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Eu, translation

Assim como outros escritores, resolvi brincar com as traduções do google e verificar as expressões diferenciadas por todo o globo.

Original: Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso.
por: Albert Einstein

Inglês: Try to be a man of value, instead of being a man of success.

Alemão: Versuchen Sie, ein Mann von Wert, anstatt ein Mann des Erfolges.

Francês: Essayez un homme de valeur, plutôt que d'un homme de succès.

Italiano: Provare con un uomo di valore, piuttosto che un uomo di successo.

Espanhol: Trate de un hombre de valor, en lugar de un hombre de éxito.

Português: Tente um homem de valor, em vez de um homem de sucesso.

É isto, até que o robozinho não errou tanto, mas com certeza a tradução aberta ainda deixa muito espaço a interpretações. Faça um teste você também, escolha uma frase e veja como a frase fica ao redor do mundo e como volta a ti.

Abs,

Respire

Momento para refletir.



Um vídeo de Esteban Diácono baseado em uma música de Olafur Arnalds

abs,

E os jovens?

Sempre se ouve dizer que os jovens de hoje são o futuro do amanhã. Parece óbvio. Mas, que tipo de futuro terá o jovem de hoje? Saber discernir, escolher e decidir são os grandes desafios da juventude. É preciso preparar os jovens para essa realidade.

Há quem diga que antigamente as pessoas ‘envelheciam cedo’. E há quem defenda que o jovem de hoje é obrigado a amadurecer, decidir e resolver sua vida mais cedo do que outras gerações. Pela velocidade das informações, verdade seja dita: o jovem se vê obrigado a ingressar bastante cedo no mundo dos adultos, sob pena de ‘ficar de fora’. E o que muitos se perguntam e nos perguntam é: “Como entrar no mundo dos adultos se ninguém aponta o caminho?”.

Para os adultos que definem as estruturas, é mais fácil restringir os espaços dos jovens a moda, droga, sexo e violência. E isso, para quem tem recursos financeiros. Afinal, é fácil aborrecer o jovem e induzi-lo ao consumo, garantindo o lucro de quem detém o poder. E o futuro?

Com exceção dos ambientalistas, poucos verdadeiramente pensam no futuro. Está na hora de o jovem começar a pensar, independentemente de estar na faculdade ou nas drogas; de ser rico ou pobre. Para isso, é necessário se desvincular um pouco da estrutura atual. Sair do jogo, subir na arquibancada e enxergar a partida de outra perspectiva. Ver um pouco de cima, analisar, voltar para o jogo, e começar a ganhar o jogo. Se nada for feito, vamos perder de goleada!

Família, amizade, religião, honestidade, saúde e dignidade são palavras que sumirão de nosso vocabulário, para não dizer da nossa vida. Fazem falta ou não? Quem já perdeu qualquer uma dessas condições sabe como isso contribui para nos deixar mais fragilizados e indecisos. É por isso que o jovem deve experimentar, aos poucos, colocar em sua vida valores que levaram seus pais a crescer e bancar seu nascimento. Afinal, alguém decidiu não optar pelo aborto; alguém decidiu transmitir ensinamentos de fé; alguém foi honesto, carinhoso, tratou da sua saúde e do seu bem-estar. Ao longo da vida, percebemos como as boas decisões nos elevam em todos os sentidos.

Se eu puder dar uma palavra a um jovem, direi: “Faça a coisa certa. Sem dúvida nenhuma, seu coração e sua razão sabem o que é certo. Não se despreze e não permita que ninguém o faça. Para isso, basta uma coisa: seja jovem, tenha vida, faça o certo e seja inconformado com a estrutura do errado. Você hoje está fazendo o amanhã”.

abs,

Por quem choras?

Pelo icone ou pelo ser humano?



Video indicado por minha Luz, Luma

abs,

Reichsorchester

Assisto a "Reichsorchester: The Berlin Philarmonic and the Third Reich" em DVD. Como o título indica, é um documentário de Enrique Sánchez Lansch sobre a Filarmônica de Berlim durante o nazismo. Gravações de época. Fotos de arquivo. Entrevistas com alguns músicos que atravessaram o Reich. E, nas palavras dos próprios, ou dos filhos dos próprios, a certeza de que a Filarmônica nunca foi uma "organização nazista", mas antes um corpo artístico e "apolítico".

Difícil acreditar nessa versão. Se esquecermos que, depois de 1945, a Filarmônica passou pela sua fase de "desnazificação" (como o resto da sociedade alemã), a Filarmônica viveu, cresceu e atuou sob a proteção do Ministério da Propaganda. Que o mesmo é dizer: Goebbels poupava os músicos dos horrores da guerra desde que eles continuassem a exibir-se pela Alemanha e, claro, por alguns países "amigáveis", ou neutrais, como Espanha ou Portugal. Quem, em juízo perfeito, recusaria esse pacto com o diabo?

Não atiro a primeira pedra. Os músicos da Filarmônica, como o resto da sociedade alemã, não viam o que não queriam ver: vizinhos que desapareciam da noite para o dia; perseguições antissemitas; cidades destruídas; mortos e estropiados. Não admira que o momento mais impressivo do documentário aconteça quando um velho músico, já depois da reunificação alemã, visita a aldeia olímpica de Berlim e recorda o concerto ali ocorrido nos últimos meses da guerra, quando a derrota alemã era certa e os soviéticos já vinham a caminho.

Conta o velho músico que, nessa noite, enquanto tocava, olhou para o auditório e viu o espaço povoado por figuras fantasmagóricas: soldados recém-chegados da frente, com as marcas físicas da destruição. Sentimentos contraditórios: alívio, porque a arte lhe permitiu sobreviver com o corpo intacto; mas culpa, porque a alma não estava propriamente intacta. E um pensamento consolador: apesar do inferno, os soldados ali presentes fechavam os olhos e, por uma hora que fosse, entregavam-se apenas à música. Simples.

abs,

A Mega-Enquete Européia

Falo ao telefone com um amigo e jornalista brasileiro que confessa a sua ignorância sobre as "eleições europeias". O assunto, pelos vistos, não entusiasma os brasileiros. Mas ele, por dever profissional, terá que escrever matéria a respeito. Por onde começar, pergunta-me, em tom de evidente desespero?

Fácil: escrevendo simplesmente que as eleições europeias interessam tanto aos brasileiros como aos próprios europeus. Ele ri e julga que faço piada. Eu não rio e ele percebe que não faço piada. A União Europeia gastou 20 milhões de euros em propaganda forte para levar os europeus às urnas. A partir de quinta-feira, quando ingleses e holandeses inaugurarem a maratona eleitoral, é provável - corrijo: é inevitável que 60%-70% dos europeus simplesmente não votem. Um drama?

Nem por isso. O Parlamento, criado em 1958, nunca se distinguiu por sua vocação democrática. Só em 1979, por exemplo, a elite burocrática de Bruxelas entendeu que talvez não fosse má idéia umas eleições democráticas para o seu parlamento largamente inútil e ineficaz.

As eleições realizaram-se a partir de então. E o primeiro paradoxo do "projeto europeu" está precisamente aqui: o Parlamento Europeu foi crescendo em importância na maquinaria política da União; mas os eleitores foram abandonando, também crescentemente, qualquer interesse pela maquinaria política da União.

Mas os paradoxos não acabam aqui. Existe um segundo paradoxo: os europeus não se interessam pela Europa; mas, às vezes, existe uma súbita paixão pelos assuntos europeus e o povo resolve pronunciar-se. Aconteceu quando franceses ou holandeses recusaram a "constituição" européia. E qual foi a atitude dos burocratas europeus perante a recusa da "constituição"?

Se a União Européia fosse um organismo verdadeiramente democrático, as decisões dos europeus seriam respeitadas. Não foram. A "constituição", recusada por franceses e holandeses, apareceu com novo nome e novas vestes sob o título simpático de Tratado de Lisboa. Muitos dos governos europeus, temendo nova reação democrática (que horror!), apressaram-se a ratificar o tratado em seus parlamentos, sem qualquer consulta popular. Mas aparece sempre alguém para estragar a festa.

Foi a Irlanda. Levados às urnas, os irlandeses recusavam o Tratado de Lisboa. Teoricamente, e uma vez mais, a recusa dos irlandeses deveria enterrar a "constituição", perdão, o Tratado de Lisboa. Mas a União Européia não existe para respeitar as decisões democráticas dos europeus. Ainda este ano, os irlandeses serão novamente convidados a votar o Tratado de Lisboa. Se não responderem de forma "apropriada", eu nem quero imaginar o que vai suceder aos pobres irlandeses.

Foi assim que chegámos a 2009 e às eleições que começam quinta-feira. E é assim que chegamos à pergunta inevitável: se a Europa não respeita os europeus, por que motivo os europeus devem respeitar a Europa?

Felizmente, a maioria não respeita. Falando apenas de Portugal, a abstenção estará de acordo com a média geral. Os políticos lusos fazem apelos lancinantes à participação do povo. Alguns falam mesmo na necessidade de adotar o "voto obrigatório", o que seria a suprema consumação da farsa. Os portugueses, povo abençoado, nem os ouvem. No domingo, quando chegar a nossa vez, estaremos todos, ou quase todos, na praia, no campo, no bar ou no cinema.

E os que votam? Os que votam estarão interessados, não em eleger os "deputados" europeus - mas em premiar, ou castigar, os partidos nacionais. No papel, as eleições elegem um novo Parlamento Europeu. Na prática, toda a gente sabe, a começar pelos partidos, que as eleições são uma espécie de mega-enquete para avaliar a popularidade dos governos. E, no caso especificamente português, uma espécie de primeiro turno das eleições legislativas que teremos no final do ano.

abs

Passagem de domingo.























Bom começo de semana à todos.

abs

Mil Palavras



Um ótimo fim de semana à todos.

Abs,

A Crise e a Vida Familiar

A crise financeira não está afetando apenas os mercados, mas também as famílias de modo geral. Na visão do psicólogo, terapeuta familiar e diretor da Escola VinculoVida, Sebastião Alves de Souza, o desemprego, a pressão por resultados e a preocupação nos negócios, sobretudo, vêm gerando conflitos e desarmonia. “O momento requer uma reestruturação de hábitos, costumes, valores, atitudes e comportamentos de todos os membros da família”.

Como exemplo, o terapeuta cita uma família na qual o pai, executivo bem-sucedido, perde o emprego. “Mesmo que a mulher trabalhe”, observa, “geralmente os salários dos executivos incorporam plano de saúde, motoristas, bônus de viagem e outros benefícios. Quando isso é retirado, toda a família fica ressentida e cria-se motivo para brigas, desavenças, intolerância mútua e até mesmo incompreensão, consequências da necessidade de baixar o padrão de vida”.

Cada família enfrenta a crise à sua maneira: algumas se comportam com a esperança de que o momento turbulento passe logo. Outras ficam desesperadas e enlouquecidas, sentem-se à beira de um ‘colapso nervoso’. Na visão de Souza, a dificuldade deveria criar novas possibilidades de substituir o dinheiro. Porém, em muitas famílias, o padrão de vida elevado serve como pilar para a sua organização. “Nesse contexto, a crise financeira cria muitas turbulências entre seus membros”.

Saída - Para o terapeuta familiar, a melhor forma de enfrentar a crise financeira e manter a saúde psicológica familiar e de cada membro é, em primeiro lugar, reunir a família e fazer uma exposição da nova situação que está enfrentando. “Não podemos nos esquecer de que embora a realidade seja dura, as hipocrisias, mentiras e coisas não reveladas – como as fantasias – são enlouquecedoras e desagregadoras”.

Por isso, Souza adverte, ser necessário “que os responsáveis pela família tenham a humildade de pedir ajuda a todos para a contenção de despesas, deixando claro que cada um pode – e deve – contribuir para um novo projeto de restauração das finanças e configurar a nova forma de viver nesse momento que a família atravessa”.

“A solução para encontrar o equilíbrio e a harmonia está na capacidade da família de se reorganizar por meio da criatividade, da harmonia e até da ludicidade”, defende o psicólogo. E, diante do perigo e da ameaça, é necessário ‘agir para não sucumbir’ e, ao mesmo tempo, aproveitar as oportunidades para ser criativo, abrindo assim novas possibilidades.

O terapeuta acredita que é preciso – e possível - incorporar e internalizar aprendizagens, o que vai enriquecer todos os membros da família. “É somente nas crises que os seres humanos permitem o surgimento de recursos internos para saltar para outro nível de qualidade de vida, independentemente do uso do dinheiro”, explica.

Souza cita como exemplos, desenvolver a espiritualidade e a solidariedade. “Além disso, podem-se elaborar formas de convivência familiar que não estejam baseadas no excesso de aquisição de bens materiais e, portanto, equilibrar as dificuldades familiares sem fugir para o consumismo exacerbado”.

Agradeço aos terapeutas Sebastião Alves de Souza e Ângela Elizete Herrera. Também agradecer Simone Valente e Cristina Thomaz da Em Pauta Comunicação.

abs,

Abra a janela e respire fundo

Hoje abro espaço para o Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes, que é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Ele escreveu sobre nossos hábitos do dia a dia, e como ontem tivemos uma experiência interessante com a hora do planeta, acho mais do que válido falar sobre as pequenas coisas que podem ou não afetar nossa saúde. Confiram:

Abra a janela e respire fundo

Computador, Internet, telefone celular, microondas e ar-condicionado. Diversas são as novas tecnologias e utilidades domésticas criadas para facilitar a nossa vida. Junto com as novidades, vêm as dúvidas. Estudiosos e fabricantes buscam provar que todos esses adventos só trazem vantagens ao ser humano, mas isso nem sempre é possível.

O computador e a Internet, por exemplo, já são comprovadamente incentivadores da vida sedentária e, indiretamente, da obesidade. O telefone celular já desperta a atenção de neurologistas para os possíveis malefícios das ondas eletromagnéticas emitidas pelos aparelhos. E o ar-condicionado, que mal pode fazer?

Essa tecnologia foi desenvolvida para proporcionar ao ambiente uma temperatura agradável e refrescante, garantindo o conforto em casa, no escritório ou no carro. Em contrapartida, durante o processo de resfriamento, a umidade do ar fica reduzida, prejudicando o revestimento das mucosas das vias aéreas e tornando-as vulneráveis. Outro agravante é que os ambientes munidos de ar condicionado são mantidos fechados, reduzindo a circulação do ar.

Há ainda muita falta de informação acerca do equipamento, especialmente sobre a manutenção correta. Poucos sabem que o ar-condicionado precisa ser reavaliado periodicamente para limpeza e correção de possíveis irregularidades. Sem este cuidado, o filtro perde sua capacidade e provoca uma verdadeira poluição no ambiente, tornando-o propício para o agravamento de diversas doenças respiratórias. Os grandes vilões são os fungos, as bactérias e os ácaros, que se acumulam nos ductos do aparelho e atingem o ambiente.

Quem trabalha exposto a esse equipamento fica mais suscetível a gripes, resfriados, sinusites e até pneumonia. Para portadores de doenças crônicas, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), há maior risco de agravamento da doença.
O ideal para quem não quer e não pode abrir mão do ar condicionado, é mantê-lo em perfeitas condições de funcionamento, com temperaturas entre 20ºC e 22ºC. Mais baixas do que isso, além do desconforto e possível necessidade de agasalhos, o frio favorece a proliferação de vírus que causam os resfriados e as gripes.

Estudos apontam que nos aviões o problema pode ser ainda pior. A má qualidade do ar e a pressurização no interior das aeronaves são fatores que podem gerar riscos à saúde. Nessa situação, o passageiro fica exposto à baixa umidade, já que o ar é elevado a altas temperaturas e sofre ressecamento quando passa pelas turbinas. A pressão na cabine do avião também contribui, pois torna o ar rarefeito, ou seja, com menor oferta de oxigênio do que a maioria das pessoas está acostumada.

Portadores de doenças respiratórias crônicas, ou quem já entra no avião com sinais de faringite, amigdalite ou sinusite, devem levar medicamentos previamente prescritos por seus médicos, e evitar as bebidas alcoólicas, que podem potencializar o problema.

Em geral, evite locais fechados, grandes concentrações de pessoas e trate qualquer sintoma respiratório tão logo apareça. Gripes e resfriados que demorem a passar, febre, tosse, dores no corpo ou falta de ar precisam de avaliação médica. Tome banhos mornos para evitar o choque térmico, mantenha uma alimentação saudável, tome muito líquido durante todo o dia e o principal: pratique atividade física regularmente. Ela ajuda a melhorar a respiração e a saúde.

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abs,

Em certo tempo

"Não achávamos que houvesse hipocrisia em praticar nossas excentricidades num silêncio decente."

Somerset Maugham, aos 65 anos, defendendo o armário.

1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Antigamente quem tinha acesso aos melhores álbuns era considerado um cult nato, um profundo conhecer musical, já que comprar longplays - também conhecidos com o LP - era algo que somente amantes musicais faziam. Até então temos varias opções de leituras sobre como esses álbuns mudaram a face do planeta, pensamentos de grandes potencias, e vida de um simples e ordinário individuo. Musica deixou de ser - desde seu primeiro momento - algo apenas criado para passar o tempo, mostra legitimidade, fala de você, da musica, do artista, do compositor, do mundo, do universo, das coisas que tudo foi, tudo é e tudo quer ser.

Seja de clássica à black music o importante é ter sempre em pensamento quais as músicas que fazem parte da sua vida. Neste caso, qual álbum mudou sua vida completamente. Deixando de lado a parte filosófica e charmosa do assunto, o livro cita de uma maneira rápida e toda ilustrada toda a historia musical do planeta, diga-se de passagem que faltou muito coisa, e muitas outras poderiam não existir na lista. Mas os fatos curiosos são: O livro foi feito por noventa pessoas, entre editores musicais e artistas. Começou como um projeto de Robert Dimery, e quem assina o prefácio, e nada mais nada menos que o renomado Michael Lyndon - Editor e Co-Fundador da revista Rolling Stone. Então, já sabemos o que esperar do livro.

Dentro das suas 960 páginas, 1001 álbuns são discriminados por década desde a década de 1950 até 2005. Retratado na abertura de cada seção é uma peça de equipamento áudio que caracteriza o próprio tempo na qual fez sucesso: um quadro de rádio para a década de 1950, um Garrard giratória para os 60's, Bang e Olufsen um sistema para a década de 70 e assim por diante. O que eu achei bastante perturbador foi a seleção para os 80's: um plástico barato boom box. Talvez um possível prelúdio de que nosso hobbie começara a caminhar para seu cruel destino, abrindo espaço para o mundo digital.

Os álbuns mais notáveis ganharam uma página inteira de descrição e sua importância na época e ganharam uma foto do artista na página oposta. E dentre essas páginas estão as "mini opiniões", dois por página falando de alguns álbuns não tão vendáveis, mas importantes quanto à todos, talvez por uma música ou um tema de capa. Começamos por 1950, uma sessão menor do que as outras. Sem surpresas alguma já que, está em consenso comum, tudo começou no Jazz com a ótimas descrições do álbum de Billie Holiday's Lady em Satin e Miles Davis "Kind of Blue. Eu mesmo já possuía uma Lady In Satin, mas por causa do livro fiquei com vontade de conferir o álbum de Marty Robbins', o Gun Fighter balads and Trail Songs. Logo passamos para a década de 60, que foram divididos entre Folk, Rock, R & B e com o ocasionais Country listados: o título do Loretta Lynn's 1967 primeiro release da carreira, Don 't Come Home A beber' (With Lovin 'on Your Mind) é fantástico, indicado para você que gosta de música ou não. A década de 1970 mostra a evolução da música popular, com a mudança Punk e New Wave. The Clash e Blondie estão incluídas aqui, e mais do que justo devo dizer. O que me surpreendeu foi a inclusão do álbum de estréia da banda Cars, acredito que poderiam ter selecionado o álbum Candy O, ao inves.

Década de 1980 a frente encontrará uma vasta lista de grandes nomes, e partindo dai já a decadencia do longplay, mas confesso que o livro perdeu-me de 1990 a 2005: Só pelo fato de destacarem muitos álbuns de RAP, considero claro uma revolução, mas ele evolui ao black comercial, e será que isto é musica boa e necessária para ouvir antes de morrer?

O curioso do livro é abrir debates calorosos entre amantes de músicas, como por exemplo: Kiss "1976 LP Destroyer foi listado. Em minha opinião passa longe de dizer o que é, e o que foi a banda. Uma melhor escolha teria sido Alive!. Lançado em 1975, ou o mais tarde Alive II a partir de 1977. O único álbum solo Eric Clapton listados em todo o livro é 461 Ocean Boulevard. Acredito que deixaram passar outros álbuns também mais interessantes, mas feito a 90 mãos, podemos aguardar que cada um teve sua motivação pessoal posta a prova também.

O livro em si é próprio que todo amante de música deve ter, não precisa ouvir os 1001 álbuns. Acredito que o fator mais importante é sugerir à determinar que todo conteúdo do livro seja obrigatório. Muitos já criticaram, outros elogiaram. Se por um lado chega a ser um livro polêmico por outro me anima em ver que a nova geração iPod anda procurando as “velharias clássicas’ que influenciam até hoje sempre uma nova geração.

Meu exemplar permanecerá na minha mesa de centro, e as páginas serão marcadas com Post Its não só para mim, mas também para todos que me visitam. Até por que sempre será uma boa dica para abrir uma conversa com amigos ou até mesmo uma idéia boa para comprar meu próximo álbum. Seja como for, um livro eu indico a todos os amantes da boa música.

Abs,

Dedicação Total a Você

Cronica por : Lúciano Pires

Quem será que cria aquelas propagandas de lojas de varejo que infestam a televisão? Aquelas coisas tipo Casas Bahia, Lojas Marabras, Lojas Mariza e outras que ocupam um espaço publicitário gigantesco com tanto mau gosto? É sempre a mesma coisa: um sujeito pretensamente simpático ou um casal jovem e risonho falando alto e rápido sobre as maravilhas daquele jogo de sofá que só amanhã você pode comprar em cento e trinta e duas parcelas de oito reais e oitenta centavos...

Busquei na memória e vi que sempre foi assim. Os mais antigos lembrarão da quinzena de tapetes do Mappin. Dos ternos da Ducal. Das Lojas Brasil, onde "você leva o Brasilino de presente"... (Aliás, há anos tento encontrar um boneco do Brasilino pra comprar e não acho. Você sabe onde tem?)

Pois no final de 2008 durante um telejornal assisti chocado às imagens das inundações em Santa Catarina. Uma tragédia imensa e - como a maioria das tragédias brasileiras - previsível. Pessoas perdendo parentes, perdendo casas, perdendo tudo... Uma das cenas, em Itajaí, mostrava uma velhinha voltando para casa e vendo seus móveis, televisão, geladeira, tudo destruído. A expressão daquela senhora tinha a dor da desesperança que só as tragédias conseguem forjar. Doeu em mim. A última imagem mostrou-a desolada, olhando seu jogo de sofás, que ela dizia que tinha acabado de comprar, coberto de barro. Destruído.

Pausa para o comercial.

Casas Bahia. Um sujeito histriônico, de paletó vermelho, cabelo e sobrancelhas pintadas, rosto de plástico, falando alto, quase perdendo o fôlego e mostrando as ofertas imperdíveis enquanto ao fundo uma horda de consumidores fingia comprar tudo que podia. Entre as ofertas imperdíveis, um conjunto de sofás parecido com o da velhinha de Itajaí... Em seguida vem o anúncio do automóvel que eu tenho que comprar. E depois do celular que vai resolver todos os meus problemas. Então vem aquele banco que é o melhor lugar do mundo. Todos repletos de mulheres maravilhosas, homens jovens e sorridentes, crianças inteligentes e velhinhos pensando que têm trinta anos de idade. Uma maravilha.

Volta o noticiário.

Gente morrendo na troca de tiros durante a invasão do morro no Rio de Janeiro. E agora ao vivo a repórter trazendo as últimas da inundação.

Dó...

Num instante estou no mundo real, entre tragédias e tiroteios, dor e sofrimento, refletindo sobre como tenho sorte em ser quem sou, morar onde moro e trabalhar onde trabalho. No instante seguinte sou jogado para outro mundo, onde passo a refletir sobre como é pouco o que tenho, como eu poderia ser melhor se comprasse aquela roupa, aquele carro, aquele celular. Então outra vez o mundo perigoso. E depois o mundo do glamour... E assim vai. Viajo sem parar entre dois mundos antagônicos, um renegando o outro. Vou dormir com a mente confusa. Não sei qual dos dois mundos venceu o "round" de hoje. E amanhã de manhã vai começar tudo outra vez: a velhinha perdendo o sofá e o moço vendendo um sofá.

Aqueles dois mundos antagônicos são representações do mundo real. Cada uma com um ponto de vista, um filtro, uma lente. O mundo dos noticiários quer nossa atenção, nos segurar até a chegada do mundo dos comerciais, que pretende que compremos! E os editores usarão de todos os recursos de drama, imagens, sons e edição para nos conquistar... No vaivém entre os dois mundos estão nossas escolhas. O que fazer com os estímulos que recebemos de cada um deles? Provavelmente arregalar os olhos diante das tragédias e voltar ao trabalho pra poder ir às compras.

É essa a rotina de nossas vidas, não é?

Aniversáro

"Nunca tive outra idade senão a do coração."


E assim foi a 81ª edição do Oscar 2009

No começo aguardei sempre as alfinetadas pelo Red Carpet, e até então tudo bem. Ryan Seacrest, que um dia foi mas simples, apresentou bem pela E Enterneiment Televison a chegada das novas estrelas do mundo cinematográfico. Deixamos de lado que ele deu uma alfinetada na ótima atriz Marisa Tomei dizendo que fazia tempo que ela não passava por ali, e também quase ignoramos o fato de que ele foi bem rude com as crianças de Slum Dog Millionaire, se recusando a dizer o nomes deles todos por serem indianos. No total falaram apenas "bem" das celebridades. Jéssica Biel que levou um vestido que chamou atenção mais que ela própria e Beyonce que, eu juro, estava vestida de própria estatueta ganhou um positivo dos apresentadores conhecidos como “os sem perdão da moda”.

Após o Red Carpet corri para ver pela TNT com o maçante Rubens Ewald Filho, tecla SAP on, all time e problema resolvido. Começo a assistir o restinho do Red Carpet, desta vez da própria academia, com apresentadores simpáticos. Não tivemos surpresas, as apresentações foram devidas e terminaram no prazo. Oba! Começou!

Vimos pela primeira vez o Kodak Theatre "simples" e até então não sabíamos o que esperar, eis que entra o apresentador Hugh Jackman, nosso adorável Wolverine, já contando o porquê estavam tão simplistas. Crise Financeira Global – Tema do evento: Crise e Esperança. Enfim, aceitamos e ele continuo sua apresentação dizendo que mesmo assim faria um opening digno de Oscars. E lá vai ele feliz da vida começar a apresentação. Com letra bem escritas e não muito diferente de outros anos, Hugh fez uma bela apresentação e em certo momento chamando Anne Hathaway para ajudá-lo, ficaram bem juntos - Dica para os diretores e roteiristas, eles são bons juntos - e foram perfeitos. Junto com placas e boards feitos a mão, a abertura foi bem planejada - pelo orçamento limitado - e foi uma agradável surpresa para algo que seria maçante.



Direto ao assunto. Sem enrolação alguma já começaram as apresentações dos prêmios, ótima surpresa ao novo método de apresentação das categorias de atores e atrizes, na qual cinco já premiados escolhia um dos cinco indicados para falar algo a respeito e logo após descobríamos quem era o ganhador. Legal a idéia, espero que continuem. Nas outras apresentações, nada de novo. Cenários criados para dar ênfase ao que era criado, o apresentador citando e explicando a importância e claro as famosas apresentações de clipes dos filmes.

Do mais o que nos chamou atenção foi Tina Fey que apresentou os prêmios de melhor roteiro e roteiro adaptado, junto com Steve Martin que na minha opinião ficou acinzentado ao lado da nova queridinha das televisões americanas. A apresentação dos dois foi bacana e bem marcante, eles apresentação o prêmio de melhor roteiro e melhor roteiro adaptado. Tina leu o roteiro como fora escrito, assim como Steve, muito inteligente, simples e certeiro no modo de dizer o que é este prêmio. Outra entrega bacana foi com Ben Stiller que imitou a nova fase de Joaquim Phoenix, com uma barba enorme, e claro, teve o ótimo suporte da Natalie Portman que mostrou ter aptidões para comédia.

Por falta de indicações musicais, apenas Slum Dog Millionaire e Wall E estavam competindo, não precisamos ver as apresentações individuais das longas e sonolentas músicas como nos últimos anos. Foi um mashup bem rápido e praticamente indolor. Quando as músicas foram apresentadas os dois indicados, John Legend por Wall-E e A.R. Rahman por Slum Dog Millionaire, fizeram jus. E foi um momento bonito e bem interessante ver Hollywood e Bollywood juntos.



Entradas e saídas, este definitivamente foi o Oscar do timming perfeito. Jackman até adiantou logo no começo chamando os primeiros vídeos dos telões adiantados, e as cortinas demoraram um pouco a abrir. (Alias comentários à parte, os telões eram sim de alta tecnologia, pela autonomia de e ir a todo o momento).

O momento auge foi quando Hugh, deixando transparecer a felicidade, gritou a todos: "Os Musicais estão de volta". Citando isto logo após uma ótima apresentação, mas devo dizer rápida até demais, de um mashup com vários musicais premiados e conhecidos de vários anos. Beyonce acompanhou o host, mas achei um pouco demais chamar o casal High Scholl Musical, Vanessa Hudgens e Zac Afron, para dar suporte à música, assim como o casal de Mamma Mia (Dominic Cooper e Amanda Seyfried) que mal lembramos o nome. Falta de conteúdo ou somente eu achei desnecessário? Não sei, mas além dessas citações, o Oscar praticamente falou de todos os filmes que estavam em cartas em 2008, mesmo que a citação fosse rápida ali estava. O que mostra que a qualidade pode sim cair nos próximos anos.



Nos agradecimentos, os que chamaram mais atenção foram Kate Wislet, bem nervosa mas totalmente grata por finalmente levar a estatueta, e Sean Penn que chamou as atenções para aprovação de lei para o casamento homossexual em todos os Estados Unidos da América.

Claro, Steven Spielberg encerrou bem a noite chamando o filme vencedor, Slum Dog Milionare. Um ponto curioso é que Obama foi citado diretamente apenas uma vez por Sean Penn na cerimônia.

No geral a cerimônia mostrou-se mais modesta a fim de entender e atingir o novo publico deles. Foi-se o tempo da cafonice, e com seus 81 anos poderemos ver um Oscar tentando lutar pela vida financeira – Já que perderam muitos anunciantes e viewers com os anos - , e reencontrar sua identidade pedindo pela ajuda dos mais novos de hollywood. Mas sejamos honestos, nós até que gostávamos um pouco da cafonice, não?

Abs,

Para o Carnaval

Por: Fernanda Young

Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora. Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia. Olha, honestamente, cansei.

Seus amigos, bando de mascarados, defendem você. Dizem que sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas que no fundo é supertradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.

Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.

Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura. Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado. Chega a ser triste.

Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão que se acha um rei, mas não manda em nada. Nunca teve um relacionamento duradouro. Basta chegar perto de você e temos que agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu grande orgulho.
Você não tem vergonha, não?

Sei que as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva. Seja menos repetitivo, proponha algo novo. Desde que o conheço, você gosta das mesmas músicas. Gosta de baile. Desculpa, mas estou pulando fora.

Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar? Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.

Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo. Conheço várias que fogem, querendo distância das suas brincadeiras. Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?

Por exemplo, essa sua mania de camarote. Onde os vips podem suar sem que isso pareça nojento. Onde se pode falar torto sem que seja errado. Todos vestidos de uniforme, senão não entram. Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro. Essa é a sua idéia de curtir a vida?

Menos purpurina, Carnaval. Menos bundas, menos dentes para fora. A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém. Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?

A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.

Como será amanhã? Responda quem puder.
Beijos,

Fonte: Claudia - Editora Abril 2009

A coexistência pacífica

Dizem que o vento e um raio de lua visitaram Picasso uma noite e lhe pediram pra desenhar um pássaro belo e forte que levasse uma menina (a infância?) pro país das maravilhas. Picasso pegou da pena e desenhou uma pomba branca, que ficou logo famosa, como tudo que ele fazia (os interesses investidos em Picasso no mundo inteiro säo irreversíveis; o capitalismo näo tem condiçöes de desvalorizar Picasso), e conhecida pelos anticomunistas como "la colombe que fait boum!", a paz que explode.

Foto: Em Gaza, menino palestino olha para destroços do Ministério da Justiça, destruído por ataque aéreo israelense - Mahmud Hams/AFP






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- Dia... da Fraternidade Universal ... Mundial da Paz

O cavalo de Tróia foi um presente de paz. Os gregos só não fizeram uma pomba porque nas proporções de uma pomba não cabe uma divisão de infantes. Mas o exemplo de paz como camuflagem já era velho. Mesmo porque a palavra paz sempre camuflou propósitos violentos. Tínhamos a "pedra da paz", sobre a qual se faziam sacrifícios humanos. A Paz do Rei, armistícios de um dia, para näo perturbar os festejos, Natal, casamento e nascimento, de poderosos. Depois veio a "paz a qualquer preço", de Luis Filipe, símbolo da suprema covardia, compromisso pusilânime, cujo exemplo maior é a Paz de Munique (hei, Chamberlain velho de paz!), concessão nefasta, baseada na crença de que se você alimenta muito bem um tigre com carne de vaca ele acaba mugindo e dando leite. Sem falar na milenar Paz de Judas, falso beijo fraternal indicando aos verdugos quem era quem entre os apóstolos.

Paz é isso aí, bicho: um termo equívoco para definir indefiníveis relações politico-econômico-militares. Um termo perigoso quando só substantivo. Letal, quando adjetivado. Quando a paz não é mesmo possível, aceitamos então a "coexistência pacífica",um ersatz, forma de güentar as pontas das nossas hostilidades, esperando pra ver se o inimigo se equivoca em seu próximo gesto político ou se atrasa em sua preparação bélica. E toma pau!

Hipocrisia em torno da paz criou expressões solertes como "a paz para terminar todas as pazes", cinismo realista (ou utopia desvairada?) paralelo à utopia desvairada (ou cinismo realista?), que se chama "a guerra para terminar todas as guerras". A primeira, permanente desde que a "humanidade" se chamou, erradamente, assim, é, na realidade, um acordo cheio de injustiças e impossibilidades práticas, onde cada parágrafo torna-se motivo de novas disputas assim que os combatentes se refazem. A "guerra para terminar todas as guerras" é, porém, a hostilidade e as lutas destinadas a estabelecer relações "definitiva" entre grupos, regiões e países (e "etnias", tão na moda), "evitando qualquer disputa futura". Uma guerra "sanitária"... E metodologicamente a paz "Justa".

abs,

Não esqueça

A juventude é metade da população.
Mas apenas um terço da vida


Boas festas,

Nosso show na realidade

A epidemia do século 21 já tem nome: "Síndrome de Truman". O nome pertence a filme de 1998, "The Truman Show/ O Show de Truman", com Jim Carrey no papel principal. Não lembram? Eu lembro: o personagem de Carrey era um simpático vendedor de seguros que, gradualmente, descobre a fraude existencial que o envolve. A sua vida, desde o berço, é apenas um gigantesco "reality show", filmado por câmeras ocultas 24 horas por dia. E todas as pessoas que o rodeiam --mulher, família, vizinhos, amigos e inimigos-- são meros actores contratados para representarem seus papéis.

O filme termina em registro heróico, com Carrey a libertar-se do pesadelo, ou seja, abandonando o estúdio onde viveu encerrado (e filmado) durante décadas.

Acontece que o pesadelo já emigrou para a realidade. Leio agora na imprensa do dia que cresce assustadoramente o número de pessoas que acredita genuinamente que a vida não lhes pertence. Pertence a um produtor televisivo que montou uma gigantesca ilusão em volta. Como no filme de Jim Carrey, esta gente-se sente-se vigiada por câmeras imaginárias e olha para as respectivas vidas como se apenas estivessem a cumprir um roteiro pré-escrito.

Não confiam na família. Não confiam nos amigos. Não confiam em ninguém. E há mesmo casos de tentativas de suicídio por criaturas transtornadas que não aguentam "continuar" no "show". Uma das histórias mais pungentes pertence a um anónimo norte-americano que, cansado de "representar", entrou num edifício do governo federal e implorou, de joelhos, para que desligassem as câmeras e terminassem com o programa. Ele queria, simplesmente, sair.

E os médicos? Os médicos têm uma palavra importante, a começar pelos psiquiatras. Mas, como os próprios admitem, o caso não é simples de resolver. Desde logo porque eles próprios são vistos pelos pacientes como parte do engodo. Os médicos não são médicos. São atores, vestidos de bata branca, que tentam convencer o doente de que ele está doente.

Não pretendo levantar polémicas inúteis. Mas, confrontado com a epidemia, eu próprio duvido da doença dos doentes. E pergunto, inteiramente a sério, se eles não serão as únicas pessoas lúcidas no meio da loucura reinante.

Um pouco de história talvez ajude: durante séculos, a posição que ocupávamos em sociedade era determinada pelo berço em que nascíamos. Nascer no berço errado, em circunstâncias de pobreza material e cultural, era meio caminho andado para uma vida igualmente pobre e lúgubre. Existem todas as exceções do mundo, claro. Mas as exceções apenas servem para comprovar a tese: a nossa posição em sociedade era uma questão de sorte, não de mérito.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, e o enterro do Velho Mundo que o conflito arrastou consigo, tudo mudou. O berço continuou a ter palavra importante. Mas não mais decisiva. O mérito passou a determinar o nosso lugar em sociedade. Em teoria, e sobretudo na prática, seria possível, ao filho de um pobre, entrar nos salões de um rico. Bastava, para isso, que o pobre ganhasse o dinheiro necessário para os comprar. As nossas sociedades são a prova provada de que a meritocracia vingou e que o "self-made men" derrotou grande parte dos preconceitos de classe.

E hoje? Hoje, como escreve Toby Young em recente ensaio para a revista "Prospect", a era meritocrática foi enterrada. Depois do berço e do mérito, chegámos à era da celebridade. Podemos nascer no berço certo; podemos até subir a corda social com os nossos próprios pulsos, provando o nosso valor intrínseco; mas se não somos "famosos", ou seja, se não alimentamos o voyeurismo coletivo em que vivemos, não somos rigorosamente nada. Vivemos em sociedades mediatizadas e massificadas. E numa sociedade mediatizada e massificada, é o anonimato, e não a pobreza ou a incompetência, que pesa profundamente sobre a espécie.

Não é de admirar, por isso, que uma parte crescente de seres humanos se sinta cansada do circo instalado; se sinta cansada, enfim, de um mundo de celebridades ocas que, na verdade, parece um "reality show" permanente. Eles imploram para sair do espetáculo na impossibilidade de o derrotarem.

Loucos? Não sou médico. Sou apenas um blogueiro disfarçado de médico. Mas desconfio que existe mais sanidade na loucura dessa gente do que em todos os "reality shows" que rodeiam as nossas vidas.

Chopin Nocturne Op.9 No.2



Ótima semana a todos.