vontade de sair correndo, comprar o livro e iniciar imediatamente a leitura. Porém (ai, porém), como o disse o Mário, tenho receio de ler algo assim tão deprimente, ainda mais sabendo que trata-se de uma história verdadeira. Minha mente é um terreno fértil para a depressão. Convém não arriscar.
    Um abraço.qs

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  3. Eu li Pankrác EC II – Crônicas do Cárcere de Praga, o livro é lindo, uma leitura que te prende até a última gota. Mas confesso que não me emocionei tanto com a história, porque muitas vezes esquecia que era uma história real, eu lia como mais um livro de romance dos muitos que já li. Mas sim, olhando pelo ponto de vista que trata uma história real, meu Deus, é de querer cortar os pulsos ! rs Mas se querem ler um lindo romance fresco e brando mas muito interessante, leiam O Vendedor de Sonhos, de August Cury, muito bom mesmo. De deprimente, já bastam os problemas da vida, eu quero é me distrair e ser feliz. Beijos em todos

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  4. Conheci essa história pela revista Trip , e fiquei impressionadíssimo . Coragem ou covardia ?
    Comprei o Pankrác EC , e estava ansioso por este livro , que segundo o Gelpi " um dia vou escrever minhas memórias com Lenka " .
    As vezes é preciso entender as coisas .
    É o que eu pretendo fazer .
    Não há nada de deprimente em uma grande história de amor . Nada .
    A paixão é uma selvageria , que muitas vezes dá em merda .
    Como deu .
    E afinal , ninguém é obrigado a viver .
    Ninguém .

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    1. Fran.
      Concordo com vc Rodrigo, já li o livro, e não a Nada de deprimente, uma linda e fascinante história de amor.

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  5. Dará um belo filme? Belo filme??? Irrelevante o horror de pensar que maldito contexto social conduz as pessoas a isso, importante é pensar no impacto estético...creio que a resposta para a pergunta irrelevante acima está mesmo nisso...

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  6. É um excelente livro, como os outros também escritos pelo meu caro amigo Gelpi!!!

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