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Voto Obrigatório

Julio, você é a favor do voto obrigatório?

Obviamente, não. A história do voto obrigatório, que existe no Brasil, sempre me fez lembrar uma passagem do "Émile", de Rousseau, em que uma mãe espartana recebe o seu zelote e lhe pergunta se os espartanos venceram a batalha. E o zelote informa: "Todos os teus filhos foram massacrados." A mãe, furiosa, responde-lhe que não foi essa a pergunta. E quando o zelote confirma a vitória militar dos espartanos, a mãe sobe ao templo para agradecer aos deuses. Rousseau comenta apenas, em tom lacônico: "Eis uma cidadã." Quando me falam em voto obrigatório, essa espécie de "fanatismo cívico", lembro sempre a mãe espartana.

abs,

O que é qualidade?

Um produto ou serviço rotulado como de boa qualidade hoje, amanhã poderá não atender às expectativas do consumidor. Qualidade para o prestador de serviços ou fabricante significa buscar o melhor. Para o consumidor é superar expectativas, portanto ele deve ser sempre o foco da atração de qualquer empresa.

A busca é incessante. Há 40 anos, a qualidade era definida como algo adequado ao uso e hoje o conceito caiu por terra, já que outros significados foram incorporados com o passar dos anos. O setor automotivo é reflexo da evolução, sempre acompanhada pelo consumidor. Voltando na história, na década de 1990, tivemos a abertura da economia brasileira para as importações. Do antigo carro importado Lada, passamos a ver nas ruas brasileiras carros evoluídos tecnologicamente e com mais qualidade. Com a chegada destes automóveis, só vistos quando viajávamos para o Exterior, os brasileiros se tornaram mais exigentes e isso foi um divisor de águas na história da qualidade automotiva.

O governo, então, instituiu uma série de medidas, como o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, para que o País se tornasse competitivo. Paralelo a isso, foram adotados o Código de Defesa do Consumidor, a ISO 9001, que marcou a nova exigência qualitativa, e com ela as certificações da qualidade e, avançando um pouco mais no tempo, o Procon, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e outros organismos. Tudo aqui no Brasil estava em ritmo letárgico no que se refere à qualidade. Mas o início da década foi marcado por um 'boom' no quesito qualidade.

Foi o consumidor, de certa maneira, o estopim da qualidade no Brasil. Mesmo que os anos tenham passado, o consumidor continua ditando as regras da qualidade não só aqui, mas ao redor do mundo, ao exigir, cada vez mais, excelência no padrão de atendimento e na prestação de serviços em qualquer outra área. Quer a prova? Veja o espaço que os jornais e outras mídias dão para as reclamações ou sugestões do consumidor.

É ele quem impõe essa busca incessante de 'superar as expectativas'. Demos um boom na qualidade, e isto é um fato. A primeira corrida foi para superar a defasagem e agora é para superar as expectativas. Para isso, todas as empresas devem se preparar.

Para as novidades ao consumidor, nasce empresas que permitem o consumidor, testar vários produtos antes mesmo chegarem as lojas. É o caso da Sample Central que, segundo o site:

É uma loja que oferece a você a oportunidade de experimentar de graça as últimas novidades e tendências da indústria – produtos em lançamento ou em fase de desenvolvimento para serem lançados no futuro.

Nossa loja abre uma via de mão dupla entre você e as marcas do seu interesse. Você escolhe livremente os produtos que deseja testar, leva para casa de graça e depois compartilha suas opiniões e experiências de consumo em pesquisas online. (...) Em contra partida, a indústria recebe informações para aprimorar os produtos e atender aos desejos de consumidores qualificados e atentos às novidades.

A ideia já funciona bem lá fora, e o investimento veio a partir da boa experiencia das empresas com o “ghost consumer” (Também conhecido como “consumidor misterioso” (“mistery shopper”), “cliente oculto” ou “cliente-surpresa”).

Pessoas físicas, geralmente consultores, contratados por empresas para fazer comprar ou consumir na própria loja que a contratou. E nisto, testem desde atendimento até o modus-operanti em casos extremos de reclamações. Logo após este cliente faz toda a avaliação e envia a empresa. E não raras as vezes as opiniões e sugestões foram acatadas e colocadas prontamente em prática. Pode ler mais aqui.

Partindo deste conceito, as empresas finalmente entenderam que o consumidor - quando quer - pode virar uma arma potente contra ou a favor de sua empresa.

Estamos saindo um pouco da área digital neste caso. Infelizmente são raras as vezes que podemos falar de cases interessantes de alguma divulgação online, social mídia, que tenha obtido um ótimo sucesso, e pudesse ser mostrado até internacionalmente. Ainda estamos engatinhando.

Porém, nada melhor que todos os sentidos humanos para testar um produto ou empresa. Só vamos ver se todos levarão a sério essas novas empresas e ideias, e evitar de usa-las como uma loja de produto grátis.

Sua opinião vale! Sua opinião é séria e qualitativa.

Opine, use, abuse e desfrute de seus direitos.

abs,

O Social e as Empresas

Uma cartilha opinião, para entender melhor sua empresa nas mídias sociais.

Foi-se o tempo em que as empresas para divulgarem seus produtos ou serviços, ou até mesmo a sua filosofia, precisava utilizar a mídia tradicional, como: TV, rádio e veículos impressos. Hoje a internet tornou-se uma aliada primordial para a aproximação entre a organização e seu público-alvo. A utilização dos portais tradicionais, com informações institucionais, já não é mais diferencial para atender um público diversificado. Por isso, cada vez mais, a aposta são as redes sociais: Youtube, Flickr, Orkut, Facebook, Twitter, Messenger e LinkedIn.

Pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online em dezembro de 2009, aponta que no Brasil há mais de 66 milhões de usuários na internet. Desses 80% participam de alguma rede social. Com isso o País torna-se o primeiro no mundo em tempo na frente do computador, aproximadamente 44 horas mensais. A cota brasileira ultrapassa as dos Estados Unidos, França e Japão.

Estar presente na internet, porém, já não basta. É preciso traçar estratégias para atender o internauta. O diferencial das redes sociais em relação às outras mídias está justamente na interação, em tempo real, entre a empresa e o seu público, além de conter informações sobre o comportamento do consumidor. Por isso, para não perder a chance de realizar bons negócios, a participação nas novas mídias é fundamental, senão há o perigo das empresas brasileiras ficarem para trás.

Antes de aderir às novas ferramentas é preciso planejamento, pois com ele, a organização vai saber qual o melhor momento, local e que tipo de informação é útil para o seu público-alvo, além de saber a hora de interagir. Também a participação nas redes sociais exige pessoas treinadas, recursos tecnológicos, tempo e investimento na inovação e aprimoramento, seja no rosto da página disponibilizada na internet, seja na qualidade da comunicação com seu público, entre outras estratégias.

Participar das redes sociais é a oportunidade para as empresas conhecer novos clientes, prospectar negócios, ver novas tendências, estabelecer canais de comunicação e compreender o comportamento dos consumidores. Para isso há a necessidade de ter profissionais que entendam desse ambiente, pois eles estarão aptos a estabelecer estratégias específicas às novas mídias digitais. Isto sem esquecer que os veículos de comunicação tradicionais também são úteis para atingir os objetivos pretendidos. O aparecimento de novas formas de interação nos indica que há outros recursos disponíveis para fazer a mensagem chegar ao receptor.

Além se ser um ambiente bom para os negócios, a utilização de redes sociais é importante para incrementar o networking tanto profissional como pessoal. O que contribui para isso é a interação entre os usuários, a segmentação e a visibilidade para expor opiniões, gostos e objetivos. Mas, antes de fazer qualquer post, é preciso tomar várias precauções: pense no que vai ser publicado, porque depois será tarde para mudar; seja transparente, não conte mentiras, pois falsos testemunhos trarão danos à sua imagem; não seja inconveniente, por exemplo, ao colocar mensagens irrelevantes no Twitter aos seus seguidores, do tipo "o que está fazendo a todo instante"; não esqueça, erros podem acontecer, quando ocorrer, assuma.

Outro ponto que contribui para o networking nos meios eletrônicos é a facilidade, a rapidez e a instantaneidade em que são construídas as redes de relacionamentos que atendem os interesses pessoais e profissionais. Mas não se esqueça que o seu uso é um facilitador para conhecer novos contatos e nunca deve substituir o contato pessoal. A utilização de meios, como: visitas, almoços, cartas e feiras de negócios, ainda são formas necessárias para conseguir para o relacionamento interpessoal.

Antes de aderir à nova tecnologia, avalie se ela vai acrescentar valor à sua marca, defina objetivos claros, tenha uma equipe preparada. Em um ambiente novo e sem fronteiras como esse, é preciso estar preparado para enfrentar desgastes que podem ocorrer, além de estar pronto para atender seus novos cyber contatos. A precaução assegura uma comunicação correta, decente, honesta e confiável com seu público-alvo.

Lembre-se que o homem é um ser social, criado para viver em grupos, portanto, neste contexto, faço minhas as palavras do filósofo grego Aristóteles: "uma andorinha só não faz verão!"

abs,

*por Clarice Pereira

O Individualista

Em recente post, minha Luz, Luma, postou o seguinte causo:

Conversa vai e vem, deslanchou sobre uma 'conhecida' nossa, tão chata e sem desconfiômetro a respeito da própria chatice, que mesmo estando munida dos melhores princípios feministas eu não seria capaz de defendê-la. (...) Então, quando um dos meus amigos comentou que 'fulana' atravessa as conversas, impõe sua presença e vive tentando monopolizar grosseiramente as atenções, outro amigo replicou: "Isto é porque ela foi muito gostosa quando era mais jovem".

Achei que o sexismo, a misoginia ou seja qual for o nome do preconceito deles contra as mulheres estava indo longe demais e quis interferir, mas daí esse mesmo amigo, continuou a falar: "... As mulheres muito desejadas ficam mal-acostumadas. Durante muitos anos da vida delas, basta entrarem numa sala para monopolizar todos os olhares. Basta falarem um "a" que todos os homens lhes darem atenção, querendo concordar com qualquer coisa que elas digam". Porém - e, como dizia Plínio Marcos, sempre tem um porém - é inevitável que um dia essa moleza acabe. (...)

Foi com uma certa amargura que tive que concordar que o comentário deles à respeito da nossa 'conhecida' chata tem valor didático para todas as mulheres (...)


Mesmo com comentários positivos ou negativos, eu não gosto de ficar em cima de muro quanto à alguns assuntos. Meu comentário para Lu à este post foi, "Concordo e discordo", pois bem, vamos analisar. Luma tocou em alguns pontos mal resolvidos de nossa sociedade. Dentro desta conversa que se passou, há inúmeros debates de modos vivendis, e tudo se resume à um foco: Qual nossa visão do mundo? Quando uma imagem passar por nossos olhos, o que anexamos em nosso cerebelo?

Vamos debater a história em meu ponto de vista.

Acredito que o rapaz que fez a citação, "Isto é porque ela foi muito gostosa quando era mais jovem", deixou claro sua visão à mulher citada. A realidade é simples, ela já nasceu do jeito que é hoje. O problema, é que os homens, inclua-se este rapaz, sequer prestava atenção ao que esta mulher dizia nos tempos que tinha uma bela aparência. Ou seja, anunciou ao mundo que, para ele, é indiferente o que a mulher dizia, queria fazer ou queria debater, o foco era sempre seu busto ou bumbum, esse era seu único pensamento.

Temos uma outra linha que destaco, "... As mulheres muito desejadas ficam mal-acostumadas." Infelizmente eu concordo, em partes. As mulheres tendem a obter um tratamento bem diferenciado dos meninos desde seu nascimento, isto não quer dizer que há segregação sexual, mas sim, um modo de ensino diferente que buscar criar um ser de boa índole, que queira trabalhar, ter uma vida, casar, filhos, etc... Como todo bom ser humano deve ser.

Contudo, tivemos essa decadência em nossa sociedade de 200 anos à cá. Que tem como principal foco, a manipulação de imagens do ser humano e transforma-los em objetos de desejo. "Se eu comprar esse carro, vou pegar gostosas..., se eu comprar esse desodorante, milhares de mulheres virão correndo atrás de mim"... Pessoalmente acho que qualquer comercial que tenha este ponto de vista, é um tapa na cara de todos os homens dizendo: "Você é feio, tem uma péssima auto-estima e precisa da ajuda para conseguir mulher". E ofende as mulheres ao tratá-las como objeto sexual... Mas, perai.. E a mulher e o homem que fizeram o comercial, por que toparam? Pela grana, simples. E nem sabem exatamente o que estão fazendo. Essa bobagem de vender "bunda" em comercial e você comprar um produto linear, nocivo e desnecessário, já vem de antes de nossos avós.

Então, vamos organizar as idéias. Temos dois pontos de vista, o meu e a do rapaz que, talvez, considera um tipo de padrão de mulher como "gostosa", o padrão cerveja de ser.

Se ela foi mimada, até quando estava em seus dias de ouro, a culpa foi de todos. Dela por aceitar, dos homens que a trataram bem e logo após, mal, por sua falta de “boa aparência”. [Sim, tratar mulher bem, por causa de sua beleza é um pecado que homens fazem para a luxuria, e no fim, obter resultados catastróficos, tanto em sua vida quando em sua alma], e culpa da sociedade que acha isto tão divertido e rentável, que acaba causando esses momentos em que, praticamente, qualquer roda de papo de homem, tem que ter uma "gostosa no meio”.

A beleza é insustentável para qualquer ser humano, não nascemos para orar por nosso corpo, mas, para viver e ser feliz. Responda-me rápido, leitor. Tanto o homem que fez o comentário, quanto à mulher citada como chata, são felizes? O que pensam de um relacionamento? O que querem para suas almas e seus corações?

Posso citar alguns pecados capitais que poderiam responder perfeitamente as perguntas. Mas deixo isto com vocês.

Claro que não irei somente dizer que este rapaz foi incoerente demais, as mulheres fazem o mesmo. O assunto, invertido, seria da mesma maneira. Elas falando do corpo dele e seu rosto, e incluiriam nesta conversa sua dificuldade dele em distinguir a esquerda da direita. Quer um exemplo? Assista qualquer novela global. Verá o que digo.

[Mudando de assunto. Continuando no contexto...]

Talvez seja neste ponto que as mulheres ficam para trás, o tempo é injusto com ambos, mas os homens são mais aceitáveis na sociedade atual por conta de aceitarem a própria idade. Pode ver, leitor, o que não aceita a idade, vira um boneco de plástico, mas a ocorrência disto é bem menor se comparar com as mulheres. 70% , pelo menos, fazem algo para parecerem mais jovens, mas qual o motivo? Não sei. Como citei em um texto, envelhecer é tão bom.

Tenho uma opinião quanto à necessidade de parecer jovem.

Acredito que querem igualar a idade que gostariam de ter com a experiência de vida atual. Em resposta eu digo: Quando chegar a este ponto, acredite, é tarde demais.

Então, me pergunto, por que não aprendem agora o que lhe faz bem, feliz e completa? Ao invés de entrar na boca alheia e ser reconhecida como ex-gostosa chata em roda de amigos no futuro próximo? ...

[back on track...]

Para as necessitadas de atenção - ou não -: Antes de querer chamar atenção de qualquer pessoa, seja intencional ou não, chame atenção de si mesma no espelho, em seu conhecimento, no modo de andar, de falar, de pensar. De agir. Seja feliz com você antes de tudo.

E você que adora selecionar mulheres como se fossem figurinhas colecionáveis: Preste mais atenção nas suas adorações. Garanto que, pelo menos, 80% do que acha que gosta é pura manipulação de terceiros. Afinal, parou para pensar na vida ultimamente?

Conheça a ti mesmo, viverá melhor e feliz.

Agora, viu como tudo é questão de ponto de vista? Esse foi o meu, acredito que alguns concordarão, outros não. E muitos não vão querer entender o que escrevi.

E como citei acima, esse pequeno bate papo descrito pela Lu, é um reflexo de um assunto maior, antigo e com muitos pontos únicos à seres debatidos. Quando vir um homem dando em cima de uma mulher “gostosa”, aos olhos dele, pare, veja, e entenda a consequência da situação e o peso que tem o que a pessoa acabou de fazer. Tanto o homem que conjeturou, quando a mulher que aceitou com um sorriso. Este simples momento, contará todo passado da sociedade e o que aceitamos até hoje.

abs,

O Ano do Livro

Sempre deixo a disposição, meu blog, para opiniões, sugestões e pautas. Hoje publico aqui, "A Década do Livro", enviado à mim pela:

Rosely Boschini, empresária do setor editorial, é a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

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A DÉCADA DO LIVRO - POR ROSELY BOSCHINI

O ano de 2010, que inaugura a segunda década do Século XXI, mostra-se muito promissor para o mercado editorial e ampliação do hábito de leitura em nosso país. A começar pela estimativa de crescimento econômico de 5%, consolidando a recuperação econômica do Brasil, a primeira nação a emergir da grave crise mundial. Ademais, teremos a realização das eleições para a Presidência da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais, que sempre suscitam maior interesse em pesquisas e estudos sobre política e história. Haverá, ainda, a Copa do Mundo, na África do Sul, evento tradicionalmente estimulante para a indústria da cultura e do entretenimento como um todo.

Também será realizada a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de 12 e 22 de agosto, no Anhembi. O evento - o momento do livro no Brasil ! - atrai grande volume de público, constituindo-se, tradicionalmente, em elemento formador de novos leitores. Trata-se de um verdadeiro convertedor de visitantes de feiras em frequentadores de livrarias. Há que se considerar, ainda, o crescimento anual dos programas governamentais de distribuição de livros às escolas públicas, agora não mais restritos às obras didáticas.

Assim, há vários fatores que permitem vislumbrar com otimismo a performance do mercado editorial. Não temos os números fechados de 2009, mas os dados e estatísticas dos estudos mais recentes corroboram a percepção de que o livro e a leitura encontram-se numa curva ascendente no País. No período de 2006 e 2008, foram lançados aproximadamente 57 mil novos títulos e impressos mais de um bilhão de exemplares, conforme se pode verificar na pesquisa "Produção e Vendas do Mercado Editorial Brasileiro", realizada pela Fipe/USP para a CBL (Câmara Brasileira do Livro) e SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros). O estudo também aponta significativa redução de preços. Se considerarmos os valores reais, ou seja, já descontada a inflação de 2004 a 2008, a queda do pre&cc edil;o médio efetivo do período foi de 22,4% no segmento de obras gerais, por exemplo.

Em 2008, o mercado editorial faturou R$ 3,3 bilhões. Foram publicados 51.129 títulos (mais 19,52% em relação a 2007) e produzidos 340.274.195 exemplares (menos 3,17% na comparação com o ano anterior). Os números mostram maior investimento em novos títulos. É uma estratégia inteligente do mercado, estimulando o surgimento de autores e a produção intelectual. O maior número de títulos permite gerenciamento estratégico das tiragens, que vão respondendo ao comportamento da demanda. Outra importante pesquisa - Retratos da Leitura no Brasil - também indica um cenário de crescimento para o consumo de livros. Em sua última edição, identificou a existência de 95 milhões de leitores no País e um índice de leitura de 4,7 títulos por habitante/ano.

Fica muito claro que a década terminada em 2009 apresentou um grande avanço do livro no Brasil. Entretanto, ainda estamos num patamar aquém do compatível com a realidade do país detentor da 10ª economia mundial, no qual se tem verificado um dos índices mais acentuados de redução da miséria no Planeta e que se posiciona como nação prestes a ingressar no rol das desenvolvidas. Assim, é preciso, no novo ano, um imenso esforço para mitigar os obstáculos à expansão substantiva do hábito de leitura.

Um dos passos importantes é suprir a falta de bibliotecas, inclusive na rede pública de ensino. O Censo Escolar 2008 indica essa carência em 113 mil escolas, ou 68,81% da rede pública! O problema não se limita à falta de livros. Em 2009, o orçamento federal para o envio de obras gerais à rede pública foi de R$ 76,6 milhões. É um montante apreciável para as aquisições. Em 2008, as escolas receberam, em média, 39,6 livros cada uma, média muito razoável. E isto não inclui o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático). O que mais falta é infraestrutura física, ou seja, espaços adequados à montagem das bibliotecas. Somam-se a esse problema os grilhões do analfabetismo, triste realidade de um a cada dez brasileiros. Em números absolutos, segundo estudo do Minist& eacute;rio da Educação, cerca de 15 milhões de brasileiros maiores de 15 anos não sabem ler e escrever. Mais grave ainda é que 21,6% dos habitantes com mais de 15 anos são analfabetos funcionais.

São prioritários, ainda, programas capazes de facilitar o acesso ao livro pelas crianças e jovens matriculados na rede pública de ensino. Nesse sentido, além da ampliação das ações federais, como o PNLD e Programa Nacional Biblioteca da Escola, são necessárias mais iniciativas conjuntas entre União, estados e municípios e a iniciativa privada. Exemplo bem-sucedido da viabilidade desse objetivo é o projeto Minha Biblioteca, realizado na cidade de São Paulo, com forte apoio e participação da CBL. É essencial a mobilização do setor público e da iniciativa privada, como vêm fazendo a s entidades do mercado editorial, para que 2010 seja o primeiro ano de um década em que o livro esteja ao alcance de todos os brasileiros e a leitura, conduzindo nossa população à sociedade do conhecimento, referende nossa condição de país desenvolvido!

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Aproveito o tema para destacar a criação de uma comunidade que começou na Campus Party Brasil 2010 e veio parar no virtual. A desconferência sobre livros digitais, criado pela Samegui, que visa integrar novas idéias e debater assuntos que ganharão atenção este ano.

Então, quem quiser participar, é só falar com a Sam por aqui.

Já o Alessandro Martins, criou uma idéia bem legal: Proponho uma brincadeira: #tuiteumlivro. Leitura obrigatória para quem tem um Twitter!

Obrigado Rosely pelo post indicado. Então, fica a dica, vamos todos ler. ;)

abs,

Pedofilia da Sétima Arte

Deve um homem de 77 anos pagar por um crime cometido há três décadas? Depende do crime. Se falamos de furto ligeiro ou abuso de liberdade de expressão, não existe uma única alma compassiva que não encolha os ombros e mande o sujeito em paz. A velhice, por vezes, já foi castigo que bastasse.

Mas o cenário muda radicalmente quando o homem em questão drogou e violou [sexualmente] uma jovem de 13 anos. Aqui, o meu coração estremece. E as dúvidas, confesso, transformam-se em pó. Não que seja um púdico nessas matérias: posso entender que um adulto se sinta atraído por uma menor, desde que este "menor" em causa demonstre um grau de maturidade sexual e emocional que relativize a questão etária. Mas uma violação é uma violação é uma violação.

O auditório talvez concorde comigo. Mas o mesmo auditório sente dúvidas quando trocamos a expressão "homem de 77 anos" pelo nome "Roman Polanski".

Duas semanas atrás, o famoso diretor polonês foi preso na Suíça e agora corre o risco de ser extraditado para os Estados Unidos. Motivo conhecido: em 1977, na casa do amigo Jack Nicholson, em Los Angeles, Polanski, então com 44, drogou e violou Samantha Gailey, então com 13. Levado a tribunal, e após acordo entre as partes, a acusação abandonou o crime de violação e ficou-se por relações sexuais com uma menor. Polanski aceitou o negócio, confessou o crime e, depois da confissão, fugiu dos Estados Unidos. Nunca mais lá voltou. E agora?

Agora, políticos de toda a Europa e a elite cinematográfica de Hollywood clamam pela libertação de Polanski. Argumentos? Vários. Uns dizem que Polanski já cumpriu a sua pena, ao ser forçado ao "exílio na Europa" durante 30 anos. Outros evocam o passado trágico do homem: a família que pereceu no Holocausto; a sua condição de sobrevivente ao genocídio nazista; o brutal homicídio da mulher, a modelo Sharon Tate, às mãos da quadrilha Manson. E todos relembram que a própria "vítima" já perdoou a Polanski.

Não vale a pena perder tempo com nenhum destes argumentos: o "exílio na Europa" [como se a Europa fosse o Ruanda e Polanski tivesse nascido em Marte]; um passado de tragédias pessoais; e até o perdão de Samantha Gailey não alteram a natureza do crime, que nenhuma sociedade civilizada pode ignorar.

Os argumentos em defesa de Polanski servem apenas para iludir, de forma hipócrita, uma verdade essencial: ninguém defenderia Roman Polanski se ele não fosse um "artista". No fundo, ninguém defenderia Polanski se não persistisse entre nós a ideia romântica [no sentido próprio do termo] de que os "artistas" não se submetem ao mesmo código ético e legal que regula a humanidade inteira. Pelo contrário: os "artistas" criam a sua própria moral e, no limite, serão julgados por ela.

Defender Roman Polanski apenas porque ele é Roman Polanski é dizer, implícita e perversamente, que a pedofilia é tolerável desde que o pedófilo dirija filmes.

Inaceitavel.

abs,

São Paulo e os Fretados

Veja o ponto de vista do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sobre a decisão de não permitir ônibus fretados dentro da cidade.

Para você que ainda não sabe o que acontece em São Paulo, visite os links:


E agora com a palavra: Gilberto Kassab (DEM-SP), engenheiro e economista. Prefeito de São Paulo

Há duas formas de administrar uma cidade como São Paulo. Por omissão, deixando acumular catástrofes, originadas pelo crescimento desenfreado. Ou cumprir o dever de agir, tomando decisões, muitas vezes polêmicas, planejando e prevenindo circunstâncias que, no futuro, podem alcançar dimensão de verdadeiros flagelos urbanos. Desde que assumi a administração da maior capital do país, procuro me pautar por ações que beneficiem a maioria da população. Minha experiência na função mostra que é possível, sim, privilegiar as grandes demandas da maioria. O programa "Cidade Limpa" é um exemplo.

Agora estamos envolvidos em mais uma polêmica: a regulamentação dos fretados. Dentre as prioridades de uma cidade como São Paulo, o transporte ocupa lugar de destaque. Nessa área, corremos atrás de um prejuízo de mais de século e meio: em Londres o metrô foi inaugurado em 1.863. Para o avanço do automóvel particular, as cidades só têm como opção uma rede pública de transporte que reúna tecnologia, rapidez e conforto. Por isso, nossa gestão, incorporando a visão estratégica da administração estadual, tem buscado reduzir ao máximo essa defasagem. Até 2010, teremos 240 quilômetros de redes de transporte sobre trilhos com qualidade de metrô, quatro vezes mais do que os 60 quilômetros que dispomos hoje.

A decisão de regulamentar o sistema de fretados inspira-se no bom senso. Da forma como vem crescendo, o sistema não resistiria aos erros e desvios, já visíveis e que apontam para os malefícios que causarão no futuro. Não agir transferiria o problema para as próximas administrações. Foi para evitar lamentáveis episódios, como as dificuldades para restringir as ações deletérias provocadas no passado por ônibus e peruas clandestinas, que a Prefeitura procurou se antecipar, estabelecendo regras para o transporte por fretados. Ou seja, são normas que objetivam o interesse da maioria dos usuários.

A administração não ignora que as novas disposições exigirão adaptações. Continuamos abertos ao diálogo. A regulamentação pode ser aperfeiçoada, reduzindo eventuais transtornos a usuários, a quem respeitamos e que não estão, em absoluto, sendo discriminados. Contudo, não é possível admitir que tenham tratamento privilegiado, com os fretados trafegando e estacionando em qualquer lugar, como em frente a locais de trabalho. Na democracia, a autoridade não pode admitir privilégios - ao contrário, tem de assegurar tratamento igualitário a todos os munícipes.

A adaptação é responsável. Estudamos os problemas, projetamos a dimensão que poderiam assumir no futuro e criamos alternativas. Para começar, já há onze novas linhas de ônibus, ligando regiões da cidade identificadas como os destinos mais procurados pelos usuários de fretados. Apesar dessas iniciativas, a nova regulamentação não pôde fugir a restrições a fretados como ônibus, microônibus e vans que, hoje, sem normas específicas, já têm parcela significativa de contribuição para agravar o trânsito da cidade. É preciso enfatizar que as medidas visam beneficiar 6,8 milhões de pessoas, enquanto a restrição parcial dos fretados alcança apenas 40 mil.

Esta maioria da população estava prejudicada com a desordem urbana causada por fretados que desrespeitavam pontos de embarque e desembarque, paravam em calçadas, em filas duplas, em todos os pontos de ônibus e estações de metrôs - enfim, causavam danos evidentes à fluidez do trânsito, impedindo que o transporte público pudesse ter a velocidade necessária, além de desconsiderar questões como combustível limpo, acessibilidade e impedir o aperfeiçoamento de suas condições de segurança.

Assim, foi necessário estabelecer as Zonas de Máxima Restrição à Circulação de Fretados (ZMRF), fixar regras para o uso de Áreas Livres, instituir horários para circulação e determinar Pontos de Embarque e Desembarque para veículos devidamente autorizados. Portanto, a regulamentação dos fretados, mais do que impor restrições, procura evitar que o trânsito paulistano se torne ainda mais insuportável. E esta normatização não pode ser vista isoladamente. Precisa ser interpretada como parte de um conjunto de medidas que objetiva disponibilizar uma variedade de meios de transporte urbano de qualidade para a imensa maioria da população. Os munícipes haverão de compreender que mais valem ações que a omissão.

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E você, o que achou?

abs,

Reconhecimento é o que ainda falta

A Parada do Orgulho Gay que acontece todos os anos em São Paulo, a maior do mundo, é o momento de maior visibilidade do segmento GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros). A Parada virou uma grande festa, um grande carnaval. Mas, não podemos esquecer o seu sentido verdadeiro: uma manifestação popular pelo reconhecimento, aceitação e direitos à igualdade, dignidade e liberdade, tal como assegura a Constituição Federal.

O manifesto não é apenas uma festa. A organização da Parada do Orgulho Gay tenta manter vivo o propósito do evento, organizando todos os anos um ciclo de palestras. Esses debates têm como objetivo apresentar à população o que pode ser e o que está sendo feito pela evolução dos direitos do segmento. No espaço de um ano que separa a última Parada dessa que ocorre no próximo domingo, inúmeras foram as conquistas obtidas no tocante ao reconhecimento de direitos. Mudanças ocorreram, mas ainda estão muito longe do ideal perseguido. É necessário um maior engajamento e uma participação mais efetiva da sociedade, como ocorre em Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado de São Paulo, onde o vereador José Luiz Ferreira Guimarães, o Zé Luiz, apresentou à Câmara Municipal um projeto de lei propondo a criação do "dia municipal contra a homofobia", em 17 de maio, com a obrigatoriedade de realização de atividades públicas a favor da livre orientação sexual.

O Judiciário vem contribuindo largamente para a evolução dos direitos. Teve um papel de grande relevância durante o último ano como o Poder que mais e melhor trabalhou para a concretização dos avanços. As vitórias recentes reconhecem o direito à pensão de companheiros, adoção de crianças por casais do mesmo sexo e até mesmo o registro de nascimento em nome de ambos os companheiros. Porém, a mais importante meta ainda não foi atingida: o reconhecimento, por lei, do direito de os homossexuais estabelecerem união estável, o que é fundamental para garantir o acesso a outros tantos direitos: o de participar da herança do companheiro falecido, o de partilhar bens ou pensão na separação do casal, entre outros já largamente exercidos pelos casais heterossexuais. Trata-s e de reconhecer a igualdade da forma de tratamento dos cidadãos, independentemente de sua orientação sexual.

O Legislativo tem trabalhado em prol da proteção do segmento com a elaboração de projetos de lei que visam à criminalização da homofobia e que permitiriam a adoção por casais homossexuais, a união estável, ou seja, a igualdade de uma forma ampla. Mas entraves surgem a todos os momentos, sendo o andamento dos projetos de lei estancado, muitas vezes, pelas atuantes bancadas religiosas.

É importante notar que existe lei que criminaliza o preconceito em função da religião. Mas, são esses, os protegidos da discriminação que obstam o tramitar de um projeto de lei, que insistem em discriminar os homossexuais. Uma das lutas no Congresso é exatamente a de aprovar lei que proíba a discriminação em relação à orientação sexual. A importância disso não merece detalhamento, já que todas as conseqüências são conhecidas e repetidas diariamente considerando-se que o Brasil é o campeão no ranking dos países onde ocorrem mais mortes em razão de orientação sexual. A cada dois dias um homossexual ou transexual é assassinado em nosso país, onde a tolerância é ignorada por uma parte expressiva da sociedade.

Inúmeros países já admitem a união civil e até o casamento entre parceiros do mesmo sexo, e também o direito à adoção de crianças. Tudo por leis e não por decisões do Poder Judiciário que, apesar de extremamente positivas em muitos casos, não têm força de lei.

No Brasil, o Judiciário manifesta seus conflitos internos diariamente. Alguns julgadores reconhecem a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Outros não. A discussão chegou a Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, em uma votação apertada, por três votos a dois, decidiu-se caso apresentado nos anos 80, a favor de casal homossexual. Sua demanda poderia, por fim, ser apreciada em Varas de Família, onde se analisam, como o próprio nome diz, questões que envolvem famílias, crianças e tudo o mais que seja ou tenha sido regido, em algum momento, pelas relações de afeto. Isso porque há pouco se discutia tais demandas em Varas Cíveis, que tratam de relações comerciais, cíveis, patrimoniais, tratando as relações homoafetivas como sociedades comerciais e não como relação de amor.

Lentamente, a mentalidade da população vai se transformando de forma positiva. Os interesses e necessidades dos homossexuais crescem e o reconhecimento de seus direitos também. Para isso, o segmento busca socorro no Poder Judiciário, que fica obrigado a pronunciar-se favoravelmente às causas, diante de tantas demandas no mesmo sentido. O posicionamento do Judiciário pressiona, mesmo que indiretamente, o Legislativo, acarretando no surgimento de projetos de lei. Consequentemente, assim, podem surgir as normas que tanto se espera. Mas o Brasil titubeia. A população titubeia e o Judiciário ainda o faz. Enquanto nossos julgadores conflitam sobre a concessão de direitos elementares, os pleitos já são outros, de maior complexidade, de um patamar mais elevado.

Agora nós resta saber o que toda a população que em si com tantos assuntos pendentes a resolver, tem a responder sobre o homossexualismo.

abs,

1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Antigamente quem tinha acesso aos melhores álbuns era considerado um cult nato, um profundo conhecer musical, já que comprar longplays - também conhecidos com o LP - era algo que somente amantes musicais faziam. Até então temos varias opções de leituras sobre como esses álbuns mudaram a face do planeta, pensamentos de grandes potencias, e vida de um simples e ordinário individuo. Musica deixou de ser - desde seu primeiro momento - algo apenas criado para passar o tempo, mostra legitimidade, fala de você, da musica, do artista, do compositor, do mundo, do universo, das coisas que tudo foi, tudo é e tudo quer ser.

Seja de clássica à black music o importante é ter sempre em pensamento quais as músicas que fazem parte da sua vida. Neste caso, qual álbum mudou sua vida completamente. Deixando de lado a parte filosófica e charmosa do assunto, o livro cita de uma maneira rápida e toda ilustrada toda a historia musical do planeta, diga-se de passagem que faltou muito coisa, e muitas outras poderiam não existir na lista. Mas os fatos curiosos são: O livro foi feito por noventa pessoas, entre editores musicais e artistas. Começou como um projeto de Robert Dimery, e quem assina o prefácio, e nada mais nada menos que o renomado Michael Lyndon - Editor e Co-Fundador da revista Rolling Stone. Então, já sabemos o que esperar do livro.

Dentro das suas 960 páginas, 1001 álbuns são discriminados por década desde a década de 1950 até 2005. Retratado na abertura de cada seção é uma peça de equipamento áudio que caracteriza o próprio tempo na qual fez sucesso: um quadro de rádio para a década de 1950, um Garrard giratória para os 60's, Bang e Olufsen um sistema para a década de 70 e assim por diante. O que eu achei bastante perturbador foi a seleção para os 80's: um plástico barato boom box. Talvez um possível prelúdio de que nosso hobbie começara a caminhar para seu cruel destino, abrindo espaço para o mundo digital.

Os álbuns mais notáveis ganharam uma página inteira de descrição e sua importância na época e ganharam uma foto do artista na página oposta. E dentre essas páginas estão as "mini opiniões", dois por página falando de alguns álbuns não tão vendáveis, mas importantes quanto à todos, talvez por uma música ou um tema de capa. Começamos por 1950, uma sessão menor do que as outras. Sem surpresas alguma já que, está em consenso comum, tudo começou no Jazz com a ótimas descrições do álbum de Billie Holiday's Lady em Satin e Miles Davis "Kind of Blue. Eu mesmo já possuía uma Lady In Satin, mas por causa do livro fiquei com vontade de conferir o álbum de Marty Robbins', o Gun Fighter balads and Trail Songs. Logo passamos para a década de 60, que foram divididos entre Folk, Rock, R & B e com o ocasionais Country listados: o título do Loretta Lynn's 1967 primeiro release da carreira, Don 't Come Home A beber' (With Lovin 'on Your Mind) é fantástico, indicado para você que gosta de música ou não. A década de 1970 mostra a evolução da música popular, com a mudança Punk e New Wave. The Clash e Blondie estão incluídas aqui, e mais do que justo devo dizer. O que me surpreendeu foi a inclusão do álbum de estréia da banda Cars, acredito que poderiam ter selecionado o álbum Candy O, ao inves.

Década de 1980 a frente encontrará uma vasta lista de grandes nomes, e partindo dai já a decadencia do longplay, mas confesso que o livro perdeu-me de 1990 a 2005: Só pelo fato de destacarem muitos álbuns de RAP, considero claro uma revolução, mas ele evolui ao black comercial, e será que isto é musica boa e necessária para ouvir antes de morrer?

O curioso do livro é abrir debates calorosos entre amantes de músicas, como por exemplo: Kiss "1976 LP Destroyer foi listado. Em minha opinião passa longe de dizer o que é, e o que foi a banda. Uma melhor escolha teria sido Alive!. Lançado em 1975, ou o mais tarde Alive II a partir de 1977. O único álbum solo Eric Clapton listados em todo o livro é 461 Ocean Boulevard. Acredito que deixaram passar outros álbuns também mais interessantes, mas feito a 90 mãos, podemos aguardar que cada um teve sua motivação pessoal posta a prova também.

O livro em si é próprio que todo amante de música deve ter, não precisa ouvir os 1001 álbuns. Acredito que o fator mais importante é sugerir à determinar que todo conteúdo do livro seja obrigatório. Muitos já criticaram, outros elogiaram. Se por um lado chega a ser um livro polêmico por outro me anima em ver que a nova geração iPod anda procurando as “velharias clássicas’ que influenciam até hoje sempre uma nova geração.

Meu exemplar permanecerá na minha mesa de centro, e as páginas serão marcadas com Post Its não só para mim, mas também para todos que me visitam. Até por que sempre será uma boa dica para abrir uma conversa com amigos ou até mesmo uma idéia boa para comprar meu próximo álbum. Seja como for, um livro eu indico a todos os amantes da boa música.

Abs,

E assim foi a 81ª edição do Oscar 2009

No começo aguardei sempre as alfinetadas pelo Red Carpet, e até então tudo bem. Ryan Seacrest, que um dia foi mas simples, apresentou bem pela E Enterneiment Televison a chegada das novas estrelas do mundo cinematográfico. Deixamos de lado que ele deu uma alfinetada na ótima atriz Marisa Tomei dizendo que fazia tempo que ela não passava por ali, e também quase ignoramos o fato de que ele foi bem rude com as crianças de Slum Dog Millionaire, se recusando a dizer o nomes deles todos por serem indianos. No total falaram apenas "bem" das celebridades. Jéssica Biel que levou um vestido que chamou atenção mais que ela própria e Beyonce que, eu juro, estava vestida de própria estatueta ganhou um positivo dos apresentadores conhecidos como “os sem perdão da moda”.

Após o Red Carpet corri para ver pela TNT com o maçante Rubens Ewald Filho, tecla SAP on, all time e problema resolvido. Começo a assistir o restinho do Red Carpet, desta vez da própria academia, com apresentadores simpáticos. Não tivemos surpresas, as apresentações foram devidas e terminaram no prazo. Oba! Começou!

Vimos pela primeira vez o Kodak Theatre "simples" e até então não sabíamos o que esperar, eis que entra o apresentador Hugh Jackman, nosso adorável Wolverine, já contando o porquê estavam tão simplistas. Crise Financeira Global – Tema do evento: Crise e Esperança. Enfim, aceitamos e ele continuo sua apresentação dizendo que mesmo assim faria um opening digno de Oscars. E lá vai ele feliz da vida começar a apresentação. Com letra bem escritas e não muito diferente de outros anos, Hugh fez uma bela apresentação e em certo momento chamando Anne Hathaway para ajudá-lo, ficaram bem juntos - Dica para os diretores e roteiristas, eles são bons juntos - e foram perfeitos. Junto com placas e boards feitos a mão, a abertura foi bem planejada - pelo orçamento limitado - e foi uma agradável surpresa para algo que seria maçante.



Direto ao assunto. Sem enrolação alguma já começaram as apresentações dos prêmios, ótima surpresa ao novo método de apresentação das categorias de atores e atrizes, na qual cinco já premiados escolhia um dos cinco indicados para falar algo a respeito e logo após descobríamos quem era o ganhador. Legal a idéia, espero que continuem. Nas outras apresentações, nada de novo. Cenários criados para dar ênfase ao que era criado, o apresentador citando e explicando a importância e claro as famosas apresentações de clipes dos filmes.

Do mais o que nos chamou atenção foi Tina Fey que apresentou os prêmios de melhor roteiro e roteiro adaptado, junto com Steve Martin que na minha opinião ficou acinzentado ao lado da nova queridinha das televisões americanas. A apresentação dos dois foi bacana e bem marcante, eles apresentação o prêmio de melhor roteiro e melhor roteiro adaptado. Tina leu o roteiro como fora escrito, assim como Steve, muito inteligente, simples e certeiro no modo de dizer o que é este prêmio. Outra entrega bacana foi com Ben Stiller que imitou a nova fase de Joaquim Phoenix, com uma barba enorme, e claro, teve o ótimo suporte da Natalie Portman que mostrou ter aptidões para comédia.

Por falta de indicações musicais, apenas Slum Dog Millionaire e Wall E estavam competindo, não precisamos ver as apresentações individuais das longas e sonolentas músicas como nos últimos anos. Foi um mashup bem rápido e praticamente indolor. Quando as músicas foram apresentadas os dois indicados, John Legend por Wall-E e A.R. Rahman por Slum Dog Millionaire, fizeram jus. E foi um momento bonito e bem interessante ver Hollywood e Bollywood juntos.



Entradas e saídas, este definitivamente foi o Oscar do timming perfeito. Jackman até adiantou logo no começo chamando os primeiros vídeos dos telões adiantados, e as cortinas demoraram um pouco a abrir. (Alias comentários à parte, os telões eram sim de alta tecnologia, pela autonomia de e ir a todo o momento).

O momento auge foi quando Hugh, deixando transparecer a felicidade, gritou a todos: "Os Musicais estão de volta". Citando isto logo após uma ótima apresentação, mas devo dizer rápida até demais, de um mashup com vários musicais premiados e conhecidos de vários anos. Beyonce acompanhou o host, mas achei um pouco demais chamar o casal High Scholl Musical, Vanessa Hudgens e Zac Afron, para dar suporte à música, assim como o casal de Mamma Mia (Dominic Cooper e Amanda Seyfried) que mal lembramos o nome. Falta de conteúdo ou somente eu achei desnecessário? Não sei, mas além dessas citações, o Oscar praticamente falou de todos os filmes que estavam em cartas em 2008, mesmo que a citação fosse rápida ali estava. O que mostra que a qualidade pode sim cair nos próximos anos.



Nos agradecimentos, os que chamaram mais atenção foram Kate Wislet, bem nervosa mas totalmente grata por finalmente levar a estatueta, e Sean Penn que chamou as atenções para aprovação de lei para o casamento homossexual em todos os Estados Unidos da América.

Claro, Steven Spielberg encerrou bem a noite chamando o filme vencedor, Slum Dog Milionare. Um ponto curioso é que Obama foi citado diretamente apenas uma vez por Sean Penn na cerimônia.

No geral a cerimônia mostrou-se mais modesta a fim de entender e atingir o novo publico deles. Foi-se o tempo da cafonice, e com seus 81 anos poderemos ver um Oscar tentando lutar pela vida financeira – Já que perderam muitos anunciantes e viewers com os anos - , e reencontrar sua identidade pedindo pela ajuda dos mais novos de hollywood. Mas sejamos honestos, nós até que gostávamos um pouco da cafonice, não?

Abs,

Blogueiro ou Jornalista?

Agora não da mais para ignorar, leiam os posts a seguir:

“quando você confunde a liberdade permitida pela tecnologia com o simples abandono dos critérios tradicionais, o blog se reduz a um filho bastardo do jornalismo.

O que é o jornalismo senão uma narrativa? Se você tem uma boa história para contar, se sabe contá-la e, melhor ainda, se ao ler a história a pessoa faz ligações entre o fato e o mundo à sua volta, está selado o pacto com o leitor.

Este pacto não dura se for baseado em ataques de narcisismo pueril, com histórias de gatinhos de estimação e o umbiguismo geral que é tão contagioso neste meio. O umbiguismo é de mão dupla e eu não o alimento quando me correspondo com leitores do site.”


Trecho retirado do ótimo post da Sam Shiraishi - Umbiguismo de mão dupla

E para o entendimento da Velha Guarda literária, deixo uma dica de leitura logo a seguira, pela minha Luz, Luma - Blogar é aceitar pé na bunda?

Buemba! Buemba! O que sou afinal?

Meu primeiro dia de aula!

Nesta semana e na próxima, muitas crianças pequenas irão iniciar uma nova fase de vida e enfrentar uma grande aventura: ir à escola. As escolas de educação infantil em geral tratam esse período com muita atenção porque sabem que é um momento delicado para toda família. Levar os filhos à escola pela primeira vez, quando ainda são bem pequenos, não é tarefa das mais fáceis. Nem para os pais, nem para os filhos.

Normalmente, os pais ficam aflitos e surgem preocupações como: Será que a educadora vai entender o que significa aquele choro? Será que a criança sentirá a falta da mãe ao lado? Como será o comportamento do pequeno com os novos amiguinhos? "O segredo é fazer com que a criança explore bem o ambiente da escola para que comece a se acostumar com as novidades", explica Renata Podalka, coordenadora do Ensino Infantil do Colégio Santa Amália - Maple Bear.

Nesse período de adaptação, as crianças do Colégio Santa Amália - Maple Bear não ficam apenas na sala de aula: brincam na horta, no parque, na areia, ao ar livre. Música também é bastante utilizada para acalmar os pequenos. "A quantidade de horas que passam na escola na primeira semana aumenta gradativamente. Geralmente, são duas horas no primeiro dia e, no último, o período completo."

Crianças mais desenvoltas passam por esse período com mais facilidade. "As professoras começam a detectar as necessidades das crianças e as atendem. E os pequenos começam a se sentir mais seguros. Quem precisa de mais colo, tem mais colo, quem precisa descansar, descansa". Renata explica que, em um primeiro momento, as crianças pequenas costumam se apegar a um professor, depois passam a curtir essa nova fase e querem ficar mais tempo entre os novos amigos.

Para que as mães e pais fiquem mais tranquilos e consigam passar esse sentimento aos filhos, Renata dá algumas dicas: faça ao menos uma reunião inicial de apresentação e pergunte aos coordenadores e diretores tudo o que quer saber sobre a instituição, instalações, professores, etc. "Não fique com dúvidas". Renata explica que, ao ver a mãe insegura, a criança, que muitas vezes não está preocupada, fica insegura também.

No período de adaptação, que dura cerca de uma semana, procure seguir rigorosamente as instruções da escola. Renata ainda lembra: as crianças choram nesses dias porque enfrentam um mundo desconhecido. Mas, aos poucos, entram na nova rotina e se despedem dos pais na porta da sala com tranqüilidade.

Para Renata, a frase a ser cortada do vocabulário das mães é: "Não chora que a mamãe vai voltar" Assim que a criança ouve "chora" ela o faz e até acalmá-la novamente, pode levar um tempo. Ao final deste período, o que se vê são as mães chorando porque os filhos se despedem, entram na sala e dizem: "Pode ir mamãe, tchau!"

Agradeço à S/A Comunicação e a Carol Knoploch pela entrevista aqui citada. Renata Podalka e ao Colégio Santa Amália - Maple Bear.

Gostaria de aproveitar o assunto e colocar aqui uma imagem que gosto bastante -

Scuola di Atene de Raffaello Sanzio (1509)

abs,

O Cinema de Helmut Käutner

Cineasta, ator, e roteirista, Helmut Käutner (1908-1980) foi um dos mais aclamados diretores alemães de sua geração. Tendo estudado Arquitetura, Filosofia, Teatro, História da Arte e Design, começou primeiramente a trabalhar no Teatro como ator e diretor e iniciou sua carreira no cinema como roteirista. Fez 36 filmes para o cinema. A mostra, uma parceria entre o CCBB Rio e o Instituto Goethe do Rio de Janeiro, exibe um terço da obra completa do diretor e preenche uma lacuna ao exibir um cineasta muito pouco ou quase nunca visto no Brasil. A programação inclui seus filmes mais relevantes, incluindo suas três reconhecidas obras-primas "Romance em Bemol" (1943), "Grande liberdade nº7" (1944) e "Debaixo das Pontes" (1945). E outras raridades como "Céu sem estrelas"(1955) e "A última ponte" (1954), filme que levou o Prêmio Internacional de Juri no Festival de Cannes.

Os filmes

Até Logo, Franziska! (Auf Wiedersehen, Franziska ! Alemanha, 1941) p&b / 35mm / 91 min. Amor à primeira vista – entre Franziska, filha de um professor universitário, e o dinâmico repórter, Michael. A estória se desenrola entre 1932 e a Segunda Guerra Mundial. O amor dos dois está recheado de despedidas. A agência para a qual o repórter trabalha manda-o cobrir diversos assuntos em vários lugares do mundo: acidentes, catástrofes naturais, guerras. Franziska fica para trás, numa bela cidadezinha, primeiro sozinha, depois sozinha com seus dois filhos. Aos poucos, ela vai perdendo a esperança e tornando-se melancólica, sem conseguir, porém, se desligar do grande amor da sua vida. Um melodrama entremeado por alguns momentos alegres, com a brilhante e convincente interpretação de Marianne Hoppe e Hans Söhnker. Dias 27 de janeiro e 06 de fevereiro.

Romance em Bemol (Romanze in Moll, Alemanha, 1943), p&b / 35mm / 100 min. Baseado em um conto de Guy de Maupassant, o filme se passa em Paris na virada do século 19 e conta o melodrama de uma mulher, Madeleine, que se deixa seduzir a viver uma aventura amorosa, apesar de ser casada. Ela não resiste ao charme de um jovem compositor, que se deixa inspirar por ela para compor a melodia "Romance em Bemol". Ela esconde essa relação de seu marido. Um colar de pérolas, que lhe foi presenteado pelo compositor, transforma-se em indício dessa vida dupla. Além disso, Madeleine torna-se presa fácil de uma chantagem. Helmut Käutner encena um teatro de câmara psicológico com a história de uma mulher que sucumbe às convenções sociais de sua época, com a maravilhosa Marianne Hoppe no papel principal. Dias 27 de janeiro e 06 de fevereiro.

Grande Liberdade Nº 7 (Grosse Freiheit Nr. 7, Alemanha, 1944) 35mm, cor, 112 min. Hamburgo, filmada de forma poética e realista (1943/44, em cores). O antigo marinheiro, Hannes, trabalha como animador em um estabelecimento que pertence a sua amante, Anita. Três amigos seus, cujo navio está ancorado no porto, querem levá-lo de volta para o mar. A seu irmão moribundo Hannes tem que prometer que irá cuidar da moça Gisa, a qual um dia ele abandonou. Hannes leva Gisa para sua casa, se apaixona um pouco por ela, mas acaba voltando com seus amigos para o mar. O papel ideal para o popular ator Hans Albers. Suas canções, entre elas "La Paloma" e "Beim ersten Mal da tut's noch weh" (Da primeira vez ainda dói), continuaram a ser ouvidas, mesmo depois que o filme parou de passar. Dias 28 de janeiro e 08 de fevereiro.

Debaixo das Pontes (Unter den Brücken, Alemanha, 1945) 35mm, p&b, 100 min. O cenário do filme é um velho barco. Ele se chama "Liese-Lotte" e pertence a dois amigos, Hendrik e Willy. Eles viajam de barco, despreocupadamente, pelos rios, visitam ocasionalmente uma moça em terra, aproveitam sua vida sem estorvos. Até conhecerem Anna. Levam a bonita moça a bordo para Berlim - e ambos se apaixonam por ela. Fazem um acordo entre amigos: se um conquistar Anna, o outro fica com o barco. A história é contada como uma sinfonia cinematográfica, rica em atmosferas (lírica a alegre), e entremeada de belas paisagens. Dias 28 de janeiro e 07 de fevereiro.

Naqueles Dias (In jenen Tagen, Alemanha, 1947) 35mm, p/b, 111 min. Uma das primeiras produções do pós-guerra, um filme rodado na Alemanha destruída de 1947. Helmut Käutner e seu co-autor Ernst Schnabel tiveram a bela idéia de contar a história de um automóvel: partindo do primeiro emplacamento em 1933 até o sucateamento em 1947. Com isso contam história contemporânea. Nos episódios aparecem os destinos dos sete proprietários do automóvel, entre eles um compositor cuja música é dita degenerada; um casal judeu; um soldado desertor; uma senhora idosa, que foge dos nazistas. Com franqueza, o filme olha para aquilo que aconteceu sob o regime de Hitler. Traça um caleidoscópio da Alemanha, que espelha o clima social e humano "daqueles dias" de forma impressionante. Dias 29 de janeiro e 08 de fevereiro.

A Última Ponte (Die letzte Brücke, Áustria, Iugoslávia, 1954) 35mm, p/b, 105 min. O drama de uma jovem médica alemã, Helga, que durante a Segunda Guerra Mundial trabalha em um hospital militar nos Balcãs. Certo dia, ela é raptada por guerrilheiros iugoslavos. Num primeiromomento, ela tenta fugir. Depois, percebe que não lhes pode recusar a ajuda médica. Mais tarde, um surto de tifo acomete o campo dos guerrilheiros. Helga retira, furtivamente, do hospital militar alemão os remédios necessários. A ponte, que divide os campos inimigos, torna-se um símbolo comovente da insensatez da guerra. Maria Schell, atriz que ficou conhecida principalmente pelos seus papéis dramáticos, explora, de modo sensível, o conflito da médica "entre as fronteiras". Dias 29 de janeiro e 01º e 08 de fevereiro.

Céu Sem Estrelas (Himmel ohne Sterne, Alemanha, 1955) 35mm, p/b, 108 min. A Alemanha do pós-guerra: um país dividido. Uma estação ferroviária abandonada, uma terra de ninguém entre o Leste e o Oeste (o muro ainda não havia sido construído). Ela serve como ponto de encontro para duas pessoas: o funcionário de fronteira da Alemanha Ocidental, Carl e a operária da Alemanha Oriental, Ana. Os dois conheceram-se, apaixonaram-se e agora preparam um futuro para ambos e para o pequeno filho de Ana do lado ocidental. Helmut Käutner foi um dos primeiros a falar de um drama alemão-alemão: a impossibilidade de um amor para além das fronteiras na época da Guerra Fria. Seu filme tornou-se uma acusação impressionante contra essa fronteira que foi traçada pelo meio da Alemanha. Dias 30 de janeiro e 03 de fevereiro.

Ludwig II - Brilho e Miséria de um Rei (Glanz und Elend eines Königs, Alemanha, 1955) 35mm, cor, 114 min. O retrato romântico e cheio de brilho do "rei dos contos de fada" bávaro, Luís II (1845 - 1886). Já cedo ele se distancia da política e se volta para as artes. O filme desenrola-se entre sua coroação e sua morte misteriosa no Lago de Starnberg, descreve sua amizade por Richard Wagner, ocupa-se de seu amor platônico por Elisabeth (Sissi), a futura Imperatriz da Áustria, e narra sua paixão pela construção de castelos suntuosos. Helmut Käutner traça-o como um soberano solitário que vai enlouquecendo aos poucos. Em O.W. Fischer, o popular ator, ele achou um congenial representante do rei bávaro. Dias 30 de janeiro e 03 de fevereiro.

O Capitão de Köpenick (Der Hauptmann Von Köpenick, Alemanha, 1956) 35mm, cor, 93 min. Wilhelm Voigt possui um impressionante cadastro de antecedentes criminais. Na prisão, aprende o ofício de sapateiro e lê livros sobre o regimento militar, principalmente o que se refere a uniformes. Em liberdade, sem documentos e sem emprego, ele compra um uniforme de capitão de um vendedor ambulante e ocupa com alguns cabos a prefeitura da cidadezinha de Köpenick. E porque ali não podem ser emitidos os tão desejados documentos, leva o cofre da prefeitura e desaparece. A história dessa aventura em Köpenick é autêntica, aconteceu em 1906. Carl Zuckmayer escreveu uma peça de teatro, que foi transformada em filme por Helmut Käutner, com o popular ator Heinz Rühmann. Transformou-se, também internacionalmente, em um dos filmes de entretenimento de maior sucesso dos anos 50. Dias 30 de janeiro e 04 de fevereiro.

Noivado em Zurique (Die Zürcher Verlobung, Alemanha, 1956/57) 35mm, cor, 106 min. Uma comédia sobre o amor e o cinema. Juliane (Liselotte Pulver) é uma jovem escritora, que acabou de romper seu noivado. Ela escreve um roteiro cinematográfico sobre suas desafortunadas experiências com o amor. A história, cujo final feliz se desenrola em Zurique, desperta o interesse de uma produtora de cinema. O encarregado da direção do filme é Paul, o qual Juliane conheceu no consultório odontológico de seu tio. Outro personagem da estória é o amigo de Paul, Jean, pelo qual Juliane se interessa. Paul, o diretor, faz um filme dentro do filme, sobre a vida de Juliane, sem que esta perceba. O intrincado jogo do amor confunde o espectador, ao mesmo tempo que ironiza o cinema alemão dos anos 50. Dias 01 e 05 de fevereiro.

O General do Diabo (Des Teufels General, Alemanha, 1955) 35mm, p/b, 120 min. O filme de Helmut Käutner é baseado no drama de Carl Zuckmayer, o qual se inspirou na vida real de um pioneiro da aviação, o piloto Ernst Udet, para criar seu protagonista, o general da Força Aérea Harras. O general Harras é apresentado no filme como um oficial obstinado e ciente de seu poder, vaidoso, irreverente até a leviandade, e um conquistador de mulheres (brilhantemente interpretado por Curd Jürgens). Durante a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em 1941, após passar por determinadas experiências, ele distancia-se do regime de Hitler, sendo, por isso, encarcerado. Depois de solto, é obrigado a esclarecer os atos de sabotagem que provocaram a queda de aviões de guerra. Ao invés de denunciar o responsável, ele pilota o avião sabotado, causando, assim, sua própria morte. Dias 31 de janeiro e 04 de fevereiro.

A Ruiva (Die Rote) Alemanha/Itália, 1962. 35mm, p/b, 94 min. Baseado em um romance de Alfred Andersch, Helmut Käutner conta a história de uma jovem mulher, Franziska (Ruth Leuwerik), que não agüenta mais sua vida pequeno-burguesa na Alemanha, seu casamento paralisado pela rotina, e um caso amoroso sem nenhum sentido. Ela vai para Veneza e lá conhece novas pessoas, mas essas relações não são diferentes das outras. Entre os novos conhecidos, está um antigo oficial britânico e espião, que a usa para se vingar de um nazista. Franziska foge mais uma vez. O filme conta a estória de uma fuga do tédio mundano, analisa um momento de marasmo da sociedade e traça, como Michelangelo Antonioni o fez na Itália, estados de alma melancólicos. Dias 01 e 05 de fevereiro.

Serviço:

Mostra de filmes O Cinema de Helmut Käutner
26 de janeiro a 08 de fevereiro
Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (102 lugares + 1 local para
cadeirante)
Entrada Franca (Senhas distribuídas uma hora antes de cada sessão)
Realização: CCBB e Instituto Goethe do rio de Janeiro
Apoio: Biblioteca do Instituto Goethe

CCBB Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 – Térreo
Centro
Rio de Janeiro RJ

Agradeço ao Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil. CCBB Rio de Janeiro, CCBB Rio Imprensa, Biblioteca do Instituto Goethe do Rio de Janeiro. Por todas às informações aqui contida neste blog.

Abs, boa semana a todos

Existe Saída?

Ninguém mais tem idéia do tempo que se briga pela Terra Santa. Reivindicada por palestinos, em sua maioria muçulmanos, judeus e cristãos ao longo do tempo. Sua história já pode ser considerada uma epopéia eterna que, com certeza, pode ainda durar muito tempo. Se continuar desta forma, pode-se prever que nunca haverá ganhadores.

Mesmo que um dos contendores, palestinos ou judeus, seja vencido em batalha e colocado de joelhos, pode-se esperar pela reação após algum tempo. Parece que por lá todos são Fênix e ressuscitam a cada parcela de tempo.

Neste momento a parte mais fraca é a dos palestinos, e a forte a dos judeus, esses sempre protegidos e ajudados pelo império americano.

Somente os palestinos não percebem essa divisão de forças e quem, no momento, é mais forte política e militarmente. Percebido isso, poder-se-ia mudar a tática e seu modus operandi.

Qual seria, no momento, a grande solução para os palestinos? Sem dúvida, a da educação. Tivessem iniciado uma ação inteligente em 1948 e, hoje, as coisas seriam diferentes. Mas, uma vez que isso não foi realizado, e os recursos foram desperdiçados em ações inúteis, pode-se começar agora uma nova ação.

Aliada à batalha da educação, os palestinos deveriam desistir, temporariamente, de ter seu próprio país. Com certeza, qualquer pedaço de terra que se lhes dê, nela não estará inclusa Jerusalém, pivô da grande batalha e do desejo declarado. Aliás, de ambas as partes. Se Jerusalém fosse declarada território internacional, administrado pela ONU, e não pertencesse a judeus ou palestinos, o problema seria menor, sem dúvida.

Porém, como isto não é provável e ninguém em sã consciência se meteria em tal empreitada inglória, podemos esperar pela continuação das ações bélicas, pouco inteligentes e sem qualquer chance para os palestinos.

Qual é então a chance dos palestinos, se desistirem de um país? Todas, e maiores que as de hoje, se agirem com inteligência.

O segundo ato inteligente - o primeiro é começar a cuidar da educação, conforme já mencionado - é os palestinos, pura e simplesmente, cessarem qualquer ato bélico e aceitarem a supremacia dos judeus (escoltados pelos norte-americanos) sobre Jerusalém e a Palestina. Devem conviver lá como simples habitantes.

O terceiro ato inteligente é a criação de um partido político, de modo a disputar eleições em Israel. Com um partido político pode-se ir crescendo e ganhando força e, com o tempo, provocar uma alternância no poder, ora os judeus, ora os palestinos.

Com o tempo, e com algumas vezes no poder, pode-se ir mudando o necessário para criar as condições dignas de boa convivência e que permita aos palestinos se desenvolverem. Sem conflitos, as energias, e em especial os recursos, serão canalizados para ações úteis.

Paulatinamente notar-se-á que a melhor forma de se ter a Palestina para os palestinos é a convivência. E não importa que nome tenha a terra, Palestina ou Israel, conquanto se viva nela e nela se criem seus filhos, estudem e plantem, etc. Um nome é apenas um nome, e não necessariamente precisa significar alguma coisa.

E qual o efeito colateral desse desenvolvimento dos palestinos? Sem dúvida, ao longo do tempo, a predominância, já que os palestinos, mais pobres, aumentarão sua população bem mais rapidamente dos que os judeus, o que é natural entre países pobres. A natalidade entre os países mais desenvolvidos é sempre menor, e a história está aí para provar isso.

Assim, no futuro, a terra poderá ser, em realidade, dos palestinos, podendo ficar os judeus como uma população residual, bem menor, e com menos poder eleitoral.

Com o domínio político quem impedirá os palestinos de fazerem o que querem em sua nova terra, e mesmo executar uma mudança de nome?

Assim, palestinos, corramos atrás dos verdadeiros interesses, pois explodir tudo e morrer não serve à causa, mas apenas a Israel e aos judeus, que vêem os recursos e as vidas inimigas gastas inutilmente, o que para eles é perfeito.

Portanto, atrás da verdadeira batalha, a manutenção do povo vivo. E voltando a nascer palestinos, já que hoje eles são apenas descendentes, pois a Palestina não existe. Não se pode nascer naquilo que não existe, assim, são apenas israelenses, jordanianos, etc.

Nosso show na realidade

A epidemia do século 21 já tem nome: "Síndrome de Truman". O nome pertence a filme de 1998, "The Truman Show/ O Show de Truman", com Jim Carrey no papel principal. Não lembram? Eu lembro: o personagem de Carrey era um simpático vendedor de seguros que, gradualmente, descobre a fraude existencial que o envolve. A sua vida, desde o berço, é apenas um gigantesco "reality show", filmado por câmeras ocultas 24 horas por dia. E todas as pessoas que o rodeiam --mulher, família, vizinhos, amigos e inimigos-- são meros actores contratados para representarem seus papéis.

O filme termina em registro heróico, com Carrey a libertar-se do pesadelo, ou seja, abandonando o estúdio onde viveu encerrado (e filmado) durante décadas.

Acontece que o pesadelo já emigrou para a realidade. Leio agora na imprensa do dia que cresce assustadoramente o número de pessoas que acredita genuinamente que a vida não lhes pertence. Pertence a um produtor televisivo que montou uma gigantesca ilusão em volta. Como no filme de Jim Carrey, esta gente-se sente-se vigiada por câmeras imaginárias e olha para as respectivas vidas como se apenas estivessem a cumprir um roteiro pré-escrito.

Não confiam na família. Não confiam nos amigos. Não confiam em ninguém. E há mesmo casos de tentativas de suicídio por criaturas transtornadas que não aguentam "continuar" no "show". Uma das histórias mais pungentes pertence a um anónimo norte-americano que, cansado de "representar", entrou num edifício do governo federal e implorou, de joelhos, para que desligassem as câmeras e terminassem com o programa. Ele queria, simplesmente, sair.

E os médicos? Os médicos têm uma palavra importante, a começar pelos psiquiatras. Mas, como os próprios admitem, o caso não é simples de resolver. Desde logo porque eles próprios são vistos pelos pacientes como parte do engodo. Os médicos não são médicos. São atores, vestidos de bata branca, que tentam convencer o doente de que ele está doente.

Não pretendo levantar polémicas inúteis. Mas, confrontado com a epidemia, eu próprio duvido da doença dos doentes. E pergunto, inteiramente a sério, se eles não serão as únicas pessoas lúcidas no meio da loucura reinante.

Um pouco de história talvez ajude: durante séculos, a posição que ocupávamos em sociedade era determinada pelo berço em que nascíamos. Nascer no berço errado, em circunstâncias de pobreza material e cultural, era meio caminho andado para uma vida igualmente pobre e lúgubre. Existem todas as exceções do mundo, claro. Mas as exceções apenas servem para comprovar a tese: a nossa posição em sociedade era uma questão de sorte, não de mérito.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, e o enterro do Velho Mundo que o conflito arrastou consigo, tudo mudou. O berço continuou a ter palavra importante. Mas não mais decisiva. O mérito passou a determinar o nosso lugar em sociedade. Em teoria, e sobretudo na prática, seria possível, ao filho de um pobre, entrar nos salões de um rico. Bastava, para isso, que o pobre ganhasse o dinheiro necessário para os comprar. As nossas sociedades são a prova provada de que a meritocracia vingou e que o "self-made men" derrotou grande parte dos preconceitos de classe.

E hoje? Hoje, como escreve Toby Young em recente ensaio para a revista "Prospect", a era meritocrática foi enterrada. Depois do berço e do mérito, chegámos à era da celebridade. Podemos nascer no berço certo; podemos até subir a corda social com os nossos próprios pulsos, provando o nosso valor intrínseco; mas se não somos "famosos", ou seja, se não alimentamos o voyeurismo coletivo em que vivemos, não somos rigorosamente nada. Vivemos em sociedades mediatizadas e massificadas. E numa sociedade mediatizada e massificada, é o anonimato, e não a pobreza ou a incompetência, que pesa profundamente sobre a espécie.

Não é de admirar, por isso, que uma parte crescente de seres humanos se sinta cansada do circo instalado; se sinta cansada, enfim, de um mundo de celebridades ocas que, na verdade, parece um "reality show" permanente. Eles imploram para sair do espetáculo na impossibilidade de o derrotarem.

Loucos? Não sou médico. Sou apenas um blogueiro disfarçado de médico. Mas desconfio que existe mais sanidade na loucura dessa gente do que em todos os "reality shows" que rodeiam as nossas vidas.

Synecdoche, New York e Kaufman

Os roteiros de Charlie Kaufman provocam um curto-circuito no conceito de autor no cinema, normalmente mais ligado à figura do diretor. Suas obras apresentam elementos temáticos e visuais que as unem, tornando Kaufman uma espécie rara em seu meio, o roteirista-autor. Essa é a tese central de Cecilia Sayad no livro "O Jogo da Reinvenção - Charlie Kaufman e o Lugar do Autor no Cinema", ensaio curtinho e muito bem escrito, recém-lançado pela editora Alameda.

Em 62 páginas, Cecilia faz um necessário preâmbulo sobre o conceito de autor no cinema e depois identifica esses pontos comuns dos roteiros de Kaufman, presentes nos longas dirigidos por Spike Jonze ("Quero Ser John Malkovich", 99; "Adaptação", 02), Michel Gondry ("A Natureza Humana", 01; "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", 04) e George Clooney ("Confissões de uma Mente Perigosa", 02).

Na temática, são três os motes principais, as "obsessões" de Kaufman: o corpo como prisão ou fardo, o fascínio pela natureza (a essência perdida) e o desejo de ser aceito socialmente. Na estrutura, os filmes também se assemelham, com narrativas não-lineares, que quase sempre recorrem a flashbacks e amarram várias tramas e personagens.

E há também o que a autora define como o "diferencial" do roteirista: "A elaboração visual dos filmes também evoca o universo de Kaufman". As tramas do escritor pedem a ilustração de metáforas e alegorias de maneira literal, o que resulta em longas de caráter "algumas vezes fabulesco, outras absurdo (quando não fantástico)". Cecilia enumera bons exemplos de como essa opção pelo fantástico se espalha pela obra do roteirista, como na passagem abaixo:

"O desdobramento de Nicolas Cage como Charlie e Donald em 'Adaptação' encontra eco no de Jim Carey em 'Brilho Eterno' nos momentos em que ele fisicamente revisita o seu passado [...]. Esta duplicação da imagem de um só ator em um mesmo plano tem origem em 'Malkovich', quando o personagem que dá nome ao filme decide ingressar no portal que leva ao seu próprio corpo e mergulha num universo habitado por clones de si mesmo."

"O Jogo da Reinvenção" não é a primeira incursão de Cecilia Sayad pela cabeça de Charlie Kaufman. Em 2006, a professora do departamento de cinema da Universidade de Kent publicou na Inglaterra um ensaio sobre "Adaptação" na coletânea "From Camera Lens to Critical Lens" (Cambridge Scholars Press). Antes de Kent, ela deu aulas na universidade de Chicago e na NYU, onde realizou seu doutorado sobre a autoria nos cinemas de Jean-Luc Godard, Woody Allen e Eduardo Coutinho. Antes de se mudar para Nova York, trabalhou na Ilustrada, nos longínquos anos 90.

Falta a este novo livro uma análise da relação entre o Kaufman-roteirista e o Kaufman-diretor, faceta que se revelou neste ano com "Synecdoche, New York". Explica-se: até agora, o filme só estreou comercialmente nos EUA, no mês passado, depois que o ensaio já estava concluído. Para os fãs de Kaufman, a boa notícia é que "Synecdoche" está comprado no Brasil pela distribuidora Imagem. A má é que ainda não tem previsão de estréia. A seguir, o trailer do longa.



O filme conta a história de um diretor de teatro, Caden Cotard (Phillip Seymour Hoffman), que antes de morrer quer criar uma obra prima que deixará sua marca no mundo. Mas entre relações e a necessidade de criar uma obra-prima o personagem Contard não vê a realidade posta a sua frente. Ao longo dos anos Contard acaba alugando variados galpões por Nova York e contrata dezenas de atores para sua peça, que nunca virá a acontecer.


Abs,

E a conta vai para...

Tanto as prefeituras dos municípios atingidos pelas fortes chuvas em Santa Catarina quanto o Estado e, eventualmente, a União podem ser responsabilizados judicialmente pela tragédia que está devastando cidades da região. Esta é a opinião do advogado Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, professor de Direito Constitucional da PUC de São Paulo e especialista em Direito de Estado, para quem qualquer cidadão que tenha ficado desabrigado ou desalojado por causa das chuvas pode pleitear a responsabilidade do Estado por meio de uma ação ordinária de indenização por danos materiais e morais. “Cabe, ainda, uma ação civil pleiteada pelo Ministério Público”, afirma.

As ações a que se refere Luiz Tarcísio estão ancoradas em atos omissos do poder público que, neste caso específico, deveria ter providenciado obras para evitar as enchentes e não providenciou, uma vez que o Estado de Santa Catarina já vivenciou caos semelhante a este há mais de duas décadas. “Se havia providências a serem adotadas para evitar esta tragédia e o poder público não as adotou, deve ser responsabilizado por omissão.”

Luiz lembra que o Judiciário paulista, por exemplo, tem condenado a Prefeitura de São Paulo em ações judiciais de indenização por enchentes ou também por omissão. “O entendimento tem sido baseado no fato de a municipalidade ter deixado de fazer obras que evitassem as conseqüências nocivas provocadas pelas enchentes”, diz. Segundo o especialista, essas ações são demoradas e o recebimento dessas indenizações está sujeito a precatórios.

Agradeço ao professor Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira pela informações.

E mobilizo a toda a blogsfera a agir em prol a todos que precisam de nossa ajuda em Santa Catarina.

abs,

Sociedade, arte, pessoas ou o cão?

É uma bela história: Guillermo Vargas acordou certo dia deprimido com a fome no mundo. Guillermo é artista e um artista, por definição, não faz um sanduíche e alivia seu sofrimento como qualquer mortal. Um artista denuncia as injustiças do mundo, de preferência com gesto "impensável" e "radical".

Guillermo decidiu: resgatar um cão das ruas da Nicarágua, enfiá-lo numa galeria de arte, amarrá-lo com uma corda à parede e esperar para ver. Não é difícil imaginar o que aconteceu: sem comida e sem água, o bicho morreu. Intencionalmente? A diretora da galeria, Juanita Bermúdez, diz que não. Uma petição on-line contra Guillermo diz que sim. E Guillermo prefere não dizer nada. Prefere contra-atacar a hipocrisia das pessoas, que se comovem com um cão famélico numa galeria de arte mas ignoram os bichos, e sobretudo os humanos, que vagueiam pelas cidades.

Inagaki escreveu sobre o assunto a pouco mais de um ano atras, poderá ler e ver fotos aqui. O nome que foi utilizado na época foi - "O cachorro que morreu de fome em nome da "arte", mas será que foi em nome da arte?

A notícia saltou para as primeiras páginas e as discussões dividiram-se em dois campos. O primeiro discute a arte de Guillermo, decidindo se a tortura de um cão é um gesto "artístico" legítimo. O segundo defende o próprio cão, em nome dos "direitos dos animais" que Guillermo teria grosseiramente violado.

Eu respeito os eruditos que discutem a "arte" e os "direitos". Mas gostaria de regressar ao próprio artista, que não ficou apenas pela denúncia da hipocrisia humana perante a fome. Nas sábias palavras de Guillermo, as pessoas contemplaram o sofrimento do cão mas ninguém decidiu libertá-lo da galeria onde estava amarrado; e, mais ainda, ninguém chamou a polícia.

Nem mais. A palavra central de toda essa história é a palavra "polícia". Não vale a pena discutir a "arte" de Guillermo, porque a discussão pressupõe levar a sério a psicopatia de terceiros. E os "direitos dos animais" nunca me convenceram. Razão simples: os animais não têm direitos; a capacidade para articular e defender "direitos" é uma prerrogativa racional e humana, que brota da nossa humana dignidade.

Mas se os animais não têm direitos, isso não significa que os homens não têm deveres para com eles. A começar pelo dever de não os abandonar ou maltratar, o que seria uma degradação da nossa própria superioridade enquanto humanos. Dito de outra forma: se os homens não respeitam os seus deveres, eles também não merecem os seus direitos. Quando ignoramos o dever de não torturar ou não matar, perdemos também o direito de não sermos julgados ou presos.

O lugar de Guillermo Vargas e da galerista Juanita Bermúdez não é nos cadernos de cultura; é na delegacia, no tribunal e, quem sabe, na cadeia. Ou, para sermos mais específicos, na jaula que ambos merecem. Matar um cão por capricho "artístico" não é uma violação dos direitos do cão; é uma violação dos deveres do homem. É uma particular forma de desumanidade que coloca qualquer ser humano ao nível de uma besta.

A polêmica continua. pelo menos ao meu ver nada mudou em um ano e muito pouco se falou de algo que causou um certo impacto(?) na vida de todos nós. Acredito que se fosse uma criança o assunto teria morrido no mesmo periodo.

O que acha?

abs, até amanha

Keynes teria feito o Proer

Todos sabem, ou ao menos ouviram falar sobre a crise financeira mundial, é um fato e já acontece em nossa "casa", o que poucos sabem é como isto irá influenciar nosso dia a dia. O bom é que temos uma estrutura interna um pouco suficiente para aguentar até a resolução de todo o acontecido, a má noticia é que estamos em ano eleitoral tanto no Brasil quando no país da crise de origem, os Estados Unidos.

Em uma conversa com Miguel Ignatios, presidente da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil) ele relembrou curiosamente de algo que novos adultos de hoje mal lembram, o Proer. Será que tinhamos a resposta para crise de hoje? Veja o que Miguel disse.

Keynes teria feito o Proer

Não fosse a crise financeira americana, a pior desde a Grande Depressão, de 1929, falar em Proer (o bem-sucedido programa de recuperação de bancos brasileiros, adotado na primeira gestão de FHC), hoje, faria pouco sentido. No entanto, em razão da interligação dos sistemas financeiros e bancários internacionais, promovida pela globalização, e do seu inquestionável efeito dominó, o tema voltou a ser debatido como uma das soluções possíveis para socorrer instituições financeiras em dificuldades.

Para recordar, o Proer foi feito com recursos dos próprios bancos e - claro – dos titulares dos depósitos à vista existentes em todo o sistema bancário brasileiro. O Banco Central (BC), para garantir a liquidez dos bancos, recolhe compulsoriamente um percentual, variável de acordo com prioridades da política monetária, do total diário de todos os depósitos à vista.

Parte desses recursos foi emprestada pelo BC, com juros à taxa Selic da época, aos bancos que, de repente, tiveram falta de caixa para honrar seus compromissos. Isso começou a ocorrer, com certa freqüência, de meados de 1994 em diante, quando foi adotada a paridade de nossa moeda em relação ao dólar americano. Tal medida foi batizada, na época do lançamento do Plano Real, de “âncora cambial”.

Isso significa dizer que o Proer foi posto em prática com recursos do BC, dos bancos, brasileiros ou estrangeiros, autorizados a captar depósitos à vista e a prazo (investimentos e poupança) do público; e com parte dos recursos dos depositantes.

Apesar das críticas do PT, dizendo que o governo estava emprestando recursos públicos aos bancos, o programa foi um sucesso. Tanto que, em meados de 2007, quando a atual crise financeira já apresentava seus primeiros sinais, o presidente Lula aconselhou Bush a fazer um Proer americano!

Acontece que as críticas da sociedade à ajuda oficial aos bancos, nos Estados Unidos, onde a crise é mais grave; e, na União Européia, onde ela já se instalou, em velocidade alarmante, são exatamente sobre a mesma questão: por que socorrer com recursos públicos, provenientes da arrecadação de impostos, especuladores irresponsáveis?

Europeus querem a punição dos responsáveis pela quebra de bancos. Americanos pedem, além disso, que os empréstimos sejam, posteriormente, devolvidos, com juros, ao Tesouro, ou, alternativamente, transformados em participação acionária nas instituições financeiras que receberam ajuda do governo.

Economistas americanos, como, por exemplo, o ex-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, ganhador de recente Nobel; e Paul Krugman, dentre outros, têm feito sérias restrições à falta de controle da especulação financeira globalizada. Em resumo, eles dizem o seguinte: a globalização comercial e industrial é um sucesso, mas a financeira é problemática. Prova disso seriam as sucessivas crises ocorridas ao longo das duas últimas décadas.

O mérito da atual e das outras crises foi acelerar a formação de um consenso mundial sobre a necessidade de controlar a especulação financeira globalizada. Este tem sido tema freqüente nas reuniões de cúpula de autoridades monetárias americanas, européias e asiáticas.

Em outras palavras, cansados de turbulências e crises financeiras (em geral, causadas por transferências instantâneas de bilhões de dólares) e de especulações financeiras de todo o tipo (Bolsas de Valores, derivativos, mercadorias, petróleo, etc.), empresários e investidores do setor produtivo globalizado anseiam por um novo Keynes, ou, ao menos, por nova onda neokeynesiana.

O britânico John Maynard Keynes tirou os Estados Unidos da Grande Depressão, iniciada em 1929, após a quebra da Bolsa de Nova York, com a política do “New Deal”, posta em prática por Franklin Roosevelt; criou o novo sistema de paridades cambiais, que passaram a valer depois da 2ª Guerra Mundial; e, por fim, implantou o Bird (Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para terminar, deixo aqui um pergunta aos leitores: se Keynes fosse vivo, teria feito um Proer, em escala planetária, para conter a especulação financeira global? Capacidade para tal, com certeza, não lhe faltaria.

Agradeço a Miguel pelo contéudo e indico muita paciência aos investidores.