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Por que você aprenderia a falar Búlgaro?






Até a próxima,

Casamento em... outro estilo

Depois do sucesso do JK Wedding Entrance Dance, que mostrava os padrinhos e madrinhas entrando na igreja com uma coreografia bem contemporânea, agora é a vez de outro casal mostrar que também sabem fazer diferente.

Just... because...




Abs,

Um segredinho...

Sem rótulo, No Label

Faz quanto tempo que falamos o quanto o ser humano gosta de rotular pessoas por crenças, estilo de vestir, classe social e opção sexual, não é? Pela primeira vez vejo uma empresa fazer algo realmente sobre o assunto.

ABSOLUT VODKA orgulhosamente apresenta: "Em um mundo Absolut, Não há rótulos".

Um projeto arrojado e inovador, onde a marca está desafiando rótulos e preconceito sobre a identidade sexual. A manifestação de um mundo sem rótulos vem em uma versão limitada da garrafa ABSOLUT - Nua -, sem rótulo e sem logotipo. A peça foi lançada mundialmente no segundo semestre de 2009.

No Label
"Pela primeira vez nos atrevemos a enfrentar o mundo completamente nu. Lançamos uma garrafa sem rótulo e sem logotipo para manifestar a ideia de que não importa o que está do lado de fora, é o interior que realmente importa. A garrafa se manifesta visualmente em nossa crença na diversidade e nosso ponto de vista quando se trata de orientação sexual. Sem falar que é uma maravilhosa peça de design delicado e minimalista, um verdadeiro item de colecionador", diz Kristina Hagbard, Global PR gerente da Companhia Absolut.
A ABSOLUT foi uma das primeiras marcas comerciais a abraçar bertamente a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). Contando com anúncios aparecendo na mídia gay desde 1981. Com esta iniciativa, ABSOLUT esta mais uma vez mostrando o seu apoio à comunidade LGBT.

Você poderá acompanhar o movimento pelo blog oficial (english)

A campanha também conta com uma matéria de 24 páginas da revista Fantastic Man e vídeos especiais para campanha. Veja a entrevista (english only, no subs) sobre a edição:


E você, quais rótulos distribui para o mundo?

abs

Criativo, Criativo




Darwin Deez’ Radio Detector
Só para começar a semana com criatividade.

abs,

Vamos pensar simples?



"Porque a mente é como um paraquedas, só funciona depois de aberta"
[Frank Zappa] Luzdeluma

abs,

Mil Palavras



Um ótimo fim de semana à todos.

Abs,

Jeff

Este post faz parte da Blogagem Coletiva sobre a Inclusão Social


Jeff from Moranga Filmes on Vimeo.

Curta metragem enviado para o Festival Claro Curtas 2008 com o tema: Diversidade e Inclusão. Conta a história de um cadeirante que possui superpoderes para superar as dificuldades do dia-a-dia.

Mulheres, feliz dia

Refleti e entendi que é impossível suportar o peso da responsabilidade e cumprir como queria os meus deveres de rei sem a ajuda e o apoio da mulher que eu amo, minha rainha.
Eduardo VIII




abs,

Aniversáro

"Nunca tive outra idade senão a do coração."


E assim foi a 81ª edição do Oscar 2009

No começo aguardei sempre as alfinetadas pelo Red Carpet, e até então tudo bem. Ryan Seacrest, que um dia foi mas simples, apresentou bem pela E Enterneiment Televison a chegada das novas estrelas do mundo cinematográfico. Deixamos de lado que ele deu uma alfinetada na ótima atriz Marisa Tomei dizendo que fazia tempo que ela não passava por ali, e também quase ignoramos o fato de que ele foi bem rude com as crianças de Slum Dog Millionaire, se recusando a dizer o nomes deles todos por serem indianos. No total falaram apenas "bem" das celebridades. Jéssica Biel que levou um vestido que chamou atenção mais que ela própria e Beyonce que, eu juro, estava vestida de própria estatueta ganhou um positivo dos apresentadores conhecidos como “os sem perdão da moda”.

Após o Red Carpet corri para ver pela TNT com o maçante Rubens Ewald Filho, tecla SAP on, all time e problema resolvido. Começo a assistir o restinho do Red Carpet, desta vez da própria academia, com apresentadores simpáticos. Não tivemos surpresas, as apresentações foram devidas e terminaram no prazo. Oba! Começou!

Vimos pela primeira vez o Kodak Theatre "simples" e até então não sabíamos o que esperar, eis que entra o apresentador Hugh Jackman, nosso adorável Wolverine, já contando o porquê estavam tão simplistas. Crise Financeira Global – Tema do evento: Crise e Esperança. Enfim, aceitamos e ele continuo sua apresentação dizendo que mesmo assim faria um opening digno de Oscars. E lá vai ele feliz da vida começar a apresentação. Com letra bem escritas e não muito diferente de outros anos, Hugh fez uma bela apresentação e em certo momento chamando Anne Hathaway para ajudá-lo, ficaram bem juntos - Dica para os diretores e roteiristas, eles são bons juntos - e foram perfeitos. Junto com placas e boards feitos a mão, a abertura foi bem planejada - pelo orçamento limitado - e foi uma agradável surpresa para algo que seria maçante.



Direto ao assunto. Sem enrolação alguma já começaram as apresentações dos prêmios, ótima surpresa ao novo método de apresentação das categorias de atores e atrizes, na qual cinco já premiados escolhia um dos cinco indicados para falar algo a respeito e logo após descobríamos quem era o ganhador. Legal a idéia, espero que continuem. Nas outras apresentações, nada de novo. Cenários criados para dar ênfase ao que era criado, o apresentador citando e explicando a importância e claro as famosas apresentações de clipes dos filmes.

Do mais o que nos chamou atenção foi Tina Fey que apresentou os prêmios de melhor roteiro e roteiro adaptado, junto com Steve Martin que na minha opinião ficou acinzentado ao lado da nova queridinha das televisões americanas. A apresentação dos dois foi bacana e bem marcante, eles apresentação o prêmio de melhor roteiro e melhor roteiro adaptado. Tina leu o roteiro como fora escrito, assim como Steve, muito inteligente, simples e certeiro no modo de dizer o que é este prêmio. Outra entrega bacana foi com Ben Stiller que imitou a nova fase de Joaquim Phoenix, com uma barba enorme, e claro, teve o ótimo suporte da Natalie Portman que mostrou ter aptidões para comédia.

Por falta de indicações musicais, apenas Slum Dog Millionaire e Wall E estavam competindo, não precisamos ver as apresentações individuais das longas e sonolentas músicas como nos últimos anos. Foi um mashup bem rápido e praticamente indolor. Quando as músicas foram apresentadas os dois indicados, John Legend por Wall-E e A.R. Rahman por Slum Dog Millionaire, fizeram jus. E foi um momento bonito e bem interessante ver Hollywood e Bollywood juntos.



Entradas e saídas, este definitivamente foi o Oscar do timming perfeito. Jackman até adiantou logo no começo chamando os primeiros vídeos dos telões adiantados, e as cortinas demoraram um pouco a abrir. (Alias comentários à parte, os telões eram sim de alta tecnologia, pela autonomia de e ir a todo o momento).

O momento auge foi quando Hugh, deixando transparecer a felicidade, gritou a todos: "Os Musicais estão de volta". Citando isto logo após uma ótima apresentação, mas devo dizer rápida até demais, de um mashup com vários musicais premiados e conhecidos de vários anos. Beyonce acompanhou o host, mas achei um pouco demais chamar o casal High Scholl Musical, Vanessa Hudgens e Zac Afron, para dar suporte à música, assim como o casal de Mamma Mia (Dominic Cooper e Amanda Seyfried) que mal lembramos o nome. Falta de conteúdo ou somente eu achei desnecessário? Não sei, mas além dessas citações, o Oscar praticamente falou de todos os filmes que estavam em cartas em 2008, mesmo que a citação fosse rápida ali estava. O que mostra que a qualidade pode sim cair nos próximos anos.



Nos agradecimentos, os que chamaram mais atenção foram Kate Wislet, bem nervosa mas totalmente grata por finalmente levar a estatueta, e Sean Penn que chamou as atenções para aprovação de lei para o casamento homossexual em todos os Estados Unidos da América.

Claro, Steven Spielberg encerrou bem a noite chamando o filme vencedor, Slum Dog Milionare. Um ponto curioso é que Obama foi citado diretamente apenas uma vez por Sean Penn na cerimônia.

No geral a cerimônia mostrou-se mais modesta a fim de entender e atingir o novo publico deles. Foi-se o tempo da cafonice, e com seus 81 anos poderemos ver um Oscar tentando lutar pela vida financeira – Já que perderam muitos anunciantes e viewers com os anos - , e reencontrar sua identidade pedindo pela ajuda dos mais novos de hollywood. Mas sejamos honestos, nós até que gostávamos um pouco da cafonice, não?

Abs,

Cem músicas para o carnaval

E o sucesso do carnaval não vem de Kibe Loko e muito menos das transmissões de Globo ou Band. Vem direto do Ely Kim. O rapaz subiu um vídeo no Vimeo e já faz sucesso na internet mostrando que consegue fazer 100 danças diferentes, em 100 lugares diferentes, também com 100 músicas individuais. Veja:


BOOMBOX from Ely Kim on Vimeo.


Mas como tem muita música boa no vídeo, fui pesquisar o set listo do garoto, eis em seqüência:

001. Heart of Glass / Blondie
002. Jimmy / M.I.A.
003. Deceptacon / Le Tigre
004. Im on Fire / 5000 Volts
005. Je Veux Te Voir / YELLE
006. The Way I Are / Timbaland
007. Too Young / Phoenix
008. Over And Over / Hot Chip
009. Stick It To The Pimp / Peaches
010. Say My Name / Destiny's Child
011. Pin / Yeah Yeah Yeahs
012. Geremia / Bonde Do Role
013. Let Me Clear My Throat / DJ Kool
014. Point Of No Return / Expose
015. Bubble Sex / The Seebach Band
016. Pump Up the Jam / Technotronic
017. Let's Make Love And Listen To Death From Above / CSS
018. Hella Nervous / Gravy Train
019. Me Plus One / Annie
020. Don't Go / Yaz
021. Bootylicious / Destiny's Child
022. Electric Feel / MGMT
023. Boys Don't Cry / The Cure
024. Lose Control / Missy Elliott
025. Ride The Lightning / Evans And Eagles
026. Don't Stop 'Til You Get Enough / Michael Jackson
027. Hearts On Fire / Cut Copy
028. Tainted Love / Soft Cell
029. Between Us & Them / Moving Units
030. It Feels Good / Tony Toni Tone
031. Polaris (Club Mix) / Cyber People
032. You Never Can Tell / Chuck Berry
033. Huddle Formation / The Go! Team
034. Pump That / FannyPack
035. My Love / Justin Timberlake
036. Hung Up / Madonna
037. Justice - D.A.N.C.E (MSTRKRFT Remix) / Justice
038. Cybernetic Love / Casco
039. Creep / TLC
040. When I Hear Music / Debbie Deb
041. B.O.B. / Outkast
042. Bubble Pop Electric / Gwen Stefani
043. Miss You Much / Janet Jackson
044. You Spin Me Round / Dead Or Alive
045. Slide In / Goldfrapp
046. Kelly / Van She
047. Mine Fore Life / The Sounds
048. Disco Heat / Calvin Harris
049. Nighttiming / Coconut Records
050. Club Action / Yo Majesty
051. Pogo / Digitalism
052. Lip Gloss / Lil Mama
053. Heartbeats / The Knife
054. Enola Gay / OMD
055. Goodbye Girls / Broadcast
056. Kids In America / Kim Wilde
057. Kiss / Prince
058. Tenderness / General Public
059. Push It / Salt N Pepa
060. Circle, Square, Triangle / Test Icicles
061. Day 'N' Nite (Crookers Remix) / Kid Cudi
062. Shadows / Midnight Juggernauts
063. Paris (Aeroplane Remix) / Friendly Fires
064. Out At The Pictures / Hot Chip
065. Me Myself and I / De La Soul
066. AudioTrack 10 / Diplo
067. Girls & Boys / Blur
068. Heater / Samim
069. I Wanna Dance With Somebody / Whitney Houston
070. Hands In The Air / Girl Talk
071. Limited Edition OJ Slammer / Cadence Weapon
072. Meeting In The Ladys Room / Mary Jane Girls
073. NY Lipps / Soulwax
074. Lex / Ratatat
075. Gravity's Rainbow (Soulwax Remix) / Steve Aoki
076. Once In A Lifetime / Talking Heads
077. Leave It Alone / Operator Please
078. Half Mast / Empire Of The Sun
079. Hardcore Girls / Count and Sinden feat. Rye Rye
080. Dance, Dance, Dance / Lykke Li
081. Never Gonna Get It / En Vogue
082. Blue Monday / New Order
083. Crazy In Love (Featuring Jay-Z) / Beyoncé
084. 10 Dollar / M.I.A.
085. Love To Love You Baby / Donna Summer
086. Steppin' Out / Lo-Fi-Fnk
087. Karle Pyar Karle / Asha Bhosle
088. Love Will Tear Us Apart / Joy Division
089. Straight Up / Paula Abdul
090. My Drive Thru / Santogold, Casablancas, NERD
091. Like A Prayer / Madonna
092. Freedom 90 / George Michael
093. Black & Gold / Sam Sparro
094. B-O-O-T-A-Y / Spank Rock and Benny Blanco
095. Great Dj / The Ting Tings
096. In A Dream / Rockell
097. Don't Stop the Music / Rihanna
098. Hong Kong Garden / Siouxsie & The Banshees
099. It's Tricky / D.M.C.
100. Bizarre Love Triangle / New

Irregular

Doutor do Soul Jazz

Considerado o "Guru do Hammond" Dr. Lonnie Smith é um de meus organistas preferidos, ao lado de Reuben Wilson e Jimmy Smith. Nascido em 3 de Julho de 1942 em Lackawanna, NY Lonnie começou sua carreira tocando no quarteto de George Benson em 1966. Após gravar 2 álbuns com Benson ("It's Uptown" e "Cookbook") Smith lançou seu primeiro álbum solo em 1967 chamado "Finger Linckin´ Good" que em 1992 virou nome de uma música dos Beastie Boys no álbum "Check Your Head". Nos anos 70 Lonnie Smith passou a se auto-intitular Doctor Lonnie Smith, deixou a barba crescer e começou a usar um turbante em suas apresentações. Ao ser perguntado o motivo pelo qual ele começou a usar o "Doctor" antes do nome, ele respondeu: "Pelo mesmo motivo que eu passei a usar turbante", e perguntaram: "Qual o motivo?", e ele: "Nenhum motivo especial".

"Doutor" irá se apresentar no Bridgestone Music Festival, alias a programação do festival destaca ainda músicos norte-americanos de prestígio nas áreas do jazz e do blues contemporâneo, como o pianista e compositor de origem indiana Vijay Iyer, e a pianista e compositora Rachel Z, que também vão se apresentar pela primeira vez no país.

Veja o video e me diga o que achou.


abs

Blindness - Ensaio Sobre a Cegueira.

Ensaio sobre a cegueira é um romance do escritor português José Saramago publicado em 1995 e traduzido para diversas línguas. A obra se tornou uma das mais famosas de seu autor, juntamente com Todos os nomes, Memorial do Convento e O Evangelho segundo Jesus Cristo. Eis o teaser do filme dirigido por Fernando Meirelles:





O romance nos mostra o desmoronar completo da sociedade que, por causa da cegueira, perde tudo aquilo que considera como civilização e, (tal como em A Peste, de Albert Camus) mais que comentar as facetas básicas da natureza humana à medida que elas emergem numa crise de epidemia, Ensaio sobre a cegueira mostra a profunda humanidade dos que são obrigados a confiar uns nos outros quando os seus sentidos físicos os deixam. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas também das suas vidas espirituais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente.

Na contracapa: "Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.", citado de um fictício "Livro dos conselhos".

Veja mais sobre o filme aqui.

América Latina Pergunta:

O que você acha que os países, as empresas e os indíviduos devem fazer para que o mundo se torne um lugar melhor em 2008?


Clarice Lispector entrevista Millôr Fernandes

Reprodução da entrevista que Clarice Lispector fez com Millôr Fernandes (janeiro de 1977).

Do livro "Entrevistas", Ed. Rocco .

Não vou apresentar Millôr: quem o conhece sabe que eu teria que escrever várias páginas para apresentar uma figura tão variada em atividades e talentos. Somos amigos de longa data. Nossa entrevista decorreu fácil, sem incidentes de incompreensão. Havia confiança mútua.

Como vai você, Millôr, profundamente falando?

Vou profundamente, como sempre. Não sei viver de outro modo. Pago o preço.

Às vezes o preço é alto demais, Millôr. Como é que lhe veio a idéia de arquitetar O Homem do Princípio ao Fim, que é um grande e comovente espetáculo? Eu, por exemplo, o veria de novo.

Foi a pedido dessa extraordinária amiga que é Fernanda Montenegro. Como eu já tinha escrito um espetáculo basicamente político, Liberdade, liberdade (com Flávio Rangel), resolvi não me repetir e me fixei num ponto de vista humanístico que é a qualidade essencial daquele meu trabalho.

Que é que você me diz de sua experiência como ator?

Sensacional e inútil. Sensacional por causa da segurança que se ganha ao perceber uma possibilidade total de comunicação, e isso é emocionante. Inútil porque não tenho nada a fazer com o resultado dessa experiência. A comunicação que busco é toda outra, íntima e definitiva.

Millôr, você já sentiu com toda a humanidade a centelha de uma coisa que uns chamam de gênio, mas não é gênio, é bastante comum: é uma visão instantânea das coisas do mundo como na realidade são?

Se é isso que chamam de gênio, então está para mim. Só vejo isso. Tenho mesmo a impressão de que nada do que vejo é comum. A mim me faltam todas as noções das coisas do mundo tal como ele é. Mas essa espécie de lucidez de que você fala, a lucidez do absurdo, essa eu tenho no meio da maior paixão. Creio mesmo que um dia vou estourar de lucidez, isto é, ficar louco.

Conte-me algo de sua infância.

Dura! Dura! Linda! Linda! O Méier, naquela época, era praticamente rural. Eu aprendi a nadar em um pântano, cheio de rãs. Aprendi a amar num quintal fazendo bonecos de tabatinga junto com as meninas. Essa infância durou até os dez anos. Aí, um dia, na morte de minha mãe, chorando horas embaixo de uma cama, eu consegui a paz da descrença. Aos dez anos, pois é.

De que modo lhe vem a inspiração, Millôr? Você sente que vem de seu inconsciente?

Creio que exatamente de todos os modos. Mas não penso que seja precisamente inconsciente. Mesmo quando parece inconsciente acho que o núcleo da inspiração é uma vivência qualquer (imagem, som, dor, angústia) antes arquivada e de repente, por qualquer motivo (também exterior), ressuscitada. Mas meu caso é muito especial: não sou um escritor, sou um profissional de escrever.

Falamos sobre várias personalidades; em seguida perguntei-lhe:

Quais os homens que você mais admira e por quê?

Vou limitar a pergunta, no tempo e no espaço. E prefiro assim ter a coragem de escolher um homem de meu tempo e de meu espaço. Vinicius de Morais. Pelo muito que somos iguais, pelo imenso que nos separa, eu elejo o poetinha como o dono de uma visão de vida essencial.

De conversa puxa conversa, passamos, não sei como, a falar da morte.
Como é que você encara o problema da morte? A morte é um problema para você?
Acho o problema da morte fascinante (talvez porque eu não a sinta perto de mim). Gostaria mesmo de morrer já para, sem trocadilho, viver essa experiência. Desde que me fosse dado, depois, voltar apenas para contar como foi.
Voltamos a falar da vida e sobre o que mais nos importava.

O que mais importa na vida?

A relação humana. O amor. A paixão, nisso incluída. Também, ou sobretudo, as paixões condenadas, de homem com homem e mulher com mulher. Como sou aquilo que a sociedade chama de saudável e normal, as paixões anormais merecem o meu maior respeito.

Se você não fosse escritor, o que seria?

Um atleta. Eu sou, fundamentalmente, um atleta frustrado. Aliás, essa é a única frustração que me ficou de uma pré-juventude (de dez a 17 anos) excessivamente dura.

Em matéria de escrever, você sente, na sua trajetória, um progresso?

Acho que sim. Sobretudo se comparar o início com a fase atual, o que não é vantagem porque eu comecei a escrever em jornal aos 13 anos de idade. Só um debilóide não teria progredido. De qualquer forma, continuo tentando me renovar sempre, num gosto por buscar formas e visões novas, que ainda não perdi.

E, em matéria de vida, de maneira de viver, você sente um progresso que vem da experiência?

Acho que sim. Mas será que os outros acham? Nada me surpreende mais, por exemplo, do que ouvir dizer que sou agressivo. Porque eu me sinto a flor da ternura humana. Mas será que sou? De qualquer forma, há dentro da minha mais profunda consciência a certeza de que o gênio do ser humano está na bondade. Isso eu procuro.

Concordei com ele sobre a bondade.

Também eu a procuro com humildade e ao mesmo tempo com veemência. Millôr, você ainda faz hai-kai? (Hai-kai é um estilo poético popular japonês, aparecido há mais ou menos quatro séculos.)

Posso fazer. Vou fazer dois:

Você pode crer
O pior cego
É o que quer ver.
Esta é a verdade
Eu sou um homem
De minha idade.

Pequim x Liberdade

Achei um video muito interessante, estariam eles realmente preparados para receber o mundo? - Vide que aparece uma entrevistada que poderá jurar que nada é controlado. Parabéns ao Marcelo Tas pela matéria, e "cuidado por ai rapaz".