O mundo não acabou

Está ultima semana tudo que se falou foi em vários tipos de energia, pelo fato da famosa "maquina do fim do mundo" ser finalmente ligada. (Não sabe do que se trata? Clica aqui)

Com toda esta transmissão de informações, o presidente do Sindicato dos Eletricitários do Estado de São Paulo, Carlos Aberto dos Reis, fez um antigo falando um pouco sobre a estrutura eletrica do país e o porque uma maquina desta nunca iria causar um buraco negro, confira:

Felizmente, o mundo não acabou, como temiam tantos, após a ligação, dia 10 último, do acelerador de partículas do consórcio europeu Cern, na fronteira entre Suíça e França, que visa a recriar um mini-Big Bang, para encontrar respostas à origem do universo. A experiência em curso, que estimulou a criatividade de leigos e cientistas e até provocou medo em todo o Planeta, ante a hipótese de gerar um buraco negro irreversível, custou a bagatela de três bilhões de euros, algo próximo de 7,42 bilhões de reais.

Essa fantasia do inconsciente coletivo internacional, ante um experimento próximo da ficção científica, tem peculiar e insólita analogia com uma situação real do Brasil, também ligada à área energética: a precariedade do sistema elétrico, que já nos conduziu, não a um buraco negro, mas a um lamentável apagão, que praticamente paralisou a economia nacional em 2001. E os riscos continuam, pois o sistema é permeado de vícios e equívocos.

O primeiro problema é o atraso e insuficiência dos investimentos. É lamentável constatar o fracasso das Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela absoluta insegurança jurídica que os projetos deixam transparecer. Outra questão importante é a política de privatização do sistema, em especial no estado de São Paulo, feita de maneira afoita, sem a preocupação com a garantia de qualidade técnica e compromissos mais sólidos dos concessionários com a sociedade e as empresas. É o caso, por exemplo, da AES Eletropaulo, que substituiu mão-de-obra experiente e qualificada por pessoal terceirizado sem o devido treinamento. Esta precarização dos serviços é responsável por alguns apagões, cada vez mais recorrentes, e pela maior insegurança dos próprios trabalhadores e usuários.

Falta de qualificação no setor não se restringe, contudo, aos trabalhadores operacionais e técnicos das hidrelétricas e redes de transmissão e distribuição. Abrange, também, com honrosas exceções, cargos de gestão e direção, preenchidos por critérios meramente políticos. Dada a grande importância do setor elétrico para a economia, a sociedade, as empresas, os indivíduos e a própria segurança nacional, é temeroso outorgar a apaniguados partidários sem qualificação cargos e funções da mais alta responsabilidade no sistema elétrico.

Sem maiores investimentos em geração, transmissão e distribuição de eletricidade, sem a devida fiscalização e exigência de qualidade das concessionárias privadas e sem critérios técnico-profissionais na contratação de mão-de-obra no setor e nomeação dos dirigentes das companhias que se mantêm sob controle acionário do estado, novos apagões certamente acontecerão. E estes, ao contrário dos temores relativos ao acelerador de partículas europeu, representam um risco real, verdadeiro e concreto. O Brasil precisa de medidas urgentes e toda uma reestruturação no setor hidrelétrico, pois sua deficiência, somada à passividade com que o problema tem sido encarado, pode criar um buraco negro capaz de engolir por muito tempo toda a nossa potencialidade de promover o crescimento sustentado da economia.

5 comentários:

  1. E somando isso com o possível colapso do fornecimento de gás pela Bolívia, só nos resta gritar: salve-se quem puder!!!!

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  2. Meu Deus do Céu! Pára o mundo que eu quero descer.
    Beijocas

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  3. Acho que o último a sair não precisar apagar a luz. Ela vai embora antes.
    Um abraço.

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  4. quero mais é que o mundo acabe se eu não conseguir ver a Madonna, buuuuuuuuuaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!

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  5. Júlio, eu afirmei no meu post de ontem(20/09): A chance do mundo acabar é a mesma de eu namorar a Angelina Jolie ou qualquer outra estrela gostosa de Hollywood!

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