O Cinema de Helmut Käutner

Cineasta, ator, e roteirista, Helmut Käutner (1908-1980) foi um dos mais aclamados diretores alemães de sua geração. Tendo estudado Arquitetura, Filosofia, Teatro, História da Arte e Design, começou primeiramente a trabalhar no Teatro como ator e diretor e iniciou sua carreira no cinema como roteirista. Fez 36 filmes para o cinema. A mostra, uma parceria entre o CCBB Rio e o Instituto Goethe do Rio de Janeiro, exibe um terço da obra completa do diretor e preenche uma lacuna ao exibir um cineasta muito pouco ou quase nunca visto no Brasil. A programação inclui seus filmes mais relevantes, incluindo suas três reconhecidas obras-primas "Romance em Bemol" (1943), "Grande liberdade nº7" (1944) e "Debaixo das Pontes" (1945). E outras raridades como "Céu sem estrelas"(1955) e "A última ponte" (1954), filme que levou o Prêmio Internacional de Juri no Festival de Cannes.

Os filmes

Até Logo, Franziska! (Auf Wiedersehen, Franziska ! Alemanha, 1941) p&b / 35mm / 91 min. Amor à primeira vista – entre Franziska, filha de um professor universitário, e o dinâmico repórter, Michael. A estória se desenrola entre 1932 e a Segunda Guerra Mundial. O amor dos dois está recheado de despedidas. A agência para a qual o repórter trabalha manda-o cobrir diversos assuntos em vários lugares do mundo: acidentes, catástrofes naturais, guerras. Franziska fica para trás, numa bela cidadezinha, primeiro sozinha, depois sozinha com seus dois filhos. Aos poucos, ela vai perdendo a esperança e tornando-se melancólica, sem conseguir, porém, se desligar do grande amor da sua vida. Um melodrama entremeado por alguns momentos alegres, com a brilhante e convincente interpretação de Marianne Hoppe e Hans Söhnker. Dias 27 de janeiro e 06 de fevereiro.

Romance em Bemol (Romanze in Moll, Alemanha, 1943), p&b / 35mm / 100 min. Baseado em um conto de Guy de Maupassant, o filme se passa em Paris na virada do século 19 e conta o melodrama de uma mulher, Madeleine, que se deixa seduzir a viver uma aventura amorosa, apesar de ser casada. Ela não resiste ao charme de um jovem compositor, que se deixa inspirar por ela para compor a melodia "Romance em Bemol". Ela esconde essa relação de seu marido. Um colar de pérolas, que lhe foi presenteado pelo compositor, transforma-se em indício dessa vida dupla. Além disso, Madeleine torna-se presa fácil de uma chantagem. Helmut Käutner encena um teatro de câmara psicológico com a história de uma mulher que sucumbe às convenções sociais de sua época, com a maravilhosa Marianne Hoppe no papel principal. Dias 27 de janeiro e 06 de fevereiro.

Grande Liberdade Nº 7 (Grosse Freiheit Nr. 7, Alemanha, 1944) 35mm, cor, 112 min. Hamburgo, filmada de forma poética e realista (1943/44, em cores). O antigo marinheiro, Hannes, trabalha como animador em um estabelecimento que pertence a sua amante, Anita. Três amigos seus, cujo navio está ancorado no porto, querem levá-lo de volta para o mar. A seu irmão moribundo Hannes tem que prometer que irá cuidar da moça Gisa, a qual um dia ele abandonou. Hannes leva Gisa para sua casa, se apaixona um pouco por ela, mas acaba voltando com seus amigos para o mar. O papel ideal para o popular ator Hans Albers. Suas canções, entre elas "La Paloma" e "Beim ersten Mal da tut's noch weh" (Da primeira vez ainda dói), continuaram a ser ouvidas, mesmo depois que o filme parou de passar. Dias 28 de janeiro e 08 de fevereiro.

Debaixo das Pontes (Unter den Brücken, Alemanha, 1945) 35mm, p&b, 100 min. O cenário do filme é um velho barco. Ele se chama "Liese-Lotte" e pertence a dois amigos, Hendrik e Willy. Eles viajam de barco, despreocupadamente, pelos rios, visitam ocasionalmente uma moça em terra, aproveitam sua vida sem estorvos. Até conhecerem Anna. Levam a bonita moça a bordo para Berlim - e ambos se apaixonam por ela. Fazem um acordo entre amigos: se um conquistar Anna, o outro fica com o barco. A história é contada como uma sinfonia cinematográfica, rica em atmosferas (lírica a alegre), e entremeada de belas paisagens. Dias 28 de janeiro e 07 de fevereiro.

Naqueles Dias (In jenen Tagen, Alemanha, 1947) 35mm, p/b, 111 min. Uma das primeiras produções do pós-guerra, um filme rodado na Alemanha destruída de 1947. Helmut Käutner e seu co-autor Ernst Schnabel tiveram a bela idéia de contar a história de um automóvel: partindo do primeiro emplacamento em 1933 até o sucateamento em 1947. Com isso contam história contemporânea. Nos episódios aparecem os destinos dos sete proprietários do automóvel, entre eles um compositor cuja música é dita degenerada; um casal judeu; um soldado desertor; uma senhora idosa, que foge dos nazistas. Com franqueza, o filme olha para aquilo que aconteceu sob o regime de Hitler. Traça um caleidoscópio da Alemanha, que espelha o clima social e humano "daqueles dias" de forma impressionante. Dias 29 de janeiro e 08 de fevereiro.

A Última Ponte (Die letzte Brücke, Áustria, Iugoslávia, 1954) 35mm, p/b, 105 min. O drama de uma jovem médica alemã, Helga, que durante a Segunda Guerra Mundial trabalha em um hospital militar nos Balcãs. Certo dia, ela é raptada por guerrilheiros iugoslavos. Num primeiromomento, ela tenta fugir. Depois, percebe que não lhes pode recusar a ajuda médica. Mais tarde, um surto de tifo acomete o campo dos guerrilheiros. Helga retira, furtivamente, do hospital militar alemão os remédios necessários. A ponte, que divide os campos inimigos, torna-se um símbolo comovente da insensatez da guerra. Maria Schell, atriz que ficou conhecida principalmente pelos seus papéis dramáticos, explora, de modo sensível, o conflito da médica "entre as fronteiras". Dias 29 de janeiro e 01º e 08 de fevereiro.

Céu Sem Estrelas (Himmel ohne Sterne, Alemanha, 1955) 35mm, p/b, 108 min. A Alemanha do pós-guerra: um país dividido. Uma estação ferroviária abandonada, uma terra de ninguém entre o Leste e o Oeste (o muro ainda não havia sido construído). Ela serve como ponto de encontro para duas pessoas: o funcionário de fronteira da Alemanha Ocidental, Carl e a operária da Alemanha Oriental, Ana. Os dois conheceram-se, apaixonaram-se e agora preparam um futuro para ambos e para o pequeno filho de Ana do lado ocidental. Helmut Käutner foi um dos primeiros a falar de um drama alemão-alemão: a impossibilidade de um amor para além das fronteiras na época da Guerra Fria. Seu filme tornou-se uma acusação impressionante contra essa fronteira que foi traçada pelo meio da Alemanha. Dias 30 de janeiro e 03 de fevereiro.

Ludwig II - Brilho e Miséria de um Rei (Glanz und Elend eines Königs, Alemanha, 1955) 35mm, cor, 114 min. O retrato romântico e cheio de brilho do "rei dos contos de fada" bávaro, Luís II (1845 - 1886). Já cedo ele se distancia da política e se volta para as artes. O filme desenrola-se entre sua coroação e sua morte misteriosa no Lago de Starnberg, descreve sua amizade por Richard Wagner, ocupa-se de seu amor platônico por Elisabeth (Sissi), a futura Imperatriz da Áustria, e narra sua paixão pela construção de castelos suntuosos. Helmut Käutner traça-o como um soberano solitário que vai enlouquecendo aos poucos. Em O.W. Fischer, o popular ator, ele achou um congenial representante do rei bávaro. Dias 30 de janeiro e 03 de fevereiro.

O Capitão de Köpenick (Der Hauptmann Von Köpenick, Alemanha, 1956) 35mm, cor, 93 min. Wilhelm Voigt possui um impressionante cadastro de antecedentes criminais. Na prisão, aprende o ofício de sapateiro e lê livros sobre o regimento militar, principalmente o que se refere a uniformes. Em liberdade, sem documentos e sem emprego, ele compra um uniforme de capitão de um vendedor ambulante e ocupa com alguns cabos a prefeitura da cidadezinha de Köpenick. E porque ali não podem ser emitidos os tão desejados documentos, leva o cofre da prefeitura e desaparece. A história dessa aventura em Köpenick é autêntica, aconteceu em 1906. Carl Zuckmayer escreveu uma peça de teatro, que foi transformada em filme por Helmut Käutner, com o popular ator Heinz Rühmann. Transformou-se, também internacionalmente, em um dos filmes de entretenimento de maior sucesso dos anos 50. Dias 30 de janeiro e 04 de fevereiro.

Noivado em Zurique (Die Zürcher Verlobung, Alemanha, 1956/57) 35mm, cor, 106 min. Uma comédia sobre o amor e o cinema. Juliane (Liselotte Pulver) é uma jovem escritora, que acabou de romper seu noivado. Ela escreve um roteiro cinematográfico sobre suas desafortunadas experiências com o amor. A história, cujo final feliz se desenrola em Zurique, desperta o interesse de uma produtora de cinema. O encarregado da direção do filme é Paul, o qual Juliane conheceu no consultório odontológico de seu tio. Outro personagem da estória é o amigo de Paul, Jean, pelo qual Juliane se interessa. Paul, o diretor, faz um filme dentro do filme, sobre a vida de Juliane, sem que esta perceba. O intrincado jogo do amor confunde o espectador, ao mesmo tempo que ironiza o cinema alemão dos anos 50. Dias 01 e 05 de fevereiro.

O General do Diabo (Des Teufels General, Alemanha, 1955) 35mm, p/b, 120 min. O filme de Helmut Käutner é baseado no drama de Carl Zuckmayer, o qual se inspirou na vida real de um pioneiro da aviação, o piloto Ernst Udet, para criar seu protagonista, o general da Força Aérea Harras. O general Harras é apresentado no filme como um oficial obstinado e ciente de seu poder, vaidoso, irreverente até a leviandade, e um conquistador de mulheres (brilhantemente interpretado por Curd Jürgens). Durante a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em 1941, após passar por determinadas experiências, ele distancia-se do regime de Hitler, sendo, por isso, encarcerado. Depois de solto, é obrigado a esclarecer os atos de sabotagem que provocaram a queda de aviões de guerra. Ao invés de denunciar o responsável, ele pilota o avião sabotado, causando, assim, sua própria morte. Dias 31 de janeiro e 04 de fevereiro.

A Ruiva (Die Rote) Alemanha/Itália, 1962. 35mm, p/b, 94 min. Baseado em um romance de Alfred Andersch, Helmut Käutner conta a história de uma jovem mulher, Franziska (Ruth Leuwerik), que não agüenta mais sua vida pequeno-burguesa na Alemanha, seu casamento paralisado pela rotina, e um caso amoroso sem nenhum sentido. Ela vai para Veneza e lá conhece novas pessoas, mas essas relações não são diferentes das outras. Entre os novos conhecidos, está um antigo oficial britânico e espião, que a usa para se vingar de um nazista. Franziska foge mais uma vez. O filme conta a estória de uma fuga do tédio mundano, analisa um momento de marasmo da sociedade e traça, como Michelangelo Antonioni o fez na Itália, estados de alma melancólicos. Dias 01 e 05 de fevereiro.

Serviço:

Mostra de filmes O Cinema de Helmut Käutner
26 de janeiro a 08 de fevereiro
Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (102 lugares + 1 local para
cadeirante)
Entrada Franca (Senhas distribuídas uma hora antes de cada sessão)
Realização: CCBB e Instituto Goethe do rio de Janeiro
Apoio: Biblioteca do Instituto Goethe

CCBB Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 – Térreo
Centro
Rio de Janeiro RJ

Agradeço ao Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil. CCBB Rio de Janeiro, CCBB Rio Imprensa, Biblioteca do Instituto Goethe do Rio de Janeiro. Por todas às informações aqui contida neste blog.

Abs, boa semana a todos

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