A Crise e a Vida Familiar

A crise financeira não está afetando apenas os mercados, mas também as famílias de modo geral. Na visão do psicólogo, terapeuta familiar e diretor da Escola VinculoVida, Sebastião Alves de Souza, o desemprego, a pressão por resultados e a preocupação nos negócios, sobretudo, vêm gerando conflitos e desarmonia. “O momento requer uma reestruturação de hábitos, costumes, valores, atitudes e comportamentos de todos os membros da família”.

Como exemplo, o terapeuta cita uma família na qual o pai, executivo bem-sucedido, perde o emprego. “Mesmo que a mulher trabalhe”, observa, “geralmente os salários dos executivos incorporam plano de saúde, motoristas, bônus de viagem e outros benefícios. Quando isso é retirado, toda a família fica ressentida e cria-se motivo para brigas, desavenças, intolerância mútua e até mesmo incompreensão, consequências da necessidade de baixar o padrão de vida”.

Cada família enfrenta a crise à sua maneira: algumas se comportam com a esperança de que o momento turbulento passe logo. Outras ficam desesperadas e enlouquecidas, sentem-se à beira de um ‘colapso nervoso’. Na visão de Souza, a dificuldade deveria criar novas possibilidades de substituir o dinheiro. Porém, em muitas famílias, o padrão de vida elevado serve como pilar para a sua organização. “Nesse contexto, a crise financeira cria muitas turbulências entre seus membros”.

Saída - Para o terapeuta familiar, a melhor forma de enfrentar a crise financeira e manter a saúde psicológica familiar e de cada membro é, em primeiro lugar, reunir a família e fazer uma exposição da nova situação que está enfrentando. “Não podemos nos esquecer de que embora a realidade seja dura, as hipocrisias, mentiras e coisas não reveladas – como as fantasias – são enlouquecedoras e desagregadoras”.

Por isso, Souza adverte, ser necessário “que os responsáveis pela família tenham a humildade de pedir ajuda a todos para a contenção de despesas, deixando claro que cada um pode – e deve – contribuir para um novo projeto de restauração das finanças e configurar a nova forma de viver nesse momento que a família atravessa”.

“A solução para encontrar o equilíbrio e a harmonia está na capacidade da família de se reorganizar por meio da criatividade, da harmonia e até da ludicidade”, defende o psicólogo. E, diante do perigo e da ameaça, é necessário ‘agir para não sucumbir’ e, ao mesmo tempo, aproveitar as oportunidades para ser criativo, abrindo assim novas possibilidades.

O terapeuta acredita que é preciso – e possível - incorporar e internalizar aprendizagens, o que vai enriquecer todos os membros da família. “É somente nas crises que os seres humanos permitem o surgimento de recursos internos para saltar para outro nível de qualidade de vida, independentemente do uso do dinheiro”, explica.

Souza cita como exemplos, desenvolver a espiritualidade e a solidariedade. “Além disso, podem-se elaborar formas de convivência familiar que não estejam baseadas no excesso de aquisição de bens materiais e, portanto, equilibrar as dificuldades familiares sem fugir para o consumismo exacerbado”.

Agradeço aos terapeutas Sebastião Alves de Souza e Ângela Elizete Herrera. Também agradecer Simone Valente e Cristina Thomaz da Em Pauta Comunicação.

abs,

Nenhum comentário:

Postar um comentário