O Milagre de Santa Luzia

Em debate no Hotel Nacional promovido pelo 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Sergio Roizenblit, diretor de “O Milagre de Santa Luzia”, documentário que abriu a Mostra Competitiva 35 MM na noite do dia 19, defendeu o cinema que expõe o “lado bom do Brasil”. “Fico revoltado de ter tanto filme falando mal do Brasil. A obrigação do artista, além de expor as mazelas, é ter um olhar generoso sobre qualquer coisa”, afirmou após ser questionado se seu discurso antes da exibição do filme não havia sido ufanista. “Acho que esses filmes com muita violência mexem com um aspecto voyeurista do espectador. Eu optei por falar bem do Brasil. Prefiro errar pelo excesso de elogio”, completou. O documentário sobre sanfoneiros brasileiros, conduzido pelo músico Dominguinhos, foi ovacionado pelo público em sua primeira exibição.

Roizenblit contou que o grande desafio do filme foi lhe dar unidade. “Queríamos que o filme tivesse um corpo só e que não fosse uma colagem de sanfoneiros e de regiões do Brasil”, afirmou. Questionado sobre um eventual “excesso de assuntos” do documentário, o diretor explicou que há dois fios condutores: “A migração é um dos temas do documentário. O filme aborda o tempo inteiro a identificação, as raízes e o abandono das origens. Além disso, por meio da música, o filme é a possibilidade de entender a grandeza do país, que tem tantas diferenças e ao mesmo tempo tanta unidade”.

A equipe dos curtas “A Mulher Biônica”, de Armando Praça, e de que “Que Cavação é Essa?”, de Estevão Garcia e Luís Rocha Melo, também participaram de debate promovido pelo Festival. Praça, cujo filme é uma adaptação do conto “Creme de Alface”, de Caio Fernando Abreu, revelou que sua grande dificuldade era não tornar Marta, a protagonista, uma “personagem insuportável”. “A princípio, o conto de Caio Fernando Abreu nem me interessou muito. Ele trata a personagem de forma muito maniqueísta”, contou. “No conto, ela é muito pior do que no filme. Em um texto sobre o filme, Caio Fernando se referia a ela como “mulher-monstro”. Desde a adaptação do roteiro, tentei humaniza-la. Não me interessava falar de uma personagem que fosse somente má”, contou o diretor cearense, que ambientou a história em Fortaleza.

Anna Karinne Ballalai, atriz e assistente de produção de “Que Cavação é Essa?”, explicou que a questão chave do curta era “como conseguir recriar, com técnicas disponíveis hoje, a estética das décadas de 1910 e de 1970, sem intervenções digitais”. “Que Cavação é Essa?” tem trechos encenados e não-encenados e mescla atores e não-atores para simular trechos de um fragmento de um documentário, com data entre 1910 e 1920. Na segunda parte do filme, reconstitui-se um cinejornal de 1974.

Assistam o documentario e comentem, altamente indicado.

Agradeço Sergio Roizenblit e a F&M Procultura Assessoria de Imprensa pelas informações e entrevista.

Abs, até amanha

Um comentário:

  1. Julio, delícia é ler um texto maravilhoso como esse. Obrigada. Beijcoas

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