Todo fim de ano, algo diferente sempre aparecia nas prateleiras das lojas alimentícias. Sempre fiquei curioso do por que nunca poderia encontrar esse produto em outras épocas. Eis que a maior marca deste produto me entrega uma das melhores histórias natalinas:
Era uma vez um pobre ajudante de padeiro chamado Toni que vivia na região de Milão, Itália. Como todo aprendiz de ofício da Idade Média, Toni trabalhava horas a fio sem descanso. Na gelada véspera do Natal do ano 900, o sol já tinha se posto há algumas horas, quando o patrão mandou que Toni preparasse mais uma fornada de pães e, ao mesmo tempo, começasse a montar a torta de Natal para ele, sua família e seus convidados comerem naquela noite depois que o rapaz fosse embora.
Neste dia, Toni sentia dores nas costas e muito sono, pois além de ter amassado o pão o dia inteiro, havia passado a noite anterior aos pés da cama da mãe doente. Sem querer, derrubou as uvas passas, que eram para a torta, na vasilha onde descansava a massa do pão. Desesperado e temendo ser açoitado, não disse nada. Tentou salvar a situação jogando as frutas cristalizadas, manteiga, ovos, e os demais ingredientes do recheio que seria originalmente da torta na massa de pão e a adoçou. Toni assou a mistura e entregou para o patrão assim mesmo, deixando o castigo para o dia seguinte.
Na manhã seguinte, no entanto, Toni ficou surpreso quando, ao chegar ao trabalho, foi recebido pelo seu patrão com um sorriso largo ao passo que o felicitava por sua receita maravilhosa, à qual chamou de "pane di Toni" (pão do Toni). O doce, que mais tarde viria a ser conhecido como panettone, tinha deslumbrado os convivas da noite anterior e não tardou a fazer sucesso entre os senhores das casas mais nobres da região. Toni virou sócio de seu ex-patrão, os dois ganharam muito dinheiro com a receita e foram felizes para sempre.

