Dag Alveg - Nova Iorque - Noruega

Com curadoria de Pieter Tjabbes, coordenação geral de Jens Olesen e organização da Art Unlimited, a exposição apresenta 110 imagens preto-e-branco do fotógrafo norueguês Dag Alveng, produzidas na década de 1979/2008 . As fotografias compõem três séries: I love this time of the year (Eu amo esta época do ano), de Nova Iorque, This is most important (Isto é particularmente importante) (1993-2003) e Summer Light (Luz de verão), da Noruega.

Na série, I love this time of the year, a rotação da exposição em 360 graus elimina a possibilidade de localizar a imagem em espaço e tempo, como explica o curador Pieter Tjabbes. “Com a visão facetada e dinâmica, surge um elemento de drama. Alveng intensifica a impressão da cidade grande, mas elimina o aspecto humano como fator determinante, substituindo-o por uma imagem da cidade como espaço autônomo. É assim que ele reúne a fotografia documental à sua contrapartida semiótica, a imagem construída e manipulada. Outra linguagem da qual parece se aproximar seria a do cinema, como uma sequência de imagens construindo uma história”.

Na série, This is most important (Isto é particularmente importante) (1993-2003), a técnica de exposição múltipla do negativo, que se observa nesta série, já aparecia na série (I love this time of the year), feita com exposição dupla. Também aí temos cenas de rua que exploram os aspectos estéticos e narrativos de uma imagem que quebra a unidade de espaço e tempo. Porém, o fotógrafo não girava a câmara, apenas apontava-a para outra direção. Também não determinava o movimento da lente de forma sistemática, mas conforme o interesse visual. Essas fotos já têm a complexidade da série posterior, mas ainda permitem ao espectador uma noção do espaço real.

Em Summer Light, que traz as fotografias mais antigas desta exposição, o artista privilegia imagens de lugares comuns, da sua convivência diária, da sua casa de campo e de suas redondezas, lugares banhados pela luz clara do verão nórdico.

As obras fascinam, seja pela luz nórdica, pelo silêncio, ou por causa do próprio lugar. Também porque Alveng usa as gradações de tons de cinza de forma tão sutil, a ponto de quase desintegrar a imagem, ressalta Pieter Tjabbes. “Suas obras anteriores expunham as qualidades que muitos dos fotógrafos americanos clássicos valorizavam tanto: boa definição da imagem, com profundidade, abundância de detalhes e grande variedade de tonalidades. Nesta série ele parece destacar as gradações mais claras, de forma de capturar as qualidades da luz forte do verão nórdico. A luz não como um elemento que ilumina a paisagem, mas como sua parte integrante”.

Motivos conceituais levaram Dag Alveng a fotografar em preto e branco, privilegiando assim a capacidade de abstrair a realidade. Mas essa escolha abre, também, a possibilidade fascinante de descobrir mais, nessas imagens, do que aparece à primeira vista. As imagens podem ser vistas individualmente, mas, com suas séries, o fotógrafo consegue mostrar uma realidade complexa ou desenvolver um tema nas suas diversas perspectivas.

A exposição DAG ALVENG – NOVA IORQUE – NORUEGA – 1979/2008 ficará em cartaz na CAIXA Cultural, de 08 de abril a 10 de maio. Indico a todos.

abs,

Nenhum comentário:

Postar um comentário