Quem liga para humanidade?

Os líderes mundiais mostraram sua incapacidade de colocar seus interesses particulares – especialmente econômicos – acima das necessidades da humanidade. As milhões de pessoas que dependiam de uma decisão ambiciosa que de fato controlasse o aquecimento global foram abandonados à sua própria sorte.

Os 120 chefes de Estado reunidos em Copenhague, na COP15, falharam. Eles colocaram suas prioridades domésticas acima de um compromisso global. E quem vai pagar mais caro são justamente os mais pobres e vulneráveis.

“O acordo não é justo, ambicioso, nem legalmente vinculante. Os líderes falharam em evitar o caos climático. Este ano o mundo enfrentou uma série de crises e com certeza a maior delas é a crise de liderança”, disse Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace no Brasil.

Os chefes de Estado abandonaram a COP15 sem declarações públicas e, principalmente, sem cumprir seu mais essencial objetivo: evitar os efeitos perigosos das mudanças climáticas.

“A ideia de pressionar para que os líderes viessem para cá era justamente criar as condições para que houvesse uma decisão. Decidiram não decidir”, diz Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Eles deveriam ter vindo para cá com uma perspectiva global. Chegaram com os dois olhos virados para seus próprios quintais. Copenhague era o momento de ser ousado, de ter visão global. Comportaram-se como provincianos.”

Um “acordo de Copenhague”, costurado por 30 dos quase 200 países que integram a Convenção do Clima, é fraco e não representa nem um começo do que é necessário para controlar as alterações no planeta. Muitos países da América Latina, da África e pequenas ilhas se recusaram a se associar ao texto, em uma clara demonstração de repúdio.

O tal “acordo” determina que os esforços devem ser feitos para manter o aumento da temperatura em menos de 2°C e coloca algum dinheiro na mesa para começar a ajudar os países mais pobres a se adaptarem ao aquecimento global. Mas falha em seu cerne, ao não determinar uma meta ambiciosa de corte das emissões de gases-estufa. Sem isso, qualquer esforço de adaptação é insuficiente.

O presidente americano Barack Obama afirmou ontem, depois de abandonar a conferência, que o acordo de Copenhague representava a esperança de uma conclusão feliz de negociações que estão apenas começando. Afinal, segundo ele, conseguir um acordo com valor legal é “difícil” e toma tempo.

A questão é que o aquecimento global não espera as vontades e as dificuldades enfrentadas pelos políticos. A justificativa não convence suas vítimas. Longe dos corredores acarpetados de Copenhague, Washington, Genebra, Pequim e Brasília, as populações mais vulneráveis do planeta vão sofrer pela inação desse grupo.

“A cidade de Copenhague foi palco de um crime, com os culpados correndo para o aeroporto perseguidos pela vergonha”, afirma Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace International. “Presidentes e primeiros-ministros tiveram uma chance de uma em um milhão de mudar o mundo para sempre e impedir que o clima entre em colapso. Produziram apenas um entendimento cheio de omissões.”

Um acordo com força de lei, justo e ambicioso precisa ser fechado para controlar as mudanças climáticas. Os países desenvolvidos, que têm a maior responsabilidade, precisam cortar em 40% as emissões de gases-estufa em relação a 1990 até 2020. Os países emergentes também precisam fazer mais, com redução da taxa de crescimento de suas emissões. É preciso zerar o desmatamento das florestas tropicais e criar um mecanismo que financie ações de adaptação e mitigação nos países pobres. Sem nada disso, o mundo sai da COP15 deixando o presente e o futuro da humanidade em perigo.

A sociedade cobrou com propriedade a ida de seus presidentes para lá, para que assumissem posições corajosas. Contudo, reunião de cúpula terminou da mesma maneira que começou, sem metas ambiciosas de corte de emissão, sem recursos financeiros para longo prazo e sem um texto consensual, com força de lei, que assegure seu cumprimento junto à comunidade internacional.

“Temos de seguir em frente. Não apenas com marchas nas ruas, mas engajando o setor privado, o movimento social e os governos locais para transformar nossa comunidade e criar mais pressão política nos nossos governantes”, diz Furtado. “Afinal não podemos mudar a ciência, mas podemos mudar os políticos.”

Triste. Mas a esperança sempre fica.

Até o próximo ano.

abs,

Qual é a sua cara, Brasil?

Identidade costuma ser um conjunto de características próprias com as quais se pode diferenciar pessoas, marcas ou empresas umas das outras. Posicionamento é uma ferramenta de marketing para transformar uma dessas características no diferencial mais adequado na batalha pela percepção das pessoas, dos consumidores, dos usuários, dos shoppers.

Pois bem, no último 23 de novembro, o reconhecido ator Robin Williams, uma celebridade, declarou em um dos programas mais vistos da televisão norte-americana, no David Letterman Show, que o Rio de Janeiro foi escolhido para sede da Olimpíada de 2016 porque "Chicago mandou Oprah e Michelle (Obama, a primeira-dama dos EUA) e o Rio mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi muito justo".



Foi uma piada de mau gosto, vinda de um bem-sucedido humorista conhecido pelo seu estilo corrosivo politicamente incorreto, na qual eu mesmo sou fã. Nós vamos, com quase absoluta certeza, assistir a alguns políticos exigir uma desculpa pública. Não vai adiantar muito.

Vamos tentar aprender coletivamente.

O Brasil nunca se posicionou como país ou como marca. Não existe uma palavra ou um pensamento sucinto que defina o país e o diferencie dos outros. O Brasil tem muitas identidades, provenientes da sua grande diversidade. Alguns turistas podem jurar que foram extremamente bem recebidos e que voltarão mais vezes. Outros foram assassinados por um pivete e seus parentes não querem escutar sobre o Brasil.

Meu ponto de vista: não existe um posicionamento construído para o Brasil.

Muitos estrangeiros imaginam uma terra colorida, solar, naturalmente musical e generosa. Outros pensam nas bundas das mulatas que ilustraram por anos os pôsteres da Embratur. Alguns, que lêem as notícias, podem imaginar uma terra cheia de drogas e de marginais. Os que lêem estatísticas podem imaginar um país corrupto, onde tudo tem um preço.

Veja abaixo um dos videos promocionais para as Olimpiadas 2016, uma pergunta à você que é do Rio. Tem tanta gente cantando por ai ultimamente?



Enfim, identidade e posicionamento são construções mentais que nesse momento estão nas cabeças das pessoas. Não estou falando de verdade ou realidade, mas de percepção de realidade por uma mente humana.

Quanto à identidade do Brasil, precisamos votar com consciência nas próximas eleições. Somos capazes? E você, já pensou na sua identidade e no seu posicionamento próprio?

Fica a dica de saudosos; Cazuza - Brasil:



abs,

Que tal um refúgio?

Fim de ano chegando, e corremos para novas idéias de lugares à visitar. Passar com a família ou a dois. Então deixo abaixo uma indicação bacana. Ainda não fui, mas tem um, porém em divulgar a você essa indicação hoje. Digo nas ultimas linhas. Surpresa ;)

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O que antes era uma casa de pescador e um barracão, hoje se transformou em uma charmosa pousada em Ubatuba, ao lado de Parati, bem perto da praia, menos de dez minutos de caminhada por uma trilha.

A Finca Espírito Santo, está em uma área de 10 mil m2 encravada na Mata Atlântica, cercada por uma floresta intocável com espécies consideradas extintas como o Jussara, palmito nativo da Mata Atlântica, além de arvores centenárias que compõem um dos mais ricos ecossistemas do planeta, paraíso da biodiversidade de espécies vegetais e animais.

A idéia inicial era uma Villa de Praia como aquelas na Costa do Mediterrâneo, mas com o passar do tempo outros projetos foram se concretizando, e em 2006 a Pousada, ao estilo bed and breakfast, Finca Espírito Santo foi inaugurada.

O nome vem da junção de dois fatores, a localização da pousada está numa montanha próxima ao vale e mar, aí a derivação de Finca, e o Espírito Santo, devoção do proprietário, Luigi Romano.

Veja o lugar:

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As cinco suítes foram construídas à base de bambu, barro e areia, as paredes são revestidas de estuque e as madeiras têm selo verde. Todas disponibilizam o necessário ao hospede. Além disso, foram decoradas individualmente com peças originais de coleção, garimpadas em viagens e antiquários com valor inestimável. [Sim, queremos fotos do quarto!]

A culinária, dizem ser um capitulo a parte, e o cardápio representa bem o clima intimista da pousada com variações de quatro pratos por época. Elaborados pelo chef Gabriel Scalco, ex-modelo que largou a carreira para se dedicar a gastronomia, o cardápio é todo baseado na culinária mediterrânea com influências da cozinha local, e possui muitas verduras, massas leves, frango, peixes e frutos do mar na sua composição.

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À disposição de todos os hóspedes estão também os passeios, entre eles caminhadas em trilhas, aulas de surf, passeios de escuna e caiaque até a Ilha do Prumirim e também uma visita à aldeia dos Índios Guaranis.

O que acha, vale uma visita?

Endereço: km 27,5 da rodovia Rio - Santos
www.fincaespiritosanto.com.br

Se gostarem do lugar, prometo conversar com o Luigi e veremos uma surpresa para alguns blogueiros! Ah, aproveito e posto o que achei de lá, assim que visitar também!

Comente e de sua indicação de lugar para o fim de ano!

abs,

Agradeço a Naiane Santos, da Cartaz, pelas informações

Sexo, Drogas, Rock 'n Roll e Hollywood

"Nós vamos destruir vocês. Vamos tomar o poder. Vocês estão acabados."
- Dennis Hopper para George Cukor


Em 1969, um filme de motoqueiro de baixo orçamento abalou Hollywood. Uma celebração despudorada do sexo, das drogas e do rock´n´roll (dentro e fora das telas), Sem Destino [Easy Rider] inaugurava uma década de fúria em que jovens e rebeldes diretores revigoraram a indústria cinematográfica. Em Como a geração sexo-drogas-e-rock´n´roll salvou Hollywood, que a Intrínseca publica no Brasil, Peter Biskind nos faz embarcar na louca viagem que foi a Hollywood dos anos 70, uma época que produziu clássicos modernos como Bonnie & Clyde, O Poderoso Chefão, Chinatown, Shampoo, Nashville, Taxi Driver e Tubarão.

O livro recompõe vividamente a exuberância e o excesso daqueles tempos: o sucesso inesperado de Sem Destino e as igualmente alarmantes circunstâncias sob as quais foi feito, com drogas, bebidas e as violentas brigas entre os protagonistas, Dennis Hopper e Peter Fonda, tomando conta do set. Mostra por que uma pequena produtora chamada BBS tornou-se o guia espiritual da revolução jovem em Hollywood, e de que maneira alguns dos executivos da empresa ajudaram a contrabandear o líder inspirador dos Panteras Negras, Huey Newton, para fora do país.

Relembra como o diretor Hal Ashby foi preso por porte de drogas e jogado numa cadeia em Toronto; por que Martin Scorsese compareceu à cerimônia do Oscar escoltado por agentes do FBI quando Taxi Driver foi indicado a Melhor Filme; e como George Lucas, tomado pela ansiedade, cortava seu cabelo compulsivamente enquanto escrevia Star Wars. Conta por que uma modesta casa em Nicholas Beach, ocupada pelas atrizes Margot Kidder e Jennifer Salt, tornou-se o quartel-general extraoficial da Nova Hollywood. Revela como William Friedkin tentou humilhar o chefão da Paramount, Barry Diller, e como o roteirista e diretor Paul Schrader brincava de roleta-russa em sua Jacuzzi. Era um tempo em que a experiência do "tudo é permitido" prevalecia tanto nos filmes quanto fora deles.

Depois do sucesso de Sem Destino, jovens recém-saídos das escolas de cinema se viram subitamente no comando, e diretores como Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich, George Lucas e Martin Scorsese tornaram-se figuras poderosas. Até mesmo a nova geração de estrelas - Jack Nicholson, Robert De Niro, Dustin Hoffman, Al Pacino e Faye Dunaway - parecia fazer parte de uma nova espécie de atores, diferente dos da Hollywood tradicional. Ironicamente, essa revolução chegaria ao fim com Tubarão e Star Wars, filmes com tal êxito comercial que criaram a mentalidade do blockbuster, estabeleceram novos parâmetros e, assim, destruíram a inovação.

Baseado em centenas de entrevistas com diretores, produtores, estrelas, agentes, roteiristas, executivos dos estúdios e ex-esposas e narrado de forma direta, o livro é a história dos bastidores da última era de ouro de Hollywood. Nunca tantas celebridades falaram tão abertamente umas sobre as outras ou sobre drogas, sexo e dinheiro, que fizeram muitas delas chegar ao fundo do poço - e nunca mais voltar.


Peter Biskind, o autor, foi editor-executivo da revista Premiere e editor-chefe da American Film. Também já escreveu artigos para publicações como The New York Times, Los Angeles Times, The Washington Post, Vanity Fair e Rolling Stone.



Trechos exclusivos do Livro:

BROOKE HAYWARD SOBRE DENNIS HOPPER: "Quando finalmente nos divorciamos, eu poderia ter ficado com metade da parte dele em Sem Destino, mas eu me recusei a aceitar um níquel de Dennis, porque eu não queria que ele viesse atrás de mim com uma arma e me enchesse de tiros."

DENNIS HOPPER SOBRE SEM DESTINO: "Eu sou o responsável pelo problema da cocaína nos Estados Unidos. Não havia cocaína nas ruas antes de Sem Destino. Depois de Sem Destino, estava por toda parte."

MARTIN SCORSESE SOBRE DROGAS: "Era uma questão de ultrapassar limites, ser rebelde. Eu me droguei muito porque eu queria. queria forçar a barra ao máximo, até o fim, para ver se eu ia morrer."

MARCIA LUCAS SOBRE FRANCIS FORD COPPOLA: "Não era segredo algum que Francis era um grande caçador de xoxotas. Ellie ficava nas festas durante uma meia hora, depois desaparecia, enquanto Francis pegava alguma garota na piscina. Eu tinha pena de Ellie e achava Francis um nojo, como tratava a mulher daquele jeito."

STEVEN SPIELBERG SOBRE FRANCIS FORD COPPOLA: "Vi nos olhos de Francis alguém que não fazia distinção entre velho e jovem. Ele estava produzindo para George e eu ficava pensando: ''Talvez aqui esteja a pessoa que vai abrir as portas para todos nós.'' Mas ele só abriu portas para George. Aos olhos dele e aos de George também, eu estava trabalhando dentro do sistema."

FRANCIS FORD COPPOLA SOBRE GEORGE LUCAS: "Eu o carreguei comigo para toda parte, mas ele jamais me levou junto. Eu o ajudei, mas, claramente, uma vez que ele deu a partida ao processo, ele foi embora mesmo."

WILLIAM FRIEDKIN SOBRE STAR WARS: "O que aconteceu com Star Wars foi o mesmo que quando o McDonald''s se estabeleceu e o gosto por boa comida desapareceu. Agora estamos num período de involução. Tudo está sendo sugado para dentro de um grande redemoinho."


GEORGE LUCAS SOBRE STAR WARS: "Os filmes-pipoca sempre foram os de maior sucesso. Por que as pessoas veriam esses filmes-pipoca se não fossem bons? Por que o público é tão burro? Não é minha culpa."

DON SIMPSON SOBRE ROBERT ALTMAN: "Nenhum de nós queria fazer Popeye, e detestávamos Altman, que era um tremendo enganador. Ele era um tolo vaidoso, um babaca pretensioso e empolado."

ROBERT ALTMAN SOBRE DON SIMPSON: "Simpson era um bandido, um vagabundo. É ótimo para a indústria que ele não esteja mais por aí. Só lastimo que ele não tenha vivido mais tempo e sofrido mais."

Então, fica a dica:

Como a geração sexo-drogas-e-rock´n´roll salvou Hollywood
- Easy Riders, Raging Bulls, de Peter Biskin [+]

abs,

O Apagão da Política

A competência está ligada à capacidade de grupos responsáveis por determinadas áreas em uma organização de identificar problemas e um conjunto de soluções possíveis antes que o imprevisto instale-se. Na prática, atribui-se a profissionais especializados a busca pela identificação de alternativas nas complexas redes de decisão, baseados em seu conhecimento técnico e vivência em seu trabalho. Espera-se que, com sua experiência e habilidades, atitudes possam responder ao imponderável, com calma, discrição, rapidez e eficiência. Infelizmente, não foi ao que assistimos no recente apagão de novembro, quando o Brasil viveu a maior escuridão de sua história. Foram mais de 80 milhões de brasileiros, distribuídos em 18 estados e mais o Distrito Federal, que em um intervalo de quase oito horas, com alternâncias de regiões, permaneceram isolados do mundo.
A estrutura de comando do setor energético brasileiro vem substituindo de longa data o conceito de meritocracia para o de partidarismo, no qual o PT define a política do setor e possui o cargo de secretário-executivo, que toca o dia-a-dia do ministério, e o PMDB responde pelo comando das estatais e tem o cargo de ministro. No dia seguinte ao apagão, enquanto os mortais eleitores contabilizavam seus prejuízos, os técnicos do governo, partes de uma mesma base aliada, trocavam culpas e desculpas. Políticos da situação imaginavam o tipo de explicação com o menor desgaste ante a população. A oposição ia atrás de informações para pressionar a situação. Cada qual na busca das salvaguardas de seus interesses pessoais.

A realidade dos fatos apontava que nenhuma intempérie climática causou o problema. Nenhuma linha de transmissão foi afetada. Itaipu operava pouco abaixo de sua capacidade máxima. Tanto isto foi verdade que se restabeleceu o sistema em sua plenitude, após a paralisação de 18 turbinas, sem que nenhum reparo precisasse ser feito. Portanto, com condições operacionais adequadas por que o sistema caiu? Quaisquer que sejam as justificativas a serem produzidas, nada poderá apagar a constatação de desentendimentos e desconhecimento de como se dá a operação entre as várias instâncias de gestão desse processo de atividade tão essencial à sobrevivência dos cidadãos brasileiros.

Nossos técnicos estão longe de oferecer uma explicação lógica. Afinal, porque o sistema de proteção do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) demorou a entrar em operação. Sua função é a de isolar falhas e barrar o efeito cascata no caso de desativação de linhas de transmissão ou usinas geradoras de energia. O que está acontecendo? O fato em si é isolado ou exterioriza uma problemática mais profunda, anos a fio de um fisiologismo político que já começa a comprometer a operação de complexos sistemas de processamento e entrega de serviços à nossa sociedade? Os ministros da área, com visão política da questão, chegaram a anunciar a resolução do problema pelo simples fato de que a situação se normalizara. A atitude foi tão anacrônica que o presidente da República, com afinada percepção política e preocupado com sua biografia pessoal, viu-se obrigado a desautorizar seus subordinados.


No meio desta discussão, a notícia veiculada com base em declarações do presidente Obama, fundamentada em seus serviços de segurança, apontava para a ação de invasores cibernéticos nas redes de monitoração do sistema elétrico brasileiro com êxito nos apagões de janeiro de 2005 e de setembro de 2007, entre outros, na Região Sudeste, a mais populosa do país. O governo brasileiro dispõe de mais 300 redes integradas à internet. Em apenas uma delas, no ano passado, foram detectadas 3,8 milhões de tentativas de invasão, segundo técnicos ligados ao governo. Portanto, a fragilidade de nossos sistemas fica evidente.

Levantamento do Ministério do Planejamento identificou que, em 26 ministérios, cerca de três mil servidores cuidam de mais de 70 mil microcomputadores. Apenas 203 são concursados e cuidam de 25 ministérios e do Palácio do Planalto. Uma festa para os hackers de plantão. Por todos estes fatos, a estratégia geral do governo não priorizou, nestes anos todos, a segurança nos processos de transmissão da energia gerada. Devemos entender por isto computadores e sistemas de tecnologia da informação que permitiriam melhor qualidade na gestão do processo e defesa contra a invasão dos piratas cibernéticos.

Quando analisamos o volume de investimentos no setor, constatamos que a Eletrobrás, no período de janeiro a setembro deste ano, já acumula perdas de R$ 1,5 bilhão. No mesmo período no ano passado, o lucro líquido foi de R$ 3,1 bilhões. O orçamento deste ano previa investimentos de R$ 7,2 bilhões no setor. Até o final de setembro, apenas 48% desta verba haviam sido aplicados. Nos últimos nove anos, apenas 66% do orçamento previsto foi efetivamente utilizado. Menos de 0,5% do PIB. A política atual é centrada no preço da tarifa. Ressalte-se que por uma pequena falha na metodologia de cálculo do reajuste de tarifas feito pela Aneel, no período de 2002 a 2008, cerca de R$ 7 bilhões foram cobrados a mais dos consumidores brasileiros, segundo relatório do tribunal de Contas da União.

A soma de todas estas situações nos leva a crer que será, mais uma vez, muito difícil estabelecer com precisão o epicentro do problema. Investimento e qualidade de gestão sempre caminham juntos. Considerando as falas dos ministros envolvidos, que descartaram futuros apagões, mas não se comprometeram com relação a possíveis novos blecautes, um eufemismo à moda política de Brasília, o melhor é comprar maços de velas e potentes lanternas para se precaver quanto ao futuro próximo.

abs,

Recadinho





















"Dance comigo até os sapatos pedirem pra parar. Ai, você pára... tira os sapatos e danca pelo resto da vida?"

Sim, por toda nossa vida!

Feliz Aniversário! ~<3


Causando o caos

No principio era o caos
Ou é agora?
Brincadeira tem hora!

Eu dou meu testemunho:
Isso que está aí
É apenas um rascunho.

-- Millôr


abs,

“De Cuba, com carinho”

A ACM Comunicação está sorteando dois exemplares do livro “De Cuba, com carinho” da blogueira cubana Yoani Sánchez. Para participar, os interessados devem acessar o site da agência - www.acmcomunicacao.com.br - e assinar a petição on line “Yoani Sánchez no Brasil”, criada para pedir às autoridades cubanas a liberação da visita da autora ao Brasil.

Yoani Sánchez foi apontada como a 31ª pessoa mais influente do mundo em 2008 pela revista Time [categoria “Heróis e Pioneiros”]. Em 2007, já havia sido eleita, também pela Time, como uma das 100 personalidades mais influentes do planeta. Parte desse reconhecimento se deve ao “Generación Y” blog em que Yoani Sánchez posta textos retratando o cotidiano de Cuba. O blog é traduzido para 17 idiomas e recebeu os prêmios Maria Moors Cabot [Columbia University /2009], Ortega Y Gasset [Periodismo Digital /2008], The Bobs [Deutsche Welle - Melhor Blog /2008] e Um dos 25 melhores blogs do mundo [Time/CNN].

O livro “De Cuba, com carinho”, que já aparece como um dos mais vendidos nos rankings do Jornal do Brasil, O Globo, Época e Veja, reúne alguns dos textos postados no blog que tem de 10 a 12 milhões de acessos por mês. Apesar dessa popularidade, os cubanos não têm acesso ao conteúdo do Generación Y e a autora não pode viajar para receber seus prêmios nos Estados Unidos e na Espanha.

De Cuba, com carinho é um belo livro que narra a vida cotidiana de quem vive na ilha, sofre com a decadência da economia cubana, mas ama seu país. Alguém que não deseja que conquistas obtidas nas últimas décadas sejam jogadas fora, mas acha que o regime envelheceu junto com seus dirigentes. E conta tudo isso em textos cheios de vida, humor e certo amargor, mas muita esperança.

A vinda de Yoani Sánchez ao Brasil estava prevista para outubro, quando seu livro foi lançado, mas apesar dos esforços, inclusive de autoridades brasileiras, o governo cubano não liberou a autora para participar do lançamento.

“É pouco provável que o governo cubano permita a visita de Yoani Sánchez ao Brasil para participar de palestras e outros eventos que estavam programados. Mas, é importante que a opinião pública, especialmente profissionais de Comunicação, a quem direcionamos o sorteio do livro, se manifeste contra todo ato de censura”, diz Walmir de Medeiros Lima, um dos criadores da ACM Comunicação, agência que periodicamente tem realizado promoções de livros como forma de estimular a reflexão sobre as práticas de comunicação.

Agradeço a ACM Comunicação pelas informações

abs,

Teleton 2009 - Mova-se

Em todos os anos de existência do blog, eu tive sempre o orgulho e a satisfação de divulgar um evento que tanto acredito e apoio. Nos próximos dias 23 e 24 haverá uma mobilização blogueira em prol o Teleton.

O evento reconhecido como uma das principais ações de mobilização do País tem programação de mais de 24 horas, transmitidas Ao Vivo, pelo SBT [Sistema Brasileiro de Televisão]. Criado há 44 anos, nos Estados Unidos, pelo ator Jerry Lewis, o Teleton está presente atualmente em mais de 20 países, e visa arrecadar recursos para a causa dos deficientes físicos. No Brasil o Teleton é desenvolvido, desde 1998, com o objetivo de levantar recursos para o tratamento e reabilitação de deficientes físicos atendidos nas unidades da AACD.

Em 11 anos de história, o evento já possibilitou a construção de sete novos Centros de Reabilitação e a ampliação de outros dois já existentes. Para alcançar estes resultados, o Teleton congrega uma gigantesca estrutura física e conta com uma verdadeira “força tarefa” de voluntários, funcionários, parceiros e patrocinadores empenhados e integralmente dedicados durante as mais de 24 horas de programação. O evento também é acompanhado por diversos veículos de comunicação, incluindo emissoras de rádio, revistas, jornais e internet, formando a Rede da Amizade. Por conta de todo esse apoio, a primeira campanha alcançou seu objetivo: ter duração de 24 horas ininterruptas em rede nacional de televisão. O evento é único em sua categoria, que busca conscientizar a população a respeito das diversas possibilidades existentes para a inclusão social do deficiente físico.

Neste ano o evento inova-se e convida 70 blogueiros, que intercalam em 7 períodos, para divulgarem incentivarem as doações para o Teleton. Lembram daquele pessoal que ficavam no telefone, mas conhecido nas versões norte-americanas? Pois é, agora a moda será ter uma bancada de 10 blogueiros no palco, que farão parte da programação. Batendo um papo com os apresentadores ou divulgando curiosidades e informações exclusivas direto do evento.

Este que vos fala estará por lá em dois períodos. Agradeço ao convite de Victor Vasques do blog Comlimão [blog | twitter], blog na qual estarei representando na bancada, e o SBT pela oportunidade aos blogueiros. Mas claro, você que lê o Pub, terá informações fresquinhas também – via Blog e Twitter [ Siga-me ]

No primeiro período, acordarei com o Chico Bento! Sim, estarei no horário das 06h30am até 09h00am do dia 24 de Outubro. E terei como companheiros de bancada os seguintes blogueiros:

Fábio Sousa - http://marcamaria.com
Dimitri Domingues - http://www.ezoneonline.com.br
Lidiane Faria - http://www.lidifaria.com

No segundo período já teremos visto muito do Teleton, estarei no horário das 20h00hrs até 22h00hrs do dia 24 de Outubro, na qual dividirei a bancada com os seguintes colegas blogueiros:


Agora você estará mais perto, poderá entender melhor o projeto, sua funcionalidade e o volume de arrecadação. Estará, junto comigo, dentro do Teleton. Pergunte, doe, ajude e participe!

Doações

Por telefone:

Para doar: R$ 05,00 - 0500 12345 05
Para doar: R$ 10,00 - 0500 12345 10

Para doar R$ 30,00, ou acima desse valor, as ligações devem ser feitas para: 0800 775 2009.

As pessoas que doarem R$ 60,00 as pessoas podem escolher pelo Tonzinho OU pela Nina e as doações de R$ 100,00 ganham o Tonzinho e a Nina.
Essa promoção não é cumulativa.

Pela Internet:
No site da Campanha: www.teleton.org.br [durante todo o ano]

abs,

[Update 22/Out/2009]

Boas Novas: A Sam e a Dafne fizeram ontem um selo para o Teleton. Então deixo disponivel à você para doar um espaço em seu blog e nos ajudar a divulgar o projeto. Obrigado!


Copie o codigo abaixo e cole onde desejar em seu template


Billboard Brasil

Atualmente em seu 115° ano, a Billboard é a marca de música mais antiga do mundo, compostade propriedades business-to-business que incluem a Revista Billboard, o Billboard.biz e a Billboard Events, assim como uma plataforma para consumidores – www.billboard.com – destino online escolhido por milhões de fãs de música. A marca Billboard está calcada sobre suas paradas exclusivas e reportagens sobre as últimas notícias, questões e tendências de todos os gêneros da música.

Mesmo pela idade, a Billboard mostra que ainda esta no top das paradas expandindo a marca em nível internacional. A marca uniu forças com a BPP para lançar uma versão mensal de sua revista no Brasil. A Revista Billboard Brasil chegou essa semana às bancas oferecendo aos fãs de música brasileira, as mundialmente famosas paradas da Billboard, notícias exclusivas e informações sobre artistas de todos os gêneros musicais.

Para quem não conhece, a revista é atualmente publicada nos Estados Unidos, na Rússia e na Turquia. No Brasil, serão 40 mil cópias mensais, com distribuição nacional. A comercialização está a cargo da Omega Mídia.

A edição brasileira promete trazer a sua famosa Billboard Hot 100 que tras, claro, os melhores da parada musical norte-americana, e a Billboard 200 que tras os álbuns mais vendidos de todos os gêneros segundo dados de vendas compilados pela Nielsen SoundScan.

Mas, e nós? Calma, calma...

A Billboard também contará com as primeiras paradas Billboard Brasil - ainda sem nome de impacto - com base em dados de execuções nas rádios compilados pela Crowley Broadcast Analysis - que é um serviço de monitoramento em 265 estações de rádio por todo território nacional.

Vale lembrar que nossas rádios hoje estão bem comerciais, européias e norte-americanizadas. Apesar de esperar muitos sertanejos e alguns pop/emo/core/rock, sei que veremos boas novidades nacionais na lista.

Ah, adivinhe quem está na capa da primeira edição:























abs,

#ficadica

Água em questão

Quando chove assim lá fora e as idéias não se afogam, a gente tem que admitir outra vez que a água é um dos maiores bens naturais da natureza. Acho mesmo impossível, pro cidadão comum, leitor do Jornal do Brasil, do Globo, da Folha de S. Paulo, e até da Veja, imaginar a possibilidade de formas orgânicas sem a existência da água.

Mesmo elementos de nossa vida a que nem prestamos atenção no dia a dia – por exemplo, o chá sem torrada e o refigerante diet – dependem da água para seus urgentes efeitos diuréticos.

E também as Sete Quedas do Iguaçu [creio que até cachoeiras menores] não cairiam se não fossem constituídas de notável percentual de água. Embora ninguém possa ignorar certa participação da gravidade. Que, imperceptível, essa nunca nos falta, sobretudo como metáfora.

Mas é só olhar: a água, que, dizem, é dois terços do universo, nos cerca por todos os lados, exceto quando a bebemos e invertemos a situação, cercando ela. Dizem mesmo que o homem – e a mulher também, mas só as rechonchudinhas – se compõe de 95% de água, completando-se os 100% com dois dedos de uísque e três pedrinhas de gelo.

Está mesmo provado que todas as nossas células são feitas de água e vivem mergulhadas n’água, donde os antigos só falarem em nosso corpo como composto de humores, sobretudo o dos humoristas, mas acho que até o dos que não têm a menor graça.

Bom, além d’água, nossas células contêm proteína, albumina, benzina, buzina, sais minerais, creme de leite, vinagre e azeite. Tudo isso faz uma linfa [não confundir com ninfa, toda uma outra coisa] que, misturada com o que se está ingerindo no momento e ainda não teve tempo de se transformar em nada muito definido, dá um melê de meter nojo, que felizmente não se vê, mas, ao fim e ao cabo, sempre aquoso. Enfim, corpo humano sem água não dá papo.

Naturalmente, sendo o corpo cheio d’água, se você bebe água demais, o metabolismo, acho que porque não sabe nadar, tem que transformar essa água em outra coisa, não sei bem o quê, qualquer uma. Metabolismo é assim mesmo. Totalmente caótico com ar de extrema organização, igualzinho a repartição pública – ninguém sabe o que está fazendo, mas faz em quatro vias. Até na internet.

O fato é que todas as células acabam retendo os tais 95% de água, mais a dose do scotch e as três pedrinhas de gelo. E fazem bem em reter isso tudo, principalmente quando a gente está na estrada e o rapaz do posto de gasolina saiu com a chave do toalete.

--

Esta crônica faz parte do Movimento Blog Action Day - Climate Change, no próximo dia 15 de Outubro. Participe.



Abs,

Kafka e as baratas

Uma crônica de Luiz Fernando Verissimo.

A Metamorfose

A barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!

Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia o seu instinto. Agora precisava racionar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para um ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referência ? Conseguiu, a muito custo um emprego como faxineira.

Sua experiência de barata lhe dava acesso à sujeiras mal suspeitadas, era uma boa faxineira.

Difícil era ser gente. As baratas comem o que encontram pela frente. Vandirene precisava comprar sua comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Se conhecem, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. A primeira noite. Vandirene e seu torneiro mecânico. Difícil. Você não sabe nada, bem? Como dizer que a virgindade é desconhecida entre as baratas? As preliminares, o nervosismo. Foi bom? Eu sei que não foi. Você não me ama. Se eu fosse alguém você me amaria. Vocês falam demais, disse Vandirene. Queria dizer vocês, os humanos, mas o marido não entendeu; pensou que era vocês os homens. Vandirene apanhou. O marido a ameaçou de morte. Vandirene não entendeu. O conceito de morte não existe entre as baratas. Vandirene não acreditou. Como é que alguém pode viver sabendo que ia morrer?

Vandirene teve filhos. Lutou muito. Filas do INPS. Creches. Pouco leite. O marido desempregado. Finalmente, acertou na esportiva. Quase quatro milhões. Entre as baratas, ter ou não ter quatro milhões não faria diferença. A barata continuaria a ter o mesmo aspecto e a andar com o mesmo grupo. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Trocou de bairro. Comprou casa. Passou a se vestir bem, a comer e dar de comer de tudo, a cuidar onde colocava o pronome. Subiu de classe. (Entre as baratas, não existe o conceito de classe). Contratou babás e entrou na PUC. Começou a ler tudo o que podia. Sua maior preocupação era a morte. Ela ia morrer. Os filhos iam morrer. O marido ia morrer – não que ele fizesse falta. O mundo inteiro, um dia, ia desaparecer. O sol. O Universo. Tudo. Se espaço é o que existe entre a matéria, o que é que fica quando não há mais matéria? Como se chama a ausência do vazio? E o que será de mim quando não houver mais nem o nada? A angústia é desconhecida entre as baratas.

Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi, meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.

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abs,

Pedofilia da Sétima Arte

Deve um homem de 77 anos pagar por um crime cometido há três décadas? Depende do crime. Se falamos de furto ligeiro ou abuso de liberdade de expressão, não existe uma única alma compassiva que não encolha os ombros e mande o sujeito em paz. A velhice, por vezes, já foi castigo que bastasse.

Mas o cenário muda radicalmente quando o homem em questão drogou e violou [sexualmente] uma jovem de 13 anos. Aqui, o meu coração estremece. E as dúvidas, confesso, transformam-se em pó. Não que seja um púdico nessas matérias: posso entender que um adulto se sinta atraído por uma menor, desde que este "menor" em causa demonstre um grau de maturidade sexual e emocional que relativize a questão etária. Mas uma violação é uma violação é uma violação.

O auditório talvez concorde comigo. Mas o mesmo auditório sente dúvidas quando trocamos a expressão "homem de 77 anos" pelo nome "Roman Polanski".

Duas semanas atrás, o famoso diretor polonês foi preso na Suíça e agora corre o risco de ser extraditado para os Estados Unidos. Motivo conhecido: em 1977, na casa do amigo Jack Nicholson, em Los Angeles, Polanski, então com 44, drogou e violou Samantha Gailey, então com 13. Levado a tribunal, e após acordo entre as partes, a acusação abandonou o crime de violação e ficou-se por relações sexuais com uma menor. Polanski aceitou o negócio, confessou o crime e, depois da confissão, fugiu dos Estados Unidos. Nunca mais lá voltou. E agora?

Agora, políticos de toda a Europa e a elite cinematográfica de Hollywood clamam pela libertação de Polanski. Argumentos? Vários. Uns dizem que Polanski já cumpriu a sua pena, ao ser forçado ao "exílio na Europa" durante 30 anos. Outros evocam o passado trágico do homem: a família que pereceu no Holocausto; a sua condição de sobrevivente ao genocídio nazista; o brutal homicídio da mulher, a modelo Sharon Tate, às mãos da quadrilha Manson. E todos relembram que a própria "vítima" já perdoou a Polanski.

Não vale a pena perder tempo com nenhum destes argumentos: o "exílio na Europa" [como se a Europa fosse o Ruanda e Polanski tivesse nascido em Marte]; um passado de tragédias pessoais; e até o perdão de Samantha Gailey não alteram a natureza do crime, que nenhuma sociedade civilizada pode ignorar.

Os argumentos em defesa de Polanski servem apenas para iludir, de forma hipócrita, uma verdade essencial: ninguém defenderia Roman Polanski se ele não fosse um "artista". No fundo, ninguém defenderia Polanski se não persistisse entre nós a ideia romântica [no sentido próprio do termo] de que os "artistas" não se submetem ao mesmo código ético e legal que regula a humanidade inteira. Pelo contrário: os "artistas" criam a sua própria moral e, no limite, serão julgados por ela.

Defender Roman Polanski apenas porque ele é Roman Polanski é dizer, implícita e perversamente, que a pedofilia é tolerável desde que o pedófilo dirija filmes.

Inaceitavel.

abs,

Amores de uma cidade

Primeiro veio Paris, te amo [Paris, Je T'aime - 2006], que conta, através de 18 curtas-metragens de 21 diretores diferentes, histórias de amor que se passam na cidade luz. Alguém ai se lembra das histórias? Foi uma idealização diferente de se mostrar uma cidade, quais as faces, estilos, cores, sentidos e movimentos. As histórias, mesmo que rápidas, são marcantes mesmo que algumas tenham um fundo de fantasia e ficção, - Vampiros in love, pois é... Antes de Crepúsculo, pasmem! hohoho - o filme fez o sucesso que prometera, e deixou com um toque de quero mais. Tiramos à idéia de Discovery Channel e conhecemos a verdadeira cidade por seus moradores/amores.

Difícil lembrar de uma que não gostei, mas fácil de lembrar quais histórias marcaram neste longa/curto film. Um sentimento de quem não está mais entre nós, uma senhora que procura seu entendimento de existência, um casal que de tão diferentes, são tão únicos a si. A necessidade do dia a dia, a distancia inexistente. Enfim... Um filme que te faz pensar no amor em todas as suas formas, puro. Relembre, veja o trailer abaixo:



E em outubro deste ano, 11 novas histórias de amor, de 11 diretores, serão contadas em Nova Iorque. Não é a primeira vez que a big apple tem curtas histórias para contar sobre o amor, mas é a primeira vez que ela vira foco de como realmente é - em amour, people! -. O beneficio do mesmo produtor é a ênfase ao amor e a cidade. Podemos esperar então, lugares diferentes dos turísticos mostrados em todos os filmes, mas o perigo aqui mesmo é cair em mais um filme note-americanizado – veja a lista de atores e atrizes -. Para fugir disto vamos usar o mesmo beneficio do primeiro, de vários diretores de várias partes do mundo e ver o que acontece.

O filme, “Nova Iorque, Te amo” [New York, I Love You - 2009], tem estréia norte-americana marcada para o dia 16.

A obra parte do mesmo produtor de Paris, Emmanuel Benbihy e entre os diretores convidados estão grandes nomes, como: Mira Nair, Brett Ratner e Shekhar Kapur. Natalie Portman, além de fazer parte do elenco, dirige seu segundo curta no filme. Além dela, o elenco conta com Andy Garcia, Orlando Bloom, Christina Ricci, Rachel Bilson, entre vários outros nomes de peso.

Vemos então que a indie Natalie Portman continua na franquia. Mas tenho receio de ver Orlando Bloom e Shia LaBeouf, dois atores de épicos comerciais, como se saem em um film art?

As histórias se passam nos principais bairros de Nova Iorque, e não tem ligação entre si, mas como no filme anterior, o encerramento traz o encontro de todos os personagens. Ou seja, indico a todos. Ah, e parece que o produtor tem planos de fazer mais dois filmes, um em Londres e outro no Rio de Janeiro. Nada contra a cidade maravilhosa, mas acho que São Paulo teria um enfoque mais art/cult, não?

O trailer já está na internet há algum tempo, confira:



abs,

Call to Action

Acontece no próximo dia 21 de setembro, a maior mobilização social já realizada. Trata-se da “Call to Action”, que reunirá milhares de eventos ao redor do mundo em torno de uma só mensagem: os governos precisam se posicionar, definir e aprovar um acordo justo, ambicioso e comprometido na 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. A cúpula de governos mundiais se reunirá em Copenhague, Dinamarca, de 7 a 19 de dezembro de 2009.

Batizada de Ação pelo Clima no Brasil, ela já somou mais de 150 atividades programadas para acontecer em todos os estados. A iniciativa faz parte da Campanha TicTacTicTac, uma aliança inédita de organizações não-governamentais (ONGs), sindicatos, grupos religiosos e pessoas que busca mobilizar, por meio de um amplo abaixo-assinado, organizações, públicas e privadas, redes e a sociedade em geral para pressionar os governos das nações que participarão da COP-15 a se posicionarem a favor de um acordo justo, ambicioso e comprometido. Todas as assinaturas colhidas fazem parte do banco de dados da campanha mundial. Além disso, a campanha incentiva toda a sociedade civil a proativamente organizar ações paralelas para debater o tema, podendo divulgá-las no site www.tictactictac.org.br. No endereço, também é possível acompanhar a agenda de ações em todos os países participantes da campanha.

Por meio de uma plataforma online, desenvolvida pela Avaaz, organização parceira da TicTacTicTac, qualquer pessoa ou organização pode cadastrar seu evento ou identificar algum evento próximo de sua localidade para participar no dia 21. Para isso, basta acessar o site da campanha.

Há iniciativas de todos os gêneros e tamanhos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, o banco de dados reunia mais de 20 atividades, sendo que uma das principais será realizada no Vão Livre do MASP, na Avenida Paulista. A Caminhada TicTacTicTac acontece a partir das 12h. Haverá também uma flashmob (mobilização relâmpago) em frente ao prédio da Gazeta, na mesma avenida, também às 12h.

Já na cidade do Rio de Janeiro, a população pode se engajar em mais de uma dúzia de atividades, que incluem desde o plantio de árvores no Jardim Botânico, a partir das 10h. Chamado de Dia do Clima, ou Dia C, contará com a presença de diversas autoridades locais.

Na pequena Timbaúba, no Estado de Pernambuco, o dia começa às 7h30 com uma iniciativa da Natureza Viva, um desfile de jovens fantasiados de personagens defensores da natureza: curupira, boitatá, duendes, gnomos e índios se juntarão para apresentações culturais e distribuição de sementes de plantas nativas, além do plantio de mudas de ipê.

Ação pelo Clima no mundo

Com mais de 2 mil atividades registradas em mais de 100 países, o Call to Action promete ser uma data inesquecível na luta global contra as mudanças climáticas.

Em Fukuda, no Japão, os participantes pintarão seus rostos de vermelho e se concentrarão em um flashmob na área mais movimentada da cidade. Grupos em Kinshasa, na República Democrática do Congo, farão uma marcha da Câmara Municipal até o Palais de la Nation, a sede do governo daquele país, para apresentar a sua petição sobre as mudanças climáticas.

Na cidade de Papeete, na Polinésia Francesa, os participantes, todos vestidos de branco e segurando uma flor colorida, se reunirão em frente ao mar. Às 12h, todos elevarão sua flor ao sol, enquanto os alarmes de seus celulares, todos definidos com uma única nota de chamada (mellow), tocarão juntos por um minuto. A manifestação será seguida de um concerto acústico ao ar livre, no parque local.

O Brasil é o terceiro país do mundo em número de eventos da Hora de Acordar Global. Temos neste momento 158 ações cadastradas, empatadas com o Canadá. Mais que nós, apenas os Estados Unidos e o Reino Unido. E isso numa lista onde estão 120 países, segundo Aron Belinky, coordenador executivo da campanha TicTacTicTac.

E você, vai se juntar ao movimento?

abs,

Eu, translation

Assim como outros escritores, resolvi brincar com as traduções do google e verificar as expressões diferenciadas por todo o globo.

Original: Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso.
por: Albert Einstein

Inglês: Try to be a man of value, instead of being a man of success.

Alemão: Versuchen Sie, ein Mann von Wert, anstatt ein Mann des Erfolges.

Francês: Essayez un homme de valeur, plutôt que d'un homme de succès.

Italiano: Provare con un uomo di valore, piuttosto che un uomo di successo.

Espanhol: Trate de un hombre de valor, en lugar de un hombre de éxito.

Português: Tente um homem de valor, em vez de um homem de sucesso.

É isto, até que o robozinho não errou tanto, mas com certeza a tradução aberta ainda deixa muito espaço a interpretações. Faça um teste você também, escolha uma frase e veja como a frase fica ao redor do mundo e como volta a ti.

Abs,

Roda Viva com Mauricio de Sousa

Este jornalista, blogueiro e twitter que vos fala, participara da gravação do próximo programa Roda Vida da Tv Cultura. [Existe melhor maneira de comemorar o dia do blog?] O convidado será Mauricio de Sousa [site - twitter], criador da Turma da Mônica. Mauricio estará no programa para divulgar as novidades e responder a perguntas dos convidados e audiência. O cartunista tem o maior estúdio de animação do Brasil e, recentemente, inovou com o lançamento da Turma da Mônica Jovem [uma versão adolescente da turminha], que rapidamente se transformou em sucesso editorial. O criador da Turma da Mônica tem mais de um bilhão de revistas publicadas em 126 países e em mais de 50 idiomas.

Com a criação de mais de 200 personagens, Mauricio de Sousa diversificou também os negócios com histórias em quadrinhos, desenhos animados, filmes para cinema, TV e celular e parque de diversões, além de mais de 3 mil produtos licenciados como livros, material escolar, roupas e brinquedos.

Sendo assim, na entrevista, saberemos as novidades dos estudios e também o que Mauricio anda aprontando com Turm.

Nesta edição os entrevistadores serão:

Mariana Caltabiano, diretora e roteirista de animação;
Ubiratan Brasil, subeditor do Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo;
César Freitas, jornalista e colaborador do programa Metrópolis, da TV Cultura
Rosely Sayão, psicóloga e colaboradora do jornal Folha de S. Paulo.

Além de três usuários do Twitter, que postam comentários sobre os temas em debate, num diálogo com as suas redes de contato, também é convidado um colaborador do Flickr, para publicar em tempo real as imagens do programa.

Os convidados desta edição:

Twitters no estúdio:
Julio Moraes, jornalista [http://twitter.com/juliomoraes];
Pedro Salmazo, publicitário [http://twitter.com/pedrosalma];
Leo Palagi, empresário [http://twitter.com/leopalagi]

Fotógrafa convidada:
Erica Pedrosa, fotógrafa [http://www.flickr.com/photos/erica_montagner]

O programa ao vivo é transmitido exclusivamente pela internet, na IPTV Cultura [http://www.iptvcultura.com.br/rodaviva] em tempo real as 18h30hrs.

O programa, na tv, será exibido hoje às 22:10hrs pelo canal TV Cultura.

Além disto tudo, é que você poderá participar pelo chat que é agregado ao vivo, junto a transmissão online. Então, sinta-se a vontade de clicar no link do RODA VIVA e fazer suas perguntas.

Então, é isto por enquanto. Vemos-nos por lá.
E feliz dia do blog à todos!

abs,

tags #rodaviva #mauriciodesousa #turmadamonica

Get well, Max [Update]



















Este é Max, eterno filhote de minha Luz.
Max infelizmente não esta bem :(
Então, toda oração, pensamentos positivos e afins, serão bem vindos.

Agradecemos sempre!

abs,

[update - 31/08/2009]

Boas novas! Max esta bem e em recuperação! :D
Graças ao apoio de todos, orações e boas vibrações.

Obrigado pelo carinho,

abs,

Prêmio Multishow 2009 - Tudo o que rolou

E assim foi o evento:

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A festa da música brasileira mais uma vez foi um sucesso. Uma noite de muita emoção, diversão e música, que não poderia faltar. Coroando os melhores do ano, a premiação marcou por muita gente debutando nos agradecimentos ao microfone.

A primeira categoria da noite foi apresentada de maneira chique, bonita e joiada. O cantor Falcão, rei do brega, acompanhado de Luiza Brunet, deu o prêmio de Melhor DVD para Marisa Monte, por Universo ao Meu Redor.

Seguindo na categoria instrumentista, que trazia somente ''iniciantes" nas indicações, a jovem baterista Deborah Teicher faturou e foi recebida por Davi Moraes e Fiorella Matheis.

O Melhor Show mais votado ficou para o Capital Inicial, que reuniu 1 milhão de pessoas em Brasília no ano passado para a gravação do seu Multishow Ao Vivo. Preta Gil e Reginaldo Rossi fizeram as honras.

Depois foi a vez da apresentadora do Multishow, Dani Monteiro participar da festa com Nando Reis para apresentar o vencedor na categoria Melhor CD. E ele foi o grupo NX Zero, com Agora.

Na hora da categoria Revelação, Banda Cine, que andou bombando na internet ultimamente, comprova o seu sucesso desbancando nomes mais conhecidos como Mallu Magalhães e Túlio Dek.

Para melhor clipe, uma cantora e um diretor, Pitty e Oscar Rodrigues Alves entregam o prêmio para Skank, com Ainda Gosto Dela.

A música também estava indicada para o Prêmio TVZé, mas não levou. Na nova categoria, que estreou este ano, quem levou foi Kadu Gauer com a sua própria versão para o clipe da música ''Cadê Dalila", de Ivete Sangalo.

Outra novidade deste ano foi a categoria Iniciativa, a única que não foi decidida por votação popular. Regina Casé foi quem apresentou e recebeu o Skank, que fez um trabalho muito ligado a celular - transmitindo shows e dando a possibilidade do público escolher o BIS - e pela internet - com aulas de música online distribuindo músicas através do download.

Reproduzindo a piada feita na premiação, Mallu e Marcelo - o D2 - entregam o prêmio de melhor cantora para Marisa Monte, que depois de muito tempo fora de premiações e festas do tipo, volta com classe levando dois troféus. Na sequência, Seu Jorge é o melhor cantor e pela primeira vez leva o prêmio na categoria.

A cantora Vanessa Da Mata foi quem recebeu o melhor cantor no palco, junto com Rodrigo Amarante. E é para onde ela acaba voltando logo depois, para, agora como vencedora, levantar o troféu de Melhor Música, com Amado.

Fechando a noite, a categoria Melhor Grupo ficou para o Fresno. Os gaúchos ficaram surpresos, já que são peixes novos nesse mar da música e ano passado passaram direto, sem terem indicação até para Revelação.


Fonte

Prêmio Multishow 2009 - Acompanhe [update]

No dia 18 próximo acontecerá no Rio de Janeiro a entrega do Prêmio Multishow 2009. Esse ano a organização do evento resolveu convidar blogueiros para fazer a cobertura em seus blogs e twitters da entrega do prêmio e da festa em homenagem aos premiados.

Este que vós posta estará no evento e na pós festa contando tudo em tempo real. O que será que acontece nos bastidores? Saberemos. Todos os indicados e convidados estão a disposição para entrevista e, quem sabe, novidades exclusivas só para nossos leitores.

Então fique por ai, porque será na terça feira a partir das 21:45 no canal Multishow. Você acompanhará tudo aqui pelo blog Juliu's Pub, pelo twitter @juliomoraes e você poderá seguir pelo perfil oficial do @Multishow no twitter. Também pelos seguintes blogueiros e twitters:

  1. Boombust | @boombust
  2. Não Salvo | @naosalvo
  3. Jovem Nerd | @jovemnerd
  4. Kibe Loco | @kibeloco
  5. Digital Drops | @nickellis
  6. HiTech Live | @helton
  7. Brogui | @brogui
  8. Eu Capricho | @luizagomes
  9. Controle Remoto | @felipeneto
  10. Chongas | @flavio_chongas
  11. Videolog | @videolog
  12. Papo de bêbado | @dulcetti
  13. Patrícia Moura | @missmoura
  14. Misturinha| @misturinha
  15. Eu| @juliomoraes

Veja os indicados e quem estará na festa: Clique aqui, aproveite e vote!

tags:
#misture-se #premiomultishow #pmmb

abs,

[UPDATE]

Peço desculpas aos amigos, colegas, blogueiros e twitter pela falta com meu compromisso de cobertura do evento. Infelizmente motivos maiores aconteceram, dentre várias outras durante a noite.

Fiquei bem triste, mas continuamos em frente. Sempre com o melhor conteúdo.

Agradeço muito a atenção, o carinho e a compreenção.

Abs,

Respire

Momento para refletir.



Um vídeo de Esteban Diácono baseado em uma música de Olafur Arnalds

abs,

O Senado, para que serve?

O Senado foi uma instituição que nasceu na Roma Antiga, ainda no período monárquico. A palavra Senado nasceu do termo "senex", que significa senil ou velho. O Senado romano era, portanto, um conselho de anciãos. Durante o período republicano, o Senado romano era uma assembléia permanente composta por trezentos membros, escolhidos pelos censores entre antigos magistrados. Na prática, era o Senado que dirigia o Estado romano. Cabia a ele a elaboração das leis, o controle das finanças, a orientação da religião e também os destinos da política externa romana. Em caso de grave crise, na qual as instituições republicanas estivessem ameaçadas, cabia ao Senado indicar um ditador ou "tirano" para governar por seis meses.

No Brasil, o Senado nasceu com o Império. Durante a época monárquica brasileira, os senadores tinham seu cargo vitalício, mas não tinham a abrangência de atribuições que o mesmo cargo político possuía na Roma Antiga. A primeira função do Senado brasileiro foi dar respaldo ao país recém-independente. Assim, o Senado passou a ser procurado sempre que o país precisava decidir sobre os destinos da coisa pública.

No século XX, entretanto, as atribuições do Senado se modificaram substancialmente. A partir do século passado, a casa passou a assumir um papel de fiscalização dos demais órgãos públicos e passou a organizar CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito). Historicamente, o Senado brasileiro definiu-se por três funções básicas, de acordo com o historiador Marcos Magalhães: legisla, fiscaliza o exercício do poder e legitima o poder estabelecido.

Nos últimos tempos, todavia, o Senado tem se desvirtuado de suas principais funções. A instituição tem sido vítima de uma disputa de interesses pessoais e da vaidade de alguns senadores que se colocam acima das verdadeiras funções daquela casa legislativa. É o caso do Senador José Sarney. Ex-presidente da República, o senador deveria abandonar o cargo para passar para a História como um cidadão que contribuiu decisivamente para a volta da Democracia no país e contribuiu verdadeiramente para a consolidação das instituições. Entretanto, mesmo que queira deixar o posto, o Senador é pressionado por setores do Partido dos Trabalhadores, que neste momento não tem outro nome para colocar em seu lugar.

Triste situação para o Senado brasileiro, que nasceu com uma origem tão nobre na época do Império, e que hoje se vê envolvido numa situação tão atroz.

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Este post é referente ao debate que teve a mediação do jornalista Roberto Godoy, e participação dos professores Carlos Alberto Di Franco (Univ. Navarra) e Eugênio Bucci (USP) na qual discutiram a censura imposta ao Estadão em relação a matérias sobre o caso Sarney.

Veja abaixo:




- Este post faz parte da blogagem coletiva "Xô Sarney" -

Abs,

Lei Antifumo em São Paulo. Funcionará?

Eu não sou fumante e não apoio. Apenas respeito. Mas é válido lembrar que não adianta reinventar a roda e nada solucionar. Quais são os erros e os acertos da nova lei?

No dia 7 de agosto de 2009, no Estado de São Paulo, seguindo uma tendência internacional de restrição ao fumo, já adotada em grandes cidades do mundo, como por exemplo, Nova York, Londres e Paris, entrará em vigor a nova legislação antifumo, a lei estadual 13.541/2009.

A referida lei proíbe o uso de cigarros e derivados de tabaco em todos os ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, total ou parcialmente fechados em qualquer um dos lados por parede ou divisória, em todo o Estado.

Entre os locais de proibição estão áreas internas de bares e restaurantes, casas noturnas, ambientes de trabalho, áreas comuns fechadas de condomínios, teatros, cinemas, lanchonetes, museus, escolas, táxis dentre outros. Até ai, tranqüilo.

Vale destacar que a nova lei restringe, mas não proíbe o ato de fumar [ops?]. O cigarro continua autorizado dentro das residências, das vias públicas, em áreas ao ar livre, estádios de futebol, quartos de hotéis e pousadas, desde que estejam ocupados por hóspedes, os locais de cultos religiosos em que o uso do tabaco faça parte do ritual e estabelecimentos exclusivamente (ou seja não pode ter serviço de alimentação e bebida) destinado ao consumo de cigarros, cigarrilhas, charuto, ou qualquer outro produto derivado de tabaco.

A responsabilidade por garantir que os ambientes estejam livres de tabaco será dos proprietários dos estabelecimentos, que deverão advertir os eventuais infratores, inclusive, com auxílio de força policial se necessário, bem como afixar avisos de proibição do fumo.

Contudo, a lei não pune os fumantes infratores, somente os estabelecimentos, que podem ser punidos por agentes da Vigilância Sanitária e do Procon. Acredito-me que, ai esteja um dos maiores erros.

Um dado importante da lei é o fato de que o estabelecimento pode ser punido mesmo se ninguém estiver fumando. Isso se deve ao fato de que será considerada infração a existência de resquícios de uso do cigarro e derivados de tabaco, como por exemplo, a existência de "bitucas" de cigarro, cinzeiros, o cheiro de fumaça e a inexistência de sinalização informando ao cliente da impossibilidade de consumo de cigarro no estabelecimento.

Um dos pontos de maior controvérsia desta lei é a proibição das áreas exclusivas para fumantes, popularmente chamados de "fumodromos".

No campo das penalidades, em caso de infração à nova lei, o estabelecimento será multado, com base na legislação sanitária. A primeira infração valerá multa de R$ 792,50 ao estabelecimento, em caso de reincidência, o valor da multa dobra.

Na terceira autuação, o estabelecimento será interditado pela Vigilância Sanitária por 48 horas e, em novas reincidências, a interdição será por 30 dias.

Como era de se esperar, a referida lei foi contestada na justiça, sendo que a que mais obteve êxito foi o mandado de segurança impetrado pela Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo que, em decisão liminar já confirmada em sentença, o MM Juiz de Direito da 03 Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, MM. Juiz Valter Alexandre Mena, derrubou em parte a lei antifumo, permitindo a liberação da instalação dos fumodromos no interior dos estabelecimentos, desobrigando os estabelecimentos de chamar a policia quando alguém estiver fumando e suspendeu as multas.
Outro mandado de segurança, impetrado pela Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo - FHORESP, também conseguiu liminar com o mesmo objetivo da ação mencionada acima.

Entretanto, ambas as decisões foram derrubadas, provisoriamente, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a fim de evitar uma falsa expectativa de direito, o que garante a aplicação da lei antifumo.

De fato a proibição de instaurar os "fumodromos" vai de encontro com a lei federal 9.294/96, que exige e permite a existência de áreas exclusivas de fumante.
Por sua vez, a Constituição Federal de 1988 determina que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal, legislar, concorrentemente, sobre a proteção e a defesa da saúde e que a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados, motivo pelo qual poderão, os Estados, preencher, somente, o que não foi atacado pela lei federal.

Portanto, conforme entendimento do próprio Supremo Tribunal Federal, existindo lei federal, suspende esta a eficácia da lei estadual, ou seja, existindo norma geral federal, os Estados não podem ultrapassar o seu limite de competência meramente suplementar.
Desta forma, diante da previsão constitucional de competência suplementar dos Estados para legislar no que a União já legislou, somado ao fato de que a União já legislou sobre as áreas exclusivas de fumantes, através da lei federal 9.294/96, entendo, por mais nobre que seja e altamente elogiável a intenção do Governo do Estado de São Paulo em proteger a saúde da população, que a lei antifumo do Estado de São Paulo (Lei Estadual 13.541/2009), em parte, é inconstitucional.

Não obstante ao que foi dito acima, mas principalmente, pela suspensão das ordens judiciais, a Lei Estadual 13.541/2009 entra em vigor na próxima sexta feira dia 07/08/2009, com todas as suas imposições, discorridas no início destas considerações, com absoluta vigência, motivo pelo qual os estabelecimentos deverão se enquadrar e obedecer às respectivas normas até decisão final da justiça.

Agora o fato é fazer com que o usuário final do tabaco entende a lei. E claro, fazer com que o dono do estabelecimento pratique a lei. Existe ainda muito chão pela frente para finalizar este debate.

E você, o que acha?

abs,

Pandemia, medo, dinheiro e nossa vida.

Veja o que há por trás da gripe suína, Tamiflu e o medo paranóico.
O que está por traz de tanta paranóia? O que faz o mundo pensar que algo que está na TV é mais importante ou relevante? Por que você prefere ter medo de algo que não existe, do que enfrentar o que realmente está por ai? Assista e tire suas conclusões



E agora, o que acha?

abs,

São Paulo e os Fretados

Veja o ponto de vista do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sobre a decisão de não permitir ônibus fretados dentro da cidade.

Para você que ainda não sabe o que acontece em São Paulo, visite os links:


E agora com a palavra: Gilberto Kassab (DEM-SP), engenheiro e economista. Prefeito de São Paulo

Há duas formas de administrar uma cidade como São Paulo. Por omissão, deixando acumular catástrofes, originadas pelo crescimento desenfreado. Ou cumprir o dever de agir, tomando decisões, muitas vezes polêmicas, planejando e prevenindo circunstâncias que, no futuro, podem alcançar dimensão de verdadeiros flagelos urbanos. Desde que assumi a administração da maior capital do país, procuro me pautar por ações que beneficiem a maioria da população. Minha experiência na função mostra que é possível, sim, privilegiar as grandes demandas da maioria. O programa "Cidade Limpa" é um exemplo.

Agora estamos envolvidos em mais uma polêmica: a regulamentação dos fretados. Dentre as prioridades de uma cidade como São Paulo, o transporte ocupa lugar de destaque. Nessa área, corremos atrás de um prejuízo de mais de século e meio: em Londres o metrô foi inaugurado em 1.863. Para o avanço do automóvel particular, as cidades só têm como opção uma rede pública de transporte que reúna tecnologia, rapidez e conforto. Por isso, nossa gestão, incorporando a visão estratégica da administração estadual, tem buscado reduzir ao máximo essa defasagem. Até 2010, teremos 240 quilômetros de redes de transporte sobre trilhos com qualidade de metrô, quatro vezes mais do que os 60 quilômetros que dispomos hoje.

A decisão de regulamentar o sistema de fretados inspira-se no bom senso. Da forma como vem crescendo, o sistema não resistiria aos erros e desvios, já visíveis e que apontam para os malefícios que causarão no futuro. Não agir transferiria o problema para as próximas administrações. Foi para evitar lamentáveis episódios, como as dificuldades para restringir as ações deletérias provocadas no passado por ônibus e peruas clandestinas, que a Prefeitura procurou se antecipar, estabelecendo regras para o transporte por fretados. Ou seja, são normas que objetivam o interesse da maioria dos usuários.

A administração não ignora que as novas disposições exigirão adaptações. Continuamos abertos ao diálogo. A regulamentação pode ser aperfeiçoada, reduzindo eventuais transtornos a usuários, a quem respeitamos e que não estão, em absoluto, sendo discriminados. Contudo, não é possível admitir que tenham tratamento privilegiado, com os fretados trafegando e estacionando em qualquer lugar, como em frente a locais de trabalho. Na democracia, a autoridade não pode admitir privilégios - ao contrário, tem de assegurar tratamento igualitário a todos os munícipes.

A adaptação é responsável. Estudamos os problemas, projetamos a dimensão que poderiam assumir no futuro e criamos alternativas. Para começar, já há onze novas linhas de ônibus, ligando regiões da cidade identificadas como os destinos mais procurados pelos usuários de fretados. Apesar dessas iniciativas, a nova regulamentação não pôde fugir a restrições a fretados como ônibus, microônibus e vans que, hoje, sem normas específicas, já têm parcela significativa de contribuição para agravar o trânsito da cidade. É preciso enfatizar que as medidas visam beneficiar 6,8 milhões de pessoas, enquanto a restrição parcial dos fretados alcança apenas 40 mil.

Esta maioria da população estava prejudicada com a desordem urbana causada por fretados que desrespeitavam pontos de embarque e desembarque, paravam em calçadas, em filas duplas, em todos os pontos de ônibus e estações de metrôs - enfim, causavam danos evidentes à fluidez do trânsito, impedindo que o transporte público pudesse ter a velocidade necessária, além de desconsiderar questões como combustível limpo, acessibilidade e impedir o aperfeiçoamento de suas condições de segurança.

Assim, foi necessário estabelecer as Zonas de Máxima Restrição à Circulação de Fretados (ZMRF), fixar regras para o uso de Áreas Livres, instituir horários para circulação e determinar Pontos de Embarque e Desembarque para veículos devidamente autorizados. Portanto, a regulamentação dos fretados, mais do que impor restrições, procura evitar que o trânsito paulistano se torne ainda mais insuportável. E esta normatização não pode ser vista isoladamente. Precisa ser interpretada como parte de um conjunto de medidas que objetiva disponibilizar uma variedade de meios de transporte urbano de qualidade para a imensa maioria da população. Os munícipes haverão de compreender que mais valem ações que a omissão.

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