Sexo, Drogas, Rock 'n Roll e Hollywood

"Nós vamos destruir vocês. Vamos tomar o poder. Vocês estão acabados."
- Dennis Hopper para George Cukor


Em 1969, um filme de motoqueiro de baixo orçamento abalou Hollywood. Uma celebração despudorada do sexo, das drogas e do rock´n´roll (dentro e fora das telas), Sem Destino [Easy Rider] inaugurava uma década de fúria em que jovens e rebeldes diretores revigoraram a indústria cinematográfica. Em Como a geração sexo-drogas-e-rock´n´roll salvou Hollywood, que a Intrínseca publica no Brasil, Peter Biskind nos faz embarcar na louca viagem que foi a Hollywood dos anos 70, uma época que produziu clássicos modernos como Bonnie & Clyde, O Poderoso Chefão, Chinatown, Shampoo, Nashville, Taxi Driver e Tubarão.

O livro recompõe vividamente a exuberância e o excesso daqueles tempos: o sucesso inesperado de Sem Destino e as igualmente alarmantes circunstâncias sob as quais foi feito, com drogas, bebidas e as violentas brigas entre os protagonistas, Dennis Hopper e Peter Fonda, tomando conta do set. Mostra por que uma pequena produtora chamada BBS tornou-se o guia espiritual da revolução jovem em Hollywood, e de que maneira alguns dos executivos da empresa ajudaram a contrabandear o líder inspirador dos Panteras Negras, Huey Newton, para fora do país.

Relembra como o diretor Hal Ashby foi preso por porte de drogas e jogado numa cadeia em Toronto; por que Martin Scorsese compareceu à cerimônia do Oscar escoltado por agentes do FBI quando Taxi Driver foi indicado a Melhor Filme; e como George Lucas, tomado pela ansiedade, cortava seu cabelo compulsivamente enquanto escrevia Star Wars. Conta por que uma modesta casa em Nicholas Beach, ocupada pelas atrizes Margot Kidder e Jennifer Salt, tornou-se o quartel-general extraoficial da Nova Hollywood. Revela como William Friedkin tentou humilhar o chefão da Paramount, Barry Diller, e como o roteirista e diretor Paul Schrader brincava de roleta-russa em sua Jacuzzi. Era um tempo em que a experiência do "tudo é permitido" prevalecia tanto nos filmes quanto fora deles.

Depois do sucesso de Sem Destino, jovens recém-saídos das escolas de cinema se viram subitamente no comando, e diretores como Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich, George Lucas e Martin Scorsese tornaram-se figuras poderosas. Até mesmo a nova geração de estrelas - Jack Nicholson, Robert De Niro, Dustin Hoffman, Al Pacino e Faye Dunaway - parecia fazer parte de uma nova espécie de atores, diferente dos da Hollywood tradicional. Ironicamente, essa revolução chegaria ao fim com Tubarão e Star Wars, filmes com tal êxito comercial que criaram a mentalidade do blockbuster, estabeleceram novos parâmetros e, assim, destruíram a inovação.

Baseado em centenas de entrevistas com diretores, produtores, estrelas, agentes, roteiristas, executivos dos estúdios e ex-esposas e narrado de forma direta, o livro é a história dos bastidores da última era de ouro de Hollywood. Nunca tantas celebridades falaram tão abertamente umas sobre as outras ou sobre drogas, sexo e dinheiro, que fizeram muitas delas chegar ao fundo do poço - e nunca mais voltar.


Peter Biskind, o autor, foi editor-executivo da revista Premiere e editor-chefe da American Film. Também já escreveu artigos para publicações como The New York Times, Los Angeles Times, The Washington Post, Vanity Fair e Rolling Stone.



Trechos exclusivos do Livro:

BROOKE HAYWARD SOBRE DENNIS HOPPER: "Quando finalmente nos divorciamos, eu poderia ter ficado com metade da parte dele em Sem Destino, mas eu me recusei a aceitar um níquel de Dennis, porque eu não queria que ele viesse atrás de mim com uma arma e me enchesse de tiros."

DENNIS HOPPER SOBRE SEM DESTINO: "Eu sou o responsável pelo problema da cocaína nos Estados Unidos. Não havia cocaína nas ruas antes de Sem Destino. Depois de Sem Destino, estava por toda parte."

MARTIN SCORSESE SOBRE DROGAS: "Era uma questão de ultrapassar limites, ser rebelde. Eu me droguei muito porque eu queria. queria forçar a barra ao máximo, até o fim, para ver se eu ia morrer."

MARCIA LUCAS SOBRE FRANCIS FORD COPPOLA: "Não era segredo algum que Francis era um grande caçador de xoxotas. Ellie ficava nas festas durante uma meia hora, depois desaparecia, enquanto Francis pegava alguma garota na piscina. Eu tinha pena de Ellie e achava Francis um nojo, como tratava a mulher daquele jeito."

STEVEN SPIELBERG SOBRE FRANCIS FORD COPPOLA: "Vi nos olhos de Francis alguém que não fazia distinção entre velho e jovem. Ele estava produzindo para George e eu ficava pensando: ''Talvez aqui esteja a pessoa que vai abrir as portas para todos nós.'' Mas ele só abriu portas para George. Aos olhos dele e aos de George também, eu estava trabalhando dentro do sistema."

FRANCIS FORD COPPOLA SOBRE GEORGE LUCAS: "Eu o carreguei comigo para toda parte, mas ele jamais me levou junto. Eu o ajudei, mas, claramente, uma vez que ele deu a partida ao processo, ele foi embora mesmo."

WILLIAM FRIEDKIN SOBRE STAR WARS: "O que aconteceu com Star Wars foi o mesmo que quando o McDonald''s se estabeleceu e o gosto por boa comida desapareceu. Agora estamos num período de involução. Tudo está sendo sugado para dentro de um grande redemoinho."


GEORGE LUCAS SOBRE STAR WARS: "Os filmes-pipoca sempre foram os de maior sucesso. Por que as pessoas veriam esses filmes-pipoca se não fossem bons? Por que o público é tão burro? Não é minha culpa."

DON SIMPSON SOBRE ROBERT ALTMAN: "Nenhum de nós queria fazer Popeye, e detestávamos Altman, que era um tremendo enganador. Ele era um tolo vaidoso, um babaca pretensioso e empolado."

ROBERT ALTMAN SOBRE DON SIMPSON: "Simpson era um bandido, um vagabundo. É ótimo para a indústria que ele não esteja mais por aí. Só lastimo que ele não tenha vivido mais tempo e sofrido mais."

Então, fica a dica:

Como a geração sexo-drogas-e-rock´n´roll salvou Hollywood
- Easy Riders, Raging Bulls, de Peter Biskin [+]

abs,

O Apagão da Política

A competência está ligada à capacidade de grupos responsáveis por determinadas áreas em uma organização de identificar problemas e um conjunto de soluções possíveis antes que o imprevisto instale-se. Na prática, atribui-se a profissionais especializados a busca pela identificação de alternativas nas complexas redes de decisão, baseados em seu conhecimento técnico e vivência em seu trabalho. Espera-se que, com sua experiência e habilidades, atitudes possam responder ao imponderável, com calma, discrição, rapidez e eficiência. Infelizmente, não foi ao que assistimos no recente apagão de novembro, quando o Brasil viveu a maior escuridão de sua história. Foram mais de 80 milhões de brasileiros, distribuídos em 18 estados e mais o Distrito Federal, que em um intervalo de quase oito horas, com alternâncias de regiões, permaneceram isolados do mundo.
A estrutura de comando do setor energético brasileiro vem substituindo de longa data o conceito de meritocracia para o de partidarismo, no qual o PT define a política do setor e possui o cargo de secretário-executivo, que toca o dia-a-dia do ministério, e o PMDB responde pelo comando das estatais e tem o cargo de ministro. No dia seguinte ao apagão, enquanto os mortais eleitores contabilizavam seus prejuízos, os técnicos do governo, partes de uma mesma base aliada, trocavam culpas e desculpas. Políticos da situação imaginavam o tipo de explicação com o menor desgaste ante a população. A oposição ia atrás de informações para pressionar a situação. Cada qual na busca das salvaguardas de seus interesses pessoais.

A realidade dos fatos apontava que nenhuma intempérie climática causou o problema. Nenhuma linha de transmissão foi afetada. Itaipu operava pouco abaixo de sua capacidade máxima. Tanto isto foi verdade que se restabeleceu o sistema em sua plenitude, após a paralisação de 18 turbinas, sem que nenhum reparo precisasse ser feito. Portanto, com condições operacionais adequadas por que o sistema caiu? Quaisquer que sejam as justificativas a serem produzidas, nada poderá apagar a constatação de desentendimentos e desconhecimento de como se dá a operação entre as várias instâncias de gestão desse processo de atividade tão essencial à sobrevivência dos cidadãos brasileiros.

Nossos técnicos estão longe de oferecer uma explicação lógica. Afinal, porque o sistema de proteção do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) demorou a entrar em operação. Sua função é a de isolar falhas e barrar o efeito cascata no caso de desativação de linhas de transmissão ou usinas geradoras de energia. O que está acontecendo? O fato em si é isolado ou exterioriza uma problemática mais profunda, anos a fio de um fisiologismo político que já começa a comprometer a operação de complexos sistemas de processamento e entrega de serviços à nossa sociedade? Os ministros da área, com visão política da questão, chegaram a anunciar a resolução do problema pelo simples fato de que a situação se normalizara. A atitude foi tão anacrônica que o presidente da República, com afinada percepção política e preocupado com sua biografia pessoal, viu-se obrigado a desautorizar seus subordinados.


No meio desta discussão, a notícia veiculada com base em declarações do presidente Obama, fundamentada em seus serviços de segurança, apontava para a ação de invasores cibernéticos nas redes de monitoração do sistema elétrico brasileiro com êxito nos apagões de janeiro de 2005 e de setembro de 2007, entre outros, na Região Sudeste, a mais populosa do país. O governo brasileiro dispõe de mais 300 redes integradas à internet. Em apenas uma delas, no ano passado, foram detectadas 3,8 milhões de tentativas de invasão, segundo técnicos ligados ao governo. Portanto, a fragilidade de nossos sistemas fica evidente.

Levantamento do Ministério do Planejamento identificou que, em 26 ministérios, cerca de três mil servidores cuidam de mais de 70 mil microcomputadores. Apenas 203 são concursados e cuidam de 25 ministérios e do Palácio do Planalto. Uma festa para os hackers de plantão. Por todos estes fatos, a estratégia geral do governo não priorizou, nestes anos todos, a segurança nos processos de transmissão da energia gerada. Devemos entender por isto computadores e sistemas de tecnologia da informação que permitiriam melhor qualidade na gestão do processo e defesa contra a invasão dos piratas cibernéticos.

Quando analisamos o volume de investimentos no setor, constatamos que a Eletrobrás, no período de janeiro a setembro deste ano, já acumula perdas de R$ 1,5 bilhão. No mesmo período no ano passado, o lucro líquido foi de R$ 3,1 bilhões. O orçamento deste ano previa investimentos de R$ 7,2 bilhões no setor. Até o final de setembro, apenas 48% desta verba haviam sido aplicados. Nos últimos nove anos, apenas 66% do orçamento previsto foi efetivamente utilizado. Menos de 0,5% do PIB. A política atual é centrada no preço da tarifa. Ressalte-se que por uma pequena falha na metodologia de cálculo do reajuste de tarifas feito pela Aneel, no período de 2002 a 2008, cerca de R$ 7 bilhões foram cobrados a mais dos consumidores brasileiros, segundo relatório do tribunal de Contas da União.

A soma de todas estas situações nos leva a crer que será, mais uma vez, muito difícil estabelecer com precisão o epicentro do problema. Investimento e qualidade de gestão sempre caminham juntos. Considerando as falas dos ministros envolvidos, que descartaram futuros apagões, mas não se comprometeram com relação a possíveis novos blecautes, um eufemismo à moda política de Brasília, o melhor é comprar maços de velas e potentes lanternas para se precaver quanto ao futuro próximo.

abs,

Recadinho





















"Dance comigo até os sapatos pedirem pra parar. Ai, você pára... tira os sapatos e danca pelo resto da vida?"

Sim, por toda nossa vida!

Feliz Aniversário! ~<3