Quem liga para humanidade?

Os líderes mundiais mostraram sua incapacidade de colocar seus interesses particulares – especialmente econômicos – acima das necessidades da humanidade. As milhões de pessoas que dependiam de uma decisão ambiciosa que de fato controlasse o aquecimento global foram abandonados à sua própria sorte.

Os 120 chefes de Estado reunidos em Copenhague, na COP15, falharam. Eles colocaram suas prioridades domésticas acima de um compromisso global. E quem vai pagar mais caro são justamente os mais pobres e vulneráveis.

“O acordo não é justo, ambicioso, nem legalmente vinculante. Os líderes falharam em evitar o caos climático. Este ano o mundo enfrentou uma série de crises e com certeza a maior delas é a crise de liderança”, disse Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace no Brasil.

Os chefes de Estado abandonaram a COP15 sem declarações públicas e, principalmente, sem cumprir seu mais essencial objetivo: evitar os efeitos perigosos das mudanças climáticas.

“A ideia de pressionar para que os líderes viessem para cá era justamente criar as condições para que houvesse uma decisão. Decidiram não decidir”, diz Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Eles deveriam ter vindo para cá com uma perspectiva global. Chegaram com os dois olhos virados para seus próprios quintais. Copenhague era o momento de ser ousado, de ter visão global. Comportaram-se como provincianos.”

Um “acordo de Copenhague”, costurado por 30 dos quase 200 países que integram a Convenção do Clima, é fraco e não representa nem um começo do que é necessário para controlar as alterações no planeta. Muitos países da América Latina, da África e pequenas ilhas se recusaram a se associar ao texto, em uma clara demonstração de repúdio.

O tal “acordo” determina que os esforços devem ser feitos para manter o aumento da temperatura em menos de 2°C e coloca algum dinheiro na mesa para começar a ajudar os países mais pobres a se adaptarem ao aquecimento global. Mas falha em seu cerne, ao não determinar uma meta ambiciosa de corte das emissões de gases-estufa. Sem isso, qualquer esforço de adaptação é insuficiente.

O presidente americano Barack Obama afirmou ontem, depois de abandonar a conferência, que o acordo de Copenhague representava a esperança de uma conclusão feliz de negociações que estão apenas começando. Afinal, segundo ele, conseguir um acordo com valor legal é “difícil” e toma tempo.

A questão é que o aquecimento global não espera as vontades e as dificuldades enfrentadas pelos políticos. A justificativa não convence suas vítimas. Longe dos corredores acarpetados de Copenhague, Washington, Genebra, Pequim e Brasília, as populações mais vulneráveis do planeta vão sofrer pela inação desse grupo.

“A cidade de Copenhague foi palco de um crime, com os culpados correndo para o aeroporto perseguidos pela vergonha”, afirma Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace International. “Presidentes e primeiros-ministros tiveram uma chance de uma em um milhão de mudar o mundo para sempre e impedir que o clima entre em colapso. Produziram apenas um entendimento cheio de omissões.”

Um acordo com força de lei, justo e ambicioso precisa ser fechado para controlar as mudanças climáticas. Os países desenvolvidos, que têm a maior responsabilidade, precisam cortar em 40% as emissões de gases-estufa em relação a 1990 até 2020. Os países emergentes também precisam fazer mais, com redução da taxa de crescimento de suas emissões. É preciso zerar o desmatamento das florestas tropicais e criar um mecanismo que financie ações de adaptação e mitigação nos países pobres. Sem nada disso, o mundo sai da COP15 deixando o presente e o futuro da humanidade em perigo.

A sociedade cobrou com propriedade a ida de seus presidentes para lá, para que assumissem posições corajosas. Contudo, reunião de cúpula terminou da mesma maneira que começou, sem metas ambiciosas de corte de emissão, sem recursos financeiros para longo prazo e sem um texto consensual, com força de lei, que assegure seu cumprimento junto à comunidade internacional.

“Temos de seguir em frente. Não apenas com marchas nas ruas, mas engajando o setor privado, o movimento social e os governos locais para transformar nossa comunidade e criar mais pressão política nos nossos governantes”, diz Furtado. “Afinal não podemos mudar a ciência, mas podemos mudar os políticos.”

Triste. Mas a esperança sempre fica.

Até o próximo ano.

abs,

Qual é a sua cara, Brasil?

Identidade costuma ser um conjunto de características próprias com as quais se pode diferenciar pessoas, marcas ou empresas umas das outras. Posicionamento é uma ferramenta de marketing para transformar uma dessas características no diferencial mais adequado na batalha pela percepção das pessoas, dos consumidores, dos usuários, dos shoppers.

Pois bem, no último 23 de novembro, o reconhecido ator Robin Williams, uma celebridade, declarou em um dos programas mais vistos da televisão norte-americana, no David Letterman Show, que o Rio de Janeiro foi escolhido para sede da Olimpíada de 2016 porque "Chicago mandou Oprah e Michelle (Obama, a primeira-dama dos EUA) e o Rio mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi muito justo".



Foi uma piada de mau gosto, vinda de um bem-sucedido humorista conhecido pelo seu estilo corrosivo politicamente incorreto, na qual eu mesmo sou fã. Nós vamos, com quase absoluta certeza, assistir a alguns políticos exigir uma desculpa pública. Não vai adiantar muito.

Vamos tentar aprender coletivamente.

O Brasil nunca se posicionou como país ou como marca. Não existe uma palavra ou um pensamento sucinto que defina o país e o diferencie dos outros. O Brasil tem muitas identidades, provenientes da sua grande diversidade. Alguns turistas podem jurar que foram extremamente bem recebidos e que voltarão mais vezes. Outros foram assassinados por um pivete e seus parentes não querem escutar sobre o Brasil.

Meu ponto de vista: não existe um posicionamento construído para o Brasil.

Muitos estrangeiros imaginam uma terra colorida, solar, naturalmente musical e generosa. Outros pensam nas bundas das mulatas que ilustraram por anos os pôsteres da Embratur. Alguns, que lêem as notícias, podem imaginar uma terra cheia de drogas e de marginais. Os que lêem estatísticas podem imaginar um país corrupto, onde tudo tem um preço.

Veja abaixo um dos videos promocionais para as Olimpiadas 2016, uma pergunta à você que é do Rio. Tem tanta gente cantando por ai ultimamente?



Enfim, identidade e posicionamento são construções mentais que nesse momento estão nas cabeças das pessoas. Não estou falando de verdade ou realidade, mas de percepção de realidade por uma mente humana.

Quanto à identidade do Brasil, precisamos votar com consciência nas próximas eleições. Somos capazes? E você, já pensou na sua identidade e no seu posicionamento próprio?

Fica a dica de saudosos; Cazuza - Brasil:



abs,

Que tal um refúgio?

Fim de ano chegando, e corremos para novas idéias de lugares à visitar. Passar com a família ou a dois. Então deixo abaixo uma indicação bacana. Ainda não fui, mas tem um, porém em divulgar a você essa indicação hoje. Digo nas ultimas linhas. Surpresa ;)

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O que antes era uma casa de pescador e um barracão, hoje se transformou em uma charmosa pousada em Ubatuba, ao lado de Parati, bem perto da praia, menos de dez minutos de caminhada por uma trilha.

A Finca Espírito Santo, está em uma área de 10 mil m2 encravada na Mata Atlântica, cercada por uma floresta intocável com espécies consideradas extintas como o Jussara, palmito nativo da Mata Atlântica, além de arvores centenárias que compõem um dos mais ricos ecossistemas do planeta, paraíso da biodiversidade de espécies vegetais e animais.

A idéia inicial era uma Villa de Praia como aquelas na Costa do Mediterrâneo, mas com o passar do tempo outros projetos foram se concretizando, e em 2006 a Pousada, ao estilo bed and breakfast, Finca Espírito Santo foi inaugurada.

O nome vem da junção de dois fatores, a localização da pousada está numa montanha próxima ao vale e mar, aí a derivação de Finca, e o Espírito Santo, devoção do proprietário, Luigi Romano.

Veja o lugar:

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As cinco suítes foram construídas à base de bambu, barro e areia, as paredes são revestidas de estuque e as madeiras têm selo verde. Todas disponibilizam o necessário ao hospede. Além disso, foram decoradas individualmente com peças originais de coleção, garimpadas em viagens e antiquários com valor inestimável. [Sim, queremos fotos do quarto!]

A culinária, dizem ser um capitulo a parte, e o cardápio representa bem o clima intimista da pousada com variações de quatro pratos por época. Elaborados pelo chef Gabriel Scalco, ex-modelo que largou a carreira para se dedicar a gastronomia, o cardápio é todo baseado na culinária mediterrânea com influências da cozinha local, e possui muitas verduras, massas leves, frango, peixes e frutos do mar na sua composição.

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À disposição de todos os hóspedes estão também os passeios, entre eles caminhadas em trilhas, aulas de surf, passeios de escuna e caiaque até a Ilha do Prumirim e também uma visita à aldeia dos Índios Guaranis.

O que acha, vale uma visita?

Endereço: km 27,5 da rodovia Rio - Santos
www.fincaespiritosanto.com.br

Se gostarem do lugar, prometo conversar com o Luigi e veremos uma surpresa para alguns blogueiros! Ah, aproveito e posto o que achei de lá, assim que visitar também!

Comente e de sua indicação de lugar para o fim de ano!

abs,

Agradeço a Naiane Santos, da Cartaz, pelas informações

Sexo, Drogas, Rock 'n Roll e Hollywood

"Nós vamos destruir vocês. Vamos tomar o poder. Vocês estão acabados."
- Dennis Hopper para George Cukor


Em 1969, um filme de motoqueiro de baixo orçamento abalou Hollywood. Uma celebração despudorada do sexo, das drogas e do rock´n´roll (dentro e fora das telas), Sem Destino [Easy Rider] inaugurava uma década de fúria em que jovens e rebeldes diretores revigoraram a indústria cinematográfica. Em Como a geração sexo-drogas-e-rock´n´roll salvou Hollywood, que a Intrínseca publica no Brasil, Peter Biskind nos faz embarcar na louca viagem que foi a Hollywood dos anos 70, uma época que produziu clássicos modernos como Bonnie & Clyde, O Poderoso Chefão, Chinatown, Shampoo, Nashville, Taxi Driver e Tubarão.

O livro recompõe vividamente a exuberância e o excesso daqueles tempos: o sucesso inesperado de Sem Destino e as igualmente alarmantes circunstâncias sob as quais foi feito, com drogas, bebidas e as violentas brigas entre os protagonistas, Dennis Hopper e Peter Fonda, tomando conta do set. Mostra por que uma pequena produtora chamada BBS tornou-se o guia espiritual da revolução jovem em Hollywood, e de que maneira alguns dos executivos da empresa ajudaram a contrabandear o líder inspirador dos Panteras Negras, Huey Newton, para fora do país.

Relembra como o diretor Hal Ashby foi preso por porte de drogas e jogado numa cadeia em Toronto; por que Martin Scorsese compareceu à cerimônia do Oscar escoltado por agentes do FBI quando Taxi Driver foi indicado a Melhor Filme; e como George Lucas, tomado pela ansiedade, cortava seu cabelo compulsivamente enquanto escrevia Star Wars. Conta por que uma modesta casa em Nicholas Beach, ocupada pelas atrizes Margot Kidder e Jennifer Salt, tornou-se o quartel-general extraoficial da Nova Hollywood. Revela como William Friedkin tentou humilhar o chefão da Paramount, Barry Diller, e como o roteirista e diretor Paul Schrader brincava de roleta-russa em sua Jacuzzi. Era um tempo em que a experiência do "tudo é permitido" prevalecia tanto nos filmes quanto fora deles.

Depois do sucesso de Sem Destino, jovens recém-saídos das escolas de cinema se viram subitamente no comando, e diretores como Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich, George Lucas e Martin Scorsese tornaram-se figuras poderosas. Até mesmo a nova geração de estrelas - Jack Nicholson, Robert De Niro, Dustin Hoffman, Al Pacino e Faye Dunaway - parecia fazer parte de uma nova espécie de atores, diferente dos da Hollywood tradicional. Ironicamente, essa revolução chegaria ao fim com Tubarão e Star Wars, filmes com tal êxito comercial que criaram a mentalidade do blockbuster, estabeleceram novos parâmetros e, assim, destruíram a inovação.

Baseado em centenas de entrevistas com diretores, produtores, estrelas, agentes, roteiristas, executivos dos estúdios e ex-esposas e narrado de forma direta, o livro é a história dos bastidores da última era de ouro de Hollywood. Nunca tantas celebridades falaram tão abertamente umas sobre as outras ou sobre drogas, sexo e dinheiro, que fizeram muitas delas chegar ao fundo do poço - e nunca mais voltar.


Peter Biskind, o autor, foi editor-executivo da revista Premiere e editor-chefe da American Film. Também já escreveu artigos para publicações como The New York Times, Los Angeles Times, The Washington Post, Vanity Fair e Rolling Stone.



Trechos exclusivos do Livro:

BROOKE HAYWARD SOBRE DENNIS HOPPER: "Quando finalmente nos divorciamos, eu poderia ter ficado com metade da parte dele em Sem Destino, mas eu me recusei a aceitar um níquel de Dennis, porque eu não queria que ele viesse atrás de mim com uma arma e me enchesse de tiros."

DENNIS HOPPER SOBRE SEM DESTINO: "Eu sou o responsável pelo problema da cocaína nos Estados Unidos. Não havia cocaína nas ruas antes de Sem Destino. Depois de Sem Destino, estava por toda parte."

MARTIN SCORSESE SOBRE DROGAS: "Era uma questão de ultrapassar limites, ser rebelde. Eu me droguei muito porque eu queria. queria forçar a barra ao máximo, até o fim, para ver se eu ia morrer."

MARCIA LUCAS SOBRE FRANCIS FORD COPPOLA: "Não era segredo algum que Francis era um grande caçador de xoxotas. Ellie ficava nas festas durante uma meia hora, depois desaparecia, enquanto Francis pegava alguma garota na piscina. Eu tinha pena de Ellie e achava Francis um nojo, como tratava a mulher daquele jeito."

STEVEN SPIELBERG SOBRE FRANCIS FORD COPPOLA: "Vi nos olhos de Francis alguém que não fazia distinção entre velho e jovem. Ele estava produzindo para George e eu ficava pensando: ''Talvez aqui esteja a pessoa que vai abrir as portas para todos nós.'' Mas ele só abriu portas para George. Aos olhos dele e aos de George também, eu estava trabalhando dentro do sistema."

FRANCIS FORD COPPOLA SOBRE GEORGE LUCAS: "Eu o carreguei comigo para toda parte, mas ele jamais me levou junto. Eu o ajudei, mas, claramente, uma vez que ele deu a partida ao processo, ele foi embora mesmo."

WILLIAM FRIEDKIN SOBRE STAR WARS: "O que aconteceu com Star Wars foi o mesmo que quando o McDonald''s se estabeleceu e o gosto por boa comida desapareceu. Agora estamos num período de involução. Tudo está sendo sugado para dentro de um grande redemoinho."


GEORGE LUCAS SOBRE STAR WARS: "Os filmes-pipoca sempre foram os de maior sucesso. Por que as pessoas veriam esses filmes-pipoca se não fossem bons? Por que o público é tão burro? Não é minha culpa."

DON SIMPSON SOBRE ROBERT ALTMAN: "Nenhum de nós queria fazer Popeye, e detestávamos Altman, que era um tremendo enganador. Ele era um tolo vaidoso, um babaca pretensioso e empolado."

ROBERT ALTMAN SOBRE DON SIMPSON: "Simpson era um bandido, um vagabundo. É ótimo para a indústria que ele não esteja mais por aí. Só lastimo que ele não tenha vivido mais tempo e sofrido mais."

Então, fica a dica:

Como a geração sexo-drogas-e-rock´n´roll salvou Hollywood
- Easy Riders, Raging Bulls, de Peter Biskin [+]

abs,