O Lado A e B da Saúde no Brasil.

Lado A

O Ministério da Saúde esta promovendo, de terça-feira (5) até o dia 8 de agosto, a III Mostra Nacional de Produção em Saúde da Família, em comemoração aos 15 anos do programa. O evento acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, e terá a participação de 6 mil pessoas. No encontro, serão exibidos trabalhos acadêmicos e das equipes do programa. Foram inscritos 4.490 estudos e 3.665 foram selecionados para a apresentação.

A Saúde da Família é uma estratégia criada em 1993 pelo Ministério da Saúde e mudou o modelo de atenção à saúde no país. Uma equipe multidisciplinar, responsável por até 4.000 habitantes, realiza ações de promoção da saúde, prevenção e assistência, atuando na recuperação e reabilitação nos casos de doenças. Com isso, houve redução no movimento nas emergências e nos problemas de saúde. As equipes são compostas por um médico de família, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e de seis a dez agentes comunitários de saúde. Quando ampliada, conta ainda com: um dentista, um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental.

“Teremos um grande painel para propiciar a troca de experiências entre as equipes, entre os gestores do sistema de saúde e entre a academia brasileira, e assim será possível conseguir nos atualizar e nortear os rumos da atenção primária no Brasil”, afirma o coordenador do evento, Antônio Dercy Silveira Filho, do Departamento de Atenção Básica.

Os temas são bastante diversificados: Assistência na Atenção Básica, Avaliação e Monitoramento, Controle Social e Cidadania, Gestão da Saúde, Integralidade da Atenção, Intersetorialidade na Atenção à Saúde, Processos de Educação e Formação em Saúde, Promoção da Saúde, Tecnologias de Cuidado em Saúde e Vigilância em Saúde.

Lado B

Incrivelmente enquanto isto um levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Educação revela que 27 cursos de medicina do país "não têm condições de funcionar", nas palavras do próprio governo.

Nessas escolas, cerca de 2.600 alunos se formam anualmente, o que representa 1 a cada 4 médicos que terminam o ensino superior na área.

Os cursos mal avaliados tiveram notas 1 e 2 em um novo indicador criado pelo MEC, o CPC (Conceito Preliminar de Curso), que vai de 1 a 5. Ele contabiliza desempenho e evolução dos alunos no Enade 2007 (antigo Provão), perfil do corpo docente (como titulação dos professores) e a satisfação dos estudantes, com base no questionário do Enade.

Nos anos anteriores, o ministério considerava apenas o desempenho e a evolução dos universitários na prova. Em medicina, foram analisados 153 cursos. Apenas quatro obtiveram a nota 5, que significa "referência na área".

Outras 15 áreas também foram avaliadas, a maioria ligada à saúde (odontologia, veterinária, fisioterapia, nutrição, entre outros). Analisou-se ainda agronomia, zootecnia e tecnologia em agroindústria.

Do total de 3.239 cursos, 25% obtiveram notas 1 ou 2, grande parte de instituições privadas, e 21,4% ficaram entre 4 e 5 (1.211 não tiveram nota, por impossibilidades estatísticas). A Unesp teve o maior número de notas máximas (seis cursos). Por outro lado, a Universidade Estadual Paulista também teve curso mal avaliado (educação física em Rio Claro, com conceito 2). USP e Unicamp não participam do Enade, por não concordar com a metodologia adotada.

Maior universidade do país, a Unip teve o maior número de "sem condições": 26 cursos com nota 2. A Uniban, também entre as maiores instituições do país, chegou a ter nota 1. Para calcular o número de estudantes formados nos cursos de medicina, a Folha usou o último Censo da Educação Superior, com dados de 2006 -o de 2007 ainda não está disponível. O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que, com base nos novos indicadores, a fiscalização dos cursos será mais rígida. O próximo passo será enviar uma comissão de especialistas às instituições que tiraram notas 1 e 2.

O Inep, órgão do MEC responsável pela avaliação, pretende começar as visitas em um mês. Elas vão verificar se as condições das escolas diferem da mostrada pelos indicadores. Uma das maiores reclamações das universidades é o boicote dos estudantes. Caso o conceito continue baixo, o MEC diz que abrirá processo para analisar o fechamento do curso.

Crítica

As escolas que tiraram conceito 1 deviam ser fechadas. Não reúnem a menor condição para o ensino da medicina", diz Antonio Carlos Lopes, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e ex-presidente da Comissão Nacional de Residência Médica do MEC.

Entidades que representam instituições de ensino superior privadas disseram que não são contrárias a avaliações, mas se posicionaram contra a criação do novo conceito de avaliação, o conceito preliminar, que consideram "improvisado".

"Ninguém critica a avaliação, que é uma necessidade. A crítica trata da fórmula, do formato e da metodologia [utilizada no novo conceito]", afirmou José Roberto Covac, advogado do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, que diz reunir 80% das instituições do setor. Em nota, o fórum afirma que, se o Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) não for totalmente implementado, instituições de ensino superior "serão obrigadas a mudar seus projetos para transformarem-se em cursos preparatórios sobre Enade.

Como confiar nos projetos do governo quando proprio diz: "Cuidado, nem todos médicos estão preparados para cuidar de você"?

Um comentário:

  1. Post perfeito, Julio. Sou casado com uma médica e pai de outra... além de ter trabalhado por dez anos na área...
    O ensino superior de medicina vem caindo de qualidade e muita gente teme que se repita a história das faculdades de direito, que se multiplicaram pelo país e não servem para nada!
    O profissional consciente parte para cursos de pós-graduação e especialização, mas a maioria termina os cursos completamente esgotada em termos financeiros e precisa trabalhar para sobreviver.
    É uma parada!

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