Sobre alimentos orgânicos

Alimentos orgânicos são especiais tanto pelo ciclo de cultivo quanto pela ausência de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Isso sem falar da harmonização e respeito aos demais elementos da natureza. Graças a um sistema de produção que busca o equilíbrio entre o solo e outros recursos naturais, como água e luz, há diferenciais importantes e benéficos para o consumo.

Usualmente são cultivados sem aditivos e conservantes sintéticos, livres de adoçantes, corantes, flavorizantes – que conferem o sabor ao produto. Tem uma durabilidade maior em relação aos convencionais, uma vez que o menor teor de água em sua composição reduz a proliferação de bactérias.

Um alimento orgânico fresco, aliás, possui 20% menos de água em sua composição, tornando os nutrientes mais concentrados; além de trazer quantidade maior de açúcar. Com níveis superiores de vitamina C, o tomate orgânico, por exemplo, apresenta 23% mais vitamina A do que os convencionais.

“Estudos recentes atestam que a diferença é acentuada em minerais. Têm teores maiores de vários deles: 63% a mais de cálcio, 73% a mais de ferro, 118% de magnésio, 178% de molibdênio, 91% de fósforo, 125% de potássio e 60% de zinco. Por outro lado, possuem 29% a menos de mercúrio, o que é excelente”, explica Patrícia Realino Guaitoli, nutricionista parceira do Ganep Nutrição Humana para o desenvolvimento de projetos especiais.

Em todo o país, são cerca de 15 mil produtores de alimentos orgânicos. De acordo com o Ministério da Agricultura, houve um crescimento de 114% no número de agricultores – 7 mil em 2000 para 15 mil em 2008 – além de um aumento de 196% na área de plantio - de 270 mil hectares para 800 mil, neste mesmo período.

Orgânicos são apenas 1% de todo o alimento que é vendido no Brasil. Apesar do aumento da cadeia produtiva, a dificuldade com transporte e pontos-de-venda, além das condições de produção, fazem com que a queda no preço seja lenta e difícil. Em média, o custo é de 10% a 30% superior ao dos convencionais, variação que depende do tipo de produto e da época. Em hortaliças e frutas, a diferença tem caído. Quanto aos laticínios, o preço pode ser mais do que o dobro.

Nos últimos anos, o mercado de produtos orgânicos se ampliou e ganhou novos itens, além dos in natura. Entre eles, sucos, laticínios, óleos, doces, palmito, pães, biscoitos, molhos, cerveja, vinho, cachaça, mel, pratos prontos congelados, frutas desidratadas, açúcar branco e mascavo, café, guaraná em pó, barra de cereais, hortaliças processadas, camarão, frango e carnes.

Os produtores de alimentos orgânicos precisam seguir um critério rigoroso para garantir o selo de certificação. A regulamentação, em vigor desde o fim de 2007, indica os procedimentos básicos de cultivo, colheita e armazenamento. Estabelece ainda um prazo de dois anos para os produtores que vendem em feiras se organizarem em associações, com direito a registro no ministério e um documento (espécie de alvará).

Ao vender direto para o consumidor, deve-se exibir esse registro para provar que está de acordo com as normas. Já os produtores maiores, que atuam direto com redes de distribuição, levaram o selo único das certificadoras. No Brasil, são mais de 20 empresas de certificação, credenciadas na International Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM), federação internacional que congrega os diversos movimentos relacionados com a agricultura orgânica.

Estes critérios para regulamentar os orgânicos protegem a população dos riscos que os alimentos comuns conferem à sua saúde. O relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgado em 2008 mostra que, de cada dez pés de alface à venda em feiras e supermercados, quatro estão contaminados por resíduos de agrotóxicos. Cerca de 40% do tomate e do morango consumidos pelos brasileiros contêm vestígios de uso pouco criterioso de agrotóxicos.

Outros seis alimentos que fazem parte do cardápio regular do brasileiro também foram analisados em 2007 e registraram resíduos irregulares de defensivos agrícolas: banana (4,3%), batata (1,36%), cenoura (9,9%), laranja (6%), maça (2,9%) e mamão (17,2%). As amostras analisadas são de 16 estados de todas as regiões do país, além dos municípios de Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo. Nos orgânicos, desde que sejam de procedência, não existe esse tipo de contaminação.

Patrícia Realino alerta que o ideal é adquirir o alimento orgânico certificado, o que é uma garantia sobre os adequados processos de produção, desde a desintoxicação do solo até o envolvimento com projetos sociais e de preservação do meio ambiente.

Dicas de compras e armazenamento

- Nos pontos de venda, verifique se os orgânicos estão separados dos convencionais, o que evita a contaminação por produtos químicos ou resíduos de agrotóxicos;

- Em algumas cidades, existem feiras exclusivas administradas e fiscalizadas por associações de agricultura orgânica, onde os produtos são mais baratos, já que o produtor vende diretamente ao consumidor;

- Sempre verifique o selo da certificadora na embalagem. Para resguardar o consumidor, as grandes redes de supermercados e os importadores não adquirem produtos sem esta procedência;

- Ao escolher apenas alguns alimentos para levar, prefira tomate, morango, batata e alface, os mais contaminados por agrotóxicos no cultivo de maneira convencional;

- Ao armazenar na geladeira, guarde os alimentos em saquinhos, para não ressecar. Faça furos pequenos no plástico, para que a fruta, o legume ou a verdura possam respirar e não estraguem mais rapidamente;

E por enquanto é isto. Quem tiver mais dicas, poderá compartilhar nos comentários.

abs,

Abra a janela e respire fundo

Hoje abro espaço para o Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes, que é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Ele escreveu sobre nossos hábitos do dia a dia, e como ontem tivemos uma experiência interessante com a hora do planeta, acho mais do que válido falar sobre as pequenas coisas que podem ou não afetar nossa saúde. Confiram:

Abra a janela e respire fundo

Computador, Internet, telefone celular, microondas e ar-condicionado. Diversas são as novas tecnologias e utilidades domésticas criadas para facilitar a nossa vida. Junto com as novidades, vêm as dúvidas. Estudiosos e fabricantes buscam provar que todos esses adventos só trazem vantagens ao ser humano, mas isso nem sempre é possível.

O computador e a Internet, por exemplo, já são comprovadamente incentivadores da vida sedentária e, indiretamente, da obesidade. O telefone celular já desperta a atenção de neurologistas para os possíveis malefícios das ondas eletromagnéticas emitidas pelos aparelhos. E o ar-condicionado, que mal pode fazer?

Essa tecnologia foi desenvolvida para proporcionar ao ambiente uma temperatura agradável e refrescante, garantindo o conforto em casa, no escritório ou no carro. Em contrapartida, durante o processo de resfriamento, a umidade do ar fica reduzida, prejudicando o revestimento das mucosas das vias aéreas e tornando-as vulneráveis. Outro agravante é que os ambientes munidos de ar condicionado são mantidos fechados, reduzindo a circulação do ar.

Há ainda muita falta de informação acerca do equipamento, especialmente sobre a manutenção correta. Poucos sabem que o ar-condicionado precisa ser reavaliado periodicamente para limpeza e correção de possíveis irregularidades. Sem este cuidado, o filtro perde sua capacidade e provoca uma verdadeira poluição no ambiente, tornando-o propício para o agravamento de diversas doenças respiratórias. Os grandes vilões são os fungos, as bactérias e os ácaros, que se acumulam nos ductos do aparelho e atingem o ambiente.

Quem trabalha exposto a esse equipamento fica mais suscetível a gripes, resfriados, sinusites e até pneumonia. Para portadores de doenças crônicas, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), há maior risco de agravamento da doença.
O ideal para quem não quer e não pode abrir mão do ar condicionado, é mantê-lo em perfeitas condições de funcionamento, com temperaturas entre 20ºC e 22ºC. Mais baixas do que isso, além do desconforto e possível necessidade de agasalhos, o frio favorece a proliferação de vírus que causam os resfriados e as gripes.

Estudos apontam que nos aviões o problema pode ser ainda pior. A má qualidade do ar e a pressurização no interior das aeronaves são fatores que podem gerar riscos à saúde. Nessa situação, o passageiro fica exposto à baixa umidade, já que o ar é elevado a altas temperaturas e sofre ressecamento quando passa pelas turbinas. A pressão na cabine do avião também contribui, pois torna o ar rarefeito, ou seja, com menor oferta de oxigênio do que a maioria das pessoas está acostumada.

Portadores de doenças respiratórias crônicas, ou quem já entra no avião com sinais de faringite, amigdalite ou sinusite, devem levar medicamentos previamente prescritos por seus médicos, e evitar as bebidas alcoólicas, que podem potencializar o problema.

Em geral, evite locais fechados, grandes concentrações de pessoas e trate qualquer sintoma respiratório tão logo apareça. Gripes e resfriados que demorem a passar, febre, tosse, dores no corpo ou falta de ar precisam de avaliação médica. Tome banhos mornos para evitar o choque térmico, mantenha uma alimentação saudável, tome muito líquido durante todo o dia e o principal: pratique atividade física regularmente. Ela ajuda a melhorar a respiração e a saúde.

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abs,

É hoje. Hora do Planeta!

Essa é a primeira eleição que acontece simultaneamente no mundo inteiro. No páreo, estão o nosso planeta e o aquecimento global. Para quem você vai dar seu voto?

No dia 28 de março, você pode dar seu voto pela terra, contra o aquecimento global, com um gesto simples: apague a luz da sua sala.

Ao desligar o interruptor, você já está dando o seu voto. Os resultados dessa grande eleição mundial serão apresentados na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, que acontece em Copenhagen, em dezembro desse ano. Nós queremos reunir 1 bilhão de votos pelo planeta, para mostrar aos nossos líderes que precisamos agir contra o aquecimento global. Por isso, cada voto é importante, inclusive o seu!




Não esqueça! Hoje as 20:30 horário de Brasília, apague as luzes por uma hora. O planeta agradece :)

Dag Alveg - Nova Iorque - Noruega

Com curadoria de Pieter Tjabbes, coordenação geral de Jens Olesen e organização da Art Unlimited, a exposição apresenta 110 imagens preto-e-branco do fotógrafo norueguês Dag Alveng, produzidas na década de 1979/2008 . As fotografias compõem três séries: I love this time of the year (Eu amo esta época do ano), de Nova Iorque, This is most important (Isto é particularmente importante) (1993-2003) e Summer Light (Luz de verão), da Noruega.

Na série, I love this time of the year, a rotação da exposição em 360 graus elimina a possibilidade de localizar a imagem em espaço e tempo, como explica o curador Pieter Tjabbes. “Com a visão facetada e dinâmica, surge um elemento de drama. Alveng intensifica a impressão da cidade grande, mas elimina o aspecto humano como fator determinante, substituindo-o por uma imagem da cidade como espaço autônomo. É assim que ele reúne a fotografia documental à sua contrapartida semiótica, a imagem construída e manipulada. Outra linguagem da qual parece se aproximar seria a do cinema, como uma sequência de imagens construindo uma história”.

Na série, This is most important (Isto é particularmente importante) (1993-2003), a técnica de exposição múltipla do negativo, que se observa nesta série, já aparecia na série (I love this time of the year), feita com exposição dupla. Também aí temos cenas de rua que exploram os aspectos estéticos e narrativos de uma imagem que quebra a unidade de espaço e tempo. Porém, o fotógrafo não girava a câmara, apenas apontava-a para outra direção. Também não determinava o movimento da lente de forma sistemática, mas conforme o interesse visual. Essas fotos já têm a complexidade da série posterior, mas ainda permitem ao espectador uma noção do espaço real.

Em Summer Light, que traz as fotografias mais antigas desta exposição, o artista privilegia imagens de lugares comuns, da sua convivência diária, da sua casa de campo e de suas redondezas, lugares banhados pela luz clara do verão nórdico.

As obras fascinam, seja pela luz nórdica, pelo silêncio, ou por causa do próprio lugar. Também porque Alveng usa as gradações de tons de cinza de forma tão sutil, a ponto de quase desintegrar a imagem, ressalta Pieter Tjabbes. “Suas obras anteriores expunham as qualidades que muitos dos fotógrafos americanos clássicos valorizavam tanto: boa definição da imagem, com profundidade, abundância de detalhes e grande variedade de tonalidades. Nesta série ele parece destacar as gradações mais claras, de forma de capturar as qualidades da luz forte do verão nórdico. A luz não como um elemento que ilumina a paisagem, mas como sua parte integrante”.

Motivos conceituais levaram Dag Alveng a fotografar em preto e branco, privilegiando assim a capacidade de abstrair a realidade. Mas essa escolha abre, também, a possibilidade fascinante de descobrir mais, nessas imagens, do que aparece à primeira vista. As imagens podem ser vistas individualmente, mas, com suas séries, o fotógrafo consegue mostrar uma realidade complexa ou desenvolver um tema nas suas diversas perspectivas.

A exposição DAG ALVENG – NOVA IORQUE – NORUEGA – 1979/2008 ficará em cartaz na CAIXA Cultural, de 08 de abril a 10 de maio. Indico a todos.

abs,