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José Saramago. 1922 - 2010

“Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será. (...)
Cada um de nós é por enquanto a vida. Isso nos baste.”

Morreu hoje, aos 87 anos, José Saramago, em Lanzarote, Ilhas Canárias, onde vivia com sua segunda mulher, Pilar Del Rio.

O homem que nunca foi à universidade, porque a família era pobre e não havia meios para isso.

O homem que, para sobreviver, fez um curso técnico e tornou-se serralheiro mecânico. No entanto, como tinha paixão pelas letras, passava suas noites na Biblioteca Municipal Central de Lisboa.

O homem chamado coragem nasceu em 1922 em Azinhaga, no Ribatejo, Portugal de uma família de pais e avós pobres.

O homem que foi funcionário público em Portugal, por décadas. Aos 30 anos começou a fazer traduções, para aumentar sua renda de operário. Auto didata, traduziu Baudelaire, Hegel e Tolstoi, entre outros clássicos.

O homem que publicou seu primeiro romance, Terras do Pecado, em 1947, mas só foi reconhecido como um verdadeiro escritor a partir da década de 1980, quando lançou o romance Levantado do Chão.

Depois disso, seus sucessos literários se sucederam com Memorial do convento (1982), O ano da morte de Ricardo Reis (1984), A jangada de pedra, (1986) História do cerco de Lisboa (1989) O Evangelho segundo Jesus Cristo, (1991) e Ensaio sobre a cegueira (1995) com o qual ganhou o Prémio Nobel da literatura em 1998.

Único ganhador de um Prêmio Nobel em língua portuguesa, José Saramago ajudou, com isso, a estimular as vendas de livros e a aumentar o respeito por quem escreve em português.

O homem que, com esse sucesso, fez com que vários outros autores nacionais e da comunidade de língua portuguêsa fossem descobertos e também lidos, o que estimulou os mercados de livros na nossa língua.

O homem que nunca escondeu suas ideias, brigou por elas, deixou muito claras suas posições, sem medo de críticas.

“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala”.

Autor versátil, ele deixou 20 romances, 3 livros de contos, 5 peças de teatro, 4 livros de crônicas, 3 livros de poesias e um de viagem. Os números, frios, nunca vão explicar a emoção da qual era carregada sua literatura, que fez chorar e rir, que espantou e acalmou, que fez pensar, enfim. “Escrevo para desassogar os meus leitores” disse Saramago em 2009.

"Sou um leitor de Saramago desde a minha adolescência. Conheço muito bem a obra dele e foi o escritor que mais me tocou até hoje", revelou. João Tordo, ganhador do Prêmio José Saramago 2009 (com o romance “As Três Vidas” Portugal). Para Tordo, Saramago foi “Um escritor que revolucionou a literatura portuguesa: há um antes e um depois de Saramago. Ele inventou um modo de escrever."

O homem que se tornou, antes e por esforço próprio, jornalista, a partir do final de década de 1960. E que trabalhou intensamente na imprensa, no Diário de Notícias, Diário de Lisboa, em A Capital e no Jornal do Fundão, todos portugueses.

Em 1975 foi, por alguns meses, diretor-adjunto do "Diário de Notícias". Essa função foi o ponto alto do seu percurso jornalístico e seria fundamental para o seu regresso à literatura e ao romance.. Demitido, decidiu que transformaria a sua vida: seria um escritor em tempo integral.

Ele só seria reconhecido como tal três décadas depois de “Terras do Pecado”. Por essa época (1977) surgiu a primeira obra do Saramago exclusivamente escritor: Manual de Pintura e Caligrafia

O homem que falava da morte como fim único, pois era ateu. Mas falava da morte sem temor.

“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais”.

O homem que escreveu em seu blog, ainda na semana passada: “Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro”.

"Escritor de projecção mundial, justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago será sempre uma figura de referência da nossa cultura. Em nome dos Portugueses e em meu nome pessoal, presto homenagem à memória de José Saramago, cuja vasta obra literária deve ser lida e conhecida pelas gerações futuras. À Família do escritor, endereço as minhas mais sentidas condolências", lê-se numa nota publicada no site da Presidência da República de Portugual, Cavaco Silva.

Morreu José Saramago. Foi ele mesmo quem disse: “Há coisas que nunca se poderão explicar por palavras.”

Obras Publicadas

Poesias
Os poemas possíveis, 1966
Provavelmente alegria, 1970
O ano de 1993, 1975
Crônicas
Deste mundo e do outro, 1971
A bagagem do viajante, 1973
As opiniões que o DL teve, 1974
Os apontamentos, 1976
Viagens
Viagem a Portugal, 1981

Teatro

A noite, 1979
Que farei com este livro?, 1980
A segunda vida de Francisco de Assis, 1987
In Nomine Dei, 1993
Don Giovanni ou O dissoluto absolvido, 2005

Contos

Objecto quase, 1978
Poética dos cinco sentidos - O ouvido, 1979
O conto da ilha desconhecida, 1997

Romance

Terra do pecado, 1947
Manual de pintura e caligrafia, 1977
Levantado do chão, 1980
Memorial do convento, 1982
O ano da morte de Ricardo Reis, 1984
A jangada de pedra, 1986
História do cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio sobre a cegueira, 1995
A bagagem do viajante, 1996
Cadernos de Lanzarote, 1997
Todos os nomes, 1997
A caverna, 2001
O homem duplicado, 2002
Ensaio sobre a lucidez, 2004
As intermitências da morte, 2005
As pequenas memórias, 2006
A Viagem do Elefante, 2008
O Caderno, 2009
Caim, 2009

Abs,

The Green Lantern

Thinking about the environment, The New York Times Syndicate brings from the Slate Magazine "The Green Lantern", our biweekly 800-word Q&A column focuses on climate change, pollution and whatever other environmental quandaries readers are wrestling with. Written by renowned columnists, presents sustainable daily solutions, with tips and ideas to changes for a better world. That is a suggestion to discuss the future.

Examples:

Q: I live in a fairly rural place, and we have an oil furnace, some electric heat, and a wood stove. I've heard that wood burns pretty cleanly, but it doesn't look like it compared with what comes out of the oil-furnace chimney. Of course, wood doesn't have to be refined, and it comes from only a few dozen miles away. It's getting chilly: Should I be heating my home with firewood?

A: It's not just old-timey nostalgics who are mulling this question. Sales of wood stoves are up 55 percent over last season as consumers look for a greener and a cheaper alternative to oil and gas.

So how does the green case for wood stack up? The argument centers on the fact that wood is a renewable resource: When you chop down a tree for firewood, you can easily plant one to replace it. (It would take millions of years to replace spent fossil fuel.) Mile for mile, transporting firewood can be pretty energy-intensive since it's so bulky, but you are far more likely to have wood in your backyard (literally!) than you are to be located in close proximity to natural gas reserves.

By Jacob Leibenluft (Jacob was editor in chief of the Yale Daily News from 2004-2005, and now he is a columnist of Slate Magazine.)


Q: I always idle my engine while stuck in traffic or waiting at the drive-through. My wife insists that the greener move is to turn off the car every time we come to a stop, but I think she's nuts. Doesn't restarting a vehicle waste a whole lot of energy? I remember learning that each restart burns the same amount of gas as idling your car for 30 minutes.

A: The Lantern assumes that you started driving way back in the heyday of the carburetor, when engines started up with a big gush of fuel. But unless you own an automotive dinosaur, your current engine is so efficient that idling would rarely, if ever, be an earth-friendly choice.

Today's cars use electronic fuel injectors, which rigorously control the amount of gas delivered to the engine when you hit the ignition. As a result, virtually no fuel is wasted during startup, and only a thimbleful is burned as the car roars to life.

By Brendan I. Koerner (Brendan is a contributing editor for Wired magazine and a columnist for both The New York Times and Slate magazine. He sometimes writes using the pseudonym Mr Roboto.)

Q: I'm thinking of getting a big, new flat-screen TV so that my friends and I can watch the Steelers pummel the Cardinals in this Sunday's Super Bowl. But then I read that the EU wants to ban big plasma televisions because they drain so much energy. How do I choose a TV that won't kill the planet?

A: First off, it's a myth that the EU is "banning" plasmas _ it's working on stricter energy regulations for all TV types. But, yes, TVs are getting thirstier, and the biggest, least-efficient plasmas can potentially use as much electricity as a refrigerator _ traditionally the most power-hungry appliance in your house. But those are the sets at the extreme end of the market. If you shop carefully, you can get any kind of fancy new TV you want without dramatically increasing your energy consumption.

By Nina Shen Rastogi (Nina is a writer and editor living in Brooklyn, New York. She writes the Green Lantern column at Slate every Tuesday, and the Explainer column every Thursday.)

For pricing and availability in your country, please use the contact information listed at the end of the text







This text is displayed only for knowledge - All these text is Copyright © 2008 The New York Times Company. All rights reserved.

A Propriedade do único

Em O único e a sua propriedade, Stirner faz uma crítica radicalmente anti-autoritária e individualista da sociedade contemporânea. Ele insiste que tanto a língua como os argumentos devem servir aos fins individuais baseados na experiência de cada um, bem como à tão citada modernidade da sociedade ocidental.

A obra, publicada em 1844 na cidade de Leipzig, Alemanha, é o principal texto do autor. Um pouco antes disso, Max Stirner, pseudônimo de Johann Kaspar Schmidt, já propagava sua filosofia com uma série de artigos, como, por exemplo, O falso princípio de nossa educação e Arte e religião.

Em O único e a sua propriedade, o autor proclama que todas as religiões e ideologias se assentam em conceitos vazios, que, após solapados pelos interesses pessoais (egoístas) dos indivíduos, revelam sua invalidade. O mesmo é válido às instituições sociais que sustentam esses conceitos, seja o Estado, a legislação, Igreja, o sistema educacional, ou outra instituição que reclame autoridade sobre o indivíduo. Stirner reforça, em suma, que a sua causa é a causa do nada:

“Há tanta coisa a querer ser a minha causa! A começar pela boa causa, depois a causa de Deus, a causa da humanidade, da verdade, da liberdade, do humanitarismo, da justiça; para além disso, a causa do meu povo, do meu príncipe, da minha pátria e, finalmente, até a causa do espírito e milhares de outras. A única coisa que não está prevista é que a minha causa seja a causa de mim mesmo! ‘Que vergonha, a deste egoísmo que só pensa em si!’."

Considerado “pai do anarquismo”, o autor não se identifica com essa ramificação política e ainda inclui seus seguidores em suas críticas. A doutrina política de Stirner repudia a revolução e ridiculariza os movimentos sociais que atentam para a transformação do Estado e tão-somente. Sua argumentação explora e estende os limites da crítica hegeliana, que ele dirige especialmente a seus contemporâneos − principalmente a seus colegas jovens hegelianos, como Ludwig Feuerbach − seguidores de ideologias populares, tais como nacionalismo, estadismo, liberalismo, socialismo, comunismo e humanismo.

Agradeço a Patrícia Rosseto da Matins Fontes pelas informações aqui postadas e citações.

abs

O Último Português da China

Toca o telefone no escritório de advocacia do escritor macaense Henrique de Senna Fernandes. Chamada de São Paulo. Em Macau, ex-colônia portuguesa na Ásia e desde 1999 região administrativa especial da República Popular da China, os relógios estão no futuro — nesta época do ano, dez horas a mais em relação ao Brasil —, mas o idioma no qual se expressa o jornalista que procura pelo autor ficou no passado. "Can you speak in English?", pergunta do outro lado da linha, com voz constrangida e sotaque achinesado, uma assistente de Senna Fernandes, logo que ouve as primeiras palavras na língua da antiga metrópole.

O episódio reforça a ideia de que Senna Fernandes (1923) talvez represente o último capítulo de peso da história da literatura produzida em português no continente asiático — ou, ao menos, em Macau. Assim, a publicação no Brasil de dois livros do ficcionista, Nam Van (contos, 1978) e Amor e Dedinhos de Pé (romance, 1986), já constituiria, por si só, um acontecimento editorial. Há, no entanto, algo mais a sublinhar: a obra do autor é um paradigma da expressão identitária de Macau, moldada a partir da fricção entre as tradições portuguesa e chinesa, disso resultando uma "cultura de encontro". "O macaense é precisamente o produto do equilíbrio de várias culturas, entre as quais se destacam a portuguesa, a raiz, e a chinesa, o solo. Eu sempre quis mostrar essa possibilidade de duas culturas tão díspares encontrarem uma plataforma de entendimento e de adaptação, criando um mundo novo", explicou o escritor em entrevista a BRAVO!.

A primeira providência tomada por Senna Fernandes para alcançar esse objetivo foi pôr os macaenses no centro da ação narrativa. O prodígio, conforme observa Mônica Simas em Oriente, Engenho e Arte, coletânea de ensaios de vários estudiosos sobre imprensa e literatura produzidas em português na Ásia, significou um "deslizamento subversivo" das estruturas literárias até então praticadas. Em obras como a de Jaime de Inso (1880-1967), por exemplo — oficial da Marinha lusa que serviu em Macau na década de 1920 —, os nativos da colônia não passavam de "personagens secundários".

Escritos com apuro técnico e cuidadosa construção de personagens, Nam Van e Amor e Dedinhos de Pé são representativos do projeto literário do autor. O volume de contos parece já querer concretizá-lo desde o título: Nam Van é a denominação chinesa da Praia Grande, o coração social e administrativo de Macau, além de "zona residencial preferida da população". Em suas cercanias, Senna Fernandes nasceu e passou parte da infância e lá foi morar quando regressou a Macau, depois de se formar no curso de direito na Universidade de Coimbra, para não falar que ele atribui ao local a inspiração de seus textos iniciais — o que vale dizer que, para além do jogo linguístico de reunir histórias em português sob um título chinês, o nome da obra relaciona as memórias espacial, coletiva e pessoal.

Os Livros:
Amor e Dedinhos de Pé (286 págs., R$ 45,90)

e Nam Van (138 págs., R$ 29,90),
de Henrique de Senna Fernandes. Editora Gryphus.

O Prazer de Bem Escrever

Sim, todos podem escrever bem – e, principalmente, gostar de escrever. Para isso, é preciso vontade e perseverança. E o resultado é compensador. É com este foco: estabelecer uma relação de prazer com a escrita, que chega às livrarias de todo o País, o livro Escrita criativa – O prazer da linguagem (132 pp., R$ 29,90), lançamento da Summus Editorial. Nele, a consultora em comunicação e RH Renata Di Nizo compartilha com os leitores sua vasta experiência, oferecendo várias técnicas de criatividade que possibilitam escrever com desenvoltura. “O primeiro passo é superar o famoso branco, fazer as pazes com o crítico interno para ganhar a fluência desejável. De fato, o jorrar de idéias é intrínseco à habilidade de escrever”, afirma Renata. O lançamento acontece no dia 18 de novembro, a partir das 19h, na Livraria Martins Fontes – Av. Paulista.
 
De acordo com a autora, qualquer pessoa pode desenvolver e aprimorar a competência da escrita. Renata reconhece que articular as idéias com clareza e simplicidade requer prática e aperfeiçoamento contínuos. Para isso – tanto em seus livros quanto nos workshops e palestras que ministra – apresenta técnicas de criatividade. “Quando pensam em escrever, muitas pessoas ficam preocupadas com a gramática e inibem o processo criativo. Nenhum texto consegue ser convidativo assim. Escrever corretamente é fundamental, afinal, todos esperam que seu português seja impecável. Entretanto, se a pessoa não respeita a primeira etapa de criação, dificilmente o texto atingirá o seu propósito. Dosar intuição com lógica, criação com edição é o caminho”, diz. 
 
Dividido em três partes: “Os caminhos da escrita”, “Etapas da escrita” e “Técnicas de criatividade”, o livro é indicado para todas as pessoas que desejam se comunicar melhor por escrito: profissionais que necessitam elaborar e-mails e relatórios; acadêmicos cuja maior preocupação é redigir, com clareza e exatidão, o resultado de suas pesquisas; e estudantes – principalmente aqueles que enfrentarão a tão temida redação dos vestibulares.
 
Desta forma, a obra torna-se leitura essencial também para quem pretende escrever seu primeiro livro e para todos os que sofrem do famoso “branco” na hora de escrever. “Além dos aspectos formais, o segredo de escrever bem está em descobrir a própria criatividade. Nela, encontramos as bases sólidas e palpáveis e, inclusive, o combustível para perseverar”, pontua Renata.
 
A autora
 
Consultora de comunicação há mais de 20 anos, Renata Di Nizo viveu 12 anos na Europa pesquisando e trabalhando em projetos de criatividade e expressão. Lá, integrou o ateliê de criação e experimentação pedagógica do Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Barcelona e formou-se em Artes Cênicas pela Escola Superior de Arte Dramática de Barcelona.
 
De volta ao Brasil, publicou o livro Sem crise (Editora Elevação, 2001) e fundou sua empresa, a Casa da Comunicação – onde realiza palestras, consultoria individual e treinamento em expressão, tanto oral como escrita, foco e criatividade, além de comunicação interpessoal (abordagem central de seu mais recente livro). Em 2007, lançou o livro O meu, o seu, o nosso querer – Ferramentas para a comunicação interpessoal, que deu continuação ao título anterior: A educação do querer” - Ferramentas para o autoconhecimento e a auto-expressão.
 
Entre as empresas que Renata atende na Casa da Comunicação estão: Banco Real, Whirlpool,  Sabesp, Perdigão, Rhodia Poliamida, Saint Gobain Abrasivos, Saint Gobain Vidros, Grupo Ultra – Ultragas, IBM, 89 FM – A Rádio Rock,  BSHG Continental, ECOLABE, Editora Abril, Editora Segmento, Indústria e Comércio de Ferramentas Especifer Ltda, IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP), Metalúrgica Metalmix, OAS, Petrobras, Rádio Metropolitana FM.

Momentos Críticos

A liderança apresentada de uma maneira inspiradora e diferenciada é a proposta de Michael Useem, em Momentos Críticos, lançado no Brasil pela editora Campus-Elsevier. O autor mostra que comandar um grupo, em essência, é o ato de fazer a diferença, tanto em termos pessoais, profissionais ou organizacionais.

O livro conta nove histórias reais e dramáticas, ocorridas em épocas distintas e que servem para orientar e inspirar ações de comando e tomada de decisões, até mesmo nos dias de hoje, quando vivemos em um mundo globalizado e em plena era da informação. As narrativas apresentadas se referem a pessoas que agiram de maneira categórica mediante situações absolutamente difíceis, em condições instáveis e momentos que exigiram ações imediatas.

São personagens reais como Roy Vagelos, diretor do Laboratório Merck, que durante a década de 70 desenvolveu um medicamento específico para o combate à “cegueira dos rios”, doença que se tornou epidemia em regiões da África Ocidental. Abraçando a causa, Vagelos conseguiu liderar uma campanha internacional de distribuição do medicamento pelo continente africano, mudando a vida de milhões de pessoas.

Outra história relatada e bastante conhecida é o caso do astronauta Eugene Kranz, comandante da Apollo 13, que, mantendo a motivação de sua tripulação, conseguiu trazê-la de volta à Terra quando ninguém mais acreditava no retorno da operação.
A obra cita ainda a história de Joshua Lawrence Chamberlain nos campos de batalha da guerra civil americana. No comando voluntário do 20º Regimento das Tropas da União, ele conteve soldados amotinados sem usar a força e os levou a uma vitória que parecia impossível.

A trajetória de Arlene Blum também é contada na publicação. Ela organizou a primeira escalada feminina ao Pico do Annapurna, no Himalaia, e foi bem-sucedida ao lidar com aspectos motivacionais da sua equipe.

Além de contar com detalhes destes relatos, as páginas de Momentos Críticos trazem outras cinco histórias de superação. Esses líderes apresentam seus desafios e falam da forma como atuaram de maneira decisiva e transformaram os contextos em que estavam presentes. São nove exemplos que oferecem ao leitor uma nova visão do papel essencial da liderança. Ao analisar o que os outros fizeram quando uma empresa, uma vida ou mesmo o destino de uma nação estavam em jogo, Useem mostra o que funciona e que não funciona, o que reforça uma causa ou subverte um propósito e o que deve ser feito quando temos de decidir e obter um bom desempenho em situações extremamente difíceis.

Morrer em Praga

Amor e morte no inferno de Praga: a versão real, cruel e arrepiante de Humbert Humbert e Lolita

João Baptista Gelpi, 50 anos, era um brasileiro rico e sem rumo na vida quando resolveu viver uma grande aventura de desperdício e sexo fácil na Europa. Ali conheceu Lenka Vrsková, tcheca, 17 anos, tão frágil emocionalmente quanto ele. A fusão de dois vazios existenciais resultou numa tragédia chocante: Lenka pede para morrerem juntos, como Romeu e Julieta. Gelpi aceita, mas só ela morre. Preso e condenado, ele foi pagar seu erro numa prisão de Praga, de onde saiu para escrever sobre sua história patética, digna de um filme de terror.

Morrer em Praga – uma trágica história de amor, lançado agora pela Geração Editorial, é um livro chocante e desesperador, em tão alto grau que sua leitura às vezes provoca desconforto – mas é impossível interromper a leitura. Gelpi – que já havia publicado um livro sobre sua vida na prisão – Pankrác EC II – Crônicas do Cárcere de Praga- foi auxiliado, neste novo livro, pela escritora Jeanette Rozsas, autora de Feito em Silêncio, Autobiografia de um crápula e Qual é mesmo o caminho de Swann.

Amor e Morte

João Baptista Gelpi, filho de milionário, tinha uma vida cheia de fracassos em São Paulo até que roubou quadros caros na mansão que era do pai, já morto, e foi vendê-los na Europa para ali viver como playboy sempre insatisfeito.

Na Europa, João Baptista publica um anúncio num jornal de Londres: “Venha unir-se ao caos da minha vida louca”. Várias moças respondem, mas só Lenka, jovem e bela, é escolhida e é com ela, no frescor de seus 17 anos, que o cinquentão João Baptista passa a viver, numa experiência de prazer e angústia tão avassaladora que de repente não havia mais João nem Lenka, mas “um só ser unido pelo desespero de existir”.

O prazer sexual, a “vida louca”, enfim, não lhes preenche as vidas vazias, aparentemente sem sentido. Na busca existencial de sua Lolita, João Baptista não previa o fim trágico. E se previsse, não sabe se teria vontade de mudá-lo, ainda que tivesse que conhecer o paraíso e o inferno. A jovem Lenka queria um filho, mas seu parceiro tinha ficado estéril. Deprimida, Lenka quer morrer e propõe um duplo suicídio. João Baptista aceita o pacto mortal, mas só ela morre. Ele é preso, julgado e condenado a 13 anos numa prisão de Praga, de onde é solto seis anos depois, por causa da saúde precária e do bom comportamento.

Escrita a quatro mãos, na forma de romance, com a ajuda da escritora Jeanette Rozsas, Morrer em Praga é uma história de amor e pacto mortal, um suspense de tirar o fôlego, uma inquieta e desconcertante viagem à mente de um homem e sua dolorosa experiência. Tragédia e dor, sexo e delírio, sordidez e culpa. Tudo isso se mistura, enquanto o leitor vai virando as páginas, sem conseguir parar de ler.

Até onde essa história pode levar o leitor que desde o início conhece o desfecho, mas não os motivos que a ele conduziram? “Se eu matei Lenka, só Deus sabe.” João Baptista Gelpi, que no ano 2000 publicou o livro Pankrác EC II – Crônicas do Cárcere de Praga, com a história de sua passagem pela prisão, decidiu agora contar a história inteira. Para purgar a dor, o autor-personagem teve a coragem de revisitar sua trágica história de amor. Ainda hoje, sonha com Lenka. Nas mãos de um bom diretor, Morrer em Praga dará um filme e tanto.

A busca do significado

Crônica

Eis que entra no quarto um velho parente, quase tão velho quanto, senta-se lentamente numa cadeira junto à cama e, sem saber o que dizer, diz apenas: ''Pois é...'', frase pronunciada com o tom de finalidade inescapável que tem tantas vezes (''Não adianta mais nada'', ''Pra que lutar?'', ''Deixa pra lá'', ''Ferrou tudo'' etc).

''O problema não é esse'', disse o deitado, o esse já se referindo, compreende-se, a fechar o paletó. ''O chato é que morro sem saber a coisa que sempre quis saber, que sempre busquei entender: o significado da vida.''

''Pena'', disse o sentado, ''você estar aí sem poder se levantar. Li nas minhas leituras teosóficas, coisa séria, que existe na Índia um monge, um lama, que descobriu isso.''
''Besteira! Já ouvi muita besteira igual! Não acredito.''

Mas acreditou. O amigo que, por absoluta falta de numerário, jamais poderia viajar, buscar in-loco aquilo em que acreditava, a existência de alguém supernatural que sabia o significado da vida, trouxe para o parente em fim de vida todas as provas científicas da verdade metafísica, uma contradição em termos, vá lá, mas na qual o outro, depois de muito ler e conversar, acreditou. Por isso se levantou, decidido a adiar a morte e ir em busca da verdade impossível.

Dois meses depois, tendo vendido tudo que possuía, o terceira-idade entrava num avião que, através de São Paulo (hoje nenhum avião carioca parte, nem mesmo pro Supremo Conhecimento, sem passar por São Paulo), deixou-o em Madri, de onde se transferiu pro Marrocos, de onde se transferiu pra Nova Delhi. Depois, Gwalior. Entre vôos, transferências e paradas de descanso, chegou ao seu último posto aéreo.

Aí é que começava a mais longa aventura. Três dias de trem até Ahmadaba, dois até Ingirad, uma semana em ônibus de filme mexicano classe B, de Ingirad a Vadodara, espera de dois dias em Navsari, depois dez dias em cima de burro por estradas pedregosas, ou enlameadas, ou esburacadas, muita chuva e muito sol. Porém, quanto mais sacrifício ele fazia, mais estava convencido de que se aproximava o absoluto. Assim vão as crenças. E aí, num deslumbramento, estava ao pé do monte Chandrapur.

Largou os últimos pesos e, só com um saco com poucos alimentos, subindo e caindo, escorregando e subindo, agora embaixo de uma nevasca que o pegou no primeiro platô, a 200 metros de alto, ele, sete dias depois, chegou ao pico da montanha. E ali, como tanto lhe tinham prometido os livros sagrados, em baixo de uma nuvem de gelo, a cabeça iluminada por luzes irreais, rodopiantes, multicores, sentadão na posição do lótus (ou da papoula, ou do cogumelo, não soube identificar) estava o Guru Supremo, O Omar Prometido, o Ungido.

O ancião se ajoelhou contrito como fora ensinado a fazer, e disse, babando sua última baba terrestre de admiração e fé: ''Meu Guru, meu Profeta, meu Ser Untado e Untuoso, meu Xilóforo. Sou brasileiro, sou carioca, tenho 83 anos, estou à morte. Mas, com minhas últimas forças, vim até aqui por Seca e Meca, por trixas e nomenclaturas, só por saber que meu Mollah, meu Miramolim, ia enfim me revelar qual é o sentido da vida. Me diz, Terapeuta do Mundo, qual é o sentido da vida?''

O Guru olhou pro velho carioca com um olhar de doce e profunda sabedoria e disse, silabando as palavras, lentamente, degustando cada fonema:

''Meu filho distante, agora meu bem amado filho próximo... (Parou, gozando a própria e milenar sabedoria). A vida... a vida é um rio que flui.''

''Um rio que flui?'', ecoou o velho, tão espantado quanto decepcionado.
Mais espantado ainda, o Guru se engasgou: ''Ué, não é não?''

FLIP 2008

As ruas de pedra do centro histórico de Paraty, apelidadas pela população local de “pé de moleque”, se transformaram durante os cinco dias da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty - num efervescente e animado ponto de encontro de amantes da literatura. No meio dessas vias estreitas, nos restaurantes e nos bares, durante todo o dia era freqüente se deparar com algum dos escritores brasileiros e estrangeiros que participaram das 19 mesas da programação e que reuniram, ao todo, quarenta autores – 22 brasileiros e 18 estrangeiros.

Ao apresentar o balanço do evento, Mauro Munhoz, diretor geral da FLIP, informou que a tenda dos Autores e a do Telão receberam, juntas, cerca de 35 mil espectadores. Neste ano, a difusão do conteúdo proveniente dos depoimentos dos escritores ganhou um importante apoio, que possibilitou ampliar a abrangência e a mobilidade do acesso. Pela primeira vez, as mesas foram transmitidas online, com uma audiência que, já no segundo dia, aproximou-se das 4 mil visitas. Também foi criado um blog e postados vídeos no youtube.

A importância da iniciativa para a literatura foi igualmente destacada no balanço de encerramento. “A FLIP é a melhor porta de entrada de um autor no Brasil”, destacou Flávio Moura, diretor de programação da FLIP 2008 e que terá o mesmo papel na edição do ano que vem. “A FLIP é cada vez mais uma chancela fundamental que orienta o que vale e o que não vale a pena ler”, completou.

FLIPINHA e FLIP ETC

Também na FLIPINHA e na FLIP ETC, atividades que integram a programação oficial da FLIP, os resultados foram muito positivos, tanto na quantidade de participantes como, especialmente, na qualidade das ações organizadas e dos convidados. Na FLIPINHA, a série de eventos realizados, que resultam de um trabalho educativo desenvolvido ao longo do ano com alunos de 37 escolas da cidade, reuniu vinte autores brasileiros e atraiu cerca de 10 mil crianças.

Na animada tenda da FLIPINHA, os jovens participantes tiveram oportunidade de interagir com autores, ouvir histórias contadas pelos próprios escritores, acompanhar “ao vivo” como se desenvolve o processo de desenho de uma ilustração e aprender a criar bonecos de papel machê e poemas coletivos. Também foram protagonistas de peças de teatro, apresentações musicais e de dança, com a constante inspiração de Machado de Assis, o homenageado da FLIP 2008.

A FLIP ETC concentrou em sua programação a maior parte das atividades relacionadas a Machado de Assis, incluindo uma mostra de cinema com filmes baseados na obra do escritor, uma exposição do Instituto Moreira Salles com fotografias do Rio de Janeiro na época de Machado, peças de teatro adaptadas a partir de suas obras e abordagens particulares extraídas dos textos machadianos, como a palestra “Economia em Machado de Assis”, do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco.

A sinergia entre Paraty e a FLIP

O interesse despertado pela festa literária traz reflexos diretos para a economia da cidade. Durante os cinco dias, Paraty recebeu em torno de 20 mil turistas, que ocuparam pousadas e restaurantes, fizeram compras nas lojas e ateliês, gerando recursos e ampliando o mercado na cidade. Somente a FLIP ocupou 230 paratienses, que trabalharam na montagem e realização da festa.

Não é só no curto prazo, entretanto, que a cidade se beneficia dessa iniciativa. Numa sinergia muito feliz, os atributos naturais, turísticos e arquitetônicos de Paraty formam o cenário ideal para receber uma festa literária com as características e objetivos da FLIP. Como contrapartida, a FLIP se consolida como um instrumento que contribui cada vez mais para que o município possa planejar o desenvolvimento futuro, suprindo suas carências de infra-estrutura e preservando um patrimônio ambiental, histórico e arquitetônico reconhecido e respeitado internacionalmente.

"Quem eu sou?"

Cronicas:

Estou sem tempo, atrasado, ocupado, meio consumido, pensando se conseguirei chegar antes da própria vida. Corro assombrado, cortado em pedaços, esbaforido, feito uma tela expressionista, escorrendo os pés pelos vãos da cidade. É verdade, não estou brincando. Preciso dar conta do recado, suar a camisa, torcer o rabo do gato pra gerir minha vida. Meu eu não aceitaria menos de hoje. Ele vive roendo as unhas, procurando um nó cego, uma besta qualquer pra descontar suas mazelas. Veja, estou com as mãos atadas, sem nenhuma chance de parar, atolado até o pescoço do próprio dia. Lutando para manter a cabeça no lugar. É, estou voando, torcendo, rezando pragência estar aberta e não ser barrado na porta. Até a noite, sou como um balão vermelho: hora após hora, caindo. Sem tempo, sempre atrasado, ocupado. Perco-me e esvaio.

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Inspirado pelo post - Por onde anda o prazer? - de minha querida Luma. Esta pergunta é a primeira que deveria invadir os pensamentos de nossa humanidade, mas como indivíduos em nosso mundo atual. Entende o que acontece em sua vida?

Ta, ok. Não vou deixar você pensando muito hoje sem se preparar para sua "auto-sessão psicoterapeuta”, mas tudo é bem mais simples que imagina. Sinta, seja, viva.

Blindness - Ensaio Sobre a Cegueira.

Ensaio sobre a cegueira é um romance do escritor português José Saramago publicado em 1995 e traduzido para diversas línguas. A obra se tornou uma das mais famosas de seu autor, juntamente com Todos os nomes, Memorial do Convento e O Evangelho segundo Jesus Cristo. Eis o teaser do filme dirigido por Fernando Meirelles:





O romance nos mostra o desmoronar completo da sociedade que, por causa da cegueira, perde tudo aquilo que considera como civilização e, (tal como em A Peste, de Albert Camus) mais que comentar as facetas básicas da natureza humana à medida que elas emergem numa crise de epidemia, Ensaio sobre a cegueira mostra a profunda humanidade dos que são obrigados a confiar uns nos outros quando os seus sentidos físicos os deixam. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas também das suas vidas espirituais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.

Na contracapa: "Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.", citado de um fictício "Livro dos conselhos".

Veja mais sobre o filme aqui.

América Latina Pergunta:

O que você acha que os países, as empresas e os indíviduos devem fazer para que o mundo se torne um lugar melhor em 2008?


Ouça as estrelas.

Che scuitá strella, nê meia strella!
Vucê stá maluco e io ti diró intanto,
Chi p'ra iscuitalas moltas veiz livanto,
I vô dá una spiada na gianella.

I passo as notte acunversando c'o ela.
Inguante che as outra lá d'un canto
Stó mi spiano. I o sol come un briglianto
Nasce. Oglio p'ru ceu: — Cadê strella!?

Direis intó: Ó migno inlustre amigo!
O chi é chi as strellas ti dizia
Quando illas viero acunversá cuntigo?

E io ti diró: - Studi p'ra intendela,
Pois só chi giá studô Astrolomia,
É capaiz di intendê istras strella.

Cronicando o aniversario.

          Hoje enquanto estava a procura de alguma idéia para postar sobre o dia do aniversario, passei por sites como wiki e outros que apenas davam uma idéia vaga sobre o assunto. Sendo assim pensei em postar algo um pouco mais intimo, como aniversario é visto 'por ai'. Deparei-me com um texto de Walcyr Carrasco, que foi publicado na VEJA SP na data de 05.12.2007. Então para meu aniversario, coloco aqui outras experiencias do dia.

- Meu Aniversario por Walcyr Carrasco.

          Neste sábado, é meu aniversário. Dá uma sensação estranha fazer 56 anos. O mundo mudou muito no espaço da minha vida. Às vezes dou palestras em escolas. É difícil explicar às crianças como era minha infância. Não havia celular nem computador doméstico. Nem se imaginava o que seria a internet. Na cidade em que eu morava, Marília, no interior do estado, não existia transmissão televisiva. Só conheci televisão muito mais tarde, aos 15 anos, quando mudei para São Paulo. Ter telefone em casa era difícil e demorado. Era preciso se inscrever e aguardar cinco, seis anos até que instalassem a linha – luxo reservado a poucos! Quando explico, os alunos me observam como se eu fosse um ser estranho, vindo de um planeta esquisito. Como seria um mundo sem internet? – imaginam eles! No entanto, é a minha vida! E o pior: a idade parecia pesar tanto! Lembro-me de uma prima de uns 25, 26 anos, ainda solteira. Minha tia comentava, entristecida:

– Não casou até agora, não casa mais. Vai ficar para titia.

A tal prima subiu ao altar somente aos 30. Um alívio para o pai:

– Desencalhou!

          O namorado de outra morava no Paraná. Só se viam poucas vezes por ano. O último encontro foi marcado no cemitério, no dia de Finados. Ela chorou, mandou cartas. Ele nunca mais apareceu. Ela continua solteira até hoje. Talvez por sorte. Casar com um sujeito que marca encontro no cemitério não ia ser legal! Se uma mulher ficava viúva aos 40, 50 anos, era normal botar um vestido escuro e nunca mais pensar em namoro ou casamento. Filha solteirona nunca saía da casa dos pais!

          Quando eu tinha uns 12 anos, pensava nos 20. Seria um adulto. Falavam muito no ano 2000, quando talvez o mundo acabasse. Para mim, era tão distante! Eu estaria com 49 anos.

– Serei um velho! – exclamei.

          Mais tarde descobri que as coisas não eram bem assim. Aos 20, estava iniciando a faculdade. Havia tanto pela frente! Aos 30, espantei-me ao cruzar com um parente que, com 52 anos, anunciou estar se aposentando.

– Nunca mais quero trabalhar! – declarou. – Vou descansar.

          Assustei-me. Ele parecia tão novo, cheio de energia. Ficar sem fazer nada parecia incompreensível!

          Junto com as inovações tecnológicas que ocorreram durante meu tempo de vida, mudou também a forma de sentir a passagem dos anos. As pessoas se tornaram mais jovens, não importa a data de nascimento. Se fica sozinha, a mulher madura está livre para um novo amor, em vez de se trancar em casa! Muitas pessoas descobrem uma nova profissão depois de longos anos de trabalho em outra área. A juventude transformou-se, para um bom número de pessoas, em um estado permanente. Não no sentido duvidoso de tentar aparentar uma idade que não se tem. (Embora ninguém tenha obrigação de cultivar as rugas, pelo contrário!) O importante é a sensação de que não há idade para iniciar novos projetos, relacionamentos, tirar da gaveta um sonho há muito guardado e torná-lo real! No espelho descubro meu rosto mais maduro. Tenho cabelo grisalho. Mas, por dentro, o tempo não passou! Tenho amigos de 20, e trocamos confidências porque tanto eu quanto eles fazemos planos para o futuro! Aposentadoria, nem pensar! Há tanta coisa que quero escrever! Cursos, viagens, quem sabe mais o quê? Quando me lembro do garotinho que eu fui, penso que continuo ainda aquele menino! Aniversário após aniversário, eu descubro que, todos os dias, a vida recomeça! Pode até parecer melodramático, mas de fato o coração nunca envelhece!

"A Hidra" ou a moça do cartão de credito.

Inspirado na post de meu querido clone amigo Wagner sobre como é ser abordado por seres de outras galáxias, venho postar aqui sobre minha própria experiência com essas pessoas que realmente parecem não obter nada além da necessidade de incomodá-lo sem necessidade alguma.

"A Hidra" ou a moça do cartão de credito.

Estava eu naquela selva, sem água, cansado e um pouco decepcionado por amigos que ficaram para trás sem alguma chance de sobrevivência a este dia impiedoso... Sim estou falando da volta para casa na hora do rush nos mêtros de São Paulo.

Após a epopéia de empurrões chego finalmente a meu destino sem grandes danos, assim eu achava. Peguei a única saída disponível para seguir ao final "exit", e quando estou a terminar de chegar no topo ad escada, eis que vejo uma visão que até hoje não esquecerei.

Uma Hidra de quatro cabeças, varias mãos, línguas que não paravam e pés assustadoramente ágeis. Sim, estou falando de quatro promotoras pequenas, rápidas e 'eficientes' parando a todos que subiam a escada para oferecer "o seu cartão de credito". - alias acho hilário como já temos uma coisa que nunca realmente poderemos usar-.

Me vi em uma situação critica, única mas não diferente do que ja tinha passado pelo meu dia. Em rápido êxtase de sobrevivência pensei em como desviar, manipular a segurança rígida, pular da escada paria uma opção libertadora do caos. Mas percebi que eu deveria enfrentá-las, como ninguém nunca havia feito antes.

Pensei em mentir também, mas sou péssimo nisto, da ultima vez quando fui falar meu nome falei somente as iniciais:

- Seu nome Sr?
- É...er... JC...
- JC? – Ela prontamente retrucou - Seu nome completo Sr.?!!
- Jesus Cristo.

Imagine como terminou... Basicamente com o nome de minha rua se tornando Via Sacra numero 0001.

Mas como vi que a única opção mesmo será enfrentar, então me vem a mente momento, amigos e parentes que tentaram o mesmo, só que 15 apos deparados com essa Hidra receberiam o que juram ser coisas inexplicáveis. Sim, estou falando sobre eles receberem o cartão de credito mesmo dizendo que não queriam.

Estava chegando mais perto delas, e já suando um pouco pela pressão - não a arterial, realmente o povo querendo subir rapidamente, e já desesperados por terem que passar pelo mesmo -, vejo a luz no fim do túnel, eu reconheci uma das cabeças da hidra, estudou comigo a anos atrás. Ou seja, a primeira idéia a mente: Compaixão.

Obviamente enganado, tentando estabelecer contato visual com ela, enquanto subia a escada percebo que à mesma teria se transformado em algo que não tivera mais o retorno a seu teor humano. Sim, infelizmente ela não me reconheceu, afinal mais de 10 anos. E sinceramente eu poderia estar enganado, mas não iria arriscar utilizar algo tão fútil para escapar.

Pronto. Já estava a poucos metros de chegar a elas, e já sem idéia resolvi enfrentar de peito e alma, chegando perto do destino final da escada, minha vida - econômica - passou a minha frente em um piscar de olhos, e pensei comigo - Meu Pai do céu, mais divida não, nããããããõooo -

Pisei no ultimo degrau. Momentos cruciais começaram a acontecer, viam-se apenas os restos dos que já passaram; Sapatos, batons, pentes, e até um suposto bebê que percebo mais tarde ser uma boneca deixada para trás pela dona que já não voltara mais por aquela escada.

Chegara minha vez, a "imagem horrível" de quatro cabeças olha para mim, vê interesse e se posta prontamente a minha direção. É as quatro quase ao mesmo tempo, imagem inesquecível.

Nesses momentos você vê realmente que tudo valeu a pena na vida, e quais coisas faltaria fazer se acaso sobreviver a tudo isto. Estavam prontas a tirarem vantagem de meu suposto estado atual financeiro; Sabe, elas não querem saber para onde esta indo, apenas se você irá levar uma copia do cartão do banco delas.

Continua...

Eu, Etiqueta.

Em minha calça está grudado um nome, que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca nessa vida, em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto que nunca experimentei, mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada, por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relogio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidências, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda!!!.
É doce andar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante sentinte e solitário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer principalmente), e nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação.
Não sou – vê-lá – anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares, festas, praias, perolas, piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estética.
Hoje sou costurado, sou tecido, sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não Eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
- > Ouça Paulo Autran citando em audio este favorito meu. [ Aqui ]

Luto - Paulo Autran.


----------Paulo Paquet Autran (Rio de Janeiro, 7 de setembro de 1922 — São Paulo, 12 de outubro de 2007) foi um importante ator brasileiro de teatro, cinema e televisão.
----------Paulo Autran mudou-se cedo para São Paulo, onde passou a maior parte de sua vida. Estudou Direito na capital paulista por influência do pai - que era delegado de polícia - e formou-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em 1945, inicialmente pensando em ser diplomata. Desapontado com a profissão de advogado, participou de algumas peças teatrais amadoras, tendo sido convidado a estrear profissionalmente com a peça Um Deus dormiu lá em casa, com direção de Adolfo Celi, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). No começo relutou, afirmando não ser ator profissional. Entretanto, após receber o incentivo de sua grande amiga Tônia Carrero, famosa atriz brasileira, aceitou o desafio. A peça, que estreou para o grande público no dia 13 de dezembro de 1949, tornou-se um grande sucesso, rendendo inclusive alguns prêmios para o jovem ator.Após seu primeiro êxito comercial, Autran resolveu largar a advocacia e passou a se dedicar exclusivamente a carreira artística, dando prioridade ao teatro, sua grande paixão. Chegou a atuar em alguns filmes e telenovelas, mas é no palco que desenvolve sua arte e se tornou conhecido, vindo a receber a alcunha de "O Senhor dos Palcos".
----------No entanto, será sempre lembrado por suas memoráveis atuações na TV e no cinema. Em especial, por sua participação em Terra em Transe, clássico de Glauber Rocha.Durante sua carreira, estabeleceu importantes parcerias. Entre elas, com diretores como Adolfo Celi, Zbigniew Ziembiński e Flávio Rangel; e atrizes, como Tônia Carrero e Karin Rodrigues. Estreou seu 90º espetáculo em 2006, a peça O avarento, de Molière.No último ano antes de sua morte ele havia passado por diversas internações, por conta de um câncer de pulmão. O tratamento (com radio e quimioterapia) não o impediu de seguir atuando em "O Avarento" - e nem de seguir fumando, até 4 maços de cigarro por dia.
----------Esse texto acima todo encontra-se no Wiki, mas acredito que teriamos mais a falar, Autran nos deixa no dia em que as crianças dizem feliz, 'otimo dia'. E para os que contém Fé dia de Nossa Senhora Aparecida. Até para um dia virar uma estrela lembrança Autran acertou. Deixará saudades, lembranças e um legado que todos os novos seguidores de serem uma pessoa melhor irão levar adiante.

5's de setembro de...

----------Apesar que tirarmos o dia para falar em algo em particular, acredito que varios outros acontecimentos foram importantes em suas épocas, respeitando assim a sede em curiosidade de todos, vemos tudo e todos que de alguma maneira deixaram sua marca neste dia de outras épocas.
1905 - O Tratado de Portsmouth acabou com a guerra entre o Japão e a Rússia. As Ilhas Sakalinas ficaram sob domínio japonês. [+ Aqui]
1958 - O livro Doutor Jivago, de Boris Paternak, foi publicado nos Estados Unidos. A obra viraria filme do diretor David Lean. [+ Aqui]
1960 - O boxeador Cassius Clay, que mais tarde mudaria seu nome para Muhammad Ali, ganhou a medalha de ouro no Olimpíada de Roma. [+ Aqui]
1972 - Na Olimpíada de Munique, terroristas palestinos invadiram o alojamento dos atletas israelenses, provocando a morte de onze integrantes da delegação. [+ Aqui]
1981 - O atleta João do Pulo conquistou a medalha de ouro em salto triplo na III Copa Mundial de Atletismo, realizada em Roma. [+ Aqui]
1982 - O Legião Urbana realizou seu primeiro show. A banda foi uma das nove atrações do festival Rock promovido pela Festa Nacional do Milho, no Parque de Exposições de Pato de Minas, Minas Gerais. [+ Aqui]
1997 - A madre Teresa de Calcutá morreu, aos 87 anos, de parada cardíaca. Ela ganhou prêmio Nobel da Paz por ajudar pobres na Índia. [+ Aqui]
Imagem da serie de Vítor Cid por ©1000imagens.com

O Antigo nazismo na atualidade.

Casas incendiadas, animais de estimação abatidos e visitantes afugentados: assim é a vida em Jamel, na Alemanha Oriental. Há anos, é controlada pelos neonazistas que ali habitam. Até o prefeito diz ter desistido.
----------Os políticos levaram 15 anos para chegar lá - mas em 20 minutos viram tudo o que precisavam. Escondida sob guardas chuvas, a delegação do parlamento estadual de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental caminhou pelas vielas lamacentas da aldeia. O ministro do interior estadual, Lorenz Caffier, e seu grupo ouviram descrentes as histórias do prefeito -histórias sobre visitantes afugentados, casas incendiadas, animais empalados na cerca do jardim e tiros nas florestas.
----------Os políticos tinham vindo visitar Jamel, um pequeno vilarejo nas planícies frias do norte da Alemanha, perto da costa do mar Báltico. Queriam ver com os próprios olhos se os rumores eram verdadeiros - se Jamel de fato estava sob controle de neonazistas.
----------Eles usaram palavras como "assustador" e "deprimente" para descrever o que viram e ouviram e prometeram criar uma "ampla estratégia contra a direita". Quando partiram da aldeia naquele dia triste de janeiro, um homem filmou os estranhos visitantes da porta de sua casa. Era Sven K., de 30 anos - demolidor famoso por ser neonazista.
"Tudo da direita"
----------Pessoas como Sven K. - e seus amigos e familiares - são a razão pela qual o prefeito, Uwe Wandel, diz: "Desistimos de Jamel". Wandel, 49, é prefeito de Gägelow há apenas seis meses. Suas palavras, longe de soarem resignadas, parecem mais uma análise factual. Nem um único banco se dispõe a emitir créditos para projetos em Jamel, diz ele. De fato, um plano de reconstrução desenvolvido para a cidade há anos vem juntando poeira desde então.
----------Wandel estima que mais da metade das três dúzias dos moradores da aldeia seja de radicais de direita. "Aqui é tudo da direita", diz ele, apontando sua caneta para o mapa da aldeia fornecido pelo GoogleEarth. "Sim, você pode dizer que desistimos", ele diz novamente acenando com a cabeça, como se expressasse aprovação por sua própria avaliação da situação.
----------Wandel talvez não esteja há muito tempo no cargo, mas mora na região desde 1983 e conhece bem demais a história de Jamel. Nada do que contam é exagero, enfatiza.
----------Começou em 1992, no dia 19 de abril - domingo de páscoa. Cerca de 120 neonazistas ergueram a Reichskriegsflagg, um símbolo usado pelo partido nazista de Hitler, em frente a uma casa de fazenda antiga no final da Forstrasse. Eles queriam celebrar o 103º aniversário de nascimento de Hitler. "Vamos expulsar vocês a fogo", teriam dito os radicais de direita à família G., ao lado. A família havia reclamado anteriormente da música neonazista constante e pagou um preço alto pelas reclamações: invasões e pneus rasgados foram o início. Depois, um dia, encontraram suas galinhas mortas penduradas na cerca do jardim.
Festejando com os nazistas
----------No domingo de páscoa de 1992, a família se entrincheirou dentro da casa. O prefeito na época, Fritz Kalf, estava lá, armado. Quando a polícia foi chamada, apenas quatro policiais apareceram - e não ousaram entrar na casa onde os nazistas estavam festejando. Mais tarde, três dúzias de policiais apareceram e puseram fim à festa, mas não antes das portas e janelas da casa da família G. terem sido destruídas, junto com o carro de Kalf. Os culpados sumiram na escuridão. De fato, o único a ser multado naquela noite foi o prefeito - por porte de arma sem permissão.
----------O que se seguiu parece uma cronologia do terror - terror contra qualquer um que pensasse em se mudar para este canto aparentemente pacífico e remoto.
----------A família G. se segurou por mais três anos, antes de deixar a aldeia para sempre. Surgiram pessoas interessadas pela casa, mas foram rapidamente afugentadas. A casa em Forstrasse 10 foi incendiada pela primeira vez em 1996. Depois, houve uma invasão e a mobília foi destruída. Depois, há poucos anos, um casal estrangeiro decidiu gastar milhares de euros para reformar a casa - apesar de ser recebido com palavras "caiam fora" pichadas na parede. No dia em que planejavam se mudar, a casa foi incendiada novamente. Exasperados, desistiram.
----------Não foi o único caso de incêndio criminoso. Quando dois potenciais compradores foram ver uma casa nos limites da cidade, ela também foi incendiada na noite seguinte. Um alcoólatra local assumiu a responsabilidade, mas ninguém acreditou. Seu julgamento terminou em absolvição.
O Kommandant
----------Em 1996, a casa de fazenda de 200 anos, onde o aniversário de Hitler havia sido celebrado quatro anos antes, foi condenada por "razões de segurança". Sven K. e sua família deixaram a aldeia temporariamente, mas logo retornaram e mudaram-se para uma casa próxima. Um novo proprietário quis renovar a casa de fazenda decrépita e abrir uma pousada aconchegante. Não demorou para a idéia ser engavetada, e o homem, afugentado por ameaças e vandalismo.
----------Depois, na primavera de 2003, caçadores informaram que tinham visto um grupo neonazista treinando nas florestas perto de Jamel. Tempo considerável se passou antes da polícia ler o relatório. Vários meses depois, os policiais ainda encontraram cartuchos de balas no fundo das trincheiras no campo de batalha e um cartaz dizendo "Cuidado! Armas de fogo em uso! O Kommandant". Eles descobriram um jipe camuflado em Jamel, decorado com símbolos usados pelo Wehrmacht sob Adolf Hitler. Dentro havia armas de ar comprimido e pistolas.
----------Sven K. é o "Kommandant". Em abril de 2004, os exercícios militares na floresta levaram-no a ser acusado de "formação de grupo armado". Não era a primeira vez que rompia a lei. A promotoria perdeu a conta de quantas vezes Sven K. foi objeto de investigação criminal - o Departamento de Polícia em Schwerin diz, meramente, "inúmeras vezes". Ele foi acusado de invasão de domicílio, roubo e uso de símbolos proibidos, como a suástica - e foi condenado várias vezes. Ele também é acusado de ter instigado um ataque neonazista contra um grupo de jovens na Alemanha Ocidental.
----------As suásticas vistas em uma sinalização de Jamel há pouco tempo desapareceram. "Isso é deles, aquilo também", diz o prefeito Wandel, apontando para as poucas casas da Forstrasse. Vários carros estacionados nas garagens têm as palavras "Rapazes para o trabalho duro" em letras góticas. Um carro tem um adesivo que diz: "Não reclame, lute!"
----------Como na visita em janeiro pelos políticos, a chuva faz o entorno que é agradavelmente verde parecer deprimente. Não se vê ninguém. Baldes plásticos e pás estão jogados no parque infantil no meio do contorno no limite da cidade. A casa de fazenda é uma ruína, com o telhado parcialmente desmoronado e o terreno está cheio de lixo.
----------Em setembro de 2006, a casa foi vendida em um leilão por 18.000 euros (em torno de R$ 50.000). Sven K. fez uma oferta, mas o preço ficou alto demais para ele. O novo proprietário logo entrou em contato com a polícia; estava assustado. "Ele queria dar uma olhada em sua nova propriedade e estava com medo de ir para Jamel sozinho", lembra-se Klaus Wiechmann, porta-voz do departamento de polícia em Schwerin. O novo proprietário eventualmente visitou a ruína sinistra escoltado por patrulhas. Ainda não se sabe quais são seus planos para a propriedade.
A poucos metros da casa de fazenda, madeira e lixo estão empilhados formando um quadrado, no limite da estrada da aldeia, para serem queimados em uma das fogueiras periódicas - e ilegais - dos moradores.

Resgatar a aldeia dos neonazistas
----------"Bem, você sabe, é assim nas pequenas aldeias. As pessoas fazem fogo aqui de vez em quando", diz Horst Lohmeyer, dando de ombros. Ele e sua mulher Birgit moram em Jamel há mais de três anos. Os Lohmeyer não têm nada a ver com o extremismo de direita. O músico, com cabelos grisalhos compridos e as insígnias da Alemanha Oriental em suas lapelas, construiu seu lar em um albergue do século 19, nos limites da cidade, com sua mulher, uma escritora. Eles querem eventualmente fazer do celeiro um centro cultural. Lentamente, começaram a entender, há alguns anos, que Jamel era considerada uma aldeia neonazista, mas não deixaram que isso os desanimasse. "Nunca fomos ameaçados", diz Lohmeyer, que nunca teve que lidar com Sven K.
----------E não havia razão para isso. Os Lohmeyer moram ligeiramente fora do centro, na parte da aldeia abrigada por enormes árvores de tília e borbo - que o prefeito acredita não ser dominada por radicais de direita.
----------Apesar dessa distância saudável, os Lohmeyer não querem deixar o lugar para os neonazistas. O casal organizou um pequeno festival de música em sua propriedade, no início de julho, trazendo bandas de rock, música latina e folk para se apresentarem em um pequeno palco atrás do albergue. O tempo estava ruim, e apenas 100 pessoas fizeram a viagem para a aldeia remota - "mas foi um bom começo", diz Horst Lohmeyer.
Tarde demais?
----------Ainda mais porque tudo ficou calmo - nem os militantes de direita nem os de esquerda foram até a aldeia. Sven K., preocupado que antifascistas de esquerda pudessem usar o festival como cobertura para lançar um ataque, enviou um vigia para observar o evento. Como não apareceram militantes, o próprio Sven foi até lá tomar uma cerveja com sua família no dia seguinte - "com as crianças e tudo, completamente normal e pacífico", lembra-se Lohmeyer.
----------Talvez o concerto marque um novo início para Jamel, e talvez o mesmo possa ser dito da visita simbólica, há muito devida, pelos políticos. Jamel ficou mais tranqüila. "Nenhuma investigação está ocorrendo presentemente, nem por crimes políticos nem por crimes normais", diz um porta-voz da polícia. A polícia aumentou sua presença em Jamel há anos, enfatiza.
----------O prefeito Wandel, entretanto, sabe que a calma pode ser enganosa. Afinal, os radicais de direita efetivamente controlam a cidade. Depois de sua breve visita em janeiro, o político Robert Nieszery advertiu que "a única razão pela qual Jamel está tranqüila é porque a cidade é habitada quase exclusivamente por neonazistas".
Tradução: Deborah Weinberg
Visite o site do Der Spiegel

Novidade boa na UFRGS.

Versão de bolso bem acessivel aos vestibulandos. [aqui]

----------O livro Dois irmãos, do escritor Milton Hatoum, entrou para a lista do último vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. É a primeira vez que a maior universidade pública do Rio Grande do Sul coloca em seu concorrido vestibular obras de autores ainda vivos como leituras obrigatórias. Além de Hatoum, há Lygia Fagundes Telles e Luiz Antonio de Assis Brasil.
----------Milton Hatoum é também autor dos livros Relato de um certo Oriente e Cinzas do Norte ( pela Companhia das Letras), com o qual conquistou, pela terceira vez, o troféu Jabuti como livro do ano na categoria ficção. Além de escrever mensalmente para a coluna Norte da revista EntreLivros.
----------O enredo deste romance tem como centro a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino - o filho da empregada - narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. (veja mais e leia um trecho aqui)