Arte e talento

Viver da arte exige muito talento, dedicação e persistência. Se o artista se encontra longe dos grandes pólos de concentração de cultura, a dificuldade é ainda maior. Criada em 2003, a Cia de Comédia Nósmesmos nasceu para provar que desafios podem virar grandes oportunidades. Em uma cidade marcada pela sua importância histórica, Itu-SP, os atores Juliano Mazurchi e Christian Hilário conseguiram unir talentos e revolucionar a cultura local. “Foi como pular de pára-quedas sem ter a certeza de que ele iria se abrir. Desde o início vivenciamos quebras de paradigmas, como por exemplo mudar o hábito da população em relação à freqüência nos espetáculos de grupos teatrais da cidade”, revela Mazurchi.

Com um trabalho de qualidade, o sucesso foi inevitável: mais de 30 mil pessoas já prestigiaram os espetáculos promovidos pela Nósmesmos com os teatros atingindo sua capacidade de lotação máxima, muitas vezes com a necessidade da realização de duas sessões. “Somos uma Cia. de Comédia que sobrevive pelo fato de ser um ‘fenômeno local’, lotando os teatros por onde passamos. Conseguimos nos autosustentar através da bilheteria arrecadada e de pequenos apoios de empresas privadas. O mais gratificante de tudo é saber que estamos contribuindo com a cultura do interior e levando entretenimento a uma região distante das metrópoles e que, na maioria das vezes, fica fora das turnês dos espetáculos teatrais”, explica o ator.

A mais recente aposta do grupo agradou o público principalmente pela inovação. O Clube do Improviso é um espetáculo onde nada é ensaiado e tudo é improvisado, que conta com a participação do público e muita criatividade e jogo de cintura por parte dos atores. Composto por um apresentador, que conduz os jogos e cenas de improvisação, cinco atores fixos e um convidado que competem entre si, essa mistura de jogo e teatro encanta a platéia tanto pela expectativa da cena quanto pela vulnerabilidade do ator diante do tema proposto. “O Clube do Improviso exige do elenco muita criatividade e rapidez de raciocínio e também oferece muito risco ao ator, que acaba também sendo autor do espetáculo”, explica Christian Hilário.

Mas a Nósmesmos já possuía uma platéia cativa antes mesmo dessa montagem, com um repertório de comédia composto pelo Espetáculo quase Artístico (2004); Por que os Homens Mentem? (2005); Todo Mundo Louco (2006); O Recruta (2007) e Os Babaccos (Stand up comedy 2008). Mazurchi credita esse sucesso ao estudo da linguagem e à irreverência, dois pontos fortes do grupo. “Para a montagem dos espetáculos sempre buscamos embasamento, fazemos pesquisas bibliográficas sobre o tema e realizamos ‘workshop’ com profissionais especialistas. Assim conseguimos um aprofundamento da linguagem que desejamos utilizar”, explica.

A utilização do teatro fora dos palcos também é uma marca registrada da Nósmesmos, que possui experiência em atividades para entretenimento dentro de empresas, hotéis e eventos em geral. “Para empresas realizamos, por exemplo, palestras teatralizadas, representações em treinamentos de segurança e cerimonial humorístico para eventos internos. Muitos empresários estão optando pelo humor na transmissão de informações, pois ajuda a aumentar o interesse dos colaboradores e facilita muito a compreensão do tema”, pontua Mazurchi. Em hotéis, o grupo realiza temporadas de férias reunindo um conjunto de atividades culturais temáticas que inclui espetáculos, recepção, pegadinhas, esquetes, entre outras ações de acordo com a necessidade dos clientes. “Trabalhamos o teatro como um meio de comunicação, expressão e entretenimento. Não restringimos a arte ao palco e sim procuramos difundi-la por diversos meios”, explica Hilário.

Todas essas atividades não reúnem somente os dois diretores artísticos citados, mas contam também com uma equipe de atores que inclui no elenco principal Alessandre Pi, Charles Ferreira, e Ricardo Vandré, como convidados Alessandro Franco, Débora Nunes, Felipe Camargo, Liliane Navarro e Regina Rebello, como diretor Heyttor Barsalini e as assistentes de produção Denise Pereira, Cristina Abiscola e Daniele Mattos. “Toda essa equipe, com o apoio dos empresários patrocinadores, nos permite pesquisar, aperfeiçoar e experimentar as várias facetas do humor”, comenta Mazurchi.

Agradeço Felipe Camargo da Sigma Six Comunicação pelas informações

abs

Dedicação Total a Você

Cronica por : Lúciano Pires

Quem será que cria aquelas propagandas de lojas de varejo que infestam a televisão? Aquelas coisas tipo Casas Bahia, Lojas Marabras, Lojas Mariza e outras que ocupam um espaço publicitário gigantesco com tanto mau gosto? É sempre a mesma coisa: um sujeito pretensamente simpático ou um casal jovem e risonho falando alto e rápido sobre as maravilhas daquele jogo de sofá que só amanhã você pode comprar em cento e trinta e duas parcelas de oito reais e oitenta centavos...

Busquei na memória e vi que sempre foi assim. Os mais antigos lembrarão da quinzena de tapetes do Mappin. Dos ternos da Ducal. Das Lojas Brasil, onde "você leva o Brasilino de presente"... (Aliás, há anos tento encontrar um boneco do Brasilino pra comprar e não acho. Você sabe onde tem?)

Pois no final de 2008 durante um telejornal assisti chocado às imagens das inundações em Santa Catarina. Uma tragédia imensa e - como a maioria das tragédias brasileiras - previsível. Pessoas perdendo parentes, perdendo casas, perdendo tudo... Uma das cenas, em Itajaí, mostrava uma velhinha voltando para casa e vendo seus móveis, televisão, geladeira, tudo destruído. A expressão daquela senhora tinha a dor da desesperança que só as tragédias conseguem forjar. Doeu em mim. A última imagem mostrou-a desolada, olhando seu jogo de sofás, que ela dizia que tinha acabado de comprar, coberto de barro. Destruído.

Pausa para o comercial.

Casas Bahia. Um sujeito histriônico, de paletó vermelho, cabelo e sobrancelhas pintadas, rosto de plástico, falando alto, quase perdendo o fôlego e mostrando as ofertas imperdíveis enquanto ao fundo uma horda de consumidores fingia comprar tudo que podia. Entre as ofertas imperdíveis, um conjunto de sofás parecido com o da velhinha de Itajaí... Em seguida vem o anúncio do automóvel que eu tenho que comprar. E depois do celular que vai resolver todos os meus problemas. Então vem aquele banco que é o melhor lugar do mundo. Todos repletos de mulheres maravilhosas, homens jovens e sorridentes, crianças inteligentes e velhinhos pensando que têm trinta anos de idade. Uma maravilha.

Volta o noticiário.

Gente morrendo na troca de tiros durante a invasão do morro no Rio de Janeiro. E agora ao vivo a repórter trazendo as últimas da inundação.

Dó...

Num instante estou no mundo real, entre tragédias e tiroteios, dor e sofrimento, refletindo sobre como tenho sorte em ser quem sou, morar onde moro e trabalhar onde trabalho. No instante seguinte sou jogado para outro mundo, onde passo a refletir sobre como é pouco o que tenho, como eu poderia ser melhor se comprasse aquela roupa, aquele carro, aquele celular. Então outra vez o mundo perigoso. E depois o mundo do glamour... E assim vai. Viajo sem parar entre dois mundos antagônicos, um renegando o outro. Vou dormir com a mente confusa. Não sei qual dos dois mundos venceu o "round" de hoje. E amanhã de manhã vai começar tudo outra vez: a velhinha perdendo o sofá e o moço vendendo um sofá.

Aqueles dois mundos antagônicos são representações do mundo real. Cada uma com um ponto de vista, um filtro, uma lente. O mundo dos noticiários quer nossa atenção, nos segurar até a chegada do mundo dos comerciais, que pretende que compremos! E os editores usarão de todos os recursos de drama, imagens, sons e edição para nos conquistar... No vaivém entre os dois mundos estão nossas escolhas. O que fazer com os estímulos que recebemos de cada um deles? Provavelmente arregalar os olhos diante das tragédias e voltar ao trabalho pra poder ir às compras.

É essa a rotina de nossas vidas, não é?

Convite para a Missa de Mario Covas

Divido agora com vocês o que acabo de receber por e-mail de Bruno Covas:



Mapa do Mosteiro de São Bento (mapa oficial)
Mapa do Mosteiro de São Bento (google maps)

Recado transmitido. Você vai? :)

abs,

Crescer e Amadurecer

Angústia, raiva, vergonha, amizade e confiança são alguns dos sentimentos que estão no caminho do processo de amadurecimento e autoconhecimento enfrentado pelo pré-adolescente Fernando nas visitas que faz ao pai que está preso. Em As visitas, lançamento de Edições SM, a rotina e suas relações familiares são modificadas não só pela ausência do pai, mas também pelo mistério que cerca a traumática prisão.

Ambientado em Buenos Aires, durante a ditadura militar, e narrado em primeira pessoa, o livro retrata a vida do garoto desde sua infância, quando tinha seis anos até a pré-adolescência, demonstrando as descobertas por meio de reflexões do narrador, exibindo seu fluxo de consciência e tendo como eixo central as visitas ao pai na prisão. Os capítulos são estruturados de forma assimétrica, revelando mecanismos próprios da memória e evidenciando as lacunas e hesitações típicas do discurso oral.

A autora, Silvia Schujer, também coloca em evidência a dificuldade do pré-adolescente em dialogar com a sua família e com os outros garotos da escola. Surgem as mentiras construídas para esconder o fato de que o pai estava preso, mas também aspectos positivos, como a relação com o motorista do ônibus que o leva ao presídio. Essa amizade com o motorista é uma das válvulas de escape para Fernando, já que é com ele que questões acerca do dia a dia são debatidas. Já a paixão por uma garota da escola serve como impulso para que o jovem prossiga em seus estudos e enfrente sua realidade.

Fernando amadurece ao perceber que não chegará a lugar nenhum se colocando na situação de vítima e culpando seus familiares por sua infelicidade. Como coloca o personagem, "foi a descoberta do século: ninguém conspirava contra mim para arruinar minha vida, percebe? Se os outros faziam o que faziam era porque estavam na sua e ponto". No entanto, até chegar aqui, é preciso montar, como em um quebra-cabeça, os diversos elementos da história desenvolvida a partir da memória do narrador, culminando em um final que leva a reflexões acerca de questões sociais e de como o jovem lida com seu passado.

Indicação de leitura a todos.

Agradeço ao Pedro Rizzo pela informações e indicação do livro

abs,