Causando o caos

No principio era o caos
Ou é agora?
Brincadeira tem hora!

Eu dou meu testemunho:
Isso que está aí
É apenas um rascunho.

-- Millôr


abs,

“De Cuba, com carinho”

A ACM Comunicação está sorteando dois exemplares do livro “De Cuba, com carinho” da blogueira cubana Yoani Sánchez. Para participar, os interessados devem acessar o site da agência - www.acmcomunicacao.com.br - e assinar a petição on line “Yoani Sánchez no Brasil”, criada para pedir às autoridades cubanas a liberação da visita da autora ao Brasil.

Yoani Sánchez foi apontada como a 31ª pessoa mais influente do mundo em 2008 pela revista Time [categoria “Heróis e Pioneiros”]. Em 2007, já havia sido eleita, também pela Time, como uma das 100 personalidades mais influentes do planeta. Parte desse reconhecimento se deve ao “Generación Y” blog em que Yoani Sánchez posta textos retratando o cotidiano de Cuba. O blog é traduzido para 17 idiomas e recebeu os prêmios Maria Moors Cabot [Columbia University /2009], Ortega Y Gasset [Periodismo Digital /2008], The Bobs [Deutsche Welle - Melhor Blog /2008] e Um dos 25 melhores blogs do mundo [Time/CNN].

O livro “De Cuba, com carinho”, que já aparece como um dos mais vendidos nos rankings do Jornal do Brasil, O Globo, Época e Veja, reúne alguns dos textos postados no blog que tem de 10 a 12 milhões de acessos por mês. Apesar dessa popularidade, os cubanos não têm acesso ao conteúdo do Generación Y e a autora não pode viajar para receber seus prêmios nos Estados Unidos e na Espanha.

De Cuba, com carinho é um belo livro que narra a vida cotidiana de quem vive na ilha, sofre com a decadência da economia cubana, mas ama seu país. Alguém que não deseja que conquistas obtidas nas últimas décadas sejam jogadas fora, mas acha que o regime envelheceu junto com seus dirigentes. E conta tudo isso em textos cheios de vida, humor e certo amargor, mas muita esperança.

A vinda de Yoani Sánchez ao Brasil estava prevista para outubro, quando seu livro foi lançado, mas apesar dos esforços, inclusive de autoridades brasileiras, o governo cubano não liberou a autora para participar do lançamento.

“É pouco provável que o governo cubano permita a visita de Yoani Sánchez ao Brasil para participar de palestras e outros eventos que estavam programados. Mas, é importante que a opinião pública, especialmente profissionais de Comunicação, a quem direcionamos o sorteio do livro, se manifeste contra todo ato de censura”, diz Walmir de Medeiros Lima, um dos criadores da ACM Comunicação, agência que periodicamente tem realizado promoções de livros como forma de estimular a reflexão sobre as práticas de comunicação.

Agradeço a ACM Comunicação pelas informações

abs,

Teleton 2009 - Mova-se

Em todos os anos de existência do blog, eu tive sempre o orgulho e a satisfação de divulgar um evento que tanto acredito e apoio. Nos próximos dias 23 e 24 haverá uma mobilização blogueira em prol o Teleton.

O evento reconhecido como uma das principais ações de mobilização do País tem programação de mais de 24 horas, transmitidas Ao Vivo, pelo SBT [Sistema Brasileiro de Televisão]. Criado há 44 anos, nos Estados Unidos, pelo ator Jerry Lewis, o Teleton está presente atualmente em mais de 20 países, e visa arrecadar recursos para a causa dos deficientes físicos. No Brasil o Teleton é desenvolvido, desde 1998, com o objetivo de levantar recursos para o tratamento e reabilitação de deficientes físicos atendidos nas unidades da AACD.

Em 11 anos de história, o evento já possibilitou a construção de sete novos Centros de Reabilitação e a ampliação de outros dois já existentes. Para alcançar estes resultados, o Teleton congrega uma gigantesca estrutura física e conta com uma verdadeira “força tarefa” de voluntários, funcionários, parceiros e patrocinadores empenhados e integralmente dedicados durante as mais de 24 horas de programação. O evento também é acompanhado por diversos veículos de comunicação, incluindo emissoras de rádio, revistas, jornais e internet, formando a Rede da Amizade. Por conta de todo esse apoio, a primeira campanha alcançou seu objetivo: ter duração de 24 horas ininterruptas em rede nacional de televisão. O evento é único em sua categoria, que busca conscientizar a população a respeito das diversas possibilidades existentes para a inclusão social do deficiente físico.

Neste ano o evento inova-se e convida 70 blogueiros, que intercalam em 7 períodos, para divulgarem incentivarem as doações para o Teleton. Lembram daquele pessoal que ficavam no telefone, mas conhecido nas versões norte-americanas? Pois é, agora a moda será ter uma bancada de 10 blogueiros no palco, que farão parte da programação. Batendo um papo com os apresentadores ou divulgando curiosidades e informações exclusivas direto do evento.

Este que vos fala estará por lá em dois períodos. Agradeço ao convite de Victor Vasques do blog Comlimão [blog | twitter], blog na qual estarei representando na bancada, e o SBT pela oportunidade aos blogueiros. Mas claro, você que lê o Pub, terá informações fresquinhas também – via Blog e Twitter [ Siga-me ]

No primeiro período, acordarei com o Chico Bento! Sim, estarei no horário das 06h30am até 09h00am do dia 24 de Outubro. E terei como companheiros de bancada os seguintes blogueiros:

Fábio Sousa - http://marcamaria.com
Dimitri Domingues - http://www.ezoneonline.com.br
Lidiane Faria - http://www.lidifaria.com

No segundo período já teremos visto muito do Teleton, estarei no horário das 20h00hrs até 22h00hrs do dia 24 de Outubro, na qual dividirei a bancada com os seguintes colegas blogueiros:


Agora você estará mais perto, poderá entender melhor o projeto, sua funcionalidade e o volume de arrecadação. Estará, junto comigo, dentro do Teleton. Pergunte, doe, ajude e participe!

Doações

Por telefone:

Para doar: R$ 05,00 - 0500 12345 05
Para doar: R$ 10,00 - 0500 12345 10

Para doar R$ 30,00, ou acima desse valor, as ligações devem ser feitas para: 0800 775 2009.

As pessoas que doarem R$ 60,00 as pessoas podem escolher pelo Tonzinho OU pela Nina e as doações de R$ 100,00 ganham o Tonzinho e a Nina.
Essa promoção não é cumulativa.

Pela Internet:
No site da Campanha: www.teleton.org.br [durante todo o ano]

abs,

[Update 22/Out/2009]

Boas Novas: A Sam e a Dafne fizeram ontem um selo para o Teleton. Então deixo disponivel à você para doar um espaço em seu blog e nos ajudar a divulgar o projeto. Obrigado!


Copie o codigo abaixo e cole onde desejar em seu template


Billboard Brasil

Atualmente em seu 115° ano, a Billboard é a marca de música mais antiga do mundo, compostade propriedades business-to-business que incluem a Revista Billboard, o Billboard.biz e a Billboard Events, assim como uma plataforma para consumidores – www.billboard.com – destino online escolhido por milhões de fãs de música. A marca Billboard está calcada sobre suas paradas exclusivas e reportagens sobre as últimas notícias, questões e tendências de todos os gêneros da música.

Mesmo pela idade, a Billboard mostra que ainda esta no top das paradas expandindo a marca em nível internacional. A marca uniu forças com a BPP para lançar uma versão mensal de sua revista no Brasil. A Revista Billboard Brasil chegou essa semana às bancas oferecendo aos fãs de música brasileira, as mundialmente famosas paradas da Billboard, notícias exclusivas e informações sobre artistas de todos os gêneros musicais.

Para quem não conhece, a revista é atualmente publicada nos Estados Unidos, na Rússia e na Turquia. No Brasil, serão 40 mil cópias mensais, com distribuição nacional. A comercialização está a cargo da Omega Mídia.

A edição brasileira promete trazer a sua famosa Billboard Hot 100 que tras, claro, os melhores da parada musical norte-americana, e a Billboard 200 que tras os álbuns mais vendidos de todos os gêneros segundo dados de vendas compilados pela Nielsen SoundScan.

Mas, e nós? Calma, calma...

A Billboard também contará com as primeiras paradas Billboard Brasil - ainda sem nome de impacto - com base em dados de execuções nas rádios compilados pela Crowley Broadcast Analysis - que é um serviço de monitoramento em 265 estações de rádio por todo território nacional.

Vale lembrar que nossas rádios hoje estão bem comerciais, européias e norte-americanizadas. Apesar de esperar muitos sertanejos e alguns pop/emo/core/rock, sei que veremos boas novidades nacionais na lista.

Ah, adivinhe quem está na capa da primeira edição:























abs,

#ficadica

Água em questão

Quando chove assim lá fora e as idéias não se afogam, a gente tem que admitir outra vez que a água é um dos maiores bens naturais da natureza. Acho mesmo impossível, pro cidadão comum, leitor do Jornal do Brasil, do Globo, da Folha de S. Paulo, e até da Veja, imaginar a possibilidade de formas orgânicas sem a existência da água.

Mesmo elementos de nossa vida a que nem prestamos atenção no dia a dia – por exemplo, o chá sem torrada e o refigerante diet – dependem da água para seus urgentes efeitos diuréticos.

E também as Sete Quedas do Iguaçu [creio que até cachoeiras menores] não cairiam se não fossem constituídas de notável percentual de água. Embora ninguém possa ignorar certa participação da gravidade. Que, imperceptível, essa nunca nos falta, sobretudo como metáfora.

Mas é só olhar: a água, que, dizem, é dois terços do universo, nos cerca por todos os lados, exceto quando a bebemos e invertemos a situação, cercando ela. Dizem mesmo que o homem – e a mulher também, mas só as rechonchudinhas – se compõe de 95% de água, completando-se os 100% com dois dedos de uísque e três pedrinhas de gelo.

Está mesmo provado que todas as nossas células são feitas de água e vivem mergulhadas n’água, donde os antigos só falarem em nosso corpo como composto de humores, sobretudo o dos humoristas, mas acho que até o dos que não têm a menor graça.

Bom, além d’água, nossas células contêm proteína, albumina, benzina, buzina, sais minerais, creme de leite, vinagre e azeite. Tudo isso faz uma linfa [não confundir com ninfa, toda uma outra coisa] que, misturada com o que se está ingerindo no momento e ainda não teve tempo de se transformar em nada muito definido, dá um melê de meter nojo, que felizmente não se vê, mas, ao fim e ao cabo, sempre aquoso. Enfim, corpo humano sem água não dá papo.

Naturalmente, sendo o corpo cheio d’água, se você bebe água demais, o metabolismo, acho que porque não sabe nadar, tem que transformar essa água em outra coisa, não sei bem o quê, qualquer uma. Metabolismo é assim mesmo. Totalmente caótico com ar de extrema organização, igualzinho a repartição pública – ninguém sabe o que está fazendo, mas faz em quatro vias. Até na internet.

O fato é que todas as células acabam retendo os tais 95% de água, mais a dose do scotch e as três pedrinhas de gelo. E fazem bem em reter isso tudo, principalmente quando a gente está na estrada e o rapaz do posto de gasolina saiu com a chave do toalete.

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Esta crônica faz parte do Movimento Blog Action Day - Climate Change, no próximo dia 15 de Outubro. Participe.



Abs,

Kafka e as baratas

Uma crônica de Luiz Fernando Verissimo.

A Metamorfose

A barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!

Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia o seu instinto. Agora precisava racionar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para um ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referência ? Conseguiu, a muito custo um emprego como faxineira.

Sua experiência de barata lhe dava acesso à sujeiras mal suspeitadas, era uma boa faxineira.

Difícil era ser gente. As baratas comem o que encontram pela frente. Vandirene precisava comprar sua comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Se conhecem, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. A primeira noite. Vandirene e seu torneiro mecânico. Difícil. Você não sabe nada, bem? Como dizer que a virgindade é desconhecida entre as baratas? As preliminares, o nervosismo. Foi bom? Eu sei que não foi. Você não me ama. Se eu fosse alguém você me amaria. Vocês falam demais, disse Vandirene. Queria dizer vocês, os humanos, mas o marido não entendeu; pensou que era vocês os homens. Vandirene apanhou. O marido a ameaçou de morte. Vandirene não entendeu. O conceito de morte não existe entre as baratas. Vandirene não acreditou. Como é que alguém pode viver sabendo que ia morrer?

Vandirene teve filhos. Lutou muito. Filas do INPS. Creches. Pouco leite. O marido desempregado. Finalmente, acertou na esportiva. Quase quatro milhões. Entre as baratas, ter ou não ter quatro milhões não faria diferença. A barata continuaria a ter o mesmo aspecto e a andar com o mesmo grupo. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Trocou de bairro. Comprou casa. Passou a se vestir bem, a comer e dar de comer de tudo, a cuidar onde colocava o pronome. Subiu de classe. (Entre as baratas, não existe o conceito de classe). Contratou babás e entrou na PUC. Começou a ler tudo o que podia. Sua maior preocupação era a morte. Ela ia morrer. Os filhos iam morrer. O marido ia morrer – não que ele fizesse falta. O mundo inteiro, um dia, ia desaparecer. O sol. O Universo. Tudo. Se espaço é o que existe entre a matéria, o que é que fica quando não há mais matéria? Como se chama a ausência do vazio? E o que será de mim quando não houver mais nem o nada? A angústia é desconhecida entre as baratas.

Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi, meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.

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abs,

Pedofilia da Sétima Arte

Deve um homem de 77 anos pagar por um crime cometido há três décadas? Depende do crime. Se falamos de furto ligeiro ou abuso de liberdade de expressão, não existe uma única alma compassiva que não encolha os ombros e mande o sujeito em paz. A velhice, por vezes, já foi castigo que bastasse.

Mas o cenário muda radicalmente quando o homem em questão drogou e violou [sexualmente] uma jovem de 13 anos. Aqui, o meu coração estremece. E as dúvidas, confesso, transformam-se em pó. Não que seja um púdico nessas matérias: posso entender que um adulto se sinta atraído por uma menor, desde que este "menor" em causa demonstre um grau de maturidade sexual e emocional que relativize a questão etária. Mas uma violação é uma violação é uma violação.

O auditório talvez concorde comigo. Mas o mesmo auditório sente dúvidas quando trocamos a expressão "homem de 77 anos" pelo nome "Roman Polanski".

Duas semanas atrás, o famoso diretor polonês foi preso na Suíça e agora corre o risco de ser extraditado para os Estados Unidos. Motivo conhecido: em 1977, na casa do amigo Jack Nicholson, em Los Angeles, Polanski, então com 44, drogou e violou Samantha Gailey, então com 13. Levado a tribunal, e após acordo entre as partes, a acusação abandonou o crime de violação e ficou-se por relações sexuais com uma menor. Polanski aceitou o negócio, confessou o crime e, depois da confissão, fugiu dos Estados Unidos. Nunca mais lá voltou. E agora?

Agora, políticos de toda a Europa e a elite cinematográfica de Hollywood clamam pela libertação de Polanski. Argumentos? Vários. Uns dizem que Polanski já cumpriu a sua pena, ao ser forçado ao "exílio na Europa" durante 30 anos. Outros evocam o passado trágico do homem: a família que pereceu no Holocausto; a sua condição de sobrevivente ao genocídio nazista; o brutal homicídio da mulher, a modelo Sharon Tate, às mãos da quadrilha Manson. E todos relembram que a própria "vítima" já perdoou a Polanski.

Não vale a pena perder tempo com nenhum destes argumentos: o "exílio na Europa" [como se a Europa fosse o Ruanda e Polanski tivesse nascido em Marte]; um passado de tragédias pessoais; e até o perdão de Samantha Gailey não alteram a natureza do crime, que nenhuma sociedade civilizada pode ignorar.

Os argumentos em defesa de Polanski servem apenas para iludir, de forma hipócrita, uma verdade essencial: ninguém defenderia Roman Polanski se ele não fosse um "artista". No fundo, ninguém defenderia Polanski se não persistisse entre nós a ideia romântica [no sentido próprio do termo] de que os "artistas" não se submetem ao mesmo código ético e legal que regula a humanidade inteira. Pelo contrário: os "artistas" criam a sua própria moral e, no limite, serão julgados por ela.

Defender Roman Polanski apenas porque ele é Roman Polanski é dizer, implícita e perversamente, que a pedofilia é tolerável desde que o pedófilo dirija filmes.

Inaceitavel.

abs,