O que é impossível?

Não é fácil para qualquer pesquisador dizer exatamente quando foi que começamos a nos comunicar uns com os outros. E muito menos nos dizer se isto foi de todo bom... Ao longo de nossa própria evolução acabamos descobrindo nossas afinidades com pessoas, com ideias ou temas.

Mas, mesmo evoluindo durante milhares de anos, ainda passamos por momentos de total desacordo com nossa própria maneira de se expressar. Um negócio pode ser desfeito se a palavra errada for dita, um rancor pode nascer de uma frase mal entendida, uma guerra pode começar se um simples "Obrigado" não for claramente falado.

A Torre de Babel, segundo a narrativa bíblica no Gênesis, foi uma torre construída por um povo com o objetivo de que o cume chegasse ao céu. Isto era uma afronta dos homens para Deus, pois eles queriam se igualar a Ele. Deus então parou o projeto, depois castigou os homens de maneira que estes falassem varias línguas para que os homens não se entendessem (...)
fonte: wikipedia




A nossa necessidade de se expressar nunca foi exatamente explicada por alguém. Veja, tento em meus poucos textos fazer você, leitor, entender um pouco do que falo, elevando o máximo que consigo de meu momento para cada palavra. Estou em um lugar, em um horário, ouvindo ou não algo, em uma temperatura que pode ser agradável ou não, pensando em algo, ou alguém ou fatos e, dentro disto, eu simplesmente escrevo... Agora, me retorne esta visão dentro do seu ambiente.

Você lê aqui como quer, onde estiver, no horário que estiver, logo após um dia cheio, ou antes de começar uma noite a fora. Vai entender do seu jeito, da sua maneira, na sua visão. Não posso esperar ou exigir que me entenda. Somente que leia e participe com reações a cada linha.

Grandes pensadores passaram por uma crise existencialista, outros simplesmente ignoraram esta crise e viveram em seus cubos de pensamentos. Quem nunca se sentiu - uma vez na vida - como se falasse um único dialeto que ninguém ouvisse ou entendesse?

Se estudar a evolução da língua você entenderá o porquê estamos tão simplistas no dia a dia, ou porque a evolução da própria segue para um caminho menos harmonioso ou sonoro e mais abrupto objetivo.

Pois é, nada é tão simples, mas ao mesmo tempo, complicamos tanto que toda conversa acaba se tornando única e, às vezes, vazia. Você não precisa procurar um entendedor completo, mas um entendedor que completa sua ideia e repassa para frente, com um novo ponto de vista.

Assim evoluímos.


Estou atrasado, mas chego por aqui compartilhando o livro que esqueci. O 5º BookCrossing Blogueiro aconteceu no último mês, e estou por aqui repassando minha experiencia em compartilhar.

Se acompanhou os últimos, viu como tenho motivado esta troca de experiencias pelas letras de cada livro que solto por ai. Como citei acima, um escritor tenta repassar uma ideia e, cada leitura do mesmo livro pode abrir diferentes interpretações.

Diálogos Impossíveis, de Luiz Fernando Veríssimo, brinca com possíveis conversas entre personagens, criadores, inventores ou gente comum.


Drácula e Batman discutem no asilo. Robespierre tenta subornar o carrasco. Goya e Picasso conversam sob o sol da Côte d’Azur. Nas crônicas reunidas neste volume, Luis Fernando Verissimo escreve sobre impossibilidade, incomunicabilidade e mal-entendidos. Escreve, enfim, sobre a vida.
Editora: Objetiva

De modo que só Luiz Fernando consegue fazer, a leitura funciona como seus outros livros. Textos rápidos, certeiros e cheios de interpretação. O que entendi do livro? Você leu ali em cima.

Acredito que o tema será debatido por décadas, até cada homem entender exatamente o que o outro quer dizer. À partir de um bom dia ao até logo. Onde esqueci? Foto:














Para bom entendedor, meia palavra basta? 
Para bom entendedor, nenhuma palavra, é o que basta.

Até o próximo bookcrossing blogueiro.

Um comentário:

  1. Pronto! Vou procurar o livro! Fiquei me coçando de curiosa rsrsrs.
    Comunicação nunca foi o forte do ser humano, e sendo pessimista (coisa rara), ela fica cada vez mais sutilmente complicada...

    Abraços!

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