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Jamelão e o Humor.

Transcrevo aqui uma cronica feita pelo amigo jornalinista Airton Gontow, que com tantas experiencias que teve com esta figura, que é o Jamelão, fez uma cronica em sua homenagem.

Por Airton Gontow

Confesso que apesar dos anos de experiência como jornalista cheguei apreensivo ao encontro com Jamelão, que iniciaria uma bela trajetória no Bar Brahma. Afinal, poucos artistas carregavam tamanha fama de braveza e mal-humor. “Nunca o chame de puxador”, advertiram alguns; “Não toque no nome do Cartola”, diziam outros.

Com receio apresentei-me àquele senhor elegante, de chapéu e paletó, com elásticos nos dedos. Pedi para entrevistá-lo e convidei-o para sentar: “Eu não sento. Eu me acomodo. Mas se você gosta de sentar, respeito as suas preferências”, disse Jamelão, para logo abrir um inesquecível e discreto sorriso com os olhos.

Em pouco tempo, enquanto eu buscava dados para meu primeiro release, já que o Bar Brahma era um dos clientes da minha assessoria de imprensa, Jamelão já havia disparado vários outros trocadilhos e brincadeiras, como quando perguntei o que desejava tomar: “Eu não tomo. Eu bebo...”

Conto esta história para desmentir a injustificada fama que Jamelão carregou de mal-humorado por toda a sua vida. Era, sim, um homem de personalidade forte, frases incisivas e momentos de incrível falta de paciência. Mas para quem o conheceu de perto, Jamelão deixou a imagem de um homem bondoso, alegre, divertido e, claro, notável cantor.

Como o espaço é curto, deixo de lado a conversa e conto agora algumas das histórias que vivenciei ao lado Jamelão, de quem terei para sempre o orgulho de ter sido amigo.

No Sujinho, de madrugada

Estávamos no Sujinho, tradicional reduto da noite paulistana. Era a noite do jogo do Inter de Porto Alegre contra o São Paulo, no Morumbi, pela Taça Libertadores. Percebemos alguns colorados, discretos e disfarçados no meio daquele bar lotado de são-paulinos cabisbaixos pela derrota em casa. Lá pelas 3h um grupo se aproximou da mesa: "Jamelão, somos gaúchos e teus fãs. Tu podes dar um autógrafo para a gente?" Jamelão olhou fixo e disparou: "só se vocês acertarem qual é a minha musica predileta!". E deu a dica: “é do Lupicínio”.

"Nervos de Aço"", exclamou um. "Vingança", disse outro. "Esses moços, pobres moços...", arriscou um terceiro. Ele finalizou a conversa: "Você erraram, não tem autógrafo". Deu um leve pontapé em mim por baixo da mesa e começou a cantarolar: “até a pé nós iremos, para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos, com o Grêmio onde o Grêmio estiver". Os colorados olharam atônitos. Ele abriu um largo sorriso e disse: "sou gremista em Porto Alegre, santista em São Paulo e, principalmente, vascaíno no Rio, mas vocês estão de parabéns pela bela vitória. Para quem dou os autógrafos?" Todos rimos saborosamente...

Jamelão explica por que não dá a mão

De cima do palco, Jamelão não percebeu de imediato o braço estendido. O homem pegou na barra da calça do famoso sambista carioca e puxou-a, com relativa força. Jamelão olhou, olhou, mas não teve a provável reação zangada. Inclinou o corpo e pegou o bilhete. Não satisfeito, o homem burlou a segurança, subiu no palco e logo se aproximou de Jamelão, novamente com o braço estendido.

Temi pelo pior e imaginei que Jamelão empurraria ou no mínimo passaria um pito histórico no intruso. Jamelão olhou, olhou e, finalmente, estendeu a mão para o aperto pedido pelo homem.

O sujeito desceu do palco e Jamelão prosseguiu cantando: “maestro, músicos, cantores, gente de todas as cores, faça um favor pra mim...” Ao final da canção, interrompeu os aplausos e disse: “Há pouco quase não dei a mão para aquele homem que subiu aqui no palco. Mas logo imaginei que no dia seguinte os jornais diriam: ‘o Jamelão é antipático’, ‘o Jamelão é isso, o Jamelão é aquilo’. Além disso essa música é tão bonita que não valia a pena interrompê-la. Por isso retribuí o cumprimento, mas agora eu vou contar por que não gosto de dar a mão para ninguém que não conheço: em 1963 eu ia para o morro da Mangueira quando começou a chover. Busquei abrig o em um ponto de ônibus. Havia um homem de costas, fazendo xixi em um barranco. Quando terminou, virou-se, me viu e gritou: ‘Jamelaaaaão!!’ E veio em minha direção, com a mão aberta.Então eu falei: ‘sai pra lá! Você estava pegando no seu e agora que me dar a mão!’ Depois disso pensei: sou um homem público. Aquele tipo eu vi onde estava com a mão antes. Mas dos outros não vejo. De repente, aquele sujeito que está agora sentado lá na frente tomou umas cervejas a mais, foi ao banheiro, não lavou as mãos, saiu, veio até o palco, subiu e tive de pegar no dele por tabela!, disse Jamelão, para ser ovacionado pela platéia.

Cena de grito em um bar da Avenida São João

Na saída do Bar Brahma, situado na esquina imortalizada por Caetano Veloso em “Sampa”, uma garota loira e bonita vem correndo em nossa direção. São 2h e ela gritava histericamente. Pára de berrar, pega na mão de Jamelão e lasca-lhe um beijo. "Sai daqui sua
louca. Sai! Fora! Sai daqui!", vocifera o cantor. Ela fica abalada. As
poucas pessoas que restavam na casa olham assustadas. Ele se justifica: "Adoro mulher. Olho para as mais novinhas e, até, para as
mais velhinhas. Mas não é porque sou preto e velho que vou deixar que
uma mulher me trate como se eu fosse um pai de santo. Beijo na mão eu
não aceito!"

Jamelão, o antipático

Jamelão recebia para ficar no palco do Brahma cerca de uma hora. Mas gostava de ficar mais. Bem mais. Às vezes o show chegava a 2h30, entre sambas históricos e canções românticas. Até que anunciava a última música, “a mais importante para mim em toda essa noite”. O público olhava surpreso, porque Jamelão já havia desfilado os sambas antológicos da Mangueira e músicas como “Nervos de Aço”, “Esses Moços” e “Vingança”, de Lupicínio; “Matriz e Filial”, de Lúcio Cardim; e “As Rosas não Falam”, de Cartola (sim, ele cantava Cartola, ao contrário do que muitos jornais disseram e apesar de deixar claro que “não tinha empatia pelo Cartola como pessoa’). Qu e música seria essa? Aí começava a cantar uma composição sua: “O papai já vai embora, o papai vai descansar, o relógio tá marcando (e ele olhava para o pulso): 1h30! Tá na hora de nanar. O papai já vai embora, o papai vai descansar, vou pra casa da Aurora ou então da Dagmar...”

Depois ainda encontrava tempo e disposição para dar autógrafos e tirar fotos com todos os fãs que assim o desejassem.

Naquele dia, porém, todos esquecemos do tempo e quando vimos já passava das 3h e a cozinha do Brahma não tinha mais os pratos tão sonhados pelo sambista. E sanduíche ele não queria!

Seguimos para o Confraria, outro templo da boa música na capital paulista. Ao entrarmos, o bar inteiro saudou: “Jamelão! Jamelão! Jamelão!”. E pediu: “canta! canta! canta!” Formos até o fundo do bar e sentamos. Ou melhor, nos acomodamos. O público continuou: “canta! canta! canta!” Mesmo extenuado, Jamelão, então com 92 anos, foi ao palco e disse: “olha gente, já cantei durante 2h30 no Brahma. Então vou mostrar só duas músicas, em homenagem a vocês” E soltou seu vozeirão para a alegria geral da nação.

Quando voltou à mesa, iniciou-se uma nova peregrinação de fãs à procura de um autógrafo. Foram uns 30, em meia hora. Quando o prato chegou, lá pelas 4h e Jamelão começou a comer, um homem se aproximou com uma câmera nas mãos e disse: “vamos tirar uma foto?” Sério, Jamelão disse: “Agora não dá meu filho, estou jantando”. Ao que o homem respondeu: “Bem que disseram que você é um antipático grosseiro!” Jamelão olhou-me e, resignado, continuou a comer.

Garçom racista

Na Lellis Trattoria Jamelão olha transtornado para o garçom e grita: “o senhor é um racista! É um racista! Vou chamar a polícia”. O funcionário, assustadíssimo, se aproxima e pergunta “mas o que é que fiz?” “O senhor só trouxe cerveja normal. E eu adoro cerveja preta”, explicou Jamelão para risada de todos..

O orkut do Jamelão

Festejamos o aniversário de 93 anos de Jamelão no Consulado Mineiro, restaurante freqüentado por artistas, jornalistas e gente alternativa, na Praça Benedito Calixto, em São Paulo. Uma jovem em uma mesa próxima não parava de olhar em nossa direção. Jamelão deu o sinal de alerta. “Aquela mulher está olhando fixo para cá. Vai acontecer alguma coisa. Já vi este filme!" Ao final do jantar, quando saíamos da casa, não resisti. Fui até a mesa e perguntei se queria alguma coisa. Ela pediu para falar com Jamelão. Indaguei e ele deu o sinal de positivo. Quando chegou à mesa, ela disse: "Eu sou a Flávia". Ele ficou olhando, estático, sem falar nada. "Sou a sua amiga, Flávia", repetiu. Foi sincero: "Desculpe-me, mas não estou lhe reconhecendo". Ela explicou: "sou a Flávia, que fala com você toda a noite pelo orkut". "Pelo o que?", questionou. "Sua amiga do orkut", ela insistiu. "Tenho 93 anos, minha filha. Não tenho computador. E se tivesse, você acha que eu perderia minhas noites no orkut? Alguém está fazendo você de boba e mentindo que sou eu!". Entrou no meu carro, a gargalhadas. Ria tanto, mas tanto, que batia com os punhos no teto do carro. "Orkut! Orkut do Jamelão...essa foi demais"...Saí dirigindo pela noite de São Paulo, feliz por ter presenciado mais uma cena inesquecível ao lado deste grande homem.

Jamelão (última história – essa eu não vi, mas posso imaginar)

É cedo. Os primeiros raios de sol surgem e um homem velho, de chapéu e paletó, com elásticos nos dedos das mãos, falecido às 4h30, chega à porta do céu. “Quem é?”, indaga uma voz. Pouco disposto a falar, como tantas vezes durante os 95 anos em que esteve na Terra, ele dispara: “Mangueira teu cenário é uma beleza, que a natureza criou. O morro com seu barracão de zinco, quando amanhece, que esplendor”. A Voz exclama admirada: “Jamelão!”. E diz, mansa e poderosamente: “Pode entrar meu filho. Entra e senta um pouco para descansar da travessia”.

Ele olha, olha e, finalmente, responde, na lata: “Eu não sento. Eu me acomodo”. E por via das dúvidas ainda recusa o cumprimento com mão...

abs, até a proxima.

Doutor do Soul Jazz

Considerado o "Guru do Hammond" Dr. Lonnie Smith é um de meus organistas preferidos, ao lado de Reuben Wilson e Jimmy Smith. Nascido em 3 de Julho de 1942 em Lackawanna, NY Lonnie começou sua carreira tocando no quarteto de George Benson em 1966. Após gravar 2 álbuns com Benson ("It's Uptown" e "Cookbook") Smith lançou seu primeiro álbum solo em 1967 chamado "Finger Linckin´ Good" que em 1992 virou nome de uma música dos Beastie Boys no álbum "Check Your Head". Nos anos 70 Lonnie Smith passou a se auto-intitular Doctor Lonnie Smith, deixou a barba crescer e começou a usar um turbante em suas apresentações. Ao ser perguntado o motivo pelo qual ele começou a usar o "Doctor" antes do nome, ele respondeu: "Pelo mesmo motivo que eu passei a usar turbante", e perguntaram: "Qual o motivo?", e ele: "Nenhum motivo especial".

"Doutor" irá se apresentar no Bridgestone Music Festival, alias a programação do festival destaca ainda músicos norte-americanos de prestígio nas áreas do jazz e do blues contemporâneo, como o pianista e compositor de origem indiana Vijay Iyer, e a pianista e compositora Rachel Z, que também vão se apresentar pela primeira vez no país.

Veja o video e me diga o que achou.


abs

Eu, Etiqueta.

Em minha calça está grudado um nome, que não é meu de batismo ou de cartório, um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca nessa vida, em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto que nunca experimentei, mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada, por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relogio, meu chaveiro, minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidências, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda!!!.
É doce andar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante sentinte e solitário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer principalmente), e nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação.
Não sou – vê-lá – anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares, festas, praias, perolas, piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estética.
Hoje sou costurado, sou tecido, sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo de outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não Eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
- > Ouça Paulo Autran citando em audio este favorito meu. [ Aqui ]

Musicando. (MeMe)

----------E hoje ainda posto um MEME bacana indicado, pela Luma (saudades), Luz de Luma. Esse meme teve origem no Blog com Grelos, ou seja, creio que só meninas poderiam participar. Mas quando falam de musica nós meninos invadimos.(risos). Então vamos lá, esse meme é sobre músicas que ouço ultimamente, então esta ai um MEmE que irá me fazer pensar muito...

----------Primeiro vale lembrar que ainda é mês do rock, então o mesmo invade meu MP3 novos e antigos mesclados. Alias ainda chamo atenção ao post I Wanna rock, na qual dito a oração do rock.

----------Bom esse estou ouvindo e resenhando até alguns albúns novos, então como estou ainda ouvido esses três prometo colocar resenha depois.:

Zeitgeist
Smashing Pumpkins

Já adianto que a sonoridade, lembra muito o passado com toques bem diferentes. (clique aqui e veja mais sobre o album.)


Icky Thump
White Stripes, The

A banda volta com algumas novidades velhas, mas que valem algumas baladinhas. (clique aqui e veja mais sobre o album.)


Minutes To Midnight
Linkin Park

Sinceramente foi minha decepção em album, creio que a banda evolui pouco, e eu como fã esperava mais. Detalhe, a idéia do nome do album apareceu quando o vocalista Chester Bennington estava assistindo ao The History Channel um documentario sobre fuso horarios, e "...onde a méia noite chegava primeiro.). Observação. O albúm tem o extamente o mesmo nome do documentario. (clique aqui e veja mais sobre o album.)


----------E para finalizar coloco aqui o playlist, que mais ouço esse mês. Mas não se engane com a continuidade, enjôo facil, então veja o iPodRockList:

1. Smells Like Teen Spirit - Nirvana
2. That's All Right - Elvis Presley
3. Johnny B. Goode - Chuck Berry
4. Blue Suede Shoes - Carl Perkins
5. Great Balls Of Fire - Jerry Lee Lewis
6. Summertime Blues - Eddie Cochran
7. Jailhouse Rock - Elvis Presley
8. Tutti Frutti - Little Richard
9. Oh, Pretty Woman -Roy Orbison
10. Like A Rolling Stone - Bob Dylan
11. Can't Buy Me Love - Paul McCartney
12. (I Can't Get No) Satisfaction -Rolling Stones,
13. Turn! Turn! Turn! -Byrds, The
14. Good Vibrations - Beach Boys,
15. Light My Fire -Doors, The
16. Layla - Derek & The Dominos
17. Born To Be Wild - Steppenwolf.
18. You Really Got Me -Mott The Hoople
19. My Generation -Patti Smith
20. Voodoo Child -Jimi Hendrix
21. Me And Bobby McGee - Janis Joplin
22. Proud Mary - Creedence Clearwater Revival
23. Brown Eyed Girl - Van Morrison
24. Ziggy Stardust -David Bowie
25. Wish You Were Here - Pink Floyd
26. Hotel California -Eagles
27. Rock And Roll All Nite -Kiss
28. Smoke On The Water -Deep Purple
29. Paranoid -Black Sabbath
30. Back In Black - AC-DC
31. Walk This Way -Aerosmith
32. Anarchy In The UK - Sex Pistols
33. London Calling - Clash, The
34. Blitzkrieg Bop - Ramones, The
35. Psycho Killer - Talking Heads
36. Pride (In The Name of Love) -U2
37. Sweet Dreams (Are Made of This) - Eurythmics
38. Tainted Love -Soft Cell
39. How Soon Is Now? - Smiths, The
40. Wonderwall - Oasis

----------Pouca info, mas bastante indicação. Repasso então ao MEME ao Bla-Blaismo, Davis Sousa [blog], Taimã Ramos e Doces Deleterios.

Vamos ver o que acontece. Até a proxima.

Rapidinhas domingueira.

----------Opa, passando por aqui neste domingo para mostrar a boa do dia. A primeira é que o blog Bla-blaismo está com uma resenha otima sobre o show do Lobão Acustico MTV em Rio Claro/SP, na qual "nosso" enviado Wagner Brito obteve a oportunidade de entrevista-lo após o show.(risos). Leia aqui.
----------O blog da Luz de Luma de minha querida Luma, falou tudo sobre o Pan 2007 em poucas linhas. Leia aqui.
----------E ultimas noticias do Pan 2007: Aparentemente já temos o nosso primeiro desaparecimento Pan 2007. O que acontece é que o defensor Rafael Capote, 19, da seleção masculina de handebol cubana, deixou "há dias" a Vila Pan-Americana. O atleta foi listado como indisponível para a partida de ontem à noite entre sua equipe e o Canadá, no Riocentro. Sinceramos esperamos que ele esteja bem, e não estaja causando problemas por ai. (risos).
...por enquanto é isso daqui a pouco tem mais.

I wanna rock...


----------O Dia Mundial do Rock foi instituído em 1985, quando foi realizado o concerto Live Aid em benefício das vítimas da fome na Etiópia. O espetáculo foi organizado pelo músico Bob Geldof e teve a participação de vários astros de rock.

----------Para celebrar o Mês do Rock, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) recebe a programação multimídia "Arquivo do Rock Brasileiro", que mostra a história do gênero no Brasil. Até o dia 5 de agosto, o público poderá ver exposições de fotos, filmes, vídeos, ouvir gravações raras e assistir a shows de bandas como Made in Brazil e Violeta de Outono.

----------As comemorações também chegam ao mundo dos quadrinhos. Acaba de ser lançado o álbum "Red Rocket 7: A Saga do Rock", do quadrinista norte-americano Mike Allred. A história conta as aventuras de um alienígena que se encanta pelo rock ao cair na Terra nos anos 50.

----------Então deixo com vocês agora a Oração do Rock, que pode também ser ouvida no site do Titio Marco Antonio da Kiss FM:

"Elvis Presley que estais no céu;
Muito escutado seja Bill Haley;
Venha a nós o Chuck Berry;
Seja feito barulho à vontade;
Assim como Hendrix Sex Pistols e Rollings Stones;
Rock and roll que a cada dia nos melhora;
Escutai sempre Clapton e Neil Young;
Assim como Pink Floyd e David Bowie;
E não deixeis cair o volume do som 102,1 de estação;
Mas livrai-nos do Pagode e do Axé. Amém!".

Resenha: GRAM

----------Foi-me colocado a prova, um desafio que em particular adorei, resenhar pelos disco indicado. O desafio veio do Bla-Blaismo, e a banda indicada pelo Silêncio de Chumbo, venho por meio desta dizer: Obrigado. Um conhecimento maior sobre uma banda que é boa; é o que há hoje me dia. Digamos que me empolguei muito e farei jus a indicação, segue então o melhor de:


------------------------------------------------ GRAM - Seu Minuto Meu Segundo

----------Nesse disco, a banda formada pelo vocalista, guitarrista e pianista Sérgio Filho, Marcelo Pagotto no baixo e no vocal, Luiz Ribalta e Marcelo Loschiavo nas guitarras e Fernando Falvo na bateria está longe de decepcionar os fãs arrebanhados pela fragilidade emocional e som delicado da banda, porém, está longe de fazer o disco definitivo. O leque temático se abriu, deixando de falar exclusivamente sobre relacionamentos, e a banda, segundo Sérgio, tenta parecer menos intelectual e mais comercial, "como os Beatles em início de carreira", sem abrir mão da música sentimental que fez a mídia brasileira voltar os olhos para os paulistas.

----------O álbum começa com "O Rei do Sol", possuidora de uma delicada melodia de guitarra e um ótimo piano como complemento. A bateria é tocada lenta e suavemente. Sérgio Filho começa a cantar em uma ótima performance vocal sustentada pelo marcante instrumental, onde na letra conta a história contida em um livro de um homem que vendeu o amor para comprar o mundo. Após afirmar "O Rei do Sol é frio", ele questiona "Quem é seu rei?/Quem é você?/Que explora o sol/Mas é tão frio?", junto com o crescimento instrumental, na maior força da bateria e um clima denso no resto dos instrumentos.

----------"Você Tem" já começa com Sérgio cantando, em um instrumental mais emocionado ainda, onde as agudas guitarras se somam com um lindo piano e abrem espaço para versos como "Você passou e riu/Me fez pensar que sim/Sempre quero alguém/Que jamais olhou pra mim"... Diz que a pessoa é um filme com final feliz, mas já que não olha para ele, o filme não tem final nenhum. Sérgio Filho cria um estilo vocal muito próprio, pelo menos no cenário nacional. Os backing vocals soam discretos e contidos.

----------Vamos para "Antes do Fim", que começa com as guitarras antes do piano, que invade a estrutura de maneira lenta, e enfim os outros instrumentos e o vocal de Sérgio entram. A bateria de Fernando tem um ótimo ritmo, mesmo seguindo um ritmo linear. Na letra, é contada a história de uma pessoa que tem tudo, mas que, antes, depois, longe ou perto do fim, está presa em solidão. O crescimento vocal no final da canção acompanha um ótimo solo de guitarra.

----------Com o começo mais agitado, ouvimos "Parte de Mim", com uma guitarra aguda com um ótimo efeito, e então a música cresce no refrão. A temática da ingratidão amorosa aparece novamente em versos feito "Quando te enchi de razão/Você me chamou de fraco e velho", e o refrão "E parte de mim/Quer te ver feliz/Parte de mim/Te expulsa e morre". Uma das mais belas canções do disco.

----------"Melhor Assim" volta à calmaria, apesar de os bumbos por vezes ainda soarem fotes, revelando uma estrutura pulsante, indo de melodias soturnas à doces momentos, passando por paradas instrumentais. "Você é a mais comum/Do seu mundo tão feliz/Mas se diz madura pois se deu/É a maior mentira que eu vi" (...) "Sendo assim, eu não quero mais pedir/Permissão pra respirar". Do peso apaixonado à doceria frágil, a canção convence.

----------Entra "Vivo de Novo", com um começo lento, quase em ritmo da trilha sonora, que entra com piano discretíssimo somado com melodias densas e carregadas, e a participação de um coral de crianças que dá um tom infantil em meio à bateria que cresce quase tribal e as guitarras que rugem querendo surgir. "Vivo feliz e a vida insiste/Eu quero a coisa mais triste" e "Ela se foi/Aquela vida se foi/Vivo de novo" revelam uma reflexão sobre uma pessoa querendo se convencer que está feliz de não ter mais dores no coração, mas que revela preferir essas dores do que não sentir nada. A música mais doída do álbum.

----------Seguimos então para "Me Trai Comigo", com a letra mais submissa e passiva do álbum. O dedilhar da guitarra abre espaço para outra balada, que começa em ritmo corajoso, guiada por uma linha sinuosa de guitarra e uma cozinha densa. Sérgio, sofrido, canta "Mas se você falhar/Volta pra casa/Já tanto faz/Vai me ver sorrindo pra te enfeitar/E me trai comigo/E descansa em paz" sustentando a voz enquanto a bateria cresce - aliás, grande trabalho da cozinha. Discretamente, no ritmo abafado da cozinha, acompanham-se ofegações dos backing vocals que dão todo um charme à canção. "Se alguém vier falar/Não brigue por mim/Só diga que sou/Um problema seu".

----------"Lupado" revela-se também sofisticada, onde a melodia volúvel contrasta com a linha reta da bateria. O eu-lírico revela-se uma pessoa que entrou em um pessoa com um tanto de questões existenciais, aparentemente induzidos pela insônia: "Ei, acordo amanhã/Depende se eu me sonho mal/Ei, não durmo amanhã/Deve estar me sonhando acordado". A canção com mais climas do álbum, indo do instrumental crescente acompanhados de uma risada sádica até a calmaria absoluta.

----------A interessante "Em Nome do Filho" trata de uma interessante questão, a da adoção, explorando o relacionamento entre pai e filho. Um violão marcante inicia a canção, marcada pelo vocal doce e correto de Sérgio, e tal violão ganha força ao decorrer da canção, construindo uma música inusitada e bela para uma poesia muito bela. A melhor letra do álbum. "Eu não tenho a cor de seus cabelos/Eu não herdei um gesto seu/Mas eu sou um filho da atenção/Gesto que só pude ver em você". Ponto pro Gram.

----------O começo mais elétrico vem em "Vale a Pena", de sonoridade roqueira em suas guitarras e a bateria soando crescente ao decorrer da música. Solidão, masoquismo emocional e questionamento existencial surgem ao longo da canção, como diz o refrão "Quem vale mais?/Quem é que sabe viver?/O feliz ou o não?". Reduzindo-se quase que somente ao piano em certos momentos, a canção logo volta às guitarras. O final é, ao mesmo tempo, belo e enigmático.

----------"Tem Cor", segundo Sérgio, remete à sua infância, e tem uma mensagem de esperança nesses tempos de incerteza. Em um instrumental inseguro, que apesar de tentar se conter, às vezes compete volume com a voz do cantor. No refrão, Sérgio canta ao lado do instrumental com maior corpo e densidade: "Quando alguém vier pra te mudar/Lembra bem que seu olhar/Apesar de grande ainda tem cor", em um misto de saudosismo e esperança, nostalgia e positividade.

----------Chegamos à faixa-título, "Seu Minuto, Meu Segundo" nasce elétrica e contida assim como há duas faixas atrás, porém, ao entra a bateria em ritmo programado, revela-se uma balada-electro-pop, que volta com a bateria natural no refrão em ritmo mais rápido que as batidas dos versos. "A vida é hoje/E é com ou sem você/Espero demais/Vou fazer seu minuto, meu segundo", afirma Sérgio. Novamente, o desprezo volta em versos como "Você me enxerga mal/E só você não vê". E aí temos, talvez, a melhor canção do álbum, fazendo jus a ser título do álbum, com um refrão mais pop e menos balada que os anteriores, porém, inserido-se em melodias emocionadas, cria uma inovação silenciosa, que nem todo mundo que ouve percebe pela familiaridade que o som chega aos ouvidos.

----------O Gram, com certa rapidez, alcançou um patamar de revelação do underground e soube não se perder ao dar um passo a mais em uma carreira que começa a ser traçada sem ousadia, porém com sabedoria. Inovações discretíssimas tem menor importância para dar espaço à poesia e à delicadeza. Ainda não cometeram seu disco definitivo, quem sabe estejam perto, quem sabe não. Talvez o Gram não queira ser a maior banda do Brasil... Talvez a única vontade seja fazer música para quem quiser ouvir, se identificar, e por conseqüência natural, se emocionar. Se esse for o caminho pretendido, que continue assim.

- - Sites que ajudaram:

- Sonora
- Terra Musica
- MTV
- RadioUOL
- Site Oficial: GRAM


E digo mais, resenhado... até o proximo Desafios Bla-Blaistas