Conhece a Síndrome Paulistana?

A psicologa Márcia Ferreira, cedeu gentilmente essas novas informações ao blog Juliu's Pub.

Graduada em Psicologia pela FMU/SP e Pós-graduada pela PUC / SP. Márcia Ferreira é especialista em Terapia de Família e Casal. Possui experiência em atendimento clínico-psicológico com adultos, crianças e famílias, trabalho que desenvolve há nove anos. Ministra palestras envolvendo temas familiares e relacionamentos interpessoais empresariais, com foco em treinamento de pessoal. É autora dos estudos ‘A importância da família no desenvolvimento emocional e social da criança e do adolescente e a implicância do ambiente familiar nas dificuldades escolares e sociais da atualidade’ e ‘Ainfluência dos mitos familiares nas dificuldades de aprendizagem da criança’.


O perigo está em toda parte em uma metrópole como São Paulo. A violência presente na cidade e o trânsito caótico (também uma forma de violência) fazem com que as pessoas temam, cada vez mais, pela integridade física e mental daqueles que amam. Diante de tantos perigos observados diariamente – e que cada vez estão mais próximos das pessoas comuns – os pais, demais familiares e até os cuidadores (babás e empregadas, por exemplo) cercam as crianças e os adolescentes de cuidados, evitando ao máximo que algo ruim aconteça a eles. “Essa atitude é normal e demonstra o amor e o cuidado que as famílias têm com seus filhos. Porém, em excesso, o zelo torna-se um entrave para o desenvolvimento da criança”, alerta a psicóloga Márcia Ferreira, especialista em Terapia Familiar e de Casal e atendimento infanto-juvenil, de adultos e empresarial.

A psicóloga chama de ‘Síndrome Paulistana’ as atitudes que se repetem em inúmeros atendimentos em consultório. “Não se trata de uma doença, mas de um comportamento em massa que é observado nas famílias, principalmente nas pertencentes às classes A e B”, explica. Dentre os comportamentos presentes nas famílias que vivem a Síndrome Paulistana, destacam-se o excesso de cuidado, o isolamento e, principalmente, o ato de não deixar que a criança aja em situações em que poderia tomar a iniciativa e chegar à resolução sem qualquer embaraço. “Explicando melhor, o que percebo é que há sempre um adulto fazendo o que a criança deveria fazer; resolvendo pequenos conflitos por ela – ao invés de ensiná-la a sair deles – e ainda isolando-a do mundo real”.

Márcia Ferreira percebe que crianças na faixa dos 6 ou 7 anos, que estão iniciando o período escolar correspondente ao Ensino Fundamental, apresentam dificuldades de relacionamento e, muitas vezes, de aprendizado. “Este é um período no qual o desenvolvimento intelectual da criança está disponível para a aprendizagem. É uma fase na qual ela se baseia na lógica e na reflexão para resolver problemas, então é esperado que ela tenha maior capacidade de atenção e concentração”. Segundo ela, é comum que os pais troquem os filhos de escola, o que deixa muitas crianças inseguras com o novo ambiente escolar. Mesmo as que permanecem na mesma escola podem apresentar dificuldades com uma nova turma e outro professor. “É uma junção de fatores: a criança precisa assumir responsabilidades – já que, agora, a ‘escola’ exige dela a prontidão necessária à alfabetização – e se vê perdida porque sempre havia alguém fazendo tudo por ela. Antes, ela estava ‘na escolinha’, na qual conhecia bem a professora e seus colegas. Agora, que está em uma sala mais numerosa e, não raro, em um novo ambiente, não consegue se sociabilizar (não faz novas amizades) e tem medo de ir para o lanche sozinha, de perguntar algo à professora, de enfrentar uma disputa por um brinquedo, enfim, a criança não consegue se virar e não aprende”, explica.

Como a Psicologia avalia situações como a ‘Síndrome Paulistana’

Márcia Ferreira explica que a Psicologia mostra que é preciso acompanhar as fases do desenvolvimento fisico, intelectual, social e emocional da criança de maneira que o desenvolvimento global dela se concretize. Assim, a Psicologia divide o desenvolvimento infantil em faixas etárias, nas quais é possível aos pais permitir que as crianças realizem determinadas atividades sozinhas. “É preciso entender que nem sempre a criança está madura o suficiente para aquela atividade, mesmo ela pertencendo à faixa etária determinada. Por isso, é importante avaliar cada caso isoladamente”, ensina. De maneira geral, espera-se que a criança:

Dos 3 aos 6 anos – Brinque em grupo e resolva pequenos conflitos. Essa é a fase na qual a criança desenvolve a iniciativa pelas atividades motoras e exploratórias. É chamada de Fase Concreta, já que a criança aprende tocando, observando. É preciso deixar que ela brinque, pule, corra e realize outras atividades de desenvolvimento motor. “Ao invés de brigar porque a criança pula o tempo todo no sofá, leve-a a um local adequado para que ela pule à vontade. Pular faz parte do mundo dela e do seu envolvimento, já que essa é a fase em que se sobressaem a curiosidade e imaginação da criança, bem como a noção de certo e errado começam a ficar mais evidentes. Em relação aos conflitos, é hora de ela começar a resolvê-los apenas com a orientação dos adultos, como é melhor explicado na tabela abaixo. A criança precisa passar pela disputa com os colegas para se afirmar. Já pode comer sozinha desenvolvendo a independência e auto-confiança, utilizando-se ainda da supervisão dos pais, ajudar em pequenas tarefas domésticas e referentes ao seu material escolar, pode guardar seus brinquedos e procurar o que perdeu em casa, por exemplo. Podem escolher suas roupas – os pais, obviamente, vão guiando suas escolhas conforme o clima – e vesti-las sozinhas. Como é a fase do desenvolvimento motor, elas precisam tocar, pegar as coisas, pentear-se, escovar os dentes. Deixe objetos próximos a elas, como pentes, para que elas realizem atividades por conta própria”.

Dos 7 aos 12 anos – Essa é a fase escolar, na qual a criança vai usar o que desenvolveu no aspecto intelectual, físico e moral para amplia-los, ou seja, ela precisará usar os recursos mentais para aprender a ler, a resolver problemas matemáticos e situações que envolvam o grupo de amigos, já que essa fase é determinada pela escolha de pequenos grupos. Se ela explorou e brincou bastante na fase anterior, terá autonomia para buscar o conhecimento além de casa. Ela perceberá que os pais nem sempre têm as respostas que ela busca, saindo da fase anterior (a concreta) para raciocinar de maneira abstrata. É a confiança que ela adquiriu resolvendo problemas sozinha que a levará a buscar a autonomia que precisa para aprender e se relacionar. Outro detalhe importante é que até os 9 anos a criança tem facilidade para seguir regras e limites impostos. Portanto, é nessa fase que ela deve aprender a respeitar limites. Aos 12 anos, ela passará pela fase de não querer seguir tanto as regras, pois está buscando adquirir um “eu próprio”, mas se aprendeu que o mundo impõe limites a todos não causará problemas. Por volta dos 8 anos, a criança já pode tomar banho sem a supervisão do adulto, desde que tenha aprendido com ele como deve realizar sua higiene.

A psicóloga dá exemplos práticos de situações típicas da Síndrome Paulistana vividas em consultório e mostra como os pais podem agir para ajudar no desenvolvimento da criança, veja alguns deles:


Meu filho está isolado, só pensa em MSN e videogame –“Atitude típica da Síndrome Paulistana, o isolamento cria pessoas sem capacidade para se relacionar”.

- Saia com a criança e o adolescente – “A Síndrome Paulistana faz com que as pessoas se isolem em seus mundos. As crianças passam, então, a usar recursos de comunicação como msn, se dedicam aos jogos virtuais (que, não raros, apresentam toda a violência que os pais querem esconder) e perdem o contato com pessoas reais. Por isso, vale a dica acima: saia para ver o mundo sempre que possível”.

Meu filho faz tudo errado – “Os pais reclamam que precisam até mesmo escovar os dentes dos filhos porque eles não conseguem fazê-lo”.

- É errando que ela aprenderá a fazer suas atividades corretamente – “Melhor do que fazer por ela é ensiná-la. A criança precisa de referências, de alguém a observando e ensinando constantemente. Se um dia você não puder fazer por ela, como ela se comportará?”

Então, fiquem atentos com está mais nova sindrome criada por nós, em decorrência a novas atividades e estilos de vida.

2 comentários:

  1. Bacana, mas não seria mais correto chama-lha de sindrome das metrópoles, ou algo do gênero. Ou será que fui eu que não entendi alguma coisa?
    Abração e boa semana pra ti

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  2. Caro leitor, o nome "Síndrome Paulistana" foi um nome genêrico adotado por mim por atuar basicamente em São Paulo, mas o assunto é adequado à qualquer grande Cidade. A tendência é que os pais desenvolvam os cuidados excessivos principalmente nas grandes Metrópoles.

    abraço,

    Márcias Ferreira - psicóloga

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