São Paulo e os Fretados

Veja o ponto de vista do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sobre a decisão de não permitir ônibus fretados dentro da cidade.

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E agora com a palavra: Gilberto Kassab (DEM-SP), engenheiro e economista. Prefeito de São Paulo

Há duas formas de administrar uma cidade como São Paulo. Por omissão, deixando acumular catástrofes, originadas pelo crescimento desenfreado. Ou cumprir o dever de agir, tomando decisões, muitas vezes polêmicas, planejando e prevenindo circunstâncias que, no futuro, podem alcançar dimensão de verdadeiros flagelos urbanos. Desde que assumi a administração da maior capital do país, procuro me pautar por ações que beneficiem a maioria da população. Minha experiência na função mostra que é possível, sim, privilegiar as grandes demandas da maioria. O programa "Cidade Limpa" é um exemplo.

Agora estamos envolvidos em mais uma polêmica: a regulamentação dos fretados. Dentre as prioridades de uma cidade como São Paulo, o transporte ocupa lugar de destaque. Nessa área, corremos atrás de um prejuízo de mais de século e meio: em Londres o metrô foi inaugurado em 1.863. Para o avanço do automóvel particular, as cidades só têm como opção uma rede pública de transporte que reúna tecnologia, rapidez e conforto. Por isso, nossa gestão, incorporando a visão estratégica da administração estadual, tem buscado reduzir ao máximo essa defasagem. Até 2010, teremos 240 quilômetros de redes de transporte sobre trilhos com qualidade de metrô, quatro vezes mais do que os 60 quilômetros que dispomos hoje.

A decisão de regulamentar o sistema de fretados inspira-se no bom senso. Da forma como vem crescendo, o sistema não resistiria aos erros e desvios, já visíveis e que apontam para os malefícios que causarão no futuro. Não agir transferiria o problema para as próximas administrações. Foi para evitar lamentáveis episódios, como as dificuldades para restringir as ações deletérias provocadas no passado por ônibus e peruas clandestinas, que a Prefeitura procurou se antecipar, estabelecendo regras para o transporte por fretados. Ou seja, são normas que objetivam o interesse da maioria dos usuários.

A administração não ignora que as novas disposições exigirão adaptações. Continuamos abertos ao diálogo. A regulamentação pode ser aperfeiçoada, reduzindo eventuais transtornos a usuários, a quem respeitamos e que não estão, em absoluto, sendo discriminados. Contudo, não é possível admitir que tenham tratamento privilegiado, com os fretados trafegando e estacionando em qualquer lugar, como em frente a locais de trabalho. Na democracia, a autoridade não pode admitir privilégios - ao contrário, tem de assegurar tratamento igualitário a todos os munícipes.

A adaptação é responsável. Estudamos os problemas, projetamos a dimensão que poderiam assumir no futuro e criamos alternativas. Para começar, já há onze novas linhas de ônibus, ligando regiões da cidade identificadas como os destinos mais procurados pelos usuários de fretados. Apesar dessas iniciativas, a nova regulamentação não pôde fugir a restrições a fretados como ônibus, microônibus e vans que, hoje, sem normas específicas, já têm parcela significativa de contribuição para agravar o trânsito da cidade. É preciso enfatizar que as medidas visam beneficiar 6,8 milhões de pessoas, enquanto a restrição parcial dos fretados alcança apenas 40 mil.

Esta maioria da população estava prejudicada com a desordem urbana causada por fretados que desrespeitavam pontos de embarque e desembarque, paravam em calçadas, em filas duplas, em todos os pontos de ônibus e estações de metrôs - enfim, causavam danos evidentes à fluidez do trânsito, impedindo que o transporte público pudesse ter a velocidade necessária, além de desconsiderar questões como combustível limpo, acessibilidade e impedir o aperfeiçoamento de suas condições de segurança.

Assim, foi necessário estabelecer as Zonas de Máxima Restrição à Circulação de Fretados (ZMRF), fixar regras para o uso de Áreas Livres, instituir horários para circulação e determinar Pontos de Embarque e Desembarque para veículos devidamente autorizados. Portanto, a regulamentação dos fretados, mais do que impor restrições, procura evitar que o trânsito paulistano se torne ainda mais insuportável. E esta normatização não pode ser vista isoladamente. Precisa ser interpretada como parte de um conjunto de medidas que objetiva disponibilizar uma variedade de meios de transporte urbano de qualidade para a imensa maioria da população. Os munícipes haverão de compreender que mais valem ações que a omissão.

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E você, o que achou?

abs,

Um comentário:

  1. E aí, os fretados foram proibidos da forma mais grotesco e antidemocrática e os brasileiros 'trouxas' como todos nós aceitaram e o assunto acabou ?

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