A coexistência pacífica

Dizem que o vento e um raio de lua visitaram Picasso uma noite e lhe pediram pra desenhar um pássaro belo e forte que levasse uma menina (a infância?) pro país das maravilhas. Picasso pegou da pena e desenhou uma pomba branca, que ficou logo famosa, como tudo que ele fazia (os interesses investidos em Picasso no mundo inteiro säo irreversíveis; o capitalismo näo tem condiçöes de desvalorizar Picasso), e conhecida pelos anticomunistas como "la colombe que fait boum!", a paz que explode.

Foto: Em Gaza, menino palestino olha para destroços do Ministério da Justiça, destruído por ataque aéreo israelense - Mahmud Hams/AFP






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- Dia... da Fraternidade Universal ... Mundial da Paz

O cavalo de Tróia foi um presente de paz. Os gregos só não fizeram uma pomba porque nas proporções de uma pomba não cabe uma divisão de infantes. Mas o exemplo de paz como camuflagem já era velho. Mesmo porque a palavra paz sempre camuflou propósitos violentos. Tínhamos a "pedra da paz", sobre a qual se faziam sacrifícios humanos. A Paz do Rei, armistícios de um dia, para näo perturbar os festejos, Natal, casamento e nascimento, de poderosos. Depois veio a "paz a qualquer preço", de Luis Filipe, símbolo da suprema covardia, compromisso pusilânime, cujo exemplo maior é a Paz de Munique (hei, Chamberlain velho de paz!), concessão nefasta, baseada na crença de que se você alimenta muito bem um tigre com carne de vaca ele acaba mugindo e dando leite. Sem falar na milenar Paz de Judas, falso beijo fraternal indicando aos verdugos quem era quem entre os apóstolos.

Paz é isso aí, bicho: um termo equívoco para definir indefiníveis relações politico-econômico-militares. Um termo perigoso quando só substantivo. Letal, quando adjetivado. Quando a paz não é mesmo possível, aceitamos então a "coexistência pacífica",um ersatz, forma de güentar as pontas das nossas hostilidades, esperando pra ver se o inimigo se equivoca em seu próximo gesto político ou se atrasa em sua preparação bélica. E toma pau!

Hipocrisia em torno da paz criou expressões solertes como "a paz para terminar todas as pazes", cinismo realista (ou utopia desvairada?) paralelo à utopia desvairada (ou cinismo realista?), que se chama "a guerra para terminar todas as guerras". A primeira, permanente desde que a "humanidade" se chamou, erradamente, assim, é, na realidade, um acordo cheio de injustiças e impossibilidades práticas, onde cada parágrafo torna-se motivo de novas disputas assim que os combatentes se refazem. A "guerra para terminar todas as guerras" é, porém, a hostilidade e as lutas destinadas a estabelecer relações "definitiva" entre grupos, regiões e países (e "etnias", tão na moda), "evitando qualquer disputa futura". Uma guerra "sanitária"... E metodologicamente a paz "Justa".

abs,

Um comentário:

  1. Parabéns por falar de paz. Todo mundo acha importante, mas que não vale a pena lutar por ela.

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