Sabe quando você tem aquele momento, bem único, de algo que pode mudar um fato, e quando você sabe como fazê-lo, mas vai modificando conforme o tempo?
Seja para bom ou ruim, as boas ideias sempre estão por ai. Depende muito de nós em como executá-la.
Neste país o que não falta é o político boa praça dentro de nós, então porque a maioria que esta comandando "é do mau"? Fácil, assim como não queremos realmente ser técnicos de nossos times de futebol favorito, não queremos comandar um país o qual precisa de muitos ajustes, e na qual teremos muitas barreiras a enfrentar. Diga-se de passagem: Preguiça.
Então, como mudar?
Criamos o famoso "jeitinho brasileiro" para muitas coisas e com isto, o nosso futuro está em cheque. Hoje em dia o que é normal acontecer? Incidências ocorrem constantemente e os motivos cada vez mais obscuros ou claros demais, mas na maioria das vezes com motivações erradas.
Há algum tempo eu fiz um post na qual coloquei um vídeo, o post era intitulado: Vamos pensar simples? Praticidade, envolvimento e perspicácia, faltam nesta nossa cuca do dia a dia.
Ontem houve um rápido debate com a @samegui e a @lidifaria sobre um projeto que se vende como uma solução para muitas coisas de nossa Arte Teatral Brasileira. O projeto convidou alguns blogueiros interessantes, outros... Duvidosos, somente pelo fato de a cultura não ser o forte de seus conteúdos, para divulgar seu produto. O debate no twitter se deu na questão de entender o projeto.
É bom para quem?
O projeto, segundo o próprio site:
Difunde, para todo o Brasil e para o mundo, cultura e espetáculos – até então limitados ao espaço físico onde se apresentavam – contribuindo para que tenham um alcance maior de público e possam ser consumidos por todas as classes sociais. Nesse sentido, a Cennarium é um projeto de inclusão sociocultural inédito no mundo, pois promove o acesso da população a uma opção alternativa de cultura.
Quais seriam todas as classes sociais? O site necessita de uma conexão rápida para assistir, precisam-se comprar também tickets online. Atualmente em nosso país no máximo temos 15 milhões de conexões rápidas, isto em todo país, com uma população estimada em 200 milhões de pessoas.
[O site também cita que em uma conexão baixa pode-se assistir, mas teria que esperar o video todo ser baixada para depois clicar em play. Mas sabemos que para esta opção, é quase nula a participação deste publico de banda discada]
Então digamos que 7,5% da população ganharão acesso a isto. Mas... Isto já não é um fato, hoje? Apenas 7,5% já não têm acesso aos Teatros?
As peças estarão em HD, alta definição e bom áudio. Então temos que ver quais computadores está com a disponibilidade de tal tecnologia. Vamos diminuir então 4,5% - que são computadores populares sem tal tecnologia de placa de video e som, sem tela boa para assistir, sem as saídas VGA ou HDMI para TVs e excluir os computadores de Lan House que são inseguros para compras online - Então nos sobrou 3% da população geral do País que terão acesso ao projeto.
É para se pensar já que o projeto se vende, também, na ideia de: “disseminar e incentivar o desenvolvimento da indústria de entretenimento cultural, e especialmente ser um instrumento de fomento do teatro brasileiro”, segundo o blog Garotas Nerds.
Porém, para as cia de teatro e peças existira a possível venda de espaço publicitário e geração de receita baseado nessas vendas de tickets e publicidade. A peça poderá ir aonde nunca poderia por falta de investimento. Isto é bom. Também um cadastro dos artistas online, assim como hot-site para os espetáculos.
Em minha opinião geral, a ideia é interessante, mas pouco pratica.
Entenda. Como atingir quem não vai a teatro se está impondo limitações? Qual a garantia de que vá arrecadar novos espectadores?
Com ideias focalizadas em praticidade para quem "pode bancar", acredito que projetos deste porte faz com que o nosso governo sinta-se a vontade em investir pouco na nossa cultura, em nossos patrimônios públicos, em nossas cia de teatro e em geral, etc... Peças como O Despertar da Primavera, que é um open mind para jovens, sofre com a falta de investimentos. Outras de menor conhecimento passam pelo mesmo. Como esse projeto beneficiara tais peças?
Vamos usar O Despertar como exemplo. Eles ficaram apenas uma semana em cartaz em São Paulo, suponhamos que a peça não entrará mais cartaz, mas temos a peça nos servidores do projeto. Acesso o site, pago 30 tickets e assisto a hora que quero. Isto é sensacional, porém, o único que vai se interessar pela peça sou eu que já conheço, e no mais, vou incentivar algum amigo de conexão boa e disposição para ficar perto do pc. - ou comprar um cabo que transmita o pc até a televisão – a ver a peça também. Cômodo, certo?
Como a peça vai chegar a lugares que não tem investimento em tecnologia? Como vamos apresentar à peça as pessoas que não conhecem, via o site?
Quem garante que alguém vai pagar por um ticket, não pegue seu notebook e transponha a um projetor que passara para toda uma empresa ou comunidade – Sendo que a mesma custaria 1 ticket por espectador -? Quem garante que o vídeo do acervo deles estará seguro?
Mostra-me uma central de vídeos online que não dê para fazer o download do mesmo.
Sendo assim, quem garante que o vídeo de nossos teatros não vá parar na próxima banca de DVD pirata?
Um adendo interessante: Se parar na banca de DVD pirata, é garantia de ir para o país todo e para o mundo.
Vamos pensar direito e nas consequencias de nossos atos. Hoje, o projeto parece - em curto prazo - Bom. Amanha, poderá ser a resposta para nossos problemas de teatro, sim. Ou um caos em nossa cultura nacional já tão debilitada.
Criticar é fácil Julio, mas, e a resposta? Sinceramente, eu diria: "A empresa Nortik investiu 10 milhões em tecnologia para promover esse projeto. Por que não compraram um canal de tv a cabo ou HD? Poderiam passar esses teatros via satélite para muito mais pessoas, de ponta a ponta do país.” Ao menos é televisão, fácil de cobrar publicidade e fácil de chegar as pessoas. - Apenas uma ideia jogada, claro.
São alguns pontos que vi, não todos. Sei que muitos outros existem, bons ou não. Pesquisem e entenda.
Como o próprio Jovem Nerd citou em seu twitter: "É um Pay Per View na Web"
Pay Per View, para quem tem em casa já sabe como é vendido: Comodidade. É como o próprio nome diz, Pague Para Ver, ou seja, Pague pela comodidade. Justo. Porém, quantos em nosso país podem pagar para ver, mesmo? #pensata
Não somos norte-americanos, não vivemos em um mundo TiVo. Precisamos de tato, de realidade (não a aumentada, a real), precisamos mostrar a nós mesmos e aos que vem depois de nós que podemos guardar lugares históricos, podemos garantir que veremos peças em lugares bons, bonitos e com valores acessíveis a muitos e, no futuro perfeito, a todos. Principalmente mostrar a iniciativa privada e a governamental que queremos investimentos sérios em nossa cultura!
Vamos salvar o nosso patrimônio. O mesmo que nos faz viajar e sonhar com um dia a dia melhor. Vale ressaltar que minha opinião aqui não é baseada contra a evolução natural. Livros, Filmes e agora teatros estarão online, e acho isto natural. Mas estamos esquecendo a nossa realidade atual, tecnologia, bolso, evolução do país como um todo. Estamos pensando sozinho ao invés de coletivo.
Só peço para que todos reflitam em como estamos tentando evoluir. E como as ideias que tem investimento, não raras vezes, são sugestionáveis.
Pense!
Abs,
Olá
ResponderExcluirGostei de conhecer seu blog, parabéns pela qualidade apresentada.
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Valeu
Cleisson