O Social e as Empresas

Uma cartilha opinião, para entender melhor sua empresa nas mídias sociais.

Foi-se o tempo em que as empresas para divulgarem seus produtos ou serviços, ou até mesmo a sua filosofia, precisava utilizar a mídia tradicional, como: TV, rádio e veículos impressos. Hoje a internet tornou-se uma aliada primordial para a aproximação entre a organização e seu público-alvo. A utilização dos portais tradicionais, com informações institucionais, já não é mais diferencial para atender um público diversificado. Por isso, cada vez mais, a aposta são as redes sociais: Youtube, Flickr, Orkut, Facebook, Twitter, Messenger e LinkedIn.

Pesquisa realizada pelo Ibope Nielsen Online em dezembro de 2009, aponta que no Brasil há mais de 66 milhões de usuários na internet. Desses 80% participam de alguma rede social. Com isso o País torna-se o primeiro no mundo em tempo na frente do computador, aproximadamente 44 horas mensais. A cota brasileira ultrapassa as dos Estados Unidos, França e Japão.

Estar presente na internet, porém, já não basta. É preciso traçar estratégias para atender o internauta. O diferencial das redes sociais em relação às outras mídias está justamente na interação, em tempo real, entre a empresa e o seu público, além de conter informações sobre o comportamento do consumidor. Por isso, para não perder a chance de realizar bons negócios, a participação nas novas mídias é fundamental, senão há o perigo das empresas brasileiras ficarem para trás.

Antes de aderir às novas ferramentas é preciso planejamento, pois com ele, a organização vai saber qual o melhor momento, local e que tipo de informação é útil para o seu público-alvo, além de saber a hora de interagir. Também a participação nas redes sociais exige pessoas treinadas, recursos tecnológicos, tempo e investimento na inovação e aprimoramento, seja no rosto da página disponibilizada na internet, seja na qualidade da comunicação com seu público, entre outras estratégias.

Participar das redes sociais é a oportunidade para as empresas conhecer novos clientes, prospectar negócios, ver novas tendências, estabelecer canais de comunicação e compreender o comportamento dos consumidores. Para isso há a necessidade de ter profissionais que entendam desse ambiente, pois eles estarão aptos a estabelecer estratégias específicas às novas mídias digitais. Isto sem esquecer que os veículos de comunicação tradicionais também são úteis para atingir os objetivos pretendidos. O aparecimento de novas formas de interação nos indica que há outros recursos disponíveis para fazer a mensagem chegar ao receptor.

Além se ser um ambiente bom para os negócios, a utilização de redes sociais é importante para incrementar o networking tanto profissional como pessoal. O que contribui para isso é a interação entre os usuários, a segmentação e a visibilidade para expor opiniões, gostos e objetivos. Mas, antes de fazer qualquer post, é preciso tomar várias precauções: pense no que vai ser publicado, porque depois será tarde para mudar; seja transparente, não conte mentiras, pois falsos testemunhos trarão danos à sua imagem; não seja inconveniente, por exemplo, ao colocar mensagens irrelevantes no Twitter aos seus seguidores, do tipo "o que está fazendo a todo instante"; não esqueça, erros podem acontecer, quando ocorrer, assuma.

Outro ponto que contribui para o networking nos meios eletrônicos é a facilidade, a rapidez e a instantaneidade em que são construídas as redes de relacionamentos que atendem os interesses pessoais e profissionais. Mas não se esqueça que o seu uso é um facilitador para conhecer novos contatos e nunca deve substituir o contato pessoal. A utilização de meios, como: visitas, almoços, cartas e feiras de negócios, ainda são formas necessárias para conseguir para o relacionamento interpessoal.

Antes de aderir à nova tecnologia, avalie se ela vai acrescentar valor à sua marca, defina objetivos claros, tenha uma equipe preparada. Em um ambiente novo e sem fronteiras como esse, é preciso estar preparado para enfrentar desgastes que podem ocorrer, além de estar pronto para atender seus novos cyber contatos. A precaução assegura uma comunicação correta, decente, honesta e confiável com seu público-alvo.

Lembre-se que o homem é um ser social, criado para viver em grupos, portanto, neste contexto, faço minhas as palavras do filósofo grego Aristóteles: "uma andorinha só não faz verão!"

abs,

*por Clarice Pereira

O Individualista

Em recente post, minha Luz, Luma, postou o seguinte causo:

Conversa vai e vem, deslanchou sobre uma 'conhecida' nossa, tão chata e sem desconfiômetro a respeito da própria chatice, que mesmo estando munida dos melhores princípios feministas eu não seria capaz de defendê-la. (...) Então, quando um dos meus amigos comentou que 'fulana' atravessa as conversas, impõe sua presença e vive tentando monopolizar grosseiramente as atenções, outro amigo replicou: "Isto é porque ela foi muito gostosa quando era mais jovem".

Achei que o sexismo, a misoginia ou seja qual for o nome do preconceito deles contra as mulheres estava indo longe demais e quis interferir, mas daí esse mesmo amigo, continuou a falar: "... As mulheres muito desejadas ficam mal-acostumadas. Durante muitos anos da vida delas, basta entrarem numa sala para monopolizar todos os olhares. Basta falarem um "a" que todos os homens lhes darem atenção, querendo concordar com qualquer coisa que elas digam". Porém - e, como dizia Plínio Marcos, sempre tem um porém - é inevitável que um dia essa moleza acabe. (...)

Foi com uma certa amargura que tive que concordar que o comentário deles à respeito da nossa 'conhecida' chata tem valor didático para todas as mulheres (...)


Mesmo com comentários positivos ou negativos, eu não gosto de ficar em cima de muro quanto à alguns assuntos. Meu comentário para Lu à este post foi, "Concordo e discordo", pois bem, vamos analisar. Luma tocou em alguns pontos mal resolvidos de nossa sociedade. Dentro desta conversa que se passou, há inúmeros debates de modos vivendis, e tudo se resume à um foco: Qual nossa visão do mundo? Quando uma imagem passar por nossos olhos, o que anexamos em nosso cerebelo?

Vamos debater a história em meu ponto de vista.

Acredito que o rapaz que fez a citação, "Isto é porque ela foi muito gostosa quando era mais jovem", deixou claro sua visão à mulher citada. A realidade é simples, ela já nasceu do jeito que é hoje. O problema, é que os homens, inclua-se este rapaz, sequer prestava atenção ao que esta mulher dizia nos tempos que tinha uma bela aparência. Ou seja, anunciou ao mundo que, para ele, é indiferente o que a mulher dizia, queria fazer ou queria debater, o foco era sempre seu busto ou bumbum, esse era seu único pensamento.

Temos uma outra linha que destaco, "... As mulheres muito desejadas ficam mal-acostumadas." Infelizmente eu concordo, em partes. As mulheres tendem a obter um tratamento bem diferenciado dos meninos desde seu nascimento, isto não quer dizer que há segregação sexual, mas sim, um modo de ensino diferente que buscar criar um ser de boa índole, que queira trabalhar, ter uma vida, casar, filhos, etc... Como todo bom ser humano deve ser.

Contudo, tivemos essa decadência em nossa sociedade de 200 anos à cá. Que tem como principal foco, a manipulação de imagens do ser humano e transforma-los em objetos de desejo. "Se eu comprar esse carro, vou pegar gostosas..., se eu comprar esse desodorante, milhares de mulheres virão correndo atrás de mim"... Pessoalmente acho que qualquer comercial que tenha este ponto de vista, é um tapa na cara de todos os homens dizendo: "Você é feio, tem uma péssima auto-estima e precisa da ajuda para conseguir mulher". E ofende as mulheres ao tratá-las como objeto sexual... Mas, perai.. E a mulher e o homem que fizeram o comercial, por que toparam? Pela grana, simples. E nem sabem exatamente o que estão fazendo. Essa bobagem de vender "bunda" em comercial e você comprar um produto linear, nocivo e desnecessário, já vem de antes de nossos avós.

Então, vamos organizar as idéias. Temos dois pontos de vista, o meu e a do rapaz que, talvez, considera um tipo de padrão de mulher como "gostosa", o padrão cerveja de ser.

Se ela foi mimada, até quando estava em seus dias de ouro, a culpa foi de todos. Dela por aceitar, dos homens que a trataram bem e logo após, mal, por sua falta de “boa aparência”. [Sim, tratar mulher bem, por causa de sua beleza é um pecado que homens fazem para a luxuria, e no fim, obter resultados catastróficos, tanto em sua vida quando em sua alma], e culpa da sociedade que acha isto tão divertido e rentável, que acaba causando esses momentos em que, praticamente, qualquer roda de papo de homem, tem que ter uma "gostosa no meio”.

A beleza é insustentável para qualquer ser humano, não nascemos para orar por nosso corpo, mas, para viver e ser feliz. Responda-me rápido, leitor. Tanto o homem que fez o comentário, quanto à mulher citada como chata, são felizes? O que pensam de um relacionamento? O que querem para suas almas e seus corações?

Posso citar alguns pecados capitais que poderiam responder perfeitamente as perguntas. Mas deixo isto com vocês.

Claro que não irei somente dizer que este rapaz foi incoerente demais, as mulheres fazem o mesmo. O assunto, invertido, seria da mesma maneira. Elas falando do corpo dele e seu rosto, e incluiriam nesta conversa sua dificuldade dele em distinguir a esquerda da direita. Quer um exemplo? Assista qualquer novela global. Verá o que digo.

[Mudando de assunto. Continuando no contexto...]

Talvez seja neste ponto que as mulheres ficam para trás, o tempo é injusto com ambos, mas os homens são mais aceitáveis na sociedade atual por conta de aceitarem a própria idade. Pode ver, leitor, o que não aceita a idade, vira um boneco de plástico, mas a ocorrência disto é bem menor se comparar com as mulheres. 70% , pelo menos, fazem algo para parecerem mais jovens, mas qual o motivo? Não sei. Como citei em um texto, envelhecer é tão bom.

Tenho uma opinião quanto à necessidade de parecer jovem.

Acredito que querem igualar a idade que gostariam de ter com a experiência de vida atual. Em resposta eu digo: Quando chegar a este ponto, acredite, é tarde demais.

Então, me pergunto, por que não aprendem agora o que lhe faz bem, feliz e completa? Ao invés de entrar na boca alheia e ser reconhecida como ex-gostosa chata em roda de amigos no futuro próximo? ...

[back on track...]

Para as necessitadas de atenção - ou não -: Antes de querer chamar atenção de qualquer pessoa, seja intencional ou não, chame atenção de si mesma no espelho, em seu conhecimento, no modo de andar, de falar, de pensar. De agir. Seja feliz com você antes de tudo.

E você que adora selecionar mulheres como se fossem figurinhas colecionáveis: Preste mais atenção nas suas adorações. Garanto que, pelo menos, 80% do que acha que gosta é pura manipulação de terceiros. Afinal, parou para pensar na vida ultimamente?

Conheça a ti mesmo, viverá melhor e feliz.

Agora, viu como tudo é questão de ponto de vista? Esse foi o meu, acredito que alguns concordarão, outros não. E muitos não vão querer entender o que escrevi.

E como citei acima, esse pequeno bate papo descrito pela Lu, é um reflexo de um assunto maior, antigo e com muitos pontos únicos à seres debatidos. Quando vir um homem dando em cima de uma mulher “gostosa”, aos olhos dele, pare, veja, e entenda a consequência da situação e o peso que tem o que a pessoa acabou de fazer. Tanto o homem que conjeturou, quando a mulher que aceitou com um sorriso. Este simples momento, contará todo passado da sociedade e o que aceitamos até hoje.

abs,

Compaixão da Morte

Diversos jornais do mundo publicaram recentemente a notícia do apresentador britânico Ray Gosling, que confessou na TV ter matado por piedade seu amante em estado terminal. Gosling afirmou, em programa da BBC, que sufocou no hospital o namorado que sofria terríveis dores em decorrência do vírus HIV. Seu comportamento teve como motivação um pacto, selado por ambos, em que optaram pelo suicídio assistido como solução para o sofrimento insuportável. De acordo com os noticiários, o caso acordou a discussão no Reino Unido sobre eutanásia e suicídio assistido.

Como avaliar do ponto de vista da moral cristã a decisão de Gosling? Será que tal comportamento motivado pela compaixão se justifica? Para respondermos a tais questões, devemos entender, primeiramente, o significado de eutanásia. Do grego eu = bom, e thanatos, = morte, o termo eutanásia significa a "boa ou doce morte". Na encíclica O Evangelho da Vida, o Papa João Paulo II afirma o seguinte: "Por eutanásia, em sentido verdadeiro e próprio, deve-se entender uma ação ou uma omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento".

O Papa vê nessa prática um dos sintomas da "cultura da morte" e denuncia o crescimento de uma mentalidade que marginaliza as pessoas idosas, deficientes e vulneráveis. A partir de critérios de eficiência e produtividade, essas vidas são consideradas descartáveis. Sendo assim, o melhor a fazer é eliminar tais pessoas, recorrendo a argumentos como respeito à autonomia e direito à morte.

No entanto, antes ainda de falar do direito à morte, temos de lutar para que o direito à vida já existente seja honrado, até porque muitas vezes esse maravilhoso dom é abreviado "antes do tempo", em escala social, por causa da violência, da pobreza, da falta de recursos socioeconômicos que garantam a todos o direito não só de viver, mas de viver com dignidade. É chocante, e até irônico, constatar que a mesma sociedade que nega o pão, o emprego, a saúde, a educação, pretenda oferecer, como prêmio de consolação, a mais alta tecnologia para "bem morrer".

A decisão tomada pelo apresentador britânico recai em um caso particular de eutanásia, ou seja, o suicídio assistido. Também na encíclica O Evangelho da Vida, o Papa esclarece que o suicídio, sob o perfil objetivo, é um ato gravemente imoral, "embora certos condicionamentos psicológicos, culturais e sociais possam levar uma pessoa a realizar um gesto que tão radicalmente contradiz a inclinação natural de cada um à vida, atenuando ou anulando a responsabilidade subjetiva".

A tradição da Igreja sempre recusou o suicídio como escolha gravemente má porque "comporta a recusa do amor por si mesmo e a renúncia aos deveres de justiça e caridade para com o próximo, com as várias comunidades (família, amigos, Igreja, trabalho etc.) de que se faz parte e com a sociedade no seu conjunto". E a sociedade, o que diz? Até agora, nada.

Sendo assim, o chamado suicídio assistido, ou seja, o compartilhamento da intenção de alguém suicidar-se, ajudando-o a realizar tal ato, significa "fazer-se colaborador e, por vezes, autor em primeira pessoa de uma injustiça que nunca pode ser justificada, nem sequer quando requerida".

A avaliação moral da eutanásia e do suicídio assistido deverá sempre considerar que a vida humana é inviolável, ainda que marcada pelo drama da dor e do sofrimento. Ninguém, por sua própria vontade, se dá o direito de vir à existência. A vida é dom - seja ele divino ou científico. Da mesma forma, ninguém tem o direito de matar quem quer que seja ou destruir sua própria vida. Além disso, devemos rejeitar toda e qualquer consideração utilitarista da vida humana.

Deve-se buscar sempre o verdadeiro motivo que leva alguém a pedir a morte. No fundo das várias solicitações de eutanásia e de suicídio assistido, existem profundas angústias, experiências de solidão, abandono e falta de solidariedade. O que a pessoa realmente necessita é de melhor assistência, tratamento personalizado, espiritualidade e muita ternura humana. A pessoa deve ser valorizada de modo integral, não só como um "corpo" doente, mas como pessoa, alguém que possui um nome, um rosto, uma história, uma dignidade a ser defendida e promovida. É fundamental que o cuidado integral em relação ao enfermo na fase terminal seja ainda mais humanizado.

Ao paciente que se encontra diante da morte iminente e inevitável e também àqueles que estão ao seu redor - sejam familiares, amigos ou profissionais de saúde - deve ser dada toda ajuda possível para que enfrentem com naturalidade a realidade dos fatos, encarando o fim da vida não como uma doença, para qual se deva achar a cura a todo custo, mas sim como condição que faz parte do nosso ciclo natural.

E você, o que faria?

abs,

Escolhidos a esmo

Quando o ônibus espacial Atlantis decolou, em novembro passado, o comandante Jeff Williams levava com ele um globo de plástico. Diante de uma câmera, contemplando pela janela, rodou nosso planetinha e parou, assim com o dedo a esmo, em cima de uma cidade.

Um repórter e um cinegrafista da rede CBS partiram para lá. A primeira cidade foi na Índia, Rewari, ao sul de Nova Déli, nordestinamente pobre, com um milhão de habitantes.

Diante de várias testemunhas numa praça, ele, o repórter, pegava um guia telefônico da cidade, abria numa página qualquer, e punha o dedo embaixo de um nome. E saía em busca. O repórter contou que na cidade nunca tinham visto um americano e o personagem "dedado" no guia "jamais veria um": era cego.

O senhor Kushirani era professor mas ficou cego aos 20 anos por alguma doença nunca bem diagnosticada. Hoje, aos 78, ele ganha US$ 4 por dia moendo trigo.

Com poucos dentes na frente, não tem muito a dizer, mas a vida em volta dele conta uma rica história.

Na casa, grande e limpa, vivem 13 parentes de quatro gerações. O filho mais velho tem uma pequena construtora, outro tem uma lanchonete. O ambiente é de prosperidade e o inusitado é a conta bancaria: só uma para todos os parentes. Quem precisa, pede e recebe. Prosperidade com atrito zero, uma lição de comunismo doméstico bem sucedido e intransplantável, que começou com um casamento harmonioso e já dura 57 anos.

A segunda dedada do astronauta levou a equipe para Liejapa na Letônia, antiga União Soviética. Com outra dedada no guia telefônico a equipe chegou à academia de ginástica de Mr. Sveldukus, um homem bonito de 50 anos, olhos azuis, corpo de Arnold Schwarzenegger nos bons tempos.

Quando criança, o letão teve uma hepatite grave e ficou raquítico. Era criança deboche. Um dia assistiu ao filme "Hércules", com Steve Reeves, e descobriu um modelo.

No comunismo, as academias de beleza e o fortalecimento corporal eram símbolos da decadência ocidental. Proibidas e desprezadas. Musculatura, só para fins olímpicos. A cidade, à beira mar, tinha um porto onde o raquítico comprava revistas de musculatura dos marinheiros no mercado negro. Exercitava às escondidas e cresceu, cresceu...

Quando o muro de Berlim caiu, em novembro de 89, o patola "saiu do armário" para as capas de dezenas de revistas europeias. Está superfeliz, próspero e casado com uma mulher mais bonita do que ele.

A última viagem da série levou a equipe à cidade de Mascate, no muçulmano Omã, perto do Iêmen. O guia telefônico levou o repórter judeu e sua câmera à casa de Abdulah Shikaly, que o recebeu com um banquete tradicional e uma história ainda mais saborosa.

Nasceu em uma família tão pobre que morava, de graça, em ruínas milenares, sem água nem esgoto, no deserto. Nunca passou um dia na escola nem teve um centavo no bolso antes do primeiro emprego.

Aos 21 anos, foi um dos cinco contratados para trabalhar numa companhia americana de exploração de petróleo. As condições eram tão abomináveis que Abdulah organizou a primeira greve na história do país. E venceu. Melhorou a situação dos empregados e sua capacidade de liderança, em vez de castigada, inteligentemente, foi premiada. Hoje, rico, ele ensina outros engenheiros a procurar petróleo.

Na década de 80, fascinado com as possibilidades das mudanças no Brasil e inspirado numa série de reportagens da CBS chamada "On The Road", com Charles Kuralt, lembro de alguém sugerir ao então diretor de jornalismo da Globo, Alberico Souza Cruz, uma série que se chamaria "No Coração do Brasil". Sairia do Amazonas e chegaria ao Rio Grande do Sul, ou vice versa, um carro/casa para fazer reportagens com pessoas, animais, plantas, enfim, com o que fosse interessante em cada cidade.

A ideia do guia telefônico nunca me ocorreu porque nem pensei que haveria guia telefônico na roça. Acho que anos depois o Jornal Nacional fez uma série parecida e muito bem produzida com o Pedro Bial.

A ideia do "encontro às cegas" é ainda mais fascinante neste mundo muito maior criado pela internet. Esta semana, o site revolucionário é o Chatroulette. Você entra, clica e não sabe quem vai encontrar.

Pedi uma colega, Angélica, produtora executiva de TV, para dar uma olhada e ver se valia a pena colocar no programa "Manhattan Connection" [GNT]. O primeiro personagem que ela encontrou foi um homem zarolho de tão afoito, em plena masturbação.

Ele com certeza tinha uma história para contar, mas a Angélica não quis interromper o embalo. Ela foi pra casa com uma boa história para contar pro marido e os amigos no jantar, e eu tenho uma para contar pra você aqui no blog.

abs,