Sobre o seu trabalho

Onde quer que existam pessoas, existem conflitos. O ambiente corporativo não é exceção. Por mais saudável e bem administrada que seja uma empresa, por mais inteligente e bem aplicada que seja sua política de recursos humanos, ainda assim haverá espaço para que proliferem intrigas, antipatias e disputas pelo poder.

Dentre os agentes que mais desencadeiam problemas no ambiente de trabalho, sobressai a figura do ‘puxador de tapetes’. Ressentido, ele se acha melhor do que todo mundo e não perdoa os colegas que ganham mais ou que ocupam um cargo mais alto na hierarquia. Ele só enxerga as ‘injustiças’ das quais se considera vítima. Nunca admite que outra pessoa fez por merecer uma promoção, um prêmio ou uma viagem porque se empenhou de corpo e alma na busca por um bom resultado, ou porque abraçou um projeto, ou, ainda, porque preferiu abdicar de algumas horas de lazer para se aprimorar na profissão. O puxador de tapetes vai optar, sempre, por rotular os vitoriosos como ‘puxa-sacos’ e ‘oportunistas’. Mas – vale lembrar! –, na primeira oportunidade que surgir, o puxador de tapetes não hesitará em tentar obter para si mesmo as benesses que ele não tolera ver concedidas aos outros. E, e o que é ainda pior, nas maior parte das vezes esse tipo de pessoa não hesita em se valer de recursos desonestos para chegar aos objetivos pretendidos.

Uma boa história para apascentar os ânimos dos puxadores de tapetes é a de Dionísio I, Imperador de Siracusa, na Sicília, que reinou no século IV a.C. Segundo uma anedota histórica, Dionísio era muito invejado por um de seus cortesãos, Dâmocles. Certa noite, o monarca propôs trocar de lugar com o plebeu, para que este sentisse um pouco o ‘sabor’ do poder.

Durante o banquete, Dâmocles, feliz da vida por estar sentado no trono do Imperador, saboreando iguarias raras e vinhos maravilhosos, olhou para o alto. E, apavorado, viu uma espada afiadíssima, segura apenas por uma fina crina de cavalo, com a ponta voltada diretamente para a sua cabeça. Diante do inesperado, Dâmocles questionou Dionísio, que explicou: o monarca dispõe de riqueza, conforto e pessoas prontas a obedecê-lo; no entanto, não pode vacilar nunca, pois aquela espada permanece suspensa sobre sua cabeça todos os dias, todas as noites, desde o primeiro instante de seu reinado.

De forma semelhante, quem ocupa um cargo na hierarquia de uma empresa está sempre exposto ao risco de ser atingido pela espada de Dâmocles. Seus erros, suas falhas, suas hesitações, podem lhe valer, senão a “morte” literal, pelo menos a morte profissional. E essa tensão se torna maior na medida em que os degraus da hierarquia vão sendo galgados.

Outra personagem complicada do ambiente corporativo é o profissional cabotino, aquele indivíduo que adora propagandear seus feitos e age como se as conquistas e realizações fossem um mérito exclusivo dele, e não o resultado do trabalho de uma equipe.

O termo ‘cabotino’ vem do francês e tem sua origem em um ator parisiense do século XVII, chamado Cabotin. O artista costumava fazer turnês pelas cidades da França, e quando chegava a um lugar, alardeava que o maior e mais talentoso ator do mundo se apresentaria em tal data e tal horário. Estimuladas, as pessoas se empenhavam em ver o ‘artista maravilhoso’, e se surpreendiam quando, no palco, surgia ninguém mais ninguém menos que o próprio ‘propagandeador’ do ‘mestre’ Cabotin...

A mesma coisa acontece quando esse tipo de profissional ‘alardeia’ seus feitos, suas inovações, suas descobertas. Não raro, esses ‘gênios’ não passam de pessoas com desempenhos medianos ou até inferiores à média, e raramente duram nos empregos e cargos que conquistam na base da autopromoção. Quando suas máscaras caem, eles simplesmente abandonam o show e tentam conquistar os incautos de outras praças.

Como se livrar de pessoas assim e evitar que elas contaminem o ambiente corporativo? Eis aí uma questão de difícil resposta. Mas, quando mais atenção for dada à real meritocracia, menos espaço sobrará para que os profissionais sem conteúdo ou de caráter duvidoso espalhem seus tentáculos.

Abs,

Ideias e ideias

Sabe quando você tem aquele momento, bem único, de algo que pode mudar um fato, e quando você sabe como fazê-lo, mas vai modificando conforme o tempo?

Seja para bom ou ruim, as boas ideias sempre estão por ai. Depende muito de nós em como executá-la.

Neste país o que não falta é o político boa praça dentro de nós, então porque a maioria que esta comandando "é do mau"? Fácil, assim como não queremos realmente ser técnicos de nossos times de futebol favorito, não queremos comandar um país o qual precisa de muitos ajustes, e na qual teremos muitas barreiras a enfrentar. Diga-se de passagem: Preguiça.

Então, como mudar?

Criamos o famoso "jeitinho brasileiro" para muitas coisas e com isto, o nosso futuro está em cheque. Hoje em dia o que é normal acontecer? Incidências ocorrem constantemente e os motivos cada vez mais obscuros ou claros demais, mas na maioria das vezes com motivações erradas.

Há algum tempo eu fiz um post na qual coloquei um vídeo, o post era intitulado: Vamos pensar simples? Praticidade, envolvimento e perspicácia, faltam nesta nossa cuca do dia a dia.

Ontem houve um rápido debate com a @samegui e a @lidifaria sobre um projeto que se vende como uma solução para muitas coisas de nossa Arte Teatral Brasileira. O projeto convidou alguns blogueiros interessantes, outros... Duvidosos, somente pelo fato de a cultura não ser o forte de seus conteúdos, para divulgar seu produto. O debate no twitter se deu na questão de entender o projeto.

É bom para quem?

O projeto, segundo o próprio site:

Difunde, para todo o Brasil e para o mundo, cultura e espetáculos – até então limitados ao espaço físico onde se apresentavam – contribuindo para que tenham um alcance maior de público e possam ser consumidos por todas as classes sociais. Nesse sentido, a Cennarium é um projeto de inclusão sociocultural inédito no mundo, pois promove o acesso da população a uma opção alternativa de cultura.

Quais seriam todas as classes sociais? O site necessita de uma conexão rápida para assistir, precisam-se comprar também tickets online. Atualmente em nosso país no máximo temos 15 milhões de conexões rápidas, isto em todo país, com uma população estimada em 200 milhões de pessoas.

[O site também cita que em uma conexão baixa pode-se assistir, mas teria que esperar o video todo ser baixada para depois clicar em play. Mas sabemos que para esta opção, é quase nula a participação deste publico de banda discada]

Então digamos que 7,5% da população ganharão acesso a isto. Mas... Isto já não é um fato, hoje? Apenas 7,5% já não têm acesso aos Teatros?

As peças estarão em HD, alta definição e bom áudio. Então temos que ver quais computadores está com a disponibilidade de tal tecnologia. Vamos diminuir então 4,5% - que são computadores populares sem tal tecnologia de placa de video e som, sem tela boa para assistir, sem as saídas VGA ou HDMI para TVs e excluir os computadores de Lan House que são inseguros para compras online - Então nos sobrou 3% da população geral do País que terão acesso ao projeto.

É para se pensar já que o projeto se vende, também, na ideia de: “disseminar e incentivar o desenvolvimento da indústria de entretenimento cultural, e especialmente ser um instrumento de fomento do teatro brasileiro”, segundo o blog Garotas Nerds.

Porém, para as cia de teatro e peças existira a possível venda de espaço publicitário e geração de receita baseado nessas vendas de tickets e publicidade. A peça poderá ir aonde nunca poderia por falta de investimento. Isto é bom. Também um cadastro dos artistas online, assim como hot-site para os espetáculos.

Em minha opinião geral, a ideia é interessante, mas pouco pratica.

Entenda. Como atingir quem não vai a teatro se está impondo limitações? Qual a garantia de que vá arrecadar novos espectadores?

Com ideias focalizadas em praticidade para quem "pode bancar", acredito que projetos deste porte faz com que o nosso governo sinta-se a vontade em investir pouco na nossa cultura, em nossos patrimônios públicos, em nossas cia de teatro e em geral, etc... Peças como O Despertar da Primavera, que é um open mind para jovens, sofre com a falta de investimentos. Outras de menor conhecimento passam pelo mesmo. Como esse projeto beneficiara tais peças?

Vamos usar O Despertar como exemplo. Eles ficaram apenas uma semana em cartaz em São Paulo, suponhamos que a peça não entrará mais cartaz, mas temos a peça nos servidores do projeto. Acesso o site, pago 30 tickets e assisto a hora que quero. Isto é sensacional, porém, o único que vai se interessar pela peça sou eu que já conheço, e no mais, vou incentivar algum amigo de conexão boa e disposição para ficar perto do pc. - ou comprar um cabo que transmita o pc até a televisão – a ver a peça também. Cômodo, certo?

Como a peça vai chegar a lugares que não tem investimento em tecnologia? Como vamos apresentar à peça as pessoas que não conhecem, via o site?

Quem garante que alguém vai pagar por um ticket, não pegue seu notebook e transponha a um projetor que passara para toda uma empresa ou comunidade – Sendo que a mesma custaria 1 ticket por espectador -? Quem garante que o vídeo do acervo deles estará seguro?

Mostra-me uma central de vídeos online que não dê para fazer o download do mesmo.

Sendo assim, quem garante que o vídeo de nossos teatros não vá parar na próxima banca de DVD pirata?

Um adendo interessante: Se parar na banca de DVD pirata, é garantia de ir para o país todo e para o mundo.

Vamos pensar direito e nas consequencias de nossos atos. Hoje, o projeto parece - em curto prazo - Bom. Amanha, poderá ser a resposta para nossos problemas de teatro, sim. Ou um caos em nossa cultura nacional já tão debilitada.

Criticar é fácil Julio, mas, e a resposta? Sinceramente, eu diria: "A empresa Nortik investiu 10 milhões em tecnologia para promover esse projeto. Por que não compraram um canal de tv a cabo ou HD? Poderiam passar esses teatros via satélite para muito mais pessoas, de ponta a ponta do país.” Ao menos é televisão, fácil de cobrar publicidade e fácil de chegar as pessoas. - Apenas uma ideia jogada, claro.

São alguns pontos que vi, não todos. Sei que muitos outros existem, bons ou não. Pesquisem e entenda.

Como o próprio Jovem Nerd citou em seu twitter: "É um Pay Per View na Web"

Pay Per View, para quem tem em casa já sabe como é vendido: Comodidade. É como o próprio nome diz, Pague Para Ver, ou seja, Pague pela comodidade. Justo. Porém, quantos em nosso país podem pagar para ver, mesmo? #pensata

Não somos norte-americanos, não vivemos em um mundo TiVo. Precisamos de tato, de realidade (não a aumentada, a real), precisamos mostrar a nós mesmos e aos que vem depois de nós que podemos guardar lugares históricos, podemos garantir que veremos peças em lugares bons, bonitos e com valores acessíveis a muitos e, no futuro perfeito, a todos. Principalmente mostrar a iniciativa privada e a governamental que queremos investimentos sérios em nossa cultura!

Vamos salvar o nosso patrimônio. O mesmo que nos faz viajar e sonhar com um dia a dia melhor. Vale ressaltar que minha opinião aqui não é baseada contra a evolução natural. Livros, Filmes e agora teatros estarão online, e acho isto natural. Mas estamos esquecendo a nossa realidade atual, tecnologia, bolso, evolução do país como um todo. Estamos pensando sozinho ao invés de coletivo.

Só peço para que todos reflitam em como estamos tentando evoluir. E como as ideias que tem investimento, não raras vezes, são sugestionáveis.

Pense!

Abs,

O Despertar da Primavera - O Musical [Promoção - Update Ganhador]

E a ganhadora da promoção foi a

Mayuri Yonemaru disse...

Creio que tabus são questões que, mesmo presentes em todo lugar, a sociedade prefere ignorar ao invés de enfrentar. São assuntos rodeados de preconceito e discriminação, sendo que num mundo mais progressista poderiam ser encarados com leveza, aceitação ou no mínimo respeito. E todos que vivem num medo constante - como por exemplo os jovens que escondem a homossexualidade, em conflitos internos que muitas vezes podem levá-los ao suicídio - teriam muito mais liberdade para viver suas vidas e serem quem realmente são. Todos esses tabus costumam ser vistos com maus olhos pela Igreja, da homossexualidade ao suicídio, do aborto à eutanásia, do sexo antes do casamento à gravidez precoce. Mas os fieis encegueirados não se lembram de um ensinamento crucial: odiar o pecado, mas amar o pecador. O problema mesmo é continuar vendo assuntos tão comuns e inevitáveis tratados como pecado, como tabu, como incômodos.



Por favor, envie seu nome completo para juliuspub@gmail.com

Obrigado aos 3405 acessos e a todos os participantes.

Até a próxima.

--

Em 1891, o dramaturgo alemão Frank Wedekind escreveu Spring Awakening, peça que descortinava o universo de um grupo de adolescentes e tocava em temas como o florescer da sexualidade, o incesto, suicídio e a opressão. Mais de um século depois, Duncan Sheik e Steven Sater inseriram o rock'n'roll na vida daqueles jovens e nasceu, em 2006, a versão musical de O Despertar da Primavera - Spring Awakening. A mistura de uma sonoridade contemporânea com um texto clássico recebeu a consagração da crítica norte-americana e oito prêmios Tony, incluindo melhor musical, melhor texto, melhores letra e música.

Chegando por aqui, a versão brasileira da peça, produzida por Charles Möeller e Claudio Botelho, está em cartaz em São Paulo após uma temporada carioca de 23 semanas, onde recebeu excelentes críticas e foi líder em indicações ao Prêmio Shell de Teatro – 2009.

Lá fora é um fenômeno a anos. Veja um vídeo com a Lea Michele, que conhecemos hoje como a Rachel do mega sucesso da Fox, GLEE cantando uma das músicas do espetáculo.


E a Globo News, fez uma matéria muito bacana com o casting nacional. Veja:




Serviço:

"O Despertar da Primavera"
com Malu Rodrigues, Pierre Baitelli, Letícia Colin, Rodrigo Pandolfo e grande elenco.

Quinta, Sexta, Sábado e Domingo.

Teatro Sérgio Cardoso -
R. Rui Barbosa, 153, Bela Vista. - Tel. (11) 3288-0136.
Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia).
Não recomendável para menores de 14 anos.



abs,

O Médico e o Monstro

Musical da Broadway “O Médico e o Monstro” chega ao Brasil

A Mondo Entretenimento junto com Diego Ramiro e Lilian Cordeiro (Kabuki Produções), Paulo Leal e Sergio Leal (PSL) trazem ao país o musical da broadway “O Médico e o Monstro”

A superprodução conta com grandes nomes, como o cenografista J.C. Serroni e o estilista Fause Haten, que desenvolve os figurinos. A versão brasileira é assinada por Cláudio Botelho e a direção geral artística fica por conta de Fred Hanson, da Broadway.

Para quem não lembra, a história acontece em Londres no ano de 1885, quando o brilhante doutor Henry Jekyll, procurando uma cura para a loucura de seu pai, tenta desenvolver uma fórmula para isolar o lado mau das pessoas, partindo do pressuposto de que todas têm duas personalidades. O médico pede permissão para testar sua fórmula em pacientes de um hospital local e, ao ter seu pedido negado, se voluntaria secretamente como cobaia da experiência, transformando-se em Edward Hyde, seu alterego do mal.

Geralmente gosto bastante de musicais e nunca perco uma versão brasileira. Em particular, gostei bastante do Fantasma da Opera, assisti mais de uma vez no Teatro Abril e recomendei a todos os conhecidos, foi sensacional. [Achei no youtube um vídeo gravado na última apresentação em 2007, veja]

Essa produção estreia em junho e tem custo estimado de R$ 6 milhões, é bastante para padrões brasileiros, mas acredite, é bem mediano para padrões estadounidenses (adorei a palavra).

Nao tenho muitas informações sobre a localização de onde poderá ser esse espetáculo ou previsão para a estréia que deve ser bem em breve. Espero que seja no Teatro Abril, um dos melhores (Só perde no nome. Que tal mudarmos hein, Grupo Abril?)

Curiosidade rápida: A versão brasileira envolve mais de 200 profissionais, contando com 28 atores e uma orquestra de 17 músicos. A peça também já contou com mais de 1.500 exibições no Plymouth Theater em Nova Iorque

No cinema, o filme filosófico de baseado na obra de Robert Louis Stevenson fez muito sucesso ganhando versões vencedoras de Oscars, e prestigio a quem interpretasse tão bem.

Contudo, houve os deslizes em vários filmes atuais como o Van Helsing, de 2004. Acredito que esse filme deteriorou o personagem o transformando em um caractere digno de um conto de Tolkien.


Já, um que gostei - pena que o personagem foi pouco utilizado no filme - veio de uma versão também vinda de HQ, The League of Extraordinary Gentlemen [A Liga Extraordinária, de 2003], que contava com o Sean Connery como Alan Quartermain e Jason Flemyng como o timido Dr. Jekyll (e novamente Hollywood tendenciou a utilizar o personagem como um OGRO que parece ter saído do banheiro de Harry Potter, mas tudo bem). Como o filme veio em 2003, a certeza é plena de que os produtores de Van Helsing foram no mesmo espelho do personagem.


É, acredito que o Dr Jekyll não é visto com bons olhos artísticos em hollywood.

Mas vamos voltar mais ao tempo. Na época em que a sétima arte mostrava a que veio. O primeiro Monstro do cinema foi em 1920, um marco na historia de "O Médico e o Monstro". Nada mais que um filme de horror mudo que entrou na história do terror da época junto com Frankeinstein e Dracúla. Fico feliz em disponibilizar à você um link para o filme completo direto no youtube, é só clicar aqui.

Após este lançamento, varios outros vieram no mesmo período e um de meus favoritos, é a versão de 1931 do diretor Rouben Mamoulian. O filme levou três Oscars, entre eles, o de melhor Ator para o Fredric March. Veja uma das cenas, em que o Médico vira o Monstro. Clássico espetacular.


Indico procurar um pouco mais sobre o assunto ou ler o clássico, The Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde (originalmente lançado em 5 de Janeiro de 1886).

É isto, ficou a dica!

Abs,