Pois bem, no último 23 de novembro, o reconhecido ator Robin Williams, uma celebridade, declarou em um dos programas mais vistos da televisão norte-americana, no David Letterman Show, que o Rio de Janeiro foi escolhido para sede da Olimpíada de 2016 porque "Chicago mandou Oprah e Michelle (Obama, a primeira-dama dos EUA) e o Rio mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi muito justo".
Foi uma piada de mau gosto, vinda de um bem-sucedido humorista conhecido pelo seu estilo corrosivo politicamente incorreto, na qual eu mesmo sou fã. Nós vamos, com quase absoluta certeza, assistir a alguns políticos exigir uma desculpa pública. Não vai adiantar muito.
Vamos tentar aprender coletivamente.
O Brasil nunca se posicionou como país ou como marca. Não existe uma palavra ou um pensamento sucinto que defina o país e o diferencie dos outros. O Brasil tem muitas identidades, provenientes da sua grande diversidade. Alguns turistas podem jurar que foram extremamente bem recebidos e que voltarão mais vezes. Outros foram assassinados por um pivete e seus parentes não querem escutar sobre o Brasil.
Meu ponto de vista: não existe um posicionamento construído para o Brasil.
Muitos estrangeiros imaginam uma terra colorida, solar, naturalmente musical e generosa. Outros pensam nas bundas das mulatas que ilustraram por anos os pôsteres da Embratur. Alguns, que lêem as notícias, podem imaginar uma terra cheia de drogas e de marginais. Os que lêem estatísticas podem imaginar um país corrupto, onde tudo tem um preço.
Veja abaixo um dos videos promocionais para as Olimpiadas 2016, uma pergunta à você que é do Rio. Tem tanta gente cantando por ai ultimamente?
Enfim, identidade e posicionamento são construções mentais que nesse momento estão nas cabeças das pessoas. Não estou falando de verdade ou realidade, mas de percepção de realidade por uma mente humana.
Quanto à identidade do Brasil, precisamos votar com consciência nas próximas eleições. Somos capazes? E você, já pensou na sua identidade e no seu posicionamento próprio?
Fica a dica de saudosos; Cazuza - Brasil:
abs,
Oi Júlio.
ResponderExcluirEu acho que o Brasil tem, sim, uma identidade própria perante o mundo: uma terra de sol, alegria, mulheres bonitas, convivência fraterna e tolerância. Claro, trata-se de uma imagem idealizada pelos canais oficiais e rejeitada por nós, nativos críticos (onde Robin Willians foi buscar munição para suas piadinhas?). É claro que temos um montão de problemas políticos, sociais e econômicos. Mas também é claro que temos um tremendo potencial para ser a melhor nação do mundo. Não é a toa que, desde a metade do século passado, se referem ao Brasil como o país do futuro. Bem, cabe a nós transformar o futuro em presente. Como você disse, esta construção passa por votar consciente na próxima eleição. Mas isto quer dizer o quê, exatamente? Detonar os petralhas ("acabar com esta raça" como disse herr Bornhausen) de uma vez por todas? Ou, ao contrário, nos livrar de vez de tucanos, demos e quejandos? Seja qual for a opção, o país vai sair perdendo; mais ou menos, dependendo da preferência política do eleitor, mas uma premissa já está estabelecida: a roubalheira vai continuar.
Quem corrompe a imagem do Brasil, transformando alegria em consumo desenfreado de drogas, festa em prostituição é a elite política, intelectual e midiática. Os problemas existem e precisam ser enfrentados com determinação e honestidade, mas estão longe de constituir-se em comportamento nacional padrão. O povo brasileiro não é bandido. Não somos um país de proxenetas e prostitutas. O problema não é o povo votar neste ou naquele (como se nós, a elite esclarecida, fôssemos imunes a enganos); o problema é que a bandidagem de colarinho branco não vai para a cadeia. Nenhum em tempo algum. O problema não é o povo - a podridão se espalha a partir da elite. Nos EUA, os filhos de Harvard, Princeton e Yale dedicaram-se a construir uma nação, de acordo com suas convicções políticas, econômicas e filosóficas. Aqui, Getúlio foi o primeiro a assentar as bases econômicas e políticas do Brasil nação. Depois, JK. Hoje, Lula. Nos três casos, uma característica comum: a necessidade de meter as mãos na lama, isto é, forjar alianças com salteadores travestidos de políticos (nem vou me referir à oposição raivosa, hipócrita e entreguista).
Quem, hoje, poderia se apresentar como reserva moral da nação (ai, cacófato), a exemplo de Sobral Pinto, Barbosa Lima Sobrinho e Raimundo Faoro? Atualmente, somos um país moralmente indigente. E a culpa não é da choldra.
(Putz, me empolguei. Mas gostei).
Um abraço.
Concordo com o amigo Jens: nossa não-identidade está na imagem de mulheres seminuas nas praias, muita alegria em festas regadas a pó e um povo eternamente feliz pelos morros vendo futebol, desde os campos de várzea até os jogos de Pelé no Maracanã... Não há muito para onde correr, mas acrescentaria que nossa não-identidade não vem só do fato de não termos condições ou forças para nos projetarmos, mas, sim, porque o resto do mundo desenvolvido também está cagando para se a capital do Brasil é Buenos Aires ou São Paulo! A culpa não é só nossa, portanto... Sobre o robin Williams: foi de mau gosto, mas o jeito é rir... Abração!
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