A Propriedade do único

Em O único e a sua propriedade, Stirner faz uma crítica radicalmente anti-autoritária e individualista da sociedade contemporânea. Ele insiste que tanto a língua como os argumentos devem servir aos fins individuais baseados na experiência de cada um, bem como à tão citada modernidade da sociedade ocidental.

A obra, publicada em 1844 na cidade de Leipzig, Alemanha, é o principal texto do autor. Um pouco antes disso, Max Stirner, pseudônimo de Johann Kaspar Schmidt, já propagava sua filosofia com uma série de artigos, como, por exemplo, O falso princípio de nossa educação e Arte e religião.

Em O único e a sua propriedade, o autor proclama que todas as religiões e ideologias se assentam em conceitos vazios, que, após solapados pelos interesses pessoais (egoístas) dos indivíduos, revelam sua invalidade. O mesmo é válido às instituições sociais que sustentam esses conceitos, seja o Estado, a legislação, Igreja, o sistema educacional, ou outra instituição que reclame autoridade sobre o indivíduo. Stirner reforça, em suma, que a sua causa é a causa do nada:

“Há tanta coisa a querer ser a minha causa! A começar pela boa causa, depois a causa de Deus, a causa da humanidade, da verdade, da liberdade, do humanitarismo, da justiça; para além disso, a causa do meu povo, do meu príncipe, da minha pátria e, finalmente, até a causa do espírito e milhares de outras. A única coisa que não está prevista é que a minha causa seja a causa de mim mesmo! ‘Que vergonha, a deste egoísmo que só pensa em si!’."

Considerado “pai do anarquismo”, o autor não se identifica com essa ramificação política e ainda inclui seus seguidores em suas críticas. A doutrina política de Stirner repudia a revolução e ridiculariza os movimentos sociais que atentam para a transformação do Estado e tão-somente. Sua argumentação explora e estende os limites da crítica hegeliana, que ele dirige especialmente a seus contemporâneos − principalmente a seus colegas jovens hegelianos, como Ludwig Feuerbach − seguidores de ideologias populares, tais como nacionalismo, estadismo, liberalismo, socialismo, comunismo e humanismo.

Agradeço a Patrícia Rosseto da Matins Fontes pelas informações aqui postadas e citações.

abs

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