Diga-me com quem andas e te direi se é HIV Positivo!

A ridicularidade de nossos eleitos - ainda estou descobrir os eleitores - não tem limites. A última nova é direto do Rio de Janeiro, na qual recebemos uma particularidade que vem em pacote de Emenda. Algo que, sinceramente, achei que poucos politicos conheciam. Veja abaixo:

PROJETO DE LEI2204/2009

            EMENTA:
            OBRIGA A SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE A TER UM BANCO DE DADOS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS
Autor(es): Deputado JORGE BABU


A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
RESOLVE:
    Art. 1º A Secretaria de Saúde divulgará, em seu site, os nomes dos soro-positivos, cidadãos contaminados com HIV/AIDS, em todo Estado do Rio de Janeiro.

    Art. 2º Tal listagem receberá atualizações mensais, constando seus nomes completos e Cadastro de Pessoa Física – CPF.

    Art. 3º Todos os cidadãos contaminados com o vírus HIV deverão portar identificação própria de sua condição.

    Art. 4º O portador de tal documento, terá prioridade no atendimento emergencial hospitalar da rede pública.

    Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

    Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 14 de abril de 2009.


    Deputado JORGE BABU


Só o fato de ler isto já causa afronta a todo e qualquer bem comum. Reza a lenda que tal lei faria uma melhoria ao atendimento para quem for Soro Positivo, ok. Mas em troca de que mesmo? Ah sim, da liberdade, bom senso humanitário, falta de privacidade... Já vivemos em um mundo complicados o suficiente para ter que enfrentar algo deste tipo em nosso país.

Crie casas, abaixe imposto, faça a segurança no Rio de Janeiro funcionar... Mas gastar tempo em fazer leis que não tem sentido algum é dar um tapa em nossa cara e dizer "lero, lero. Eu faço por que quero!". Poxa. Alguém mais vê isto ou só eu?

Lembrei-me de um texto de Millôr na qual reproduzo aqui:

Conhecido meu, chamemo-lo (!) de Antônio, sentindo ardores estranhos naquilo de que, segundo Freud, as mulheres têm inveja, mandou examinar sua urina num famoso laboratório, em Copacabana. Quando foi buscar o resultado do exame, entre outras pequenas irregularidades detectadas, veio o golpe brutal por parte do médico: estava com Aids!

Aids, ô meu! Não acreditou. Aids nele? Como pode? Era casado, tinha filhos, sempre fora exclusivo da mulher, e agora não só estava condenado à morte, mas a morrer em vergonha.

Procurou o médico responsável pelo exame, exigiu a presença do responsável pelo laboratório, acabou cercado por quatro laboratoristas. Todos, delicadíssimos, lamentaram o resultado, mas foram taxativos; eram profissionais de longa data, a aparelhagem com que trabalhavam era de última geração, tinham por norma rechecar quatro vezes os resultados antes de entregá-los aos pacientes - não havia a menor possibilidade de erro. Aconselharam-no até a procurar mais um ou dois laboratórios, única maneira de assegurar-se.

Meu conhecido saiu dali arrasado. Em pânico, comunicou à família o resultado do exame. Espanto geral. Logo a descrença geral. Não era possível. Mas também a desconfiança peçonhenta de um cunhado canalha: ''O Zé, hein?''

Depois de dois dias sem dormir nem comer, Antônio resolveu fazer novo exame. Mas aí, em vez de procurar novo laboratório, preferiu testar o mesmo que tinha feito o exame anterior. Urinou num frasco, pediu à mulher que fizesse o mesmo, à filha de 12 anos, à sogra, e, por último, num gesto de raiva e desafio, derramou no frasco dois dedos de Ballantine's.

Levou tudo ao laboratório. O chefe laboratorista recebeu-o com respeito e disse: ''O senhor tem todo o direito de fazer isso, pedir novo exame. Nós estamos seguros, mas o senhor não tem obrigação de estar. Nem vamos cobrar. Vou mandar três de nossos especialistas examinarem o seu fluido, sem que um saiba que os outros fazem o mesmo exame. Vai demorar um pouco. Quarenta e oito horas.''

Exatas quarenta e oito horas depois Antônio voltou ao laboratório. O chefe laboratorista, cercado pelos auxiliares, apresentou Antônio a todos e disse:

"- Lamento comunicar, senhor Antônio Silmar, mas o resultado é, novamente, positivo. O senhor realmente tem Aids. Mas sua mulher está com diabete C. Sua filha está grávida. Sua sogra não é mais virgem. E, pior, o Ballantine's é falsificado".


É isto Brasil!

Link para o Projeto de Lei aqui.

abs,

2 comentários:

  1. Ao ler o conteúdo do projeto de Lei, pensei imediatamente na Alemanha de Hitler. É assim que se começa a chocar o ovo da serpente. Espero que não seja aprovada, e que todos os segmentos da sociedade carioca repudiem o projeto.

    Quanto ao Millôr: ainda é o cara (já foi bem mais, mas continua sendo).
    Um braço.

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  2. hola! Eu realmente gostei deste blog

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