13º Salário. Vilão?

Há alguns dias atrás estava conversando com um amigo empresário sobre as leis tributarias e direitos dos trabalhadores da folha de pagamento. És que ele me diz se sentir ameaçado todos os anos pelo décimo terceiro salário. Fiquei espantado claro, pelo fato da empresa dele existir a quase 10 anos e ainda não ter um plano recorrente ao assunto, principalmente em época de possíveis crises financeiras.

Um possível suicídio empresarial, foi o que pensei. Mas ele me citou a leitura de um artigo de Sérgio Nardi que é especialista em direção empresarial e diretor da Outstretch Empreendimentos. Não conhecia o texto e fui atrás do mesmo.
Irei dividir com vocês:

por: Sérgio Nardi

Dezembro, época de festas e de fechamento nas empresas. Hora de apurar os lucros e chorar os prejuízos, de comemorar metas atingidas e redirecionar os objetivos para o ano seguinte. O período que deveria ser de descanso acabou tornando-se para os empresários uma época de muitas pressões, que incessantemente e incansavelmente buscam forças e reúnem esforços e economias para executar a última e, muitas vezes, penosa missão para a empresa: o pagamento do 13º salário dos funcionários.

É bem verdade que o 13º salário é um dos poucos benefícios válido nessa absurda, ultrapassada e arcaica Lei Trabalhista Brasileira que remonta os tempos de Getúlio. O tão esperado benefício injeta milhões na economia como um todo em apenas um mês, movimentando o comércio e alavancando as vendas de fim de ano, propiciando ao trabalhador e a sua família um merecido período de festas, com uma sobra de caixa disponível para passar o Natal e a passagem de Ano Novo.

Enfim o 13º salário é alegria para todo mundo menos para o empresário que muitas vezes não sabe de onde retirar um fluxo financeiro considerável para o pagamento desse benefício. Por isso, é como um Papai Noel vilão para as empresas, pois enche o saco de presentes do trabalhador, enquanto esvazia o caixa do empreendedor. Mas justiça seja feita, é um salário recorrente há muitos anos e, portanto, ele deve ser pensado e organizado pelos empresários no início do ano e não como habitualmente é feito, apenas em novembro e dezembro as vésperas do pagamento.
Carga tributária sufocante, falta de incentivos e um vexatório sistema político são as reclamações freqüentes do empresariado nacional para justificar a dificuldade habitual das empresas em lidar com o 13º salário. Razões irrefutáveis para reclamações compreensíveis, mas que são aplicadas e justificadas em todo contexto econômico, menos como desculpa admissível para a falta de planejamento em relação ao 13º salário.

O empresário de uma maneira geral deve entender que o benefício faz parte do negócio como um todo e deve ao longo do processo, ou seja, do ano preparar um hedge para o pagamento. Uma das possibilidades de amortização desse ônus de final de ano é a antecipação da primeira parcela do 13º salário - a lei permite ao empresário pagar a primeira parcela em qualquer mês do ano, portanto o pagamento antecipado dessa parcela alivia de imediato em 50% o caixa da empresa nos dois últimos meses do ano.

A outra forma de proteção é o simples e puro planejamento. Quantas empresas não obtêm ganhos significativos em dados meses do ano? Quantas organizações aproveitam-se dessa folga de caixa para separar uma parcela do dividendo e provisionar para o 13º salário? Poucas certamente.

A questão primordial e essencial a ser discutida é que o 13º salário é um dos poucos benefícios que devem ser encarados pelos empresários como uma forma final de recompensa ao trabalhador e não um ônus insustentável para a empresa. Cabe sim ao empresário bradar, brigar e lutar por uma situação tributária e fiscal mais competitiva, mas não usar de todos os percalços existentes para justificar a falta de planejamento geral com relação ao 13º salário.

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Uma dica aos navegantes do mundo empresarial: O décimo terceiro salário terá a mesma consideração a ti que tens por ele, ou seja. Se tratá-lo como vilão, ele assim será.

E que comecem as compras para o natal.

Abs

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