Mídia e Violência

Com a presença de uma plateia atenta, jornalista de renome nacional e internacional, como Caco Barcellos; Steven Salisbury e Michel Labrecque, mediados pelo professor Jorge Roberto Tarquini, iniciaram a jornada de debates do Seminário Mídia e Violência, na manhã de hoje, no Salão Nobre, da Universidade Metodista de São Paulo.

O evento, que gira em torno da cobertura da violência por parte da mídia e teve início com a fala dos cônsules do Canadá e Estados Unidos, parceiros na Instituição na realização do encontro. Eles destacam a importância da liberdade de imprensa e a responsabilidade em envergar a profissão nos dias de hoje. “Ser jornalista no mundo de hoje é difícil, mas extremamente necessário. É preciso saber aproveitar a oportunidade para repensar como a questão da violência é tratada e apontar soluções”, explicou a cônsul do Canadá Abina Dann.

Formada a mesa debatedora, o primeiro a falar foi o repórter da rádio Canadá, Michel Labrecque, que contextualizou a realidade de seu país. Morador de Montreal, parte canadense cujo idioma oficial é o francês, Michel afirmou não ser um especialista em violência, mas como repórter, que já teve fez coberturas em diversos países, tem certa experiência ligada ao tema (violência), que, em sua opinião, é um assunto recorrente no Brasil.

Segundo o repórter, os índices de homicídios em Montreal são os mais baixos dos últimos 40 anos, cerca de, 49 assassinatos em 2008. No entanto, mesmo com um alto grau de respeitabilidade por parte dos cidadãos, a polícia é criticada por agir, em alguns casos, com excesso de rigor contra jovens negros da periferia. “A mídia trata alguns casos de uma forma, que você chega a pensar que o bairro de Montreal Norte é tão perigoso como as favelas do Rio de Janeiro. Então você tem que se perguntar, será que a mídia cobre tudo isso de forma coerente?”, explica.

Ao término da fala de Michel, o jornalista Caco Barcellos foi chamado ao palco e foi ovacionado. Caco tentou fazer uma breve retrospectiva das coberturas realizadas no Brasil, nos últimos anos 30 anos. Para ele, o jornalismo teve um papel fundamental na redemocratização do País, porém desde a conquista, os jornalistas perderam o “rumo” e ainda hoje, estão em busca de encontrar os seus limites. “Falhamos na cobertura de crimes mais graves (homicídios). Não contextualizamos, não levamos a refletir. Matamos 50 mil pessoas por ano, isso é muito maior do que me zonas de guerra como o Iraque ou Afeganistão”, explica.

Em seguida foi a vez de Steve Salisbury, do Wall Street Journal, conta suas experiências nos países da América Latina. O correspondente afirma que há diferentes formas de violência e seu trabalho como jornalista é colocar os fatos dentro de um contexto. Para os alunos da Metodista que o assistem, ensina que é preciso analisar e entender o que está vendo. “É preciso sempre verificar o que as fontes dizem. Fiquem longe das ideologias. Limitem-se a escrever a reportagem”, diz. Salisbury também disse admirar o jornalista Caco Barcellos por fazer seu trabalho à paisana.

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Agradeço à Giana Ramos Zeferino, Adelson Júnior da Universidade Metodista de São Paulo pela informações.

abs,

2 comentários:

  1. cara a tv é só violencia e sexo assiste alguma novela?
    os jornais passam algo exceto rouba, desgraças, mortes???
    NÃO NÉ...

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  2. Oi Julio.
    "Fiquem longe das ideologias. Limitem-se a escrever a reportagem”. Eis aí um bom conselho para ser afixado em letras garrafais nas melhores redações deste país (isto, claro, se os barões da imprensa estivessem interessados em fazer jornalismo e não campanha política, como é atualmente o caso dos jornalões e revistonas tupiniquins. Sem exceçôes).
    Um abraço.

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